Santos

Os heróis, os vilões

Ontem, aqui mesmo, dizia que o Santos poderia tentar algo diferente sendo diferente. Há cerca de um ano todo mundo sonhava em ver Santos x Barcelona, mas não este Santos. Aquele que agredia e dava show. Este, pragmático e Neymardependente, não é metade do que foi aquele time.

Frente a frente, hoje, o exemplo do que é de se aplaudir e o do que deveríamos vaiar. Mas não vaiamos, pois só olhamos pro placar.

Sim, eu acho o futebol europeu super valorizado. Acho que a maior parte do time do Barcelona seria 60% do que é se não jogasse justamente neste Barcelona. Mas isso é achismo. O que temos é um time espetacular que dá baile e joga futebol o tempo todo. Digno de aplausos, um cometa que passa sei lá de quantos em quantos anos.

Imbatível? Não. Nem a pau.

O que existe de mais simples no Futebol é praticado pelo Barcelona. Se tem a bola, você não é agredido. Se passa bem a bola, não perde. Se marca na frente, toma a bola de quem tem menos qualidade, e se fizer isso, não verá seus rivais com muita gente em cima de você.

O maior mérito do Barcelona atual é respeitar a lógica e ter um técnico que respeita o clube que trabalha. O Barça toca a bola e joga bola. E se perder, perde assim. Mas se mantém Barcelona.

Do outro lado, sabendo tudo que teria pela frente, Muricy passou 6 meses olhando como faria uma enorme bobagem. Fez, com estilo.

Ao perder o Villa, veio Fabregas. Ficou desenhado pra qualquer cego: O Barcelona vai tocar a bola no meio-campo até cansar. Entrou mais um cara ali, era impossível imaginar algo diferente disso.

Muricy nota que o Barça perde um cara de frente, aumenta o volume no meio e mesmo assim resolve tirar um meia e colocar outro beque.

Deixa eu explicar o que tenho na cabeça por bom técnico: Se eu tenho 3 beques ruins e 3 bons meias, jogo com 2 beques pra poder ter mais bons jogadores do que ruins em campo. A formação deve privilegiar a sua maior virtude, não tentar arrumar seu maior defeito apenas.

Com 3 zagueiros, 2 laterais, o Santos fez uma linha na entrada da área e chamou o Barcelona. Deixou que a bola chegasse livre e fácil pro Xavi armar. Dá pra entender?

Dá! Porque foi com essa mentalidade covarde que se fez melhor do país. Mas ela não funciona contra times acostumados a agredir. Ainda mais os entrosados há anos.

Muricy não perdeu o jogo porque técnico não faz isso. Aliás, o Barça é que venceu, não apenas o Santos perdeu.

O impossível de aceitar é a forma que o talentoso time do Santos entrou em campo. Foram 6 meses de férias pensando e se auto-pressionando pra um só jogo, enquanto o Barcelona jogava clássico 1 semana atrás.

Quem foi pra lá confiante? Quem entrou voando e quem entrou sem um padrão?

Era óbvio que o Barcelona seria melhor, até porque, é!

Mas não é óbvio que se assista o adversário jogar e se anule suas principais armas as deixando isoladas na frente.

Muricy foi, de novo, covarde. E a mídia, que só vê resultado, talvez desta vez o critique. Mas ele só repetiu o que sempre fez.

O Barcelona não tem nada com isso. Fez e faz o que a gente sonha em ver. Agride, ousa, tenta, joga e marca em cima. O Santos fez tudo que um Europeu faria antigamente.

O baile poderia não ter existido, e time por time, nem caberia. O Santos não tem time pra tomar olé de ninguém, mas…  tomou.

A derrota é natural, normal, até justa.

A forma de perder é que não pode ser aceita.

O Barcelona foi Barcelona, o Santos foi Getafe.

Assim sendo, placar normal.

abs,
RicaPerrone 

Vai pra cima deles, Santos!

A frase é o que grita a torcida em uma de suas músicas mais cantadas nos estádios. Talvez ela não diga exatamente o que pensa o torcedor naquele momento, talvez seja apenas uma música de jogo. Mas hoje, véspera de decisão, é tudo que desejo ver.

Com medo de engolir palavras, a mídia diminuiu a euforia de afirmar que o Barcelona enfiaria 5 em qualquer time brasileiro. Mas todos sabem que o esperado é a derrota. Seja por 1, seja por 4.

