Acordei feliz. Acordei nos melhores anos da minha vida. O Tyson no ringue e o Santos na elite. Parece que dormi, o mundo reajustou a rota, e acordei.
Foi sem entrar em campo, é verdade. E que bom, porque o Santos não pode desfilar com uma taça de série B no sagrado gramado da Vila.
Com todo respeito aos profissionais de hoje, o Peixe deveria terminar o jogo amanhã, virar pra torcida, aplaudir, se retirar e não esboçar nenhuma festa.
Poxa, Rica! Deixa de ser chato. É uma alegria voltar. Sim, é. Mas é que estamos falando do Santos e não de um clube de futebol.
Primeiro que ele deveria ser “irrebaixável” por serviços prestados. Segundo que deveria estar no estatuto que no gramado da Vila não se comemora título de série B. E terceiro que essa notícia não dá nem capa porque ninguém esperava o contrário.
2024 deveria ser extinto da história do Santos e não haver relatos oficiais sobre. Numa monarquia não se brinca com a história da família real. No futebol temos um rei e por obviedade conhecemos o castelo Real.
Se todas as apostas apontavam pro Santos campeão, que anulem os pagamentos. Se existir medalha, não mande ninguém pra buscar. E se o troféu chegar, deixem no depósito lá no fundo pra que ninguém possa ve-lo.
E, de novo, não estou falando sobre rebaixamento. Estou falando do Santos, o maior feito do futebol em todos os tempos.
Ao lado do Real Madrid, o maior clube da história. Só que um deles está em Madrid. O outro é uma aberração da natureza.
O Santos representa tudo que o futebol precisa pra existir. A falta de lógica, os acasos, o começo, o meio, o fim, o novo, o velho, o sonho, o real, o lúdico e o que de melhor fizemos até hoje.
As duas camisas de clube mais importantes do mundo são brancas. Não se mancha nada branco.
Parabéns aos demais classificados. Ao Santos, um suave aperto de mãos respeitoso de quem sequer tocou no assunto durante o ano justamente por não aceitar registrar tal momento.
O futebol é menos futebol sem o Santos.
E que venha o próximo ano sem perspectiva que surgirão 5 garotos do nada e darão ao Peixe outros títulos conquistados sem receita conhecida mas comprovada.
Engana-se quem acha que Mike Tyson perdeu uma luta ontem. Se há um vencedor neste planeta hoje atende pelo apelido de “Iron”.
Mike Tyson foi ao ringue aos 58 anos contra um hoje profissional em atividade no seu auge. Jamais, em esporte algum, um ídolo voltou a competir com essa idade sem ter sido com pessoas da mesma condição. Só por isso já é incrível.
Mas Tyson se testou e talvez tenha explicado pra uma geração do que falamos quando nos referimos ao maior de todos. Ele fez 90 mil pessoas irem ao estádio, um planeta parar e discutir boxe e talvez você não tenha notado o nocaute da noite.
Mike contra uma geração. Um monte de jovem que não viu nem viveu a era Tyson e só ouviu falar. Se idoso ele derruba o Paul, era marmelada ou o adversário amador. Se ele perde, é a idade. Então a vida foi caprichosa com Tyson.
Na impossibilidade de competir com Paul pela força e velocidade, Mike travou uma luta com o mundo. Mostrou que algumas pessoas conseguem mover um esporte mesmo sem competição. Fez pais e filhos se sentarem na frente da TV e reviver momentos incríveis do nosso passado.
Mike replicou em 2024 uma noite de 1986.
Talvez pra você tenha sido um luta. Mas pra nós, ou 90% de nós com mais de 40, foi um presente poder viver isso de novo. E ainda nem faleu do nocaute.
Fui ao estádio. Realizei um sonho de criança vendo essa lenda de perto e me emocionei muito estando ali. Foi seguramente um dos dias mais inesquecíveis da minha vida. Eu esperei 46 anos achando que não aconteceria mais até realizar o desejo de ver meu super herói de perto.
A luta? Quem se importava com a luta? Era Mike Tyson de calção preto num ringue. Poderia ficar horas assistindo essa cena mesmo se o Paul faltasse ao evento. Ao contrádio das lutas amadoras do Brasil, o coadjuvante era o youtuber.
