Fluminense

Dane-se o Tartá

É comum as discussões irem pra onde não interessa. Ou, no caso, pra onde interessa a um dos lados.

Tartá, série B, 2010.  Dane-se! Tanto faz.

Já procurei saber, não tem erro nenhum com o título de 2010 e a escalação do jogador Tartá.  Esquece isso.

A questão do vídeo é a mudança de filosofia do cara do STJD, que agora diz ser totalmente a favor de rever as coisas no tribunal.

E não é uma questão de “ser diferente o caso”, pois ele nem sabia quando deu a entrevista se a Lusa estava mesmo errada e menos ainda se o FLu, de fato, tinha cometido uma irregularidade.

O preocupante da história é a incoerência do sujeito e a clara falta de direção do STJD.

Num dia eles acham absurdo tentar julgar esse tipo de coisa, em outro acham absurdo que não julguem.

Se você hoje for beneficiado e eventualmente achar “graça”, amanhã pode ser o mesmo cara contra você numa nova mudança de rumo.

Não importa o Tartá, o Flu, o campeonato de 2010.  Importa neste vídeo é a mudança de postura e de filosofia de um cara que tem em suas mãos algumas das decisões mais relevantes do nosso futebol.

abs,
RicaPerrone

Hipocrisia

Separemos desde o princípio.  O que aconteceu com o Fluminense é bem diferente do caso do Vasco.

Num deles há um passado, uma regra claríssima e um erro, até aqui, muito bem exposto e sequer negado pela parte acusada.  Do outro, no do Vasco, há uma interpretação de regulamento que você pode concordar ou não.

Eu, particularmente, aceitaria o pedido de um novo jogo.  Jamais de uma inversão de resultado da partida por um erro insignificante do arbitro que não prejudicou nem ajudou nenhum dos times em campo.  Mas, se fosse o Vasco, também não pediria novo jogo. Pois pedir, conseguir e perde-lo será ainda pior.

O que de fato me incomoda nesta quarta-feira cinza é a reação das pessoas.

Eu gostaria mesmo de ver cada uma destas pessoas que acordaram falando em justiça, ética, moral, e outras coisas do gênero, negando o recurso caso fosse dirigente de um clube na situação do Fluminense.

Gostaria de ver todo rival inflamado com o “tri” do tapetão tricolor, negar tirar 3 pontos de um time que cometeu uma irregularidade por vontade de parecer “ético”.

Gostaria que todo paulista que hoje enche a boca pra falar em “futebol carioca” negasse a taça de bolinhas que por direito assinado pelo clube há 2 décadas não era do SPFC, mas sim de um carioca.

Gostaria que todo corintiano que hoje cedo debocha do Flu tivesse achado injusto voltar os jogos em 2005.

Gostaria de ver qualquer um de nós rejeitar a clara possibilidade de cumprir regra e se salvar no erro de um adversário.

A Portuguesa fez uma bobagem enorme ao que tudo indica. Passaria batido? Duvido.  Qualquer rebaixado em algum momento notaria isso e daria tapetão. É uma oferta muito irrecusável a quem acaba de cair. Seja ele quem for.

Se nós fossemos de fato corretos como sugerimos ser quando um rival do nosso clube se sai melhor do que esperávamos, não viveriamos num pais tão cheio de problemas.

Não teríamos belos discursos no facebook falando do “absurdo” que é o Fluminense fazer uso dessa brecha pra se salvar, em seguida usando o amigo do amigo no Detran pra agilizar a renovação da CNH.

Somos hipócritas pra cacete.

E tente não ser por um minuto, ache ético ou não:

Você, sabendo que há uma irregularidade clara e de punição não interpretativa, ficaria quieto por “ética” ou salvaria o seu da reta?

Menos dedo na cara. Mais olhos no espelho.

abs,
RicaPerrone

O Flu

Eu teria que fazer uso de algum talento pra colocar em palavras uma dose de fé e boa vontade para os tricolores que aqui frequentam.  Dizer que a coisa vai melhorar, talvez listar os “dez motivos do rebaixamento”, essas coisas padrão.

Poderia detonar um dirigente, talvez. Torcedor adora que detonem dirigentes. Sempre funciona.

Mas tem uma torcida que não precisa de explicação quando vamos falar sobre as voltas que o mundo dá.  Aliás, pelo contrário, ao falar no assunto o Fluminense é referência, não candidato a sermão da montanha.

A Maquina que foi a série C, voltou, ficou 23 anos sem ir a Libertadores. Foi, e chegou na decisão por pênaltis numa das mais incríveis campanhas já escritas em sua história.

Ano seguinte quase caiu.

