São Paulo

O malandro de sapatenis

Prestes a cometer uma burrice a troco de nada, o SPFC flerta com aquela imagem de falso puritano que vive o intervalo entre o malandro e o otário e não se cria em nenhum dos ambientes.

Eu sou contra tentar anular o jogo porque o erro, na prática, beneficiou o SPFC. O lance era pra ter seguido e o Thiago para ele por 0.2 segundos. Ele seguindo o Flu surpreenderia a defesa mais rapido ainda. Ele parando deu tempo ao SPFC. Erro? Erro. Mas dos menos relevantes da história.

Ah mas é erro de direito. Porra, tira a camisa do nosso tricolor e pensa melhor.

O SPFC vai ganhar o que complicando um calendário, apertando jogo em fase final de mata-mata e jogando lá contra o Flu com boa chance de perder de novo além de criar problema com a CBF e comissão de arbitragem?

Tem hora que você tem que saber separar a teoria da prática. Na teoria, tudo ok. Mas na prática o SPFC pode usar o caso pra fazer um “vou deixar passar mas nao me prejudica hein?” com a CBF, fica ali na dele, sai bem com todo mundo e segue o jogo.

Se ele vai pro tribunal pode perder, entra pra lenda do tapetão, pode passar o ridículo de refazer o jogo e perder de mais do que 2×0, e ainda vai ficar sendo inimigo da CBF e comissão de arbitragem.

Pra que?

O tamanho dos riscos de sair pior é consideravelmente maior do que os de se dar bem com isso. E é fato, não alterou em nada o resultado do jogo. Seria um ato de bom senso. Reclama, protesta, mas não cria uma idéia falsa de que perdeu por isso e quer jogar de novo. É um evidente oportunismo pra tentar 3 pontos, não uma reparação a algo grave que mudou a situação.

Isso não é bem visto pelo torcedor de modo geral, gera atrito com CBF e demais instituições, e não tem qualquer motivo razoável pra se imaginar que seja grave como tentam fazer parecer.

Pra mim é oportunismo e burrice. Porque amanha, meus caros, quando tiver valendo, qualquer merda que acharem vão anular de volta contra o SPFC. E aí pode não ser um jogo de pontos corridos e sim uma decisão.

Tem briga que você só entra tendo muito a ganhar ou evitar perder muita coisa. O SPFC não ganha quase nada com isso e perde várias.

Eu nao entraria. Faria apenas pressão na CBF pelo erro e segue o enterro. Até porque o proprio presidente falou outro dia pro Textor que era pra ficar no campo e resolver no campo.

Enfim.

Não concordo com a postura do SPFC nessa. E sei que todo saopaulino estaria chamando o Flu de Tapetense se fosse o contrário.

RicaPerrone

O ‘marketing’ é ser grande

Era uma tarde qualquer de terça-feira há mais de 15 anos. Julio Casares era diretor de marketing do São Paulo e fomos almoçar no antigo Vento Haragano, na Rebouças. Eu tinha um site chamado Estação Tricolor e independente disso tenho uma história de vida dentro do SPFC que poucas vezes contei. Um dia conto.

Enfim, conheço todos os dirigentes do clube de infância. Cresci ali, fui sócio desde o meu nascimento, fui a mais de 1000 jogos só contando os que paguei pra ver sem ser como jornalista. O SPFC sempre foi o carro chefe da minha vida até ter que dividir meu coração com os demais clubes por profissão e gratidão.

Naquela tarde eu sugeri ao Julio que viesse candidato a presidente. Ele me disse que pensava mas que achava que ainda não era hora. Insisti, achava ele um cara com ótimo perfil pra tentar remediar o cenário de arrogância que o SPFC estava criando na sua imagem. E ele me prometeu que um dia viria.

Mas naquele dia, há 15 anos, eu pedi uma coisa a ele. Ele vai se lembrar disso se perguntado. Eu disse que o maior orgulho que eu tinha não eram nossas conquistas e sim quem nós eramos. E que estava absolutamente errado brigar pela taça de bolinhas, que era polêmica na ocasião.

Ele não discordou. Mas entendia os motivos politicos que faziam o Juvenal não devolve-la ao dono de fato, que é o Flamengo conforme assinado pelo próprio SPFC em 1987.

