Futebol Europeu

Não se trata de gols apenas

Se alguém não entendeu o que disse Maradona a respeito de Messi outro dia, acho que entendeu essa semana na Eurocopa.  Eu não tenho o menor pé atrás em afirmar que o Messi é mais talentoso que o Cristiano. Bem mais, eu diria.

Também não tenho dúvida de quem se esforçou mais pra chegar lá tendo menos talento natural que o outro.

O que temos por Cristiano a partir desta data não é mais uma avaliação futebolistica apenas. É a postura de uma referência que se faz referência. De um líder que é realmente “o dono da porra toda”, e que se ganhar ou perder vai meter a cara pra ser o alvo de todo blá, blá, blá que vem de fora pra dentro.

Cristiano em 2 jogos – no último nem jogou –  foi o jogador que Portugal precisava.  O que grita, o que MANDA, o que se posta como líder e que não se omite perante o medo de ser julgado.

Ele vive julgado. Toda pessoa de sucesso vive sendo julgado o dia todo, todos os dias, por pessoas que não fizeram sucesso. É assim a vida, e sobrevive o que consegue entender que entre ser julgado por omissão ou por ação, a segunda será sempre menos confortável. Porém, a que te fará ser merecedor do sucesso.

Messi não tem nenhum DEMÉRITO em não ser esse cara. Mas Cristiano tem esse mérito de ser, além de um grande jogador, um cara que mete seu gel, anda feito uma gazela e não tá nem ai pra nada.

Messi não bateria um pênalti de cavadinha pra irritar um goleiro.  Cristiano bateria, perderia, e seria expulso na sequencia por se descontrolar.

Cristiano erra mais que o Messi. E por errar mais indica o quanto tenta ser maior do que a vida lhe ofereceu.  Hoje, campeão da Euro sem jogar a final, foi um dos melhores em campo.

E Messi, titular absoluto e fazendo gols na Copa América, um dos piores em campo na final.

Porque jogar futebol, para “o cara”, nunca bastou.

abs,
RicaPerrone

Não tem alma

Não, não! Não é o que você está pensando. Eu não vou ser o “palhação” do twitter e dizer que é um Paraná com grife.  Quero falar outra coisa.

Sabe quando eu digo que não mexe comigo? Nem eu exatamente sei explicar porque. Mas acho que hoje encontrei.

O cenário é:  Um time ultra poderoso e rico que matou uma liga inteira pra ter o que tem contra um time bem menos rico de uma liga que se recupera de um escandalo de corrupção.

Um time joga pro mundo. O outro pra Turim. Um deles compra espermatozoides talentosos e o outro espera crescer pra ter certeza.

Um é o “novo rico”, o outro o velho socialite.

Os dois times tem em seus maiores ídolos 70% de jogadores que não são de seus países, suas seleções.  Uma das torcidas é feita de “fãs”, a outra de torcedores.

O Barcelona é muito superior. Mas é futebol, e portanto temos um jogo.

Lá se vão 40 do segundo tempo, está 2×1 pro Barcelona. A Juventus, time de “torcida”, está a 5 minutos do fim do sonho profissional de todos os seus jogadores.

E eles assistem ao final do jogo.

Ninguém perde a calma, o controle, a posição. Não tem abafa, não tem pressão. Ninguém se joga pro ataque irresponsavelmente. Todos eles parecem olhar aquilo como “uma digna derrota por 2×1”.

Eu respeito pessoas assim. Mas no meu planeta, aos 40 do segundo tempo, perdendo o jogo da minha vida eu rasgo a cara na trave pra tentar empatar. Eu chuto a cabeça do adversário numa dividida, eu sou expulso, perco a razão, o jogo, mas eu tento.

A impressão que eu tinha era que ali tinha um espetáculo na casa de ninguém, com turistas ricos que foram lá ver o jogo, uma renda fodida, dois times de executivos profissionais do futebol e um consenso.

Encontrei.

É isso que não mexe comigo.  E eu não estou falando de organização, blá blá blá.  Eu me refiro ao detalhe que me tira o tesão.

Não é uma decisão. É um evento.  E mesmo sendo do caralho… Eu gosto de decisões.

O que eu posso fazer se prefiro um estádio cheio sem banheiros a uma arena com 15 mil turistas e mármore na pia?

abs,
RicaPerrone

Nem todo menino é um Rei

Vencer.  O significado dessa palavra muda de pessoa para pessoa. Alguns, acho que a maioria, atrela isso a dinheiro.  Outros a forma física, outros tantos a “ser invejado”.  Ter poder é vitória para muita gente. No esporte “vencer” é simples. É do jogo.

