2015

O saldo de 2015 dos 12 grandes

Embora os resultados oficiais divulgados pelos clubes só seja apresentado no mês de abril, o Itau BBA entregou um balanço dos 12 grandes em 2015 já neste mês.

Segundo o BBA, os 12 grandes faturaram 2,58 bilhões em 2015.  Gastaram 2,41 bilhões, o que determina um raro ano onde o futebol brasileiro “lucrou”.  E este lucro está bastante baseado na gestão de recuperação financeira do Flamengo.

Só o clube carioca, segundo estimativa do Itaú BBA, teve um saldo positivo de 114 milhões.

Outros clubes que se destacam pelo saldo são Fluminense, Palmeiras e Cruzeiro. Sendo que a saúde financeira do tricolor carioca esteve colocada em dúvida desde a saída da Unimed em janeiro de 2015.

Curiosamente ou não, os 4 saldos devedores são Galo, Corinthians, São Paulo e Grêmio.  Os 4 clubes conseguiram vaga para a Libertadores.

abs,
RicaPerrone

O Wendell Lira que há em nós

Quando aquele garoto subiu ao palco pra receber o prêmio de gol do ano nós nos sentimos premiados. Mais do que se Neymar fosse o vencedor até.

Costumo afirmar sem medo de errar que brasileiro não gosta de esporte nenhum. Ele TORCE num esporte. É o meio encontrado de vencer numa vida onde culturalmente somos obrigados a perder.

Você não pode perguntar pra um brasileiro se está tudo bem e ele te dizer que sim, que tem dinheiro, saúde, que sua carreira vai bem. É ofensa.  Ele precisa se colocar numa situação de “fodido” para igualar a maioria e não parecer arrogante.

“Não tá facil pra ninguem”, né? Frase padrão.

Quando Lira, um jogador “fodido” sobe naquele palco contra tudo e todos e ostenta a vitória do pobre e improvável, ele dá a todos nós o gostinho que o esporte nos dá quando vencemos.  Não somos nós, mas é como se fosse.

Ele era o improvável, como você talvez seja. Ele era o menos cotado, como talvez muitos de nós sejamos dentro de nossas próprias casas ou empresas.

Lira é a vitória dos humildes. Num país onde ser humilde significa não assumir sua vitória mesmo quando ela for clara, Lira naquele palco representa o sonhado minuto de fama de todo brasileiro anônimo.

Como Lira, que agora não será mais anônimo. Nem craque.

Será um brasileiro mediano que esperou uma bola pra vencer na vida. Não venceu, não ficará rico, não será craque de time grande. Mas sentiu o gosto.

E é esse o sonho brasileiro. Tal qual o “sonho americano” é o padrão de uma casa, dois filhos, um emprego e um carro, o nosso são 15 minutos de fama por uma bola que pegamos na veia.

Wendell foi mais Brasil do que Neymar seria ontem.  Porque Neymar é um sucesso, Lira é como nós.

Jogasse num Palmeiras ou qualquer time grande, o gol nem seria tão bonito. Mas foi num estádio vazio, no campeonato goiano, sem qualquer glamour.

Afinal, “não tá fácil pra ninguém”.

abs,
RicaPerrone

A maior derrota

 

As eleições do Vasco em 2014 foram surreais. Quem acompanhou de perto sabe que teve de sócios fantasmas se cadastrando a ameaças de morte no dia da votação no clube. Uma baixaria digna do que viria pela frente.

Naquele dia, quando Eurico Miranda retomou o Vasco como quem toma uma boca de fumo, as perspectivas de um Vasco novo, diferente e com futuro foram tomadas de milhares de bons vascaínos por uma dúzia de indecentes cruzmaltinos dispostos a derrota-lo.

Fizeram, fizeram, fizeram, conseguiram.  Estavam eleitos Eurico Miranda e sua turma através de eleitores “novos” que surgiram dentro do prazo e viraram sócios.

Aos berros, ainda acreditando estar em 1980, o dono do Vasco foi comprando parte da torcida a moda antiga. Uma zoada no rival aqui, uma frase de efeito ali, um carioca, tudo certo! “O respeito voltou”.

Eu sinto que pela primeira vez vi um clube ser sequestrado. Os sócios vascaínos não deram o clube nas mãos do Eurico, e os que não votam menos ainda.

Desde então um festival de erros que não cabe ficar listando aqui. Era a camisa do Vasco contra o seu maior adversário: o Vasco!