O que Tyson não fez na carreira? Ele derrubou todo mundo em segundos. Mas nunca tinha nocauteado alguém antes da luta. E o desejo em reve-lo era tamanho que o simbolo maior da nova geração, a revolução mais forte que separa Tyson de Paul foi a vítima.
Mike derrubou alguém antes da luta.
Com todo mundo vendo, ou tentando, Tyson derrubou o Netflix.
Até então invicto, ainda que novato e talvez sem saber a força de um veterano de 58 anos, foram a lona pela primeira vez ao vivo para todo planeta.
Vocês estavam olhando pro Paul. Mas o nocaute e a luta foi “contra” quem não viveu a era Tyson. E então, aí está. O mundo irritado porque a nova solução não comportou duas gerações inteiras e caiu.
Ruim? Claro. Mas quando me falaram no estádio que o netflix havia caído e eu vi aquelas 90 mil pessoas gritando seu nome eu entendi quem lutou, quem venceu, quem perdeu e o que fui fazer lá.
Senhoras e senhores, garotos e garotas, vocês nunca mais verão outro Mike Tyson. Agradeçam por ter tido essa oportunidade, ainda que o nocaute tenha os deixado irritados no sofá.
Eu ouvi muitas vezes uma pergunta. “Porque você gosta tanto do Neymar? Ele nunca te deu nem entrevista!”. E hoje, nesse momento, consigo responder isso como nunca antes.
Primeiro porque ele é um monstro jogando futebol. Isso me basta, já que não sou fofoqueiro e sim apaixonado por futebol. Eu tenho o que fazer e portanto estou cagando pra quem ele come, onde ele vai e o que ele faz da vida dele. Só torço pra que seja feliz.
Há mais de um mês eu sai do Brasil por um tempo. E no meio desse monte de novidade, de surpresas desagradaveis diárias ao constatar nossa distância do óbvio, a mais clara lição é a da importancia dos amigos.
Você sente falta a cada minuto. Até dos que não via sempre. Parece que eles vão se desconectando de você pela distância, pela falta do dia-a-dia e você vai ficando sozinho, mesmo conhecendo outros novos amigos.
Quando eu olho pro Neymar eu vejo um garoto. O tal do “menino Ney”. Ele sorri como um garoto porque não tem problemas com isso. Eu também odeio o conceito de “parecer maduro” ou adotar um estilo conforme a idade.
E muito do que ele faz eu tenho certeza que também faria se tivesse na condição dele. Mas a coisa mais importante que ele fez na vida pra me convencer de que trata-se de um sujeito ponta firme e de valores foi ter levado os amigos de infância com ele.
E veja, não foi hoje. Nem duas vezes. Ele levou os caras pra VIDA com ele. Abriu mão de muita coisa, mas não dos amigos.
Ah mas os parças! Calma aí. É um ponto de crítica alguém carregar seus amigos de infância consigo mesmo tendo se tornado amigo das maiores celebridades do planeta? Quem te educou, irmão? Quais valores te deram?
Eu hoje aqui longe dos meus consigo dimensionar o tamanho da decisão que ele tomou quando se cercou de quem estava ali quando ele ainda não era o Neymar.
Um dia me levaram no Instituto Neymar. Eu jurava que era em Santos, não sei porque. E já simpatizando com ele fui seguindo o waze até chegar no mesmo bairro que eu cresci na Praia Grande. Era ali. Ele cresceu no mesmo lugar que eu, só que anos mais tarde. De qualquer forma, ele atingiu exatamente o mesmo ponto do mapa que eu gostaria de ajudar se pudesse por gratidão a tudo que vivi ali.
Neymar é um “colega distante” com quem falo as vezes. Nos damos bem. Mas não somos amigos. Mas acho que ficou fácil entender a relação que tenho com esse “moleque”.
Ele carrega demais a bola e também os mesmos valores que eu. É instintivo pra mim protege-lo porque estou defendendo os meus valores, não os dele.
Se isso me faz um “neymarzete”? Sem problemas. Eu nunca “pedi nada” pros meus idolos. E me sinto tendo feito a escolha certa em notar que nenhum deles também nunca usou da minha admiração pra pedir nada em troca.
Como ele mesmo repostou na sua chegada ao PSG, um dia eu disse: “carregue por toda parte o que for mais importante pra você”.
