Fluminense

Pro gasto

Imagine a cabeça de um dirigente do Fluminense.  Ele precisa montar um time até junho pra que, exatamente? Pra jogar o estadual e 4 jogos mediocres da Copa do Brasil.  Talvez alguns do Brasileirão, mas nem um 25% dele. E então, pausa, pré temporada, janela, tudo de novo.

Não há nada pior no futebol do que estar brigando por nada.  Até mesmo a perspectiva de “não cair” é mais envolvente e interessante do que a de cumprir tabela. Infelizmente, meus caros, o Flu segue cumprindo tabela.

Joga pro gasto. E serve.

As vezes se anima e faz alguma coisinha a mais. Mas na real nem mesmo os jogadores conseguem enxergar um motivo grande a curto prazo. O Fluminense vai nessa de bater em pequeno até as semi, onde enfim fará algo que atraia torcida, mídia, até mesmo o time.

Hoje, contra o Macaé, mais uma vez aquela sensação de “faz 1×0 aí e espera acabar”.  Afinal, quem é que coloca canela num jogo desses? Quem quer “algo mais” num campeonato empurrado com a barriga até o fim?

E não é culpa do Flu. Ou até é, já que assinou também esse regulamento imbecil que tira o pouquinho de emoção que o estadual tinha.

Para quem joga Libertadores, vá lá.  Para quem ficou fora, o ano começa em abril.  Infelizmente.

Mas pra quem faz uma pré-temporada de luxo, o Flu vai muito bem, obrigado.

abs,
RicaPerrone

Mais a Frederico

Fred é um dos maiores artilheiros da história do Fluminense. Na recente, aquela mais vitoriosa do que nunca, ele é o maior protagonista de todos, o nome atrelado a  uma “era”.

Talvez para os mais fanáticos torcedores do Flu haja escolha.  Mas pro futebol, pra história,  já está escrito o período do “Fluminense do Fred”.

Não costumo ouvir falar que falta no treino, que deixa de fazer o que lhe cabe. Sei que se machuca muito, lamentavelmente. Pra ele e pro clube.

Tirando uma maldosa tentativa “jornalistica” de queimar o jogador quando resolveu tomar uma com umas gostosas na sua folga, nunca se falou nada demais do tal Frederico.

Ele pega mulheres, beija no transito, é engraçado, irreverente e carismático. Vai a praia, não é mudo, nem se faz de atleta de cristo.

Até onde eu consegui enxergar a vida, Fred é um bom sujeito e não faz nada de errado.  Inclusive tomar caipisaquê em sua folga, o que é seu direito. O tempo todo procuram algo pra diminuir o centroavante titular da seleção, o artilheiro da Copa das Confederações, o capitão do tetra do Fluzão, o cara dos Fla-Flus.

Fred tem problemas físicos e algumas pessoas juram que ele bate a canela na parede pra não atuar, especialmente num ano de Copa onde ele é o titular da seleção e está louco pra perder a vaga.  Afinal, além de tudo que já disse, Fred é debil mental.

Cornetas soam alto, até algumas tímidas vaias no Maracanã. Fred não as merece.  Eles sabem, tanto que o aplaudiram no final mesmo sem o gol.  Claro, aliviados pelo 3×1, mas aplaudiram.

Há algum tempo o Fluminense não tinha um Fred. Hoje tem, e parece ter se acostumado.  Tanto que já há quem o conteste como um qualquer.

Não é. Fred é um ídolo, uma referência, um puta centroavante.

Há dois caminhos.

Cobrá-lo por contusões como se as tivesse de propósito e transformar seus problemas em “vadiagem” baseada em chutes ou insinuações maldosas de jornalistas covardes, ou apoiá-lo e ter, enquanto durar, o melhor atacante do país no time.

Me parece meio fácil escolher.

Mas diria Nélson, grande Tricolor, que inveja a burrice. Pois ela é eterna.

abs,
RicaPerrone

Ai, Jesus!

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campeão rebaixado, o rebaixado que não caiu. O rico que protesta e não vai porque acha caro.

A pior zaga titular e campeã do mundo. O volante que não volta, o lateral comum fundamental.

O craque que desfalca mais do que joga, o irritante lateral que erra tudo mas acerta um chapéu por jogo.

O atacante aberto que melhor finaliza do que cruza. O argentino humilde.

O gordo que corre.