Tudo resolvido na rodada 23. Mais de 12 pontos de diferença pro primeiro não rebaixado, uma chacota nacional.  “Já era”.

E foi nesse “já era” que duvidei. Porque time grande até perde, mas não perde de véspera. O Vasco reagiu, quase escapou, diria até que faltou uma dose de sorte,  um pontinho aqui ou ali a mais e a tragédia teria virado história.

Mas talvez o Vasco que evitaria a queda em 2015 seria o rascunho do rebaixado em 2016.

Uma merda tentar ver por esse lado, mas há um recado na queda do Vasco. E esse recado será interpretado da forma que o clube conseguir.

Eu já tinha visto o Vasco perder. Já tinha visto o Vasco cair. Mas nunca tinha visto um ser humano derrotar um clube. Foi a primeira vez e disparado a maior derrota da sua história.

Eurico Miranda venceu as regras, o conselho, a esperança e agora o próprio Vasco.

Sim, ele conseguiu. E neste domingo, dia 6 de dezembro de 2015, é correto dizer que um homem foi maior que o clube.  O que será na manhã do dia 7, não faço idéia. Mas hoje a noite o Vasco dorme refém, em cativeiro, sob ameaça de mais tortura e sem nenhum pedido claro de resgate.

A sorte é que ele sequestra, judia, mas não mata.

abs,
RicaPerrone

Valeu? Valeu.

Aos berros de “Luis Fabianooooo!” já entrei e sai do Morumbi algumas vezes na vida. Especialmente na primeira passagem, quando ele era uma promessa e ainda não tinha cansado minha paciência.

Luis era um talento acima da média. Um cara pra fazer história.

A cobrança sobre ele nunca foi, e nem deveria ser, como um jogador comum.  Foi pelo valorizado ídolo precoce que se tornou, pelas cifras que movimentou e pelo que tinha potencial de ser.

Luis Fabiano é um gol nos pontos corridos.  Vale, mas você nunca saberá quanto exatamente.

O ídolo que não ganhou quase nada, o cara que esteve a frente dos momentos mais melancólicos do clube e com parcela nisso, afinal, juizo nunca foi seu forte.

Fez muitos e muitos gols, embora a piada diga que foram “inúteis”,  sabemos que não foram.

Deixa o clube com números expressivos, mas com seu último toque na bola para eternizar a síntese do que foi sua carreira no Sao Paulo.

Aos 47 do segundo tempo ele recebe na área sozinho pra virar o jogo e devolver o G4 pro São Paulo.  Decide, Luis! Decide…

Pra fora.

Ele havia feito um gol já. E esse é o melhor quadro para defini-lo.  Luis é útil, grande jogador, mas não conseguiu jamais colocar a cereja no bolo. Sempre que foi cobrado como “o cara”, falhou. E muitas vezes prejudicando o clube com expulsões estúpidas como aliás, no seu maior título pelo clube, a Sulamericana de 2012, onde suspenso ele não estava em campo.

Aos 35 anos é um vencedor. Tá rico, fez história, gols, dinheiro e fama.  Mas o Luis Fabiano que imaginamos ver jamais foi visto. O que não significa que o que vimos seja ruim.

Boa sorte. E sim, valeu.

abs,
RicaPerrone

Estatísticas: Santos 1×0 Palmeiras

Confira os dados do jogo Santos 1×0 Palmeiras pela Opta Sports, maior empresa de estatísticas do mundo!

Captura de Tela 2015-11-26 às 00.40.53 Captura de Tela 2015-11-26 às 00.41.04 Captura de Tela 2015-11-26 às 00.41.12 Captura de Tela 2015-11-26 às 00.41.22

Jogadores que mais tocaram na bola:

Lucas Lima – 83 vezes (Santos)
Zeca – 67 (Santos)
Victor Ferraz – 61 (Santos)
David Braz – 60 (Santos)
Robinho – 58 (Palmeiras)
Zé Roberto – 56 (Palmeiras)

Mapa de Calor

Santos

Santos

Palmeiras

Frouxos!

Há pouco mais de um ano a seleção tomava um 7×1 bastante “inexplicável”.  Só que naquela goleada houve um ponto considerável que foi o  “apagão” de 5 minutos onde tomamos 4 gols.   Ainda assim, uma tragédia.