Eu não a espero. Mas a lógica e a maioria esperam. Se o Barcelona é o tal “um dos melhores times de todos os tempos”, ele tem que ganhar do Santos que não faz uma grande partida há alguns meses.

Se o Messi é o melhor do mundo, deve resolver pra cima de Dracena e Durval. E se metade do que dizem sobre o futebol europeu é fato, o Santos vai pra lá quase como zebra.

Mas não é. Nunca será.

Eu vejo um jogo de iguais, com duas defesas comuns enfrentando ataques acima da média.  Um jogo, em tese, pra agredir.

Alguns exploram o ponto fraco adversário, outros tentam corrigir o seu lado fraco. Eis a divisão simples de ousadia e covardia no futebol.

Guardiola é ousado, Muricy covarde.

Eu não tenho dúvida que o espanhol não mudaria sua formação para tentar parar o Santos. Muricy, também sem dúvida, já mudou a forma do Peixe jogar pra tentar parar o Barcelona.

Pode funcionar, é futebol. Mas não acho o mais inteligente.

Perder por 2×0 assistindo o Barça tocar a bola é mediocre. É óbvio, é comum demais.

O gigante peita, vai pra cima e, se derrotado, é com a dignidade de ter tentado.

Toma 4×2, mas não toma 2×0 sem chutar no gol.

Na hora de medir forças os gigantes fazem uso das espadas muito mais do que dos escudos. É hora de ir pra cima, dane-se o que dizem do Barcelona.

Ali tem alguns craques, mas tá cheio de pereba se fazendo em cima do conjunto. Explore-os!

Agrida! Drible! Ouse!

Eles não sabem o que é ser agredido. Eles não levam olé, eles dão. Ao tomar, serão surpreendidos.

Comece o jogo dando um chapéu.  Faça uma firula, irrite-os.

Não recue. Dê risada do Iniesta quando tomar a bola dele.

Entrem em campo sorrindo, não tremendo.

Dizem que o Santos “morre amanha”, e se acontecer, normal.

Mas se é pra morrer, morra atirando, não correndo.

abs,
RicaPerrone 

Entre os grandes

Você sabe, como todos nós, que existem times que usam os pontos corridos para fazer ponto em pequeno e outros que se perdem com eles. Você também sabe que os principais jogos do campeonato são entre os 12 maiores clubes do país, onde nenhum dos confrontos é tido, jamais, como “moleza”.

Assim sendo, por mera curiosidade, resolvi tirar da tabela todos os jogos que não fossem entre os 12 grandes. E o resultado surpreende. Se fossem só eles, o campeão estaria perto de ser o Flamengo, ameaçado por Corinthians, Vasco e Botafogo.

Palmeiras, São Paulo e, óbviamente, Cruzeiro e Galo não teriam motivos para sorrir. Aliás, não tem.

O que mostra a tabela acima?

– Que você talvez seja adepto da idéia de que Caio Jr. e Luxemburgo digam pro time no vestiário: “Hoje é moleza! Não precisa correr!”. Se não for, repense alguns questionamentos sobre times que jogam quando querem.

– O São Paulo conseguiu, em 21 jogos, ganhar 6 contra grandes e ainda assim brigar pela Libertadores e pelo título o tempo todo. Coitado dos nanicos que o encararam.

– O Flamengo tem a segunda melhor defesa, por um gol a mais, e o melhor ataque de todos, com 4 a mais.

– O Fluminense é o time que mais se atira no Brasileirão. Ou perde ou ganha, só um empate. Não a toa só faz jogão.

– Pelo que apresentam e pelos números de vitórias e gols, São Paulo e Palmeiras até que perdem pouco.

– E a zaga do Galo hein?

abs,
RicaPerrone 

“Nem a PM!”

Aquela tradicional musiquinha de estádio que termina com “ninguém vai me segurar, nem a PM!” tem lógica. Afinal, passados 200 anos das promessas de promotores e chefes de não sei onde que tudo isso iria acabar, cá estamos, andando em circulos.

Mas é simples. Eu poderia falar das diferenças culturais que fazem do paulista mais estressado e agressivo do que outros. Mas ao dizer isso vou causar a ira dos estressados, logo, melhor não. (risos)

A questão é que na jaula qualquer animal fica macho. Bota um poodle no colo pra você ver como ele late. Agora joga no chão pra ver como ele corre.

Clássico é meio a meio. Eu não quero saber de quem é o mando. O mando é do espetáculo, do entretenimento, do futebol. O placar do jogo é só um placar entre os mil clássicos que haverão pela frente.