O time que caiu contra o time que foi campeão da copa do brasil.

Jogo pra empate. Ninguem quer perder, nem precida ganhar.

Se eu disser que foi um massacre estarei mentindo. O placar, porem, me desmentindo.

Ai, Jesus! Deu a “lógica”.

Abs,
RicaPerrone

Quanto vale um ídolo?

Entre o Conca que todos enxergam e o Conca do Fluminense há um intervalo. Este determina que estamos falando de um grande jogador, talvez até um “craque”.  Nem a “farsa” plantada pelos rivais, nem o “deus” que imaginam os tricolores.

Conca é um ídolo. Uma referência interna. Uma marca do oposto do que mais irrita o torcedor do Flu nos últimos anos: contusões.

Para eles, tricolores, Dario é um jogador que estaria vestindo a 10 da seleção argentina com absoluta certeza. O mais importante jogador de um time que tem Fred, titular da seleção brasileira que recebe a Copa em alguns meses.

Para os outros, um grande jogador que reforça o time do Fred.

Eles não conseguem ver isso de dentro, como os outros, de fora, não entendem o tamanho de Conca para o Flu.

O Flu do Fred vai disputar títulos e parece num bom caminho. Gosto do sistema de jogo, a idéia da formação.  Deve funcionar e torná-lo competitivo em quase tudo que disputar.

O Flu do Conca é outro. Esse é um Flu que ficará entre a torcida e o time, sem sair dos muros da laranjeiras.

Inexplicável identificação para quem vê de fora, mais incontestável ainda pra quem vê de dentro. Afinal, como não achar Conca um Pelé?

Simples. Não sendo tricolor. E, portanto, não tendo nada a ver com isso.

Portanto, cale-se. Conca é o que quiser ser, desde que seja no Fluminense.

Abs,
RicaPerrone

O rascunho do Flu 2014

No primeiro jogo com o time praticamente titular, o Flu 2014 foi desenhado por Renato Gaúcho desta forma.

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São 2 volantes que saem muito pro jogo, um mais fixo (Valência)  e um ataque de muita movimentação e que vai precisar de entrosamento pra funcionar.

Um trio. Conca e Sobis mais atrás, as vezes alternando o lado, e o Fred ou escorando ou como centroavante de fato.

A idéia é bem consistente na teoria e tirando o fato do time ter cansado e tomado um golaço no final do jogo, acho que pode até funcionar. Só tenho um “porém”.

Pra disputar o carioca e a primeira fase da Copa do Brasil, precisa de 3 volantes?

Talvez você ache que 3 volantes signifique um time defensivo. Mas isso é muito mais uma questão de postura do que da formação tática.  Se for pra liberar Bruno e Carlinhos, como foram liberados hoje, não tem nada de retranqueiro em usar 3 volantes.

Até porque, quando a bola chega ao ataque por um dos lados, um dos volantes vira meia.  Na imagem abaixo, uma subida pela esquerda, onde Jean sobe para preencher a função quase de um meia direita.

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Longe de qualquer conclusão final, o Fluminense é o primeiro time grande do Rio que deu as caras e mostrou sua formação titular até aqui.  Empatou com o Bonsucesso. Mas, convenhamos, por coerência, se tivesse ganhado de 5×0 não significaria nada.

O resultado ainda pouco importa.

abs,
RicaPerrone

Enfim, o Euzébio!

Eu sei que Fluminense e Madureira não é um jogo que interessa.  Sei que perder pro Madureira na primeira rodada também não quer dizer nada e que fatalmente daqui 3 semanas os 4 grandes estarão lá em cima e os pequenos se matando lá atrás.

Você também sabe.  E por isso, não perderei meu tempo analisando essa estréia.

Mas lá estavam Conca, Gum, Euzébio, Sobis e uma dose bastante agradável do que reclamar.

Confesse, tricolor.  Você não suporta mais ter que discutir regras, leis e política ao lembrar do seu time, seja incentivado por você ou por uma gozação. Talvez até por alguma desinformação alheia.

Fato é que pela primeira vez em muitos meses você dorme puto, preocupado, irritado. Mas com o Euzébio, o Gum, o Wagner.

E talvez na segunda-feira, no bar, seja mais fácil explicar um gol perdido do que uma liminar na justiça comum.  Se não for mais fácil é, no mínimo, mais agradável.