A diferença dos 7×1 da seleção para o 6×1 do Corinthians é que o segundo foi construído durante 90 minutos, o que torna o placar muito mais significativo.  Com reservas, em casa, jogo festivo, contra um SPFC que tinha que jogar a vida pela vaga.

Eu reagi muito mal ao 7×1, por isso esperei 2 dias pra esfriar a cabeça pra falar do São Paulo, meu time do coração.

Num dos casos nos incomoda a falta de preparo emocional. No outro, a falta de envolvimento emocional.

Ninguém gritou, ninguém se desesperou, nem mesmo tentou algo maluco para evitar.  Aceitaram como covardes, como frouxos a goleada e sequer levantavam a cabeça pra discutir após mais um gol do Corinthians.

Você talvez tenha raiva do que fez o David Luis no 7×1, e eu teria muito menos raiva do jogador do São Paulo que, não aceitando a situação, cometesse uma burrice por ação.  Mas não. Os 11 foram omissos.

“Nosso 7×1” teve um sétimo gol de goleiro, que foi a defesa do Cássio.  Mas pouco importa na real, pois tal qual com a seleção um jogo muito ruim não muda em nada a história e a grandeza de uma camisa. O que deve mudar é a forma de enxergar o próprio clube.

Eu tenho comigo a idéia de que um clube se perde quando tenta ser tudo.  O SPFC é o exemplo clássico disso. O time da organização, do planejamento e do bom futebol resolveu ser “do povo”, “guerreiro”, “raçudo” e ganhar a qualquer custo.  Transformou soberania em soberba, inverteu o rótulo de invejado e respeitado para odiado.  E deixou de ser São Paulo.

Claro que pra uma geração de moleques ganhar é a única coisa que importa no futebol. Mas até moleques evoluem, e um dia estarão repetindo o mesmo discurso sobre identidade, alma, etc.

O São Paulo é o clube que joga bonito, pra frente, organizado, planejado e correto. É o bom moço, o time das meninas loirinhas de olhos claros, dos playboys da capital.  Ponto.

O time “maloqueiro” da organizada, o time que expõe seus problemas em mesas redondas, o que coloca “vermelho cor da raça”  acima da técnica e que nega sua origem pra parecer popular não existe. É uma farsa.

O São Paulo criado por Muicy, alimentado por Juvenal e Aidar, prestigiado por um bando de oportunistas que só querem dizer que são campeões no facebook não existe, e se existir, a mim não interessa.

Esse time de frouxos que perdeu domingo da forma que perdeu é apenas uma consequência da soberba que inclui uma torcida mimada e sem noção que se contém ao idolatrar Cafu, Muller e outros tantos porque vestiram outra camisa e berram o nome de Luis Fabiano, o símbolo de um São Paulo egoísta, medroso, sem atitude.

Uma torcida vendida a placares magros e futebol insuficiente por não conhecer a própria história.  O São Paulo é tão grande, tão forte e auto suficiente, que mesmo diante de toda a merda que foi feita no clube desde 2006/07, está em crise, no seu pior ano, em quarto lugar prestes a ir pra Libertadores.

Isso talvez diga a estes jogadores que “tá tudo bem”.  Mas na real deveria mostrar a eles o tamanho da camisa que eles vestem e o quanto é inaceitável a postura do último domingo.

Vocês foram frouxos.  Vocês aceitaram a maior goleada da história pra um time reserva de férias de cabeça baixa sem sequer gritar um com o outro.

Mas frouxos bem vestidos. E isso lhes dá a chance de sair daqui ainda respeitados apenas confirmando uma vaga que, a 2 rodadas do fim, está na sua mão.  Embora injusta, indigna a vocês, a vaga na Libertadores é sim uma forma de contornar o ato covarde do domingo.

Mas eu não me importo com a vaga, juro.  Acho até injusta se vier.  Mas se vocês forem perdê-la, por favor, percam como homens.  Caiam atirando e não fugindo. Tomem 7 porque se desesperaram como David Luis, não porque não se importaram como fizeram no domingo.

Esse time de “Dodôs” nos envergonha.

abs,
RicaPerrone

Uma dose de sorte

Captura de Tela 2015-10-29 às 11.39.10

O que poderia ser melhor ao Flamengo do que ter motivos para cortar de seu elenco 5 jogadores que internamente todos já queriam fora?

Eu não entendo bem a reação de “susto” com jogadores na noite tendo treino pela manhã, já que acordos entre treinadores e elencos sobre o treino ser a tarde para que possam chegar pela manhã em casa são bem comuns.