Bandeiras, faixas, fogos, adereços e afins são coisas que alegram o futebol e tiram o foco de guerra. Quando você tem um show, você aplaude. Quando você tem uma disputa e nada mais, você se envolve só com a “guerra”.

O estádio é pra beber sim! Devolva a cerveja do povo. Domingo é dia de ir ao estádio tirar sarro, cantar, beber, ver amigos, levar bandeira, buzinar na ida e na volta e, também, ver o jogo.

E aí está a questão: Ver o jogo!

Torcedor de verdade vai ao estádio ver seu time jogar. Torcedor modinha vai ao estádio ver seu time ganhar. E torcedor vagabundo vai ao estádio obrigar seu time a ganhar.

Esse tipo de gente, que qualquer cidadão normal identifica, é ignorado pela PM. Porque ela tem medo deles.

Tanto medo que os escolta indo pro jogo, enquanto larga o torcedor comum nas mãos dos que fazem arrastão na porta do estádio.

PM dá porrada em cambista, porque não tem coragem de dar no líder da torcida que está incentivando um grupo a bater em outro grupo.

PM faz seu papel colocando medo em torcedor de bem em São Paulo. No setor das organizadas eles ficam atrás, escondidos, morrendo de medo.

Não tem 2 clássicos em São Paulo porque nós somos um povo, hoje, que não vê mais futebol como lazer.

Vamos ao estádio cobrar e só. Aliás, vamos lá passar nervoso, não relaxar.

Em São Paulo o futebol virou obrigação. Ninguém se diverte indo ao jogo. As pessoas tem medo de ir.

Não é divertido. É tenso.

É prático. É só pelo resultado.

Não tem festa, tem tensão e explosão.

Não dá pra ter 4 camisas na rua na nossa cidade. Sabemos disso, não sejamos hipocritas.

Aqui, quando você ajuda a gritar que “mata um, mata cem”, não se esqueça a consequência.

Você não vai decidir em casa a vaga na Libertadores. Porque você apoiou quem bate, você cantou com eles, você achou legal dar 10% pra torcida visitante, você ajudou a acabar com a festa.

A PM foi covarde quando ao invés de brigar com os bandidos puniu os torcedores de bem. E eles aceitaram,  burramente, e fizeram oposição a PM se juntando a organizada.

Engrossaram a massa errada.

Agora não tem volta.

Futebol em São Paulo é uma disputa entre facções e tipos de pessoas. Não é um programa de domingo divertido pra levar seu filho, rir, beber e comemorar.

Em São Paulo você sai do campo puto, não triste.  Pois só o que te restou foi o jogo. Não teve nada além dele.

Americanos devem ser burros, talvez.  Por isso sabem que o evento em si é tão importante quanto, minimiza o foco apenas na vitória ou derrota.

Aqui, restou só isso.

Graças a PM, que prefere proibir bandeiras do que pegar quem faz mau uso delas.

O jogo é em Mogi por culpa da PM, das organizadas e de todos nós, paulistas estressados que perdemos o foco.

Futebol é a alegria do povo.  Se isso mudou, não foi a toa.

A CBF vai levar bordoada a toa. Ela não escolhe isso, quem passa pra ela o “sim” ou “não” sobre 2 jogos na capital é a PM. E ela disse “não”, de novo.

Pensa na próxima vez que for ao estádio cantar com “eles”. Pensa quando for desfilar achando que está ajudando seu time no carnaval.

Pensa bem. Tiraram sua bandeira, sua festa, sua camisa, sua cerveja e agora seu time da cidade.

O que vem depois?

abs,
RicaPerrone 

Vacilão!

Você ouve sempre aquela mentirinha durante os pontos corridos: “É jogo de 6 pontos!” e acha que está vendo uma decisão. Não,  não está. Neste formato não há decisão, é um orgasmo homeopático ser campeão nos pontos corridos.  Mas se engana quem pensa que o grande vencedor precisa ganhar dos grandes adversários.

A diferença entre os grandes não é resolvida em grandes jogos mas sim em grandes vacilos.

Você pode querer discutir comigo por 200 horas seguidas sobre o que é ou não um vacilo. Na sua cabeça perder em casa pode ser, na minha não. Na sua o Figueirense pode não ser, na minha sim. Enfim, resolvi facilitar.

Das 34 partidas disputadas até aqui eu computei como “vacilo” apenas os jogos EM CASA onde os grandes perderam pontos para os “não tão grandes assim”.