Que role a bola, enfim! E voltem os holofotes pra onde realmente importa.

“Ah, esse Leandro Euzébio….!!!”

abs,
RicaPerrone

 

Genial!

Um leitor me mandou um recado via e-mail ou facebook, não me lembro. Li, dei risada, achei que ele tinha ficado maluco ou interpretado errado.

Ele me dizia, veja você, que nas semifinais do carioca 2014 dois empates classificariam o de melhor campanha no turno.

Ok. Justo.

Mas se cada um vencer uma das partidas do mata-mata pelo mesmo placar (ou seja, empate), o jogo vai pros pênaltis.

Fui conferir. E ele  não entendeu errado.

Em resumo:  A vantagem do empate é sua. Desde que você EMPATE OS DOIS JOGOS! Se nos dois confrontos empatar, pênaltis.

Haja paciência!

abs,
RicaPerrone

O pênalti que não foi

Sabe aquele sonho de todo torcedor hipócrita de ver um pênalti que não foi sendo recuado pro goleiro?  Então. Nunca aconteceu.

Nem vai. Pelo menos não se o pênalti foi decisivo.

Entre a verdade e o que entendemos dela há uma mídia que conta os fatos pra você conforme lhe convém. E convém vender jornal e deixar a maioria feliz.

A maioria quer ver o pequeno defendido, o grande massacrado. Ainda mais sendo o clube que teve a péssima idéia de estourar uma champagne na tv quando viraram a mesa e ele foi UM DOS beneficiados.

Você só sabe o que sabe porque a imprensa te conta.  E então, muito relevante se torna “como” ela te conta.

Eu não queria que o Fluminense tivesse ficado na série A pelo tapetão. Mas não serei canalha de dizer que recuaria a bola pro goleiro.

O Flu, o seu time, você, qualquer um, aceitaria o erro do rival pra levar vantagem. E não, não é novidade, nem virada de mesa. A mesma regra foi aplicada em 10 casos iguais nos últimos anos, com a mesma punição.

Que audiência dá discutir o tamanho da merda que fez a Portuguesa?

E bater no Flu, insinuar coisas, transformá-lo no satanás do futebol brasileiro e ainda fazer uso disso para discursar sobre ética, o país, a corrupção e os valores da sociedade?

Dá um puta ibope.  É a interpretação fácil que todos querem ouvir pra não ter que pensar, só apontar o dedo e julgar.

Piada é piada. Tem que ter, tem que aturar. Mas notícia é notícia.

Repito, sem medo: Nenhum clube do mundo no lugar do Fluminense recuaria a bola pro goleiro. Não numa decisão.

E mais importante disso tudo:  O Fluminense não mudou nada, nenhuma virgula de regulamento algum. Portanto, não há virada de mesa.

Há sim uma tremenda cagada da Portuguesa que já está perdoada de véspera, afinal, é só a Portuguesa.

O Flamengo, que cometeu o mesmo erro e pagou igual, é muito mais contestado internamente do que massacrado fora pelo erro. Porque?

Porque também é grande.

Eu não queria ver o campeonato terminar no STJD. Mas senhores, sejamos menos hipocritas.  Qual dos últimos não teve relevantes decisões naquele mesmo “campo” de advogados e promotores?

– Você está, então, defendendo o Fluminense?!?

Porque diabos ponderar sobre um assunto onde existem 3 envolvidos é estar de um dos lados?

O Flamengo também é interessado no erro da Lusa.  Aliás, olhando a tabela como ficou, é até mais do que o Tricolor.

Mas não importa. Pois é claro que o Flamengo não tem culpa da Portuguesa ter sido tão amadora.  Só não é claro que o Fluminense também não tem.

Porque?

Porque pra qualquer novela é preciso um vilão, um herói e um coitadinho.

Só não acharam o herói ainda. Mas a novela está no ar rendendo uma puta audiência e você parece aquelas velhas que quando encontram a atriz na rua xingam pensando ser a personagem.

Montaram um circo.

Adivinha quem é o palhaço?

abs,
RicaPerrone

 

A mesa não virou

Separem bem as coisas.  Virar a mesa é mudar o regulamento após o resultado para inverter uma situação a favor deste ou daquele. Centenas de clubes já “viraram a mesa”, seja pra classificar pra quartas que eram semi, ou pra ter uma segunda chance.

