Seleção Brasileira

É tão fácil jogar com a mídia

As vezes eu fico pensando o que eu faria se fosse treinador, diretor, presidente.  E toda vez que vejo o massacre da mídia sobre um dos citados eu consigo ver com muita facilidade o que contornaria o cenário.

A mídia é muito fácil.  Não chega nem a ser prostituta porque na maioria dos casos nem pagar precisa. Mas ela está constantemente aberta a ser convencida pelos seus próprios erros.

Eu me pergunto o que quer a CBF quando coloca Dunga e Gilmar lá? Apanhar? Ser investigada? Gerar raiva? Perder público?

Porque, convenhamos, não tem sentido. Embora eu não ache que os dois sejam culpados e menos ainda que devam ser bombardeados por isso, eu não consigo encontrar o planejamento dessa situação.

Hoje, se tivesse alguém razoavelmente inteligente sem interesses políticos, anunciaria Leonardo, Tite, Rodrigo Caetano.  Pronto! Amanha cedo todo mundo tava acreditando numa virada.

Porque são os caras? Não! Porque a mídia não vai ter como ir contra o que ela jura ser a solução. E se for, ótimo! Se não for, joga na cara deles.

Mas não. Eles vão manter os caras, teimar, brigar com mídia e torcida e seguir o caminho estúpido de quem tenta ganhar “de tudo e de todos” ao invés de somar forças ou saber driblar os problemas.

Uma vez o Caio Junior foi eleito o técnico revelação do campeonato. Eu estava no Morumbi no jogo seguinte numa roda com uns 10 jornalistas contestei.

– Porra, o cara é fraco! Porque ele ganhou esse prêmio?
– Ele é gente boa pra caralho… Recebe a gente, atende, faz as pautas. É foda.

E quase todos concordaram. (nota-se pela eleição do sujeito inclusive)

A mídia manipula a opinião popular pra onde ela bem entender. É assim no mundo todo. Quem informa escolhe o tom e com ele induz o informado a opinar.

E é tão fácil manipular a mídia que eu fico assustado com a falta de criatividade dos caras. Amanhã eles mantém Dunga, Gilmar, peitam o Zico na imprensa e …. crise! Tome oposição! Tome gente com raiva da seleção.

É muita burrice.

abs,
RicaPerrone

É o capuz!

Agora ficou tudo claro. O capuz do Firmino é um dos problemas da nossa seleção.

Eu fico constrangido com algumas discussões. A gente da uma zapeada no controle remoto e vê os mesmos caras de 1960 comentando futebol pedindo renovação.  A gente fala em profissionalismo, tenta “ir a fundo” nos problemas do futebol brasileiro e aí você se depara com uma segunda-feira que discute o capuz do Firmino.

Eu não sou burro, eu entendi o que o Capita quis dizer. Mas honestamente…  E se tivesse sido campeão? Alguém realmente se importa ou se acha no direito de julgar o quanto a preocupação com a imagem dos meninos tira o foco num jogo?

O Neymar é cheio de estilo. Joga pra caralho.  O Romário adorava a noite. Jogava pra caralho. Os melhores jogadores que eu vi adoravam tomar uma e virar a madrugada.

E daí? Porque chegavam de terno eram mais ou menos focados?

Pode-se contestar o capuz. Eu entendo. O que não me parece razoável é que esse seja o tema principal numa segunda-feira pós uma eliminação.

Tá cheio de gente que num discurso diz que o futebol brasileiro perdeu a identidade e no minuto seguinte está falando bosta sobre Mourinho, Guardiola, metodologia europeia e o caralho a quatro.  Que porra de identidade é essa que se busca tudo fora?

É um circo cheio de palhaços fazendo graça e um monte de gente assistindo batendo palmas.  A discussão é vazia, a mídia não sabe NADA de futebol, são raríssimos os caras que se dão o trabalho de ir lá conversar sem buscar um furo mas sim entender como funciona.

Para quem fala parece sempre tudo fácil. Todo mundo tem a solução de tudo.

Mas hoje é o capuz. Na Olimpíada será a tatuagem nova do fulano.  Na Copa, se perder, o fone de ouvido.  E se ganhar, foda-se!  Ou não foi assim que a mesma mídia que hoje corneta fez enquanto Muricy fazia o anti-futebol e era endeusado por resultado por exemplo?

abs,
RicaPerrone

Jogo Rápido: Brasil 1×1 Paraguai

Seleção está eliminada da Copa América.  Mais uma vez nos pênaltis, mais uma vez nas quartas de final, mais uma vez para o Paraguai.