Em tom de brincadeira mas com muita convição de ser de fato o que ele pensa, Xande de Pillares acabou eternizando uma frase que um ateu deveria renegar.
Mas não o farei.
Por diversos motivos mas especialmente por ele ter razão.
Chame de Deus o que você quiser, seja você da religião que for, ou ateu como eu, é um tanto quanto claro que a vida gosta mais de algumas pessoas do que de outras. E isso costuma ser chamado de “Deus” pela nossa civilização. Dito isso, confirmado na prática, sim, “é Deus que aponta a estrela que tem que brilhar”.
Gabriel é uma afronta aos coachs. Ele faz tudo do jeito que ele quer e o resultado é sempre o que ele esperava e não o que os palpiteiros previram. É o Belo de chuteiras.
Quanto mais ele erra e acerta, mais humano ele fica. E mesmo odiando o Gabigol, você adora odia-lo tanto quanto muita gente odeia ama-lo. Gabigol é um voo de mariposa. Sem plano de voo, mas voa.
O sujeito conseguiu fazer uma nação ama-lo, adora-lo e depois querer ve-lo fora do clube. E no mesmo ano ele conseguiu decidir um título, sair titular, anunciar sua partida já tendo batido no maior rival do novo clube.
É surreal como as coisas terminam de forma cinematográfica pra ele. Parece um desenho da Disney, ou, como diria o outro, a escolha divina pra brilhar.
Hoje é dia de Flamengo, campeão merecido da Copa do Brasil. Mas nem o mais fanático rubro-negro hoje dorme tão feliz, aliviado e com sentimento de missão cumprida quanto Gabriel.
Amanhã eu não sei. Nem ele, provavelmente. Mas a vida já lhe deu motivos suficientes pra saber que, aconteça o que for, a chance dele se dar bem é enorme. Deus? Talento? Fé? Escolhas? Personalidade?
Não sei dizer. Mas não saber reconhecer ou curtir tal história sendo escrita na nossa cara é um erro que não cometerei.
Que prazer ve-lo brilhar, errar, acertar, tentar, voltar, cair, levantar, Gabigol! Um mundo enlatado em redes socias precisa saber que nem tudo tem receita. Afinal, é Deus que aponta, né?
Eu sinto saudades do Flamengo. Entendo a nova era, admiro, mas sinto falta daquele clube de onde ninguém sabia o que esperar.
Sinto falta do time que quando não podia, fazia. Manteve-se um pouco do que quando tudo tem, nem sempre consegue. Mas a primeira parte era a mais gostosa de acompanhar.
Aquele Flamengo que você podia dizer tudo a ele menos que ele era incapaz de algo. Aquele Flamengo que ignorava as adversidades para buscar um resultado improvável e que fazia do Maracanã um cartão postal do país.
Sabe porque o Flamengo está nessa final e com favoritismo? Porque ele ficou como desafiante. O DNA rubro-negro está na superação, na luta, no momento em que alguém diz pra ele que o outro é melhor.
A construção básica de um resultado parece afrontar o clube. Em 2019 passou aquele cometa e ainda que tenha sido “o normal” vencer com aquele time, foi especial pela forma que conquistou.
O Flamengo não segue roteiros. E toda vez que alguém ousa escreve-lo sem coloca-lo como protagonista ele costuma se colocar ali sozinho.
É claro que esse time é capaz, mas não se apresentava dessa forma. Claro que das mil soluções de treinadores caros e gringos a “solução” estaria em casa. Isso é Flamengo.
Os desfalques? Talvez sejam parte do show. A adversidade fomenta o Flamengo e não ter a obrigação de vencer parece deixa-lo mais confortável.
Por vocação o Flamengo é um clube que reverte o prognóstico, não necessariamente o que confirma a teoria. E hoje, semanas atrás, a teoria era de que o Fla estava mal, trocando treinador, perdendo peças e remendando um ano “perdido”.
Ele pode perder domingo? Mas é claro! Porque também é muito Flamengo perder quando está perto da taça. Até porque seu adversário domingo tem no seu DNA a vitória improvável também.
Mas que esse título, se vier, será uma conquista “retrô” a là Flamengo, é inegável.