O que houve hoje no STJD não é uma virada de mesa. É uma decisão no tapetão, no tribunal, fora do campo. Mas não uma virada de mesa.

Quem teve a oportunidade de ouvir as palavras dos advogados no tribunal pode notar que a defesa da Lusa era realmente muito frágil e sabia ter errado. Tanto que apelou pra outros pontos que não a regra em si.

Pois bem.

O Fluminense se beneficiou, não tenho dúvidas que existiu pressão política, nem que se fosse o Barueri ninguém diria nada.

Fato. Afinal, a Lusa é a Lusa, o Barueri é o Barueri e o Fluminense é o Fluminense.

Regras são regras. Moral, ética, justa, injusta…. outra coisa. Regras são regras.

E quando alguém pede que ela seja cumprida e consegue, pode-se chamar de tudo. Mas não de “virada de mesa”.

Não gostei. Queria que o Flu abrisse mão e jogasse a série B. Mas ele não vai fazer isso simplesmente porque NINGUÉM, nem você, faria se fosse com seu clube.

Hipocrisia a parte, vamos aos fatos.

A Portuguesa cometeu um dos erros mais estúpidos da história do futebol. E de fato, se dos ultimos 19 casos, 17 foram punidos desta forma e 2 tiveram diferentes interpretações por outros motivos, não dá pra chamar de “virada de mesa”.

E nem pra fazer de vítima a Lusa, que em 2002, lembremos, queria fazer o mesmo com o Flamengo.

Não foi a primeira. Nem será a última.  Se o Barcelona cair e tiver um erro do Getafe, ele pede no STDJ de lá e ganha.

O que não apaga a campanha ridícula do Fluminense e o FATO dele ter sido rebaixado em 2013.

O Flu não deixou de ter sido rebaixado. Deixou de cair. É diferente.

Abaixo, o que disse o advogado do Flu e que acho que seria interessante que todos ouvissem antes de repetir o que a tv fala pra deixar a maioria feliz.

abs,
RicaPerrone

Discussão vazia

Muito se discute, argumenta, grita, defende, pondera, mas na real… é só clubismo.

Não conheço nem 3 torcedores do Flu que acham que o bom senso deve prevalecer acima da regra. Nem 3 torcedores rivais ao Flu que entendem que regra é regra.

Conheço centenas de pessoas que, como eu, lamentam o fim do Brasileirão e a óbvia intervenção política para rever uma condição de jogo.

Na regra, fora dela. Tanto faz. Faz uma semana que não se fala em outra coisa e a divisão é tão clara e vazia, que não tem a menor credibilidade.

Todos os tricolores preferem a regra ao bom senso. Todos os não tricolores preferem o bom senso a regra.

Mais simples do que isso:  São todos torcedores e querem rir do rival ou escaparem do rebaixamento.  Não tem mais nenhuma verdade além dessa.

Nem moral, ética, pensando no futuro do futebol, no passado recente, no que for. É uma discussão entre tricolores e não tricolores.

Porque não vou me opor ao Fluminense? Porque sei, sem cerimonia alguma, que TODOS os que hoje são radicalmente contra fariam uso da mesma tentativa caso fosse o seu time o interessado.

O problema não é a regra, a Lusa, nem a ética do “nosso futebol”. É apenas o rebaixamento ou não de um rival.

Fosse qualquer outro clube na situação do Fluminense, informado que há uma chance de reverter na justiça, também faria. E você, torcedor deste clube, repensaria a situação e diria bem alto: “Regras são regras!”

A Portuguesa se fez de coitadinha, vocação que aliás faz dela eternamente derrotada.  Mas então puxamos 2 tentativas de tapetão da própria Lusa onde seus diretores falavam em regra, doa a quem doer, etc. O que prova uma incrível vontade de se dar bem, foda-se a forma.

Eu gostaria de ver o Fluminense rebaixado porque foi assim que ele mereceu terminar o ano. Mas não posso mentir pra mim mesmo que se fosse com o meu time eu não estaria achando normal “cumprir a regra”.

Somos todos assim.  Torcedores até quando queremos parecer advogados.

Pouco me importa o que vai acontecer no tribunal hoje a tarde.  Já provamos, mais uma vez, que somos oportunistas, clubistas, incapazes de pensar num futebol melhor.  Aliás, mais do que isso: Somos apaixonados por um clube.  Não por futebol.

abs,
RicaPerrone