Algumas pessoas nascem com o objetivo de fazer parte da história, outros de fazer história.

A vida é como um grande jogo de futebol. Dentro daquele estádio tem 80 mil pessoas, das quais 98% torcem e dão palpite, 1% trabalha em silêncio e 1% joga para fazer aquilo existir.

Deste 1% todos convivem com vitórias e derrotas, é do esporte. Alguns ousam um pouco mais, outros se contentam com menos.

É um prazer ser a surpresa da família. Uma tortura conviver com a idéia de não ser a frustração dela desde os 10 anos de idade.

Garotos crescem fazendo bobagens e a maioria delas não tem como corrigir.  Assim a vida vai nos levando para caminhos certos ou errados, vitórias ou derrotas.

Ainda que meninos, somos julgados como adultos, por adultos, invariavelmente invejosos por enxergar na gente uma segunda chance de tudo que eles não fizeram.

Os 99% que não jogam são muito cruéis. Nós, parte deles, seres mortais, nunca entenderemos o que eles vivem. Mas invejaremos até o último minuto da última partida de futebol o sujeito que ganha muito dinheiro não pra fazer o que gosta, mas pra fazer o que todos gostam.

Uns crescem, outros não. A maioria fica pelo caminho.

“Todo menino é um Rei….”. Não é não.

Neymar é.

abs,
RicaPerrone

 

O noivo e o corno

Em 2010 o primeiro amistoso da campeã Espanha foi contra a Argentina.  Os sulamericanos, humilhados naquela Copa pela Alemanha por 4×0, repetiram o placar só que desta vez a seu favor.

Incrível! A Argentina, então há 18 anos sem um título, ganhava um amistoso da campeã mundial por goleada.

Em 2014 eles fizeram uma Copa bem sem vergonha, mas chegaram na final.  Há exatos 28 anos sem ganhar uma partida de Copa do Mundo contra um “grande”, conseguiram ir até lá mesmo assim.  No máximo empatando com a Holanda e levando nos pênaltis.

A Alemanha ganhou a Copa, com toda justiça. Para comemorar, repetiu a Espanha e convidou a Argentina. Tomou de 4×2 em casa.

A Argentina é aquele corno que vai na festa de casamento da ex pra beber e fingir que não está nem ai.  O noivo se diverte, paga a festa, leva a noiva pra casa e o corno fica lá fazendo tipo de que “nem queria mesmo”.

Essa é a Argentina. Ha 21 anos sem ser campeã, há 28 sem ganhar de uma grande seleção em Copas. Há 5 anos enchendo a cara na festa de quem “comeu” sua noiva.

abs,
RicaPerrone

Mais futebol, menos tecnologia

Aconteceu na Holanda.  O estádio do PSV, ex clube de Romário, Ronaldo e outros tantos, liberou wi-fi para geral.

Legal, bacana, viva o PSV! Só que nessa a torcida entrou numa de ficar online no celular o jogo todo e dando mais atenção pra celular e tablet do que pro jogo em si.

E na goleada de 6×1 sobre o NAC neste final de semana a torcida protestou e, acredite, pediu o fim do wi-fi.

A faixa dizia: “Foda-se o Wi-fi, apoiem o time!”.

E convenhamos, nem precisou neste jogo. Mas nos próximos, se precisar, o recado está dado.

abs,
RicaPerrone

É muita grana

Hoje recebi um balanço de quanto os clubes da Champions League receberam na última temporada por terem disputado o torneio.  É algo bizarro! Digno de justificar cada investimento em jogador tanto quanto de contestar como podem se endividar.

Para base de comparação, por mais absurda que seja e sabendo que somos um único país de economia mais forte no continente, o campeão da Libertadores não leva pra casa uma premiação maior do que 12 milhões de REAIS.  Ou seja, três vezes menos do que o time da Champions que menos faturou apenas por ter participado.

E não, não acho isso um demérito da Conmebol apenas.  Não se pode obrigar que os países da América do Sul tenham poder para competir com os mais ricos europeus. É uma questão que sai do futebol.  A questão, na verdade, é descobrir se vale a pena mesmo continuar disputando a Libertadores como ela é hoje ou se é hora de colocar a América do Norte nessa brincadeira e tentar, no mínimo, triplicar esses valores.