Ficou. Milagre.

E então, foi campeão brasileiro.  Repetiu em 2012.

Caiu pra série B em 2013.

Eu não preciso usar mais nenhuma linha pra dizer o que gostaria pro torcedor do Flu.

Ele entendeu.  E assim sendo, já sabe quem é o favorito a Copa do Brasil 2014.

abs,
RicaPerrone

O “futebol carioca”

Eu gosto do futebol do Rio de Janeiro. Sempre gostei.  Tem um glamour, uma coisa histórica escondida que não é tão simples de explicar, menos ainda de um rival qualquer entender.

O futebol carioca foi contado por Nelson, Mario, Saldanha, Armando e sempre com romantismo.  Não é uma história escrita à Kfouri, mas sim com paixão acima da razão.

Tem Maracanã, tem o primeiro estádio, o primeiro time dos negros, a grande nação, a elite. É de uma riqueza ímpar nas diferenças culturais de suas torcidas e clubes. Mas nada disso conta no futebol moderno onde a bola entra ou não, e só.

Curioso é o termo que voltou neste domingo.  O “futebol carioca”.

Cafajeste, ordinário, mau caráter.  Um uso desprovido do bom senso e que combato há anos por princípio.   Porque agora o “futebol carioca?”.

Porque não quarta-feira? Porque não em 2010, 2012?  Porque quando em agosto, com Palmeiras na B, Santos e SPFC brigando pra não cair, não existiu “o futebol paulista” nas pautas?

Porque não há “o futebol mineiro” pra exaltar o momento de ambos?  Porque só há “futebol gaúcho” pra falar em futebol catimbado?

Porque nunca existiu, em crise, o termo “futebol paulista”?

Há um prazer incontestável em ver o “futebol carioca” se dar mal.  É um resto cultural de uma rixa boba de um momento onde tudo era só o Rio de Janeiro.

Passou.  O Brasil não olha só pra um dos seus estados e sequer é mais carinhoso com este ou aquele. Dividiram funções, mas elas não apagam a história.

Quando cai o Vasco, cai um carioca. Quando cai o Palmeiras, cai só o Palmeiras.

O Galo jamais levou “o futebol mineiro” a série b, nem levará ao mundial.

O Flu levou a série C. Mas não elevou seu nome em 2012.

Com dois times em situação difícil, onde com certeza um deles será rebaixado no domingo que vem, ele está oficialmente de volta.

Carioca no futebol é aquele que perde por falta de estrutura, profissionalismo e transparência.  Aquele que ganha “por acaso”.

Há um prazer nacional em ver times do Rio de Janeiro em situação ruim.

Se os 4 chegam na Libertadores é “esquema da CBF”.  Quando cai um deles, ninguém mais lembra da suposta ajudinha tão insinuada covardemente nas entrelinhas por aí.

Senhoras e senhores, ele voltou!  Não quando venceu, mas agora, com metade dele em crise, é hora de ressuscitarmos o termo “futebol carioca”.

Até que voltem a vencer todos.  Aí, viram só Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco.

abs,
RicaPerrone

Jogos mortais

De uma confiança incomum a um silêncio fúnebre.

O Maracanã passou por todas as etapas do que pode sentir um torcedor de futebol neste sábado. Do medo, ansiedade e confiança do pré-jogo ao extase da virada durante a partida. Terminando com a frustração de se encontrar perto de um improvável rebaixamento.

“De novo?! Vai começar tudo de novo?!”, pergunta o torcedor do Flu olhando pro céu.

Foi um jogo dramático, uma pelada, um festival de bicos pro alto que se vencesse seria demonstração de raça, empatando insinua-se que faltou calma.

O gol de Tardelli, melhor em campo, fez o Fluminense se atirar para o tudo ou nada.

Tudo!

E então, com os dois pássaros nas mãos, afrouxou os dedos e um saiu voando.

Um silêncio de dar medo.

Sai do estádio 3 minutos antes, rondei por ali até acabar e fui logo para o metrô.   Quando ele chegou já tinha bastante gente pra entrar no vagão, mas se caísse um alfinete no chão, escutaríamos.

Não houve reação de revolta, violência ou falsa confiança. A saída do Maracanã hoje é o retrato de um time que acordou tarde. Que percebeu sua fragilidade quando já tinha brincado demais com ela.

Ainda dá. É claro que dá.

Mas eles achavam que era hoje o dia.  Não em Salvador.

Ora, chega a ser petulancia! Mas era contra o possível “melhor do mundo”  que o Flu queria salvar-se do rebaixamento?

Era.