Talvez seja uma novidade pra 95% do povo, mas as apostas esportivas sempre existiram. O fato de ter chegado a uma regulamentação e popularização parece novo, mas a verdade se assemelha ao jogo do bicho e tantas outras atividades que simplesmente são ignoradas pelo estado por algum interesse maior.
Nunca acredite que algo que possa reverter muito em impostos para o governo não é regulamentado por falta de interesse. Na real é o oposto. Por interesse de alguém forte isso fica a sombra da lei e cria-se um universo paralelo que chamam de contravenção.
Exemplo prático que todo carioca conhece: Se o jogo do bicho não existe legalmente, ele não tem meios de se fiscalizar. Então se Pedro invade o territorio combinado pra ser do João, João não pode ir na justiça reclamar ou processa-lo. Voltamos a 1500. Sem lei, sem respaldo e regras escritas, o unico meio de resolver é eliminando o Pedro. Por isso mata-se tanto. Falta do estado assumir o controle ou oficializa-lo.
As apostas são a mesma coisa. Você consegue apostar em futebol há mais de 30 anos no Brasil. Basta ir na banca da esquina e fazer a sua aposta. Isso se sustentou por décadas porque sempre foi pago, tal qual o jogo do bicho. E portanto gera confiança em quem aposta. Mas como não existia aposta no Brasil oficialmente ninguém podia controlar isso.
Surgem as casas, chegam ao Brasil e o povo adota. O governo perde o controle, os “contraventores” que cuidavam das apostas perdem mercado, todos correm pra mesma direção. Regulamentação. Bom pra todos. Ganham as casas, cria-se regras, o esporte ganha patrocinio do que mais paga esporte no mundo, o governo recolhe impostos e você tem leis pra te proteger.
O melhor de tudo, porém, não é isso. É o fato de que as grandes casas de apostas tem um sistema unificado que aponta apostas incomuns e gera investigação. E quando alguém faz um esquema pra ganhar dinheiro com apostas, ao contrário do que pensa o povão, a vítima é a casa de aposta. É dela que se tomou o dinheiro de forma combinada.
E, regulamentado o mercado, pode-se ir atrás com dados. Caso de Bruno Henrique, Paquetá e centenas de investigados ainda anonimos. É um misto de burrice com má fé. Até pra ser filha da puta você tem que ser inteligente. Os milhares de cartões e jogos manipulados ao longo da história apostados na banca de jornal morreram. Os que são online com cpf e geolocalização estão registrados.
Vai dar merda. Tem que dar merda.
Eu não sei quem fez ou quem não fez. Investiga-se, ainda não se acusou ninguém. Mas tem. E os que fazem hoje, com tudo regulamentado, são tão burros que é uma alegria tira-los do futebol eventualmente.
Só um pouco de informação clara sobre um assunto sombrio, novo e deturpado por gente que acha que a melhor maneira de educar um povo é tirar as tentações de perto dele e não ensina-lo a se proteger.
Se tem fumaça vindo do sitema das casas, tem fogo. Quem botou fogo é que a gente tem que esperar pra saber. Mas um sistema unificado de casas de apostas do mundo todo dificilmente acha “coincidencias”.
É impossível negar me conhecendo um pouquinho que eu adoro o Gabigol. E eu adoro desde seus defeitos até suas virtudes, talvez por entender que o combo que um ser humano carrega seja fascinante mais do que a mentira bem contada de que há quem não cometa erros.
Gabigol é um ser humano que joga bola. E eu desconfio e não gosto de jogadores que são também humanos.
O pacote Gabigol é honesto. Você sabe o que está levando e desde que isso fique claro não tem ninguem sendo enganado.
Ele vai falar alguma coisa que não deveria, talvez vista a camisa do rival numa noite de resenha qualquer. Vai te decepcionar em alguns momentos, mas vai ser o Gabigol em todos eles.
E se isso lhe parece discutível a curto prazo, note que os maiores nomes da história são pessoas que suportaram os questionamentos sendo o que são e depois sairam ovacionadas por não terem se curvado.
Alguém aí acima de 35 não se lembra que o Silvio Santos já foi chacota? Que o Renato Gaucho era um “idiota” ou que o Fabio Jr era cafona? Então. Mantiveram, hoje os 3 são referencias de personalidade e vitórias.