Os gênios

Basta uma palavra em outra língua para brasileiros acharem que trata-se de um ser superior. Os dois técnicos finalistas da Champions são cheios de mídia, badalo, referências e no entanto foram os piores em campo.

Um por escalar Coentrão no lugar do Marcelo, sob a justificativa tática do português marcar melhor. Como se houvesse alguém do outro lado, covarde por instinto, para ser marcado.

Num jogo onde iriam atacar e ver o rival esperar um gol achado, porque o lateral menos criativo e técnico?

E Simeone, um dos mais desleais sujeitos que vi na vida, agora “exemplo” e já na nossa mídia como “desejo” de muitos jornalistas que se deliciam com um terno preto vestido num gringo.

Escalou Diego na maior burrice do mundo e perdeu na prorrogação porque seu time estava morto e não podia mais mexer.

Pobre Zagallo quando fez isso sob o aval médico e com o melhor do mundo.  Foi “ousado e corajoso” o jumento que fez isso para ter no Tuta com grife uma arma “fatal” e decisiva.

Fala sério!

Os dois treinadores fizeram de tudo pra inventar moda e no final, pra sorte do futebol, ganhou o que pelo menos não é tão covarde.

O Atlético de Madrid não joga futebol. Faz uso dele pra ganhar pontos. E time que faz isso não precisa ser rebaixado, mas menos ainda ser premiado.

Um jogo daqueles didáticos, que explica a qualquer ser humano porque o futebol é apaixonante, intenso e porque a tal “justiça” que se busca nos pontos corridos é uma tremenda imbecilidade, tratando-se de um produto cujo maior chamativo é a emoção.

abs,
RicaPerrone

O melhor do mundo

Cristiano Ronaldo foi eleito o melhor do mundo.  E de fato, em 2013, foi mesmo.  Na real, sua premiação só serve pra constatar o óbvio. O que ficou de mais interessante foi, de novo, a reação do jogador.

Não porque seja diferente “chorar” quando muito feliz. Mas porque Cristiano é isso aí e gostem ou não, ele é o que é.  Algo que me agrada, mesmo que eu não goste do seu perfil.

Se veste como uma mocinha. Mas sabemos que gosta de se vestir como uma mocinha.

Fala grosso, é arrogante, se acha Deus, faz caras e bocas, olha no telão e peita a torcida rival quando faz um gol decisivo.

Cristiano pode ser tudo, menos um jogador padrão.

Se ouvir Cristiano dando entrevista, sem imagem, saberei quem é. Não saberei se for o Messi.

Aliás, não sabemos nada sobre Messi, por exemplo. Apenas que joga muito.

E dirão que “basta”. E sim, é verdade.

Mas o futebol, como todo entretenimento, é feito de personagens e histórias, não apenas de fatos claros e realistas. Cristiano divide o mundo, gera quem o odeie, quem o adore.

Messi não causa nada em ninguém.

Mas eu não gosto do jeitão do Cristiano Ronaldo. Nem acho que ele jogue um futebol tão absurdo assim.  Acho um craque, sem dúvidas, mas já vi muito mais gente melhor que o Cristiano do que melhor do que o Messi.

No entanto, Cristiano tem um lado Renato Gaúcho.  Sou da turma dos que não adora. Nem odeia.  Acho ele um bobão olhando pro telão se achando lindo e no minuto seguinte acho do cacete ele mandar a torcida calar a boca porque resolveu o jogo.

Cristiano me causa alguma coisa enquanto ser humano.  Messi, não.

Talvez porque Cristiano esteja disposto a errar e acertar, ousar e se expor até ser o melhor do mundo.  Messi é só o melhor do mundo.

Cristiano Ronaldo seria notável mesmo se não jogasse porra nenhuma.  Pra ele, basta um tubo de gel, um pente e um telão pra que todos o percebam.

Adoramos odiar um ídolo. Mais Cristianos.

abs,
RicaPerrone

30 anos atrás…

O professor Valdir Espinosa fez mais um de seus vídeos explicando futebol pra quem quer ir além de avaliar o placar do jogo.  Com sua experiência desvenda algumas lendas criadas pela mídia.

O Super-Bayern, ou o Super-Barça, que são times maravilhosos, mas que taticamente não tem a “inovação” citada pela mídia.

Mas se alguém duvida, taí o desenho. O que hoje é tendência mundial de formação tática o Grêmio fazia em 1983. Há 30 anos…

Acho que os técnicos europeus não são tão maravilhosos e inovadores assim, são?

abs,
RicaPerrone