E agora, rezando por um milagre no Mineirão, ou quem sabe a benção de João de Deus em Criciúma, no Couto Pereira e no Maracanã, o tricolor dorme sem saber no que acreditar.

Sabe, porém, do que não deve duvidar.

E isso basta para que se lembre, seja nas condições que for, que ainda tem mais um jogo.

 

Silêncio não é choro.  É só silêncio.

abs,
RicaPerrone

Desconectando

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É hora de repensar a função das redes sociais e a real medida em que ela pode determinar uma “rejeição”.

Eu vivo disso, trabalho com isso há anos. Acho que posso falar com alguma propriedade.

Redes sociais são pautas fáceis para jornalistas preguiçosos.  Eu vou lá e digo: “Sou ateu”.

10 mil pessoas vão ler.  200 vão “curtir”.  30 vão compartilhar.  100 vão comentar. E destes, 40 vão me xingar.

“Jornalista se diz ateu e causa revolta em rede social”.

Tá certo isso?

Que “torcida do Fluminense” se revoltou por uma foto entre amigos onde NADA foi desrespeitoso com o clube?

Os 100 torcedores que fizeram um barulho do cacete por acharem absurdo, enquanto os outros 3,2 milhões e 900 ignoraram a foto.

E então, destaca-se o lado ruim. Sempre.  Afinal, aprovação não vende.

Qualquer pessoa de meia inteligência sabe que pessoas se relacionam e você, ex-funcionario da Kibon, pode ir na casa do seu amigo da Nestle. Não seria, talvez, muito inteligente se aparecesse numa foto tomando o sorvete concorrente.

Wellington não vestiu camisa rival, não fez qualquer menção a título ou gracinha com o clube dele. Apenas visitou um amigo que torce pro rival, algo que aliás, todo torcedor do Flu faz também e vice-versa.

São normais. Humanos.  Não escolhem amigos pelo time que torce. E se o fizerem, são completos imbecis.

Precisa isso tudo?

Será que a Fiat, quando fez uma brincadeira no dia dos namorados no facebook e teve 10 mil curtidas, 4 mil compartilhadas e 200 comentários negativos foi mesmo “rejeitada” pelo publico no que fez?

Estão dando importância demais pra meia duzia que quer criticar e através disso aparecer.  Quem gosta só volta, não necessariamente sai gritando que gostou.

Quem não gosta, quase sempre, grita.

É preciso aprender a ouvir o silêncio.

abs,
RicaPerrone

Tá fácil?

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Eu vi o Vasco jogar ontem, esperava um Fluminense, no mínimo, aplicado e comendo grama.  Não vi.

Aliás, do Flu, não vi absolutamente nada neste domingo. E não se engane, o Galo pode vir com titulares e ainda Ronaldinho, o que transformaria o jogo “amistoso” num verdadeiro inferno.

Faltam 2 jogos. Pouco importa o que o Flu vai fazer neles. A questão, hoje, era aproveitar o “campo neutro” e pelo menos arriscar algo a mais.

Nem correu pra isso, quanto mais criar algo que pudesse sugerir uma vitória.

Um time apático, triste, sem a noção exata do tamanho da responsabilidade que tinham nesta tarde.  Foi o que pareceu.

A situação que era “quase confiável” volta ao patamar de perigosa.  E sábado, no Maracanã, pode se tornar um pesadelo se o time repetir a postura de hoje.

Pode até morrer, mas morra atirando.

abs,
RicaPerrone

Segunda é o c…

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Tudo era permitido, menos uma palavra.  Naquele Maracanã cheio de fé, força e desconfiança, os assuntos eram os mais diversos.  De Dorival a Fred, passando pelo mensalão e até pela queda da perimetral, tudo era pauta para disfarçar o tema que assombrava 30 mil pessoas.

Euzébio, o adorável “filho da puta” que não podia pegar na bola, ouvia até pelo que não fazia.  Bastava um erro no ataque e alguém logo lembrava a mãe do zagueirão, o vilão da vez.

Gente. Muita gente.

O Fluminense estava acolhido, em casa, e não fez cerimonia alguma para explicar com os pés porque está na situação que está.

Jogou nada. Uma partida de doer a vista.

Mas ele ia vencer, era óbvio. O Náutico é uma brincadeira de mau gosto em 2013.  Basta um coletivo contra 11 cones de rodinhas e teremos um gol naquela defesa.

Mas, sejamos honestos. Quem se importa com a defesa do Náutico?

Havia o Flu, o Maracanã e um gol a ser feito. No mínimo.

Wagner, que dorme quase sempre, teve um de seus lampejos que ainda lhe empregam.  Golaço, 1×0.