Se o Rica é o cara mais apaixonado pela seleção da mídia esportiva brasileira, imagine o estado do humor do rapaz após o jogo.  E então ele fez um vídeo pra dizer o que achava da eliminação, da seleção, da crise, dos próximos passos.

Será que é tão simples assim?

Será que se tirar o Dunga resolve?

E se problemas na seleção forem reflexo do futebol local, me explica o futebol inglês.

Confira ai!

Hoy, se puede!

E não precisa nem olhar a camisa. O futebol chegou num nível de competitividade, força, tática e inteligência em campo que qualquer time é capaz de enfrentar qualquer outro time, seja do nível que for.

Quando falamos de seleções, especialmente as que chegam a uma Copa, não existe mais o timinho, o timaço. Não existe na verdade quase nada além da mudança de cores nas camisas.

Todos jogam igual, correm tanto quanto e a técnica, onde se diferencia, não é mais o fator determinante do jogo. É coletivo, compacto e, depois, se der, técnico.

Peru e Bolívia fizeram um jogo com as estatísticas idênticas as de um Brasil x Argentina. Mesma troca de passes, mesmo percentual de acerto, chutes a gol.  É tudo muito parecido.

Não gosto. Acho que nos prejudica, já que nosso diferencial sempre foi técnico.  Acho que a FIFA tinha que rever regras com o passar dos anos.  Mas por outro lado eu não acho que o Chile na final da Copa América será menos favorito do que qualquer outro, seja Brasil ou Argentina.

Eu não acho um absurdo perder pra Colombia. Não entendo como “ganho” o jogo de sábado.

Porque se tem uma coisa que o futebol melhorou nos últimos anos é o equilibrio.  Você pode não ter 70 paraguaios bons de bola. Mas hoje tem 7. E bastam 11 pra formar um time.

Antigamente o Peru não tinha um jogador de qualidade. Hoje tem 4. E com 4 nesse futebol coletivo ele iguala qualquer partida.

Mais do que reclamar, acho que está na hora de revermos também a forma que analisamos futebol e o que esperamos de alguns times.

Ou você duvida a Colombia tirar a Argentina hoje?

abs,
RicaPerrone

Números da vitória brasileira

Estatísticas e números exclusivos da Opta para Brasil 2×1 Venezuela.

Começando pelo mapa de posicionamento médio do Brasil. Uma formação muito clara com 2 jogadores abertos, Elias e William mais pelo centro, Firmino de centroavante e o Fernandinho mais atrás.

Fernandinho que, aliás, foi o jogador que menos errou passes no jogo. Precisão de 93%, junto com Robinho.

Reclamam que Elias e William, mais centralizados na armação, não chegam na área de jeito nenhum.  Será? Veja o mapa de calor da dupla.

De fato, não entram na área.

E o coitado do Fernandinho, que saiu de campo criticado por errar demais, foi um dos que menos errou. Veja os 58 passes de Fernandinho no jogo

E nossos chutes a gol? De onde vieram? Quem bateu pro gol? Foram no alvo ou fora?

Captura de Tela 2015-06-21 às 21.02.40

É isso. Semana que vem tem mais estatísticas da seleção na Copa América!

abs,
RicaPerrone

Hum… não!

Eu sou o cara mais esforçado neste país para acreditar na seleção, convenhamos!  E acredito, sempre.  Mas se já sai do jogo com a Colômbia preocupado, hoje fiquei ainda mais.

Na minha cabeça, mesmo que a seleção tenha feito um jogo razoável e tido o domínio da partida até o Dunga surtar e encher o time de zagueiro, eu esperava outra coisa.

Eu imagino aquela concentração e se eu tô no grupo uso toda a onda “Neymar e mais dez” a meu favor. Faço o time entrar querendo dar a goleada do ano!

E não. Os caras entraram, fizeram o gol, voltaram, buscaram contra-ataques, nada muito efetivo.

Quando resolvido com 2×0, recuou o time pra não tomar e quase tomou dois.

Como explicar? Eu senti falta de personalidade. De novo.

Talvez eu seja exigente demais com isso por eu ter uma personalidade muito forte de quem não liga de ir pro risco e se desgasta por exageros. Talvez por isso eu goste tanto do David Luiz.  Mas eu, hoje, naquele time, iria pra cima fazer a atuação do século e deixar a mídia toda com cara de bunda por achar que “só tem Neymar” ali.