Se você, Colorado, perdeu em casa pro Vasco, vou ignorar! Assim como ignorarei chamar de vacilo sua vitória fora de casa para outro clube.

A regrinha é mole: Ponto perdido dentro de casa para um dos times que não estão no G12 do futebol brasileiro.

E o vacilão do título é o Flamengo, que perdeu 10 pontos onde teria obrigação de garanti-los.  Os 10 pontos dariam ao Flamengo a condição de favorito, o que indica que o time foi muito bem em jogos dificeis contra grandes.

Conclusão? Time fanfarrão. Só joga quando precisa.

Palmeiras e Grêmio são outros que perderam a chance de brigar por Libertadores tropeçando em jogo fácil.

Corinthians, Flu e Vasco mostram bem desenhadinho que pra vencer pontos corridos é preciso bater em nanico, não necessariamente nos grandes jogos.

Quanto menos se erra, mais perto do título.

E assim mudamos a mentalidade nacional da busca pelo diferente. Hoje, não perdendo, não vacilando, tá ótimo.

E os números não deixam duvida. Deixam?

É mais um dado, inclusive, para dizer ao torcedor que seu treinador não é tão culpado assim. Se fosse, seu time perderia jogos faceis e ganharia os dificeis como?

É o Brasileirão do “não pode errar!”.

Acertar? Ah, se der tempo… quem sabe?

abs,
RicaPerrone 

Obrigado, Santos!

De novo, muito obrigado. Por Pelé, Marta, pelo futebol brasileiro, por tantos craques e, desta vez, por pensar grande.

O Santos não é –  e não se ofenda com isso, torcedor santista – uma das maiores torcidas do país e sequer uma das que mais consomem. Com Neymar, Ganso e cia, tem uma média de público muito ruim em 2011, por exemplo. Isso é número, não opinião.

 Ainda assim, pensa gigante.

Porque é, independente de ter ou não 30 milhões de seguidores, afinal, os maiores clubes da Europa não tem isso nem como população da cidade.

Neymar fica até 2014 e dá mais um delicioso tiro na testa de quem acha que o Brasil é a série B da Europa.

Se submeterá a ficar ouvindo que “não pode ser melhor por não jogar no Barcelona” por mais 3 anos, pois deve saber que isso só é argumento de quem se empolga mais com a grife do que com o que assiste de fato.

Quando Luiz Alvaro diz “ele fica conosco até 2014”, não consigo saber se é pra todos ou só pros santistas.

Na verdade jornalistas, torcedores e amantes do futebol deveriam ir lá e agradecer ao presidente pela conquista e ao Neymar pela ousadia de ir na contra-mão.

Outro dia disse aqui que pagava pra ver um garoto que não fosse babaca de achar que o dólar europeu vale mais do que o dólar no Brasil. Dólar é dólar, e a dose do que não se compra é infinitamente maior estando em casa.

Pra crescer é preciso confiar. Para sermos gigantes precisamos de atitudes de gigante.

Neymar é um garoto de 20 anos que pensa e age como se tivesse 40. Melhor ainda, joga como se tivesse 15.

Ele fica pra fazer a FIFA olhar pra cá. E se não olhar, azar dela.

Ele fica pra dizer pro Real e pro Barcelona que são apenas dólares, não a grife. E se houver grife, não será maior que vestir a do Pelé.

Para conquistar o mundo é preciso estar do tamanho dele. Hoje o Santos mostrou que sonha com motivos e com argumentos.

Neymar é nosso!

Não do Santos apenas. Mas “nosso”, patrimonio de quem ama o futebol e não enxerga no nosso quintal uma grama pior que a do vizinho.

Nós podemos.

Que Neymar inspire novas gerações e, quem sabe, renove em 2014.

O Barcelona pode pagar o que quiser.

Por enquanto, vai apenas “pagar pau” pro melhor do mundo.

abs,
RicaPerrone

Sou mais Neymar

Ao final de 2011 Neymar terá feito cerca de 35 jogos contra times grandes. Ao final de 2011, Neymar será o campeão das Américas levando o time nas costas, assim como foi campeão paulista e pode ser campeão mundial.  Neymar tem 19 anos, joga no Brasil, não tem marketing internacional pra se tornar mito ainda.

Mas deveria. Na lista dos 23, pra mim, o melhor de 2011 é o brasileiro.

Eu imagino que milhares de pessoas discordam, outras concordam. Seja qual for seu ponto de vista, algumas questões precisam ser levantadas na hora de eleger o tal “melhor do mundo”.