Poderia citar 400 aqui. Mas o fato é que o Gabigol age muito parecido desde sempre. Marrento, decisivo, decepcionante, empolgante, protagonista, bom jogador e debochado. E se há um combo que movimente mais o futebol do que isso me apresentem pois desconheço.
O futebol é um produto que habita no nosso imaginário. Os fatos são poucos relevantes a partir do momento em que respiramos isso 7 dias para ter 90 minutos de fatos apenas. Gabigol é uma representação gigante do que move o futebol.
Você não sabe o que esperar. Mas espera. E se você espera, o futebol vende e vive. O cara que xingou o Gabigol há meses por causa da camisa rival é exatamente o mesmo cara que aos prantos erguia os braços ontem e gritava seu nome.
Confesse, você odeia amar o Gabigol. E acredite: ele é mais importante pro futebol do que pro Flamengo, embora decida títulos atrás de títulos.
Vivemos de Deyversons, Riascos, Gabis, Renatos, Romários, Violas e Tulios. De modo que beiro acrescentar que Messis são cerejas de um bolo feito pelos citados. Não pelo futebol, jamais, mas pelo imaginário que sustenta nossa paixão.
Você sabe o que o Messi vai fazer domingo e espera por isso. Você espera e não tem idéia do que os outros que citei farão. E isso vai de um lance de Messi a uma expulsão absurdamente boba. O que gera as horas na segunda feira no bar, a briga no grupo de whatsapp e as interminaveis questões do futebol.
Gabigol é futebol. Simplesmente porque domingo que vem ele pode fazer mais 3, ser expulso, sair na porrada, perder um penalti ou até mesmo nem pegar na bola. E é por isso que você vai passar a semana esperando pra saber.
Eu adoro o Gabigol. Eu me divirto com a capacidade do torcedor em fazer malabarismo pra destruir as proprias teorias quando a bola entra. E se há algo mais apaixonante e sem sentido do que você gritar o nome de quem você “odeia”, me apresente que eu troco de profissão.
Futebol é um esporte humano forjado por “cientistas” imbecis que tentam transforma-lo numa planilha. Gabigol rasga todas as planilhas, inclusive as que lhe favorecem.
Dito isso, ou tudo isso, eu prefiro ter um Gabigol na minha segunda-feira do que 12 gols do Halland.
Porque semana que vem o Halland fará mais 10. O Gabigol… a gente nem sabe como ele termina a segunda-feira dele.
Racismo é crime. Atribuir racismo a alguem é crime se essa pessoa não tiver sido racista.
Ouvir é algo fácil quando se tem boa fé. Deturpar é maldade, mas o mundo é cheio de gente capaz disso sem pensar nas consequências.
Vivemos diante de uma máfia digital que combina e escolhe quem vai detonar e quem vai permitir existir em paz. Falo com propriedade pois mesmo sendo um cara muito democratico fui alvo de ataques absurdos e mentiras inacreditaveis nos últimos anos por mera discordancia ideologica.
Leifert fez o comentário mais normal do planeta. Pra ele, Vini deveria ter ido ao prêmio mesmo sabendo que não ganharia. Tiraria onda sendo ovacionado pelo povo que estava ao seu lado. E fim.
Aliás, concordo com ele.
E de repente, num passe de mágica, um perfil qualquer solta “Leifert foi racista”. E pronto, ele foi racista. Recebe ataques por todos os lados e pessoas famosas, alvos, gente pública que sabe o quanto isso custa, compram o barulho pra ajudar o cancelamento.
É inacreditável, mas ninguém foi lá ouvir o que ele disse ou o contexto. Meramente seguiram a manchete de um perfil sem credibilidade sustentado por ideologia politica a troco de nada, pois Leifert nunca apoiou lado algum.
Qual o racismo ou relação com ele achar que, preterido, o jogador deveria ter ido ao evento como os demais preteridos de todas as cores e linguas foram? Só uma opinião sobre futebol. Absolutamente nada além disso.
Aí surgem os paladinos da moral que se permitem cometer crime em nome da justiça. Só na cabeça de um filho da puta você tem o direito de acusar alguém de racismo por escolher um jogador a outro numa eleição.
