2018

Escolha!

O Flamengo tem 3 campeonatos grandes em disputa. Na megalomania de sua gente tentaria ganhar os 3.  No que podemos chamar de cenário real, baseado em 100 anos de história, é fundamental fazer escolhas. 

Não estamos falando de estadual e Brasileirão. Ou de uma Copa e um campeonato. Estamos falando de 2 copas em fases decisivas e um campeonato longo e competitivo. 

A Copa do Brasil e a Libertadores são os mais interessantes campeonatos a todos os clubes hoje, fruto da premiação, grandeza continental e da porcaria que é o sistema de pontos corridos como entretenimento. 

Os 3 o Flamengo não vai ganhar. Então porque não toma decisões e arca com elas agora do que preparar o discurso pra reclamar do calendário no fim? 

Abrir mão de um deles, que seja. E então a lógica é simples:  O Flamengo não tem qualquer cenário nas Copas. Elas recomeçam do zero fase a fase. No Brasileirão tem ótima situação. Não dá pra abrir mão de um campeonato onde até ontem você era líder. Entre Copa do Brasil e Libertadores, simples decidir.

Porque não mete os reservas logo na Copa do Brasil e o que vier ali é lucro? É mesmo mais interessante ter a desculpa do físico em caso de derrota do que a cobrança em cima da escolha? Claro que sim. Mas os grandes campeões escolheram. 

Escolha. Antes que lhe reste argumentos para explicar. 

abs,
RicaPerrone

O SPFC não tem o timinho que vocês enxergam

Há uma discordância simples quando eu digo, tal qual dizia em 07/08, que odeio ver o SPFC jogar. O saopaulino me cobra saopaulinismo, e é compreensível embora imbecil.  Os outros 95% dos leitores me cobram coerência, e aí sim é compreensível e justo.

Eu condeno TODOS os times que jogam sem usar o que tem ou que buscam o futebol de uma bola há 20 anos de carreira. Eu não tenho o direito de gostar porque meu time está usando.

Dito isso, vamos a principal divergência entre saopaulinos e eu quanto a esse time:

Voces acham que “é o que dá”. E não! Não é o que dá com Diego Souza, Everton, Nenê, Rojas.  Não é um timinho se virando como pode conquistando vitória heróicas. Isso foi o que se criou para justificar o cenário. Não é verdade.

Você tem time pra ganhar do Manchester? Não. Você joga contra o Manchester? Também não. Então não vamos criar mitos. O SPFC não tem um time incapaz de ter a bola e propor jogo.

Se não propõe e 100% das vezes em que faz mais de um gol é porque o adversário abriu e ele achou um contra-ataque, algo funciona muito e algo não funciona nada. A defensa é muito competente, o ataque é montado pra achar um erro do adversário.

“O que vale é bola na rede”. Então, essa pessoa que pensa assim não tem como dialogar. Porque ela é a favor que não se discuta futebol, apenas que se olhe placares e diga: “líder bom, lanterna ruim”.  Ou seja, fechem os bares e tirem as cervejas do congelador.

O SPFC tem time para ter a bola, propor jogo, criar jogadas e não fazer uso de cera uruguaia para ganhar jogos. Quem acha que o SPFC precisa disso é que está desmerecendo o SPFC.

Não vejo no time qualquer ímpeto em não jogar. Vejo uma forma clara e determinada pelo treinador em se preocupar apenas em não tomar gols e usar uma chance para vencer o jogo. Ponto final.

A bola está entrando. Uma hora ela para de entrar pra todo mundo. E aí todos que hoje se lambuzam com o que condenam no rival passarão a achar tudo uma merda.

Eu devo a meu trabalho a coerência de não achar uma merda quando ela não entra, e nem de ver duendes quando ela entra.

O São Paulo tem um bom time, usa como pequeno e portanto se torna ainda mais produtivo que um grande. Todo time pequeno tem em sua forma de jogar uma chance contra os grandes. Quando grandes atuam como pequenos, suas chances são enormes. Mas sua grandeza os inibe.