E não. O que vimos é que, de fato, muito acima da curva só ele mesmo.  Coutinho não jogou nada, o Robinho foi bem, mas faltou volume, ímpeto ofensivo, causar medo, ser o gigante.

Sei lá quanto o 7×1 mexe com os caras e impede que eles corram riscos. Mas a seleção ainda não me parece livre daquele jogo. É muito cuidado em não tomar gol pra um time que sempre gerou pânico em adversários.

Tá faltando medo no rosto dos adversários. Algo que só nossa atitude pode causar.

abs,
RicaPerrone

Nosso futebol, nossos meninos

Talvez a imagem da derrota no fim seja para alguns uma mensagem de que “erramos” e por isso perdemos o jogo.  A derrota de ontem, pra mim, não diz nada. O fato de termos ficado tristes e não putos com ela no final diz.

O treinador chegou ontem, não fez nenhum milagre tático. Mas deve ter dado, em algum momento, liberdade para estes garotos serem brasileiros.

Do primeiro ao último minuto, a bola era nossa. Quando nos pés, dançamos, driblamos, apostamos na qualidade. Quando sem ela, fomos busca-la.  Mas o tempo todo fomos “Brasil”. O dono do espetáculo. O protagonista. O talentoso. O imarcável.

A bola as vezes entra, as vezes não. É a graça do futebol.

Ontem não quis entrar. Pouco importa. Mais do que Jesus, Andreas, Jorge e Marlon, fomos dormir sabendo que, de amarelo, no talento, sem copiar ninguém, ainda somos os donos do jogo.

Basta querer e entender isso.

Obrigado, meninos! Nós estamos tristes, não putos e nem com raiva. E isso é um troféu que raros times não vencedores conseguiram levar.

abs,
RicaPerrone

Alguém nos livre do Barcelona, pelo amor de Deus!

Senhor, olhai por nós.

Nos dê paciência para aceitar a transição sem perder a paixão. Nos dê um meia de ligação.

Nos proporcione a experiência rara de termos alguém neste país que não necessariamente vá copiar o que os outros fazem e criar uma forma nossa de jogar futebol.

Nos abençoe com um treinador, unzinho que seja, que neste Brasil enorme seja capaz de não jogar nessa porra de modelo “barcelonês” dos dois abertos, um na área e dois volantes/meias armando o jogo.

Alguém explica pra esses caras que nem todo meia é Xavi e Iniesta. Que isso funciona porque eles tem o mesmo time há 7 anos e não é por causa da tática mas sim da técnica dos caras que eles sobram na turma.

Senhor, ó senhor. Me dê uma luz. Mande uma forma de explicar para os nossos “entendidos” que Gerson, William, Oscar, seja lá qual meia armador for, rendem mais atrás dos atacantes do que feito pontas marcando laterais.

Senhor, olhe o mapa acima. Ele desenha o posicionamento médio do Brasil nos 90 minutos.

É identico ao do Corinthians, do Flamengo, do Fluminense, do São Paulo….  Dois “meias” abertos, os volantes preenchendo o setor central e um centroavante.

Senhor, nos dê um surto onde alguém ouse não tentar ser “padrãozinho”.  Me dê motivos para o Robinho não ser o cara aberto e o Fred, volante, ser improvisado por lá.

Me explica. Me manda um sinal.

Tá foda ser inglês em Ipanema.

abs,
RicaPerrone

Exclusivo: Neymar na estréia

Esse cara resolveu de novo. Protagonista do primeiro ao último minuto (literalmente), Neymar foi o maior pesadelo dos caras, do juiz e nossa única esperança.

Uma ilha de liderança, personalidade e talento na seleção mais sem tempero da história. Um time de “coadjuvantes” que obviamente aumenta mais e mais o papel do protagonista.

Hoje, de acordo com as estatisticas da Opta, Neymar foi o dono do jogo.

93 toques na bola
20 divididas, 50% ganhas
5 dribles
4 faltas
1 impedimento
1 gol
6 chutes a gol
2 no alvo
3 de fora da área
1 assistência
4 passes decisivos para situações de gol
54 passes
74% de acerto
10 entradas na área adversária
10 retomadas de bola
1 cartão amarelo

Mapa de calor:

Todos os passes de Neymar:

abs,
RicaPerrone