Ano passado foi um escândalo terem dado o prêmio a Messi e não ao hoje vencedor Rodri. Curioso, os dois são brancos. Ou seja, é uma discussão sobre futebol. O resto é achismo covarde de quem se dá o direito ou se acha tão superior ao ponto de poder entrar na cabeça do votante e acusa-lo de um crime sentado em seu computador.
Será tão difícil assim pra minoria pensante olhar pra isso e ver que tem método e alvos especificos?
Eu já desisti de tentar dizer pra quem faz o quanto isso é ruim e covarde, além de ser uma cultura que vai destrui-lo amanhã. Na minha vez, quando disse que mandei um entregador tomar no cu porque ACHEI QUE ELE ME TRATOU MAL, virou uma verdade que eu AGREDI o cara por ele nao subir na minha porta. Isso nunca aconteceu e nem foi dito por mim. Aliás, ele mesmo confirmou que não houve qualquer agressão, o que obviamente nao virou manchete porque desmentia a narrativa que gerou milhoes de cliques.
Sabe como isso começou? Num perfil anti racista. E então eu pergunto: quem falou que o motoboy era preto?
Mas, entre a manchete (seja ela do Jornal Nacional ou da porra de um perfil qualquer) e ver o que acontece a manchete é o que importa pro brasileiro médio. Ele não está nem aí pros fatos, mas sim pro que disseram que acharam sobre.
Tiago é um bom pai, bom marido, bom amigo, um bom homem. Nunca foi racista, não tem uma virgula na carreira dele que indique desvio de caráter. Mas ainda assim, por prazer e clique, há quem esteja disposto a rotular e cancelar o sujeito a troco de nada, mentindo, acusando de crime que ele não cometeu e não tendo nem a dignidade de se desculpar depois.
Assim caminha o Brasil. Um país de ignorantes manipulados por uma mídia maldosa e que está ali pra te desinformar pro lado que ela deseja. E você, trouxa, em pleno 2024, com todas as evidências na sua cara, prefere se basear na manchete do perfil X do instagram que sequer responde pelo que faz por estar aliado a quem interessa.
Amanhã o poder muda. Depois de amanha os alvos trocam. E quem hoje atira pra todo lado sem pensar nas consequencias vai estar deitado no chão pedindo “justiça”. É assim, pisando em ovos a troco de nada, que queremos viver?
Estão assaltando, matando, se corrompendo na sua cara. Guerra na linha amarela, trafico mandando em SP, governantes condenados sendo soltos. O país que você vive está um caos. E seu problema é se o Leifert acha que o Vini deve ou não ir a um evento? Isso explica tanta coisa…
Anti-racista de verdade combate o racismo. Quem procura racismo pra demonstrar virtude quer lucrar com a causa e não brigar por ela.
Sejam burros, tudo bem. Não tem como evitar em muitos casos.
É difícil entender a lógica que passa na cabeça de um brasileiro quando ele reage “contra a violência”.
Você vê uma gangue preparar uma emboscada pra outra em nome de sua facção e isso é registrado em vídeo, de forma indiscutível, clara, aberta a todos. As reações para mais um episódio desses beira a idiotice.
Pessoas pedindo punição aos clubes. Ou seja, que paguem 20 milhões de inocentes porque o Brasil é incapaz de prender um criminoso que confessa o crime e registra em vídeo.
Antes de pensar em punir, talvez, a tal da facção, eles pensam em quem ela torce. A organizada que matou vai desfilar no Anhembi ao vivo na Globo em fevereiro brigando por justiça social e democracia. E isso ainda vai uma grana da prefeitura pra ajudar.
Se contar fora do Brasil talvez alguém da Namíbia não entenda. Pois não há sociedade que não a de um zoologico capaz de entender a construção da solução na cabeça dessa gente.
Ai vem os paladinos dos bons costumes fingir se importar quando na real usam a causa pra se validar. Vem emissora de tv e faz campanha pra que torcedores não se odeiem. Ah vá! Vocês juram que mesmo com as imagens ainda acham que somos nós, torcedores de futebol, que nos matamos por ele?
Ora, vá tomar no cu, com todo respeito. Eu fico imaginando um bandido desses com 3 granadas em casa indo pra uma briga as 10 da manha com a facção rival vendo a tv e aparece dois torcedores abraçados dizendo #Somostodostorcedores e pensa: “Porra, parei. Nada a ver matar o coleguinha”, enquanto guarda as armas e resolve ir a feira.