Disse a ele que não há marketing maior pra um clube do que agir como grande. Que nossa história remetia a seriedade e um clube correto e que, portanto, aquela situação me incomodava. Pra quem não sabe o SPFC criou a Copa União, assumiu junto do Flamengo e dos demais que não haveria confronto com o módulo amarelo e na figura do próprio Juvenal, diretor na época, assinou que reconhecia o título brasileiro conquistado por Zico e cia.

Como que 20 anos depois você apaga isso tudo por uma taça horrorosa que nasa significa? Eu não aceitava aquilo e já tinha dito pro Juvenal algumas vezes. Assim como Julio, ele nunca me disse que discordava. Só que politicamente era difícil. E eu entendo, mas ainda assim, eu brigaria por ser o clube diferente.

Hoje o SPFC é abraçado pelo Uruguai por sua postura diante do ocorrido com o jogador do Nacional. Hoje o São Paulo se faz ainda maior e ganha mais respeito internacional que teria conquistado com um ou dois títulos por aí. E é nisso que eu acredito.

Aprendi isso quando fui pra Orlando a primeira vez e notei que os parques da Universal eram consideravelmente melhores e mais novos que os da Disney, mas que ainda assim você comprava os 4 parques da Disney e se desse o da Universal e não o contrário. Porque?

Porque os valores da Disney te pegam. A Universal é só um parque. A Disney até tem um parque, mas e só um detalhe.

Hoje talvez o Julio se lembre da nossa conversa. Porque naquele dia eu disse que gostaria de ver algum presidente do SPFC botar a taça na mala, pegar o avião e descer na Gávea com ela, entregando em mãos ao presidente do Flamengo e reconhecer o “erro”.

Hoje talvez seja um dia que você, que sequer sabia desses bastidores, entenda o que eu queria dizer.

O maior não necessariamente vence mais. O maior as vezes é apenas diferente. Se você puder somar ambos você se torna soberano, mas sem acreditar nessa conversa em campo e nem se tornar um clube soberbo como erramos desde 2008 e pagamos por 15 anos.

Hoje o Uruguai nos reverencia. E sigo esperando o dia que o Brasil vai aplaudir a nobre atitude que pode não apenas corrigir a história como ser um passo para, quem sabe, os clubes brasileiros entenderem que a LIGA só vai existir se for com essa mentalidade.

Julio, parabéns pela condução do caso Izquierdo. Mas eu ainda tenho esperança de ver o SPFC corrigir o constrangimento que é mudar uma assinatura em troca de uma tacinha nada significa.

Rica Perrone

Favoritos? Não…

Quando você monta um grande time se torna favorito. 

Quando você vive uma grande fase se torna favorito.

Quando você está com sorte pode ser favorito. 

Quando você cria um ambiente hostil pode reverter algum favoritismo. 

Quando você trabalha sério você tem chances de ser um dos favoritos.

Mas a América reconhece seus protagonistas pelas listras. E pouco importa quem as está vestindo. 

Não, nós não somos os favoritos. Nem os melhores.

Mas somos aquele que faz a América engole seco quando ouve “é no Morumbi”. 

Deixa chegar, deixa…  Não queremos o favoritismo. Podem ficar com ele e até alternar entre vocês. 

Tem gente que faz graça, tem torcida que arrasta, time que amassa. 

Nosso negócio é a taça.  

E mesmo que não dê, e tende a não dar, ninguém pode negar:  O SPFC na Libertadores é um dos candidatos meramente por lá estar. 

RicaPerrone

Classificação Planejada 2024

A classificação planejada consiste numa ideia simples retirada do conceito dos proprios treinadores ao planejar o campeonato. Em busca de aproximadamente 72 pontos para brigar por título, cada clube faz as contas onde pode ou não perder pontos. E então se planeja estar com X na rodada X sabendo que nas próximas haverá confronto mais fácil ou mais difícil.

Exemplo prático da planejada: O time que tem 10 pontos e enfrentou Gremio, Corinthians, Palmeiras e Galo fora de casa não tem os mesmos 10 pontos de quem enfrentou Cuiabá, Criciuma e Goianiense. É isso que a planejada indica.

Ela não faz previsões, uma planilha não tem relação com a do outro time, e nada do que está ali é um palpite. Apenas a dificuldade do caminho em cada momento do campeonato.