Quantos jogos contra times grandes fez o Messi na temporada? Vamos ser bonzinhos? Uns 15. Neymar mais de 30.

Quantos adversários nível Getafe e cia, aqueles onde Messi e Cristiano fazem sua artilharia, Neymar encara por aqui? Uns 5 no estadual e um numa eventual Copa do Brasil?

Você pode ser ou não brilhante num clube, depende do time todo. Romário dizia bem isso. Bom mesmo é o cara que se faz na seleção. Em clube não depende só de você.

Até porque, imagino eu, deve ser bem mais complicado chegar lá jogando no Brasil ao lado do Durval e do Pará do que da constelação do Barcelona.

Assim, pergunto a você: Quem são Messi e Cristiano Borboletinha Ronaldo nas suas seleções?

Meros coadjuvantes. Não jogam nada.

Neymar, aos 19, em 15 convocações, fez 8 gols. Cristiano, em 85 convocações, fez 30. Messi, com 64 convocações, 18 gols.

Nenhum deles foi sequer razoável na Copa.

Eu não estou questionando se Messi e Cristiano são bons. Não leia que o verde é feio quando é apenas um elogio ao amarelo.

Mas é bem razoável notar, historicamente, que com grandes times todo jogador sobra mais do que de fato joga.  Neymar não joga numa seleção. Joga no Santos de Keirrison, Borges, Alan Kardec, Pará, entre outros não tão notáveis quanto Xavi, Iniesta, Ozil, etc.

Tem menos importância pro futebol até pela sua idade e por jogar num país onde o próprio povo e imprensa se auto-menosprezam.

Mas em 2011, Neymar foi o cara.

Só por ter obrigado a FIFA a olhar pra cá e recusado ofertas como as que ele recusou, já mostra uma personalidade que nem de longe o Iranildo argentino e a Borboletinha lusitana tem.

Neymar tem mais futebol que os dois. Não teve tempo ainda de mostrar tudo, é óbvio. Mas tem mais qualidade, mais personalidade e eu aposto alto que o reinado da dupla não dura mais 2 anos.

Só não acabou ainda porque Neymar ficou. Caso contrário, já tinham virado “plano b”.

Dos 23, sou mais Neymar. Ele não vencerá, pois se nem nós enxergamos o quanto somos fortes, imagine os gringos.

E sim, eu acho muito mais difícil meter 2 no Atlético PR do que 5 no Getafe. Simplesmente porque o melhor jogador de um time pequeno da Europa não jogaria nem na série B aqui.

A crise técnica no futebol é mundial, não brasileira.

O Barcelona faz cerca de 12 ou 15 jogos contra grandes num ano. O Real idem.

Sem pressão de torcida, sem a “guerra” que é feita aqui e com 10 vezes mais mídia.

Contra um Grêmio, no Olímpico lotado, eu aposto bastante dinheiro que nenhum deles faria algo muito diferente da maioria.

O Neymar, contra o Arsenal, na Inglaterra, eu aposto que dá caneta naquela zaga inteira e sai dando risada.

Não confunda o “futebol europeu” com a meia duzia de times que presta na europa.  A enorme maioria não aguenta a série B daqui.

E por isso meu voto vai no campeão das Américas que, com um time bem inferior aos dos concorrentes dele no prêmio, já pegou mais de 35 grandes em 2011 e saiu metendo gol em todo mundo.

Neymar não “É” melhor que Messi e Cristiano. Será, e em 2011, já foi.

abs,
RicaPerrone 

Sem “neurose”

Santos e Botafogo, enfim, colocaram ordem na tabela do Brasileirão. Agora sabemos que tudo aquilo que projetamos e analisamos no domingo é, de fato, o cenário atual.  Sabíamos que o Botafogo vinha forte, que o Peixe vinha se arrastando, mas, que num deles tinha um fator impossível de neutralizar.

Ele apareceu e novamente deu meio placar e novo andamento ao jogo. Neymar é imarcável, fez outro golaço, desenhou uma vitória num jogo complicado.

Dirão, é claro, que o Botafogo é pipoqueiro. Como se perder na Vila fosse um resultado super diferente da normalidade.

Não foi. Correu, sentiu falta do Renato, tomou um olé tático do Neymar que, esperado pela esquerda, foi jogar no meio e deixou o Bota sem jogada pela direita e ainda com o Alessandro em campo.