Vocês são doentes ou se fazem. Não é possível. O Brasil está na discussão numero 50 pra conter essa violência sem jamais ter tentado aplicar a regra 1, que seria prender individualmente os culpados e deixa-los presos.
Pra que mais regras? Mais leis? Vocês não conseguem cumprir a primeira. E nós, mídia, nunca cobramos a primeira e queremos propor debate sobre novas medidas.
Isso é um circo. Qualquer pessoa razoável pensando 10 minutos sobre o tema vai chegar nisso. Mas pedir na era da rede social pra alguem pensar 10 minutos antes de falar é como pedir pra um bandido não matar em nome do bom senso.
Mais um dia de Brasil jogado pro futebol quando na real nunca se tratou disso. Do estúdio pode até parecer. Mas se sair na rua 20 minutinhos fica fácil saber do que se trata.
Tirando ex-prostitutas e ex-presidiários, a maioria das pessoas sabe que o passado de todos importa. E se você discorda disso liga pro seu cartão de crédito e pede o triplo de limite, vê se ele vai te dar.
O passado é uma credencial conquistada. O Coutinho e o Hulk tem essa credencial. Um pelo conjunto da obra, o outro pelo passado. Mas curiosamente as expectativas geradas no futebol brasileiro giram mais em torno do passado do que dos fatos.
Coutinho pode errar, jogar mal, não tem problema. É fase, mesmo que longa, a gente sabe o quanto ele joga bola. Mas tem dias, como hoje, que o desenho fica tão claro na nossa frente que é preciso emoldurar.
Hulk é o principal jogador do Galo há anos. Jogou bem na Ásia, aqui, na seleção, enfim. Carreira firme, grandiosa, regular e ativa. Coutinho jogou mais do que ele. Em 2017. E desde então despenca com raros surtos de bom futebol.
O passado nos atormenta mas também nos motiva. O torcedor sabe que não terá o Coutinho de 2017, mas espera ter surtos dele. Ou, na pior das hipóteses, o posicionamento de líder dessa jornada.
Lucas em 2023 entrou no São Paulo meteu a bola embaixo do braço e levou o time ao título. Hulk já é campeão. E não, eu não acho que o Coutinho tinha que ter levado o Vasco a final. Acho outra coisa.
Qual a maior característica do Coutinho? O chute de média distancia. Quantas vezes ele tentou isso mesmo num campo molhado?
Enquanto o Hulk usa créditos da sua dívida pra lá de paga no Galo pra brigar por cada lance e pedir a bola até quando não precisa, Coutinho se escondia esperando a bola perfeita.
A bola perfeita era pra você achar, não pra receber.
É penalti. O batedor de faltas da seleção na Copa de 2018 não vai tentar bater, se oferecer pelo menos? Não vai arriscar nada diferente? Nem mesmo liderar o time na armação das jogadas de desespero onde se costuma jogar a bola “nas mãos do Jordan”?
O Hulk pediu 20. Recebeu uma e tentou o lance improvável. O Galo está na final.
Pro Galo hoje era plano B. Pro Vasco, a vida. Pro Coutinho, imagino eu, uma rara oportunidade de se firmar como um jogador de destaque e referência onde ele “queria demais” estar.
Hoje era dia de deixar tudo em campo. O suor, os erros, as tentativas, a iniciativa de liderar o time.
Eu não me importo e nem me frustro com erros. Me frustro com quem erra pouco porque tenta pouco. Eu achei que hoje veríamos um rascunho de Coutinho em busca da glória. E vimos os fatos, de novo, pisando na história.
Hulk já tem e quer mais.
Coutinho é craque. Hulk é ídolo.
Todo craque quer ser ídolo. Nem todo ídolo é craque.
O Hulk não é melhor que o Coutinho.
Mas isso se baseia em história ou fatos? Porque nem eu consigo me convencer mais disso após tantos anos assistindo o contrário.
Coutinho, ainda há páginas em branco. Escreva-as se expondo. Ou um Ribamar qualquer vai passar errando tudo e virar o ídolo de fato dessa gente que te ama a troco de quase nada, ainda.