As vezes tenho a impressão que “pessoas do futebol” são surdas e mudas quando convém. Critique, é errado, ok! Mas carinha de susto não, né?

O Flamengo “perde” 5 jogadores ou encontra motivos para dispensa-los?

De férias no Brasileirão, fora da Copa do Brasil, a única consequência dessa “balada” é contra os jogadores, não contra o clube.

E as consequências são bem piores pros jogadores do que pro clube.

Santa balada!

abs,
RicaPerrone

Allianz Parque – Capítulo 1

Era uma vez um estádio.  Durante um período não muito feliz dos anfitriões ele foi ao chão e, no melhor negócio da história do futebol mundial em todos os tempos, uma nova Arena surgiu.

Para alguns, covardes, oposição velada ao futebol brasileiro, ele se chama “Arena Palmeiras”.  Não. Não se chama. O nome é Allianz Parque, nascido em 19 de novembro de 2014, numa derrota. Mas a história é escrita como nos convém, logo, pro capítulo “estréia”, fica valendo a de 1933, 6×0 no Bangu, e foda-se.

Voltemos no tempo. Ou melhor, corremos.

Chega o esperado 29 de outubro de 2015 e o Palmeiras tem sua primeira partida inacreditável em sua nova velha casa.  Sim, eu sei que o Cruzeiro já esteve lá sendo eliminado. Mas existem jogos decisivos, jogos importantes e jogos para sempre.

Pela primeira vez o Allianz Parque sediou um jogo que nunca vai terminar.

Naquela eufórica torcida que clama por grandeza e títulos do tamanho de seu estádio, havia uma mistura de medo e fé. Um roteiro digno para um primeiro capítulo.

Os gols, a queda de rendimento, o herói do jogo pintando do outro lado, toda a história sendo escrita para uma página de superação e dor comandada por Fred, o injustiçado. E não diga que não, porque todo torcedor enxerga essa história do dia seguinte sendo escrita durante o jogo.

Quando terminou, o Fluminense tinha uma classificação épica. O Palmeiras, um gostinho de “jogo perdido” por ter sofrido o último gol do jogo.

Mas tinha que ser assim, sofrido, nos pênaltis, devagarinho, com todos os olhos na mesma direção, para que fosse eterno.

Prass, Gum, nenhum herói nem vilão de fato, pois no capítulo primeiro do Allianz Parque a estrela maior teria que ser o Palmeiras como um clube, não como pano de fundo para um jogador se eternizar.

E acabou. Pra que nunca mais tenha fim este Palmeiras 2×1 Fluminense que trouxe de volta tanto “palmeirismo” ao palmeirense.

Que discutam os pênaltis, o juiz, a sorte.  A história está escrita. E é só o começo.

abs,
RicaPerrone

Os números dos centroavantes do Brasil

Você já deve ter se perguntado se é impressão sua ou se o Luis Fabiano passa mesmo o jogo impedido. Se o Love é tão menos efetivo assim que os mais aclamados neste campeonato. E se o Guerrero tem ou não um papel fundamental no Flamengo em 2015.

Pois algumas de suas respostas podem estar neste quadro exclusivo com dados oficiais da Opta para os 6 principais centroavantes do campeonato.

Note:

  • Ricardo Oliveira e Love são os que mais fazem gols pela média de minutos jogados.
  • Pratto é o que mais chuta a gol.
  • Love é o pior passador entre os 6 escolhidos.
  • Guerrero é o que mais cria oportunidades proporcionalmente.
  • Love é, também, o que mais desarma.  O que menos bate.
  • E o Fred é o maior vencedor de bolas divididas entre os centroavantes.

abs,
RicaPerrone

Planejada do Vasco

O fato de ser difícil não torna nada impossível. O Vasco segue firme na luta para evitar a queda e a Planejada que fiz na virada do turno ainda mostra um resultado bem positivo.

Por ela, o Vasco fez 94% dos pontos que deveria para escapar já considerando o cenário até a derrota pro Figueirense.

Agora, conforme a planejada, vem as decisões. Em casa, vencer ou vencer. E nesse bolo tem Grêmio e Corinthians.  Fora de casa, só perder ponto pro Palmeiras. E ganhar os 2 confrontos diretos.

Dificil? Sem dúvida. Impossível, jamais.

abs,
RicaPerrone