Os dois gols que determinaram o placar não foram “erros” de ninguém. Foi acerto de um gênio e um jogador normal em grande fase. Não há o que condenar, é o que faz do futebol apaixonante. Dois lances isolados, individuais e acima da média, 2×0, fim de papo.

O Fogão entrou esperando um Santos, viu outro. A idéia de abrir Elkeson e Maicosuel, fechando com mais um meia era boa. Não fosse o fato do outro lado ter entrado com um zagueiro na lateral. Aí, meu amigo, ficou complicado.

Quando tentou mexer já estava 2×0. Não teve muito o que fazer a não ser correr, pressionar e não conseguir entrar.

Resultado normal. Nenhum sintoma de pipocagem do Botafogo, como insinuarão os mais azedos.

Apenas uma derrota prevista, diga-se.

Ou perder pro Santos na Vila com Neymar virou “tropeço” agora?

Segue. Essa caça a bruxas as vezes enche o saco.

Tem jogos, ainda, pasmem, onde um deles ganha. Não necessariamente o que perdeu “falhou” ou “perdeu pra ele mesmo”, frase mais tosca e arrogante do futebol mundial.

Deu Santos, como previsto desde a fundação da Vila. Ali, o favorito é ele.

Ponto final.

abs,
RicaPerrone 

Quem diria?

Quem poderia imaginar, lá pra maio ou abril, que Santos e Cruzeiro, hoje, na Vila, pelo returno, não seria um jogo de decisão?  Pelo que vimos nos prognósticos antes do campeonato e pelo que vejo em meu Bolão, quase ninguém duvidava dos dois.

O campeão da América agora vive de cruzamentos e do Neymar. O “melhor da América” até perder pro Once Caldas é o retrato fiel da barca afundando.  Não lutam por nada. Apenas cumprem tabela.

Claro que nem é bom aproveitar o momento pra questionar aqueles que dizem que o mata-mata é ruim porque deixa times 1 mes sem jogar. Afinal, ficariam encabulados com o número de clubes que ficam sem jogar mesmo entrando em campo no returno.

Nem era hora, mas Cruzeiro e Santos fizeram por onde.

Possivelmente o dia 10/09 estava reservado pro grande jogo do turno. O decisivo Santos de Neymar e Ganso contra o encantador Cruzeiro de Montillo, Roger e Gilberto.

Meses separam o sonho da realidade. E a realidade é bem diferente do sonho.

Cuca caiu. O Cruzeiro desapareceu.  Aquele futebol encantador virou uma coisa burocrática, chata, feia e dependente de um só jogador.

O Peixe, campeão da Libertadores, vai usar este argumento até chegar no Mundial. Lá, reclamará que a pressão é muito grande por um só jogo, esquecendo que quem fez de 7 meses 1 partida foi ele mesmo. Era só querer jogar o Brasileiro, mas não quis.

O futebol santista ainda luta contra Muricy através de Neymar. Tirando ele, time recuado e que cruza na área sempre que tem a bola.  Pragmatismo que pode até acabar ajudando contra o Barcelona. Vai saber…

Enfim, apita o arbitro na Vila.

Santos 1×0 Cruzeiro.  E ninguém nem notou a partida.

Quem diria….

abs,
RicaPerrone 

Só gigantes

Se considerarmos os jogos entre os 12 maiores clubes do país (favor não entupir meu e-mail tentando incluir o seu na lista porque eu não vou mudar de idéia) e ignorarmos os confrontos contra times menores, quem seria o líder do Brasileirão?

Será que há um “Robin hood” que ganha dos grandes e entrega o ouro pros pequenos? Ou será que a tabela mostra a realidade mesmo considerando apenas os jogos entre gigantes?

Em 21 rodadas os grandes se enfrentaram um mínimo de 11 vezes e um máximo de 13. Santos, Grêmio e Botafogo ainda devem jogos do primeiro turno, portanto, é possível mudar a classificação.

Mas hoje, com os jogos até a rodada 21, o campeonato só entre grandes estaria assim:

O que dá pra notar com essa tabela?

Primeiro dado notável é que o Flamengo está invicto para times grandes.  É o único, diga-se.

Interessante também a campanha do Atlético MG….  Venceu um confronto apenas.

As primeiras posições pouco mudam, se é que mudam. Mas Palmeiras tem um jogo a mais que o São Paulo.

O  Brasileirão 2011 só pode rotular um time de “Robbin Hood”.  Né, Mengão?

abs,
RicaPerrone