Dito isso, as dúvidas mais comuns são:

– Todos os times, se cumprissem os pontos sugeridos, chegariam a 72 pontos.
– Alguns times podem perder clássicos, outros não. Isso porque alguns tem 2 clássicos por ano, outros 6.
– “Ah mas se meu time perder um jogo que era pra ganhar, ja era?” Não. Você calcula por outro jogo que “não era pra ganhar” e equilibra. Compensa.
– Eu não entendi! Facilitando: O importante não é seguir a risca os resultados. É chegar a rodada X perto ou com mais dos pontos planejados pra rodada X. O percentual diz o quanto seu time fez de pontos perto do que DEVERIA ter feito até aqui para brigar pelos 72 pontos. Só isso.

Saldo de compra e venda dos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos os grandes clubes do Brasil alternaram momentos. Alguns em profunda crise, outros nadando em ouro, mas todos ainda tendo nas receitas de jovens uma grande parte do seu faturamento.

E portanto, considerando as temporadas 14/15 até a 23/24, fizemos um balanço de acordo com os dados do Transfermark sobre o fluxo de compra e venda de jogadores de cada um dos 12 grandes.

Claro que existem salários, luvas, “compras” sem repasse ao ex-clube por fim de contrato. Mas aqui consta apenas o que é valor final e oficial.

Quanto seu clube comprou e vendeu nos últimos 10 anos?

Algumas curiosidades sobre:

  • O Fluxo de compra e venda do Grêmio, somado a resultados, nos últimos 10 anos é muito bom.
  • O Fluminense segue vendendo suas jóias e comprando pouco tendo recentemente conquistado títulos em 2023.
  • O Flamengo é uma máquina de ganhar e gastar.
  • O Botafogo tem uma divisão de base terrível. Não gera quase nada ao clube.
  • O investimento do Vasco foi quase todo feito em 22/23.
  • A temporada de maior gasto foi a do Flamengo de 19/20, com 250 milhões em contratações.
  • A maior janela de vendas também foi do Flamengo em 18/19 com 483 milhões de reais.
  • Nenhum dos 12 grandes comprou mais do que vendeu no saldo dos últimos 10 anos.

Rica Perrone

Classificação Planejada 2023 – #18

Todo ano aquela tabela polêmica que mostra o caminho dos clubes pra buscar 72 pontos e brigar por título.

Pra que? Pra você saber se um caminho foi mais fácil que outro ou não. Pra entender quem jogou mais partidas difíceis em casa ou fora e portanto compreender o que a tabela lhe ofereceu até aqui.

As tabelas não tem relação entre si. Cada tabela é pensada pro clube em questão apenas.

Isso é futebol! O resto é esporte

Nos acostumamos a fazer contas, analisar pontos e desempenho. Números, números e mais números. Parece até um esporte.

O futebol nos pega pelo ídolo, o momento, o imponderável, a expectativa de reverter o cenário em segundos. O futebol é um entretenimento que movimenta sentimentos e por consequência disso, dinheiro.

Não há dinheiro sem entretenimento. E para isso é fundamental o que muitos chamam de “loucura”. Ora, “loucura” é esperar que os de sempre entreguem mais do que o de sempre.

Ou pior: esperar que um parque de diversões sobreviva sem novas atrações, sejam elas tão boas quanto anunciadas ou não. A gente quer esperar algo melhor, mesmo sabendo ser improvável.

São 20 times. Só um campeão. Como podemos fazer os outros 19 serem interessantes, portanto?

Com ídolos. Expectativa, atrações, novidades, discussão, paixão.

Pra isso os maiores times do mundo jogam dinheiro pela janela contratando revelações que em sua maioria não dão certo.

O Real Madrid pode fazer 10 jogadores em sua base. Os dez teriam que ser campeões de tudo pra causar o impacto da chegada de um grande craque. E é disso que vive o futebol quando a vitória não é garantida.

Se é que algum dia ela foi.

James é expectativa, curiosidade, assunto, camisa, chegada, apresentação, euforia, oba-oba, talento bruto.

Se vai dar certo em campo, não sei. Gostaria. Até apostaria, pois acho craque. Mas quando o futebol brasileiro entender que a venda é de entretenimento e não de resultados, saberá que ele se pagaria mesmo se mal jogasse.

Como ainda não sabem, pode sair caro. Mas ainda assim, ver a torcida tricolor mudando o patamar da expectativa em horas é algo que o dinheiro compra. Se chama James Rodriguez.

RicaPerrone