Intervalo, ninguém toca no assunto. Eles mentem tão bem.

Quase me esqueci o que foram fazer lá.  Até que Samuel marca o segundo e eles não resistem mais.

Sem vergonha nenhum do objetivo, menos ainda de assumir o inimigo da noite, a torcida explode em um coro que desabafa a alma.

Aos berros,  todos, da garotinha loirinha mimada ao menos abastado dos tricolores. Uma só voz, um só desejo.

Uma ordem. Um pedido.

“Segunda é o caralho!”.

abs,
RicaPerrone

Pouco a “achar”

Eu acho o Luxemburgo um puta gênio. Acho também que ele está cansado e precisa de férias.  Acho um monte de coisas sobre vários assuntos. Mas tem alguns que são tão claros que nos deixam meio sem vontade de opinar.

Mas preciso. Então, vamos lá.

Não teria assumido o Flu se fosse ele sabendo que o presidente do clube não o queria.  O ambiente deve ser ridículo sendo chefe de um departamento numa empresa onde o presidente não quer você.  Inclusive diante dos seus comandados, deve pesar.

Foi. Ajeitou, começou a ganhar. Ótimo.

Antes de dar no Abel ou no Luxemburgo, acho que a diretoria do Flu devia notar que tem algo muito errado com a parte física do seu time. Não é possível que um time tenha tantos desfalques por tanto tempo como tem o Fluminense.

Teve jogo que eu não conhecia nenhum jogador do banco de reservas. Eram todos garotos, porque o que tinha tava em campo.

Luxemburgo chegou demitido. A torcida não gosta dele, muito se fala em “ele é flamengo”, o que é bizarro em 2013, mas é a cabeça de torcedor.

Se errou ou acertou na escalação do time, honestamente, é o menor dos problemas. Não tem peça pra colocar em campo, não tem ambiente pra trabalhar e há um racha político onde você é pivô.

Que puta contratação idiota. Final anunciado. Vilão eleito. Vamos em frente.

Dorival? Fraco. Não resolve nada.

Mas em 5 jogos não existe técnico bom ou ruim. Existe quem saiba gritar e levar um time no papo por 4 semanas. É só isso! E não posso avaliar de fora do vestiário a capacidade do Dorival em convence-los a jogar mais do que isso.

A troca não é ruim. É apenas desnecessária sendo que foi anunciada antes da contratação do Luxemburgo.

O Fluminense, campeão brasileiro de 2012, precisa rever alguns conceitos adotados em 2013.

Não funcionou com Abel, com Luxa e não vai funcionar com ninguém enquanto o time tiver 9 desfalques por partida e uma diretoria dividida quanto a nomes de alta relevância no clube, como o treinador.

Segue o jogo.

O Flu não vai cair.

abs,
RicaPerrone

Ai, Jesus!

Um Fla-Flu que começou em cima da hora, longe dos 40 minutos antes do nada sugeridos por Nelson Rodrigues.  Jogo ruim, feio, nervoso, sem qualquer inspiração.

O Flamengo que não queria perder, o Fluminense que precisava ganhar.

Não há Fla-Flu com zebras, menos ainda com um “franco-atirador”.  Foi fácil estar em campo pelo lado rubro-negro neste domingo.  Não havia cobrança, a maioria na arquibancada era sua e os reservas escalados davam um ar de “o que vier é lucro”.

No Flu, mais pressão. Mesmo com um time mediocre e um ataque desproporcional aos anos anteriores, o time precisava vencer. E se vencer um Fla-Flu já é duro, imagine tendo sozinho toda a “obrigação” da vitória.

Cada bola que não entrava fortalecia o mais arrogante sentimento rubro-negro de soberania. Aquele que dizia desde o primeiro minuto em voz baixa: “Deixa vir, se não entrar aqui, no finalzinho a gente acerta um contra-ataque”.

Tem mil motivos para se vencer ou perder um jogo de futebol. Nenhum deles é tão determinante quanto a vontade da bola. Tem dia, meus caros, que ela simplesmente não quer entrar. E não vai.

E quando ela não quer entrar num lado e muito se insiste para que mude sua vontade, ela costuma entrar do outro só pra deixar claro quem manda.

Ritual comum. O time que mais tentou não fez, o que se contentava com o empate achou um contra-ataque em meio ao desespero do rival e levou 2 pontos extras de brinde.

Aos 44, contra um Fluminense brigando pra não cair, pertinho da final da Copa do Brasil, e com alguns reservas por mera opção.

O que pode deixar o rubro-negro mais insuportável do que nesta segunda-feira?

Talvez a quinta-feira.

abs,
RicaPerrone