A que eu enxergo no SPFC me inibe de gostar. Se a sua não, talvez eu veja um SPFC maior do que você.

abs,
RicaPerrone

Indecentes

Vou resumir rapidamente o que penso sobre a troca de treinadores antes de entrar onde quero de fato.  O Roger é um treinador que faz seu time ter posicionamento, toque de bola e padrão. E nenhum tesão pela vitória.

O Felipão é o contra-ponto. Métodos não tão atuais, mas é o cara que mete o time em campo babando pela vitória. A troca é de estilo, de conceito. Mais do que qualquer outra coisa.

Aí vem a segunda questão: O Felipão anunciado, a reação de parte da mídia e consequentemente de torcedores.

Você pode não gostar do Felipão. Pode achar sua contratação uma merda. Mas não pode, por decência, amor ao que faz e respeito as conquistas alheias, jamais desmerecer ou debochar de Luis Felipe Scolari.

É um dos maiores da história. Um nome notável no futebol mundial, com derrotas como todos os demais, mas com vitórias que quase nenhum dos demais.

Menosprezar e fazer piada com Felipão é a prova de que o erro e o desrespeito tosco da imprensa que acha que sabe tudo com Zagallo não mudou.  Trocaram o Zagallo. Mas não as mentes arrogantes e os perfis estúpidos de microfone nas mãos que se acham no direito de mensprezar um sujeito como Felipão.

Se o Palmeiras erra ou acerta, vamos ver com o tempo. Quem com certeza erra é quem trata um patrimonio do futebol brasileiro com chacota ou a tentativa frustrada de desmerecer um campeão do mundo milionário do alto de sua mediocridade jornalística.

Bem vindo, Felipão! Sempre.

abs,
RicaPerrone

O melhor time e os melhores jogadores

Poucas vezes concordei tanto com um campeão quanto na Copa de 2018. Se a França irritou a Bélgica por ter se fechado e não buscado o gol, a mesma Bélgica devia se lembrar que chegou as semi exatamente por ter feito isso 4 dias antes.

A França não tem tesão em fazer gols. É nítido que ela faz o que precisa, mas é impressionante a facilidade com que ela fez o que era preciso.

Era precisar de um gol e eles faziam. Em todos os jogos foi assim, dando a nítida impressão do primeiro ao último jogo que a França estava apenas cumprindo um cronograma para erguer a taça.

Quase todos os seus jogadores foram muito bem. Especialmente Umtiti e Mbappe, por motivos diferentes. Enquanto o zagueiro se matava pra brigar por cada bola o atacante dava o toque genial de quem sabia quando aparecer.

Dizem que o craque de hoje em dia é o Modric, porque joga pro time os 90 minutos. Eu lhes digo que esse é fundamental! Mas craque, o que resolve, é o que resolve. Não o que dá suporte.

A importância é discutível. Mas o prêmio, pra mim, não.

O craque da Copa é o Mbappe porque quando precisou resolveu. Outro jogador qualquer pode ter feito ótima Copa, até mesmo o Griezmann, mas craque na Rússia eu só vi um terminar a Copa. Se dessa história formos contar daqui 30 anos quem fez a Copa de 2018 aposto meu braço que não será a incrível história de Modric que seu filho ouvirá na mesa do jantar. Mas sim a do Mbappe.

A França fez o que quis, quando quis, e ganhou com uma propriedade assustadora. Sem ser brilhante, porque o futebol hoje praticamente pune o brilhantismo e brinda o pragmatismo.

Vide Croácia, que com sua bela história de superação chegou a final com um glamour inexistente. Não venceu nenhum dos 4 jogos de mata-mata, e d0is deles foram contra inexpressivas Russia e Dinamarca.

Não há nada demais na Croácia além de uma história legal pra contar de um time surpreendente e que chegou na base do chaveamento e do “deus me livre”.

O time é a França. Os melhores jogadores idem. E hoje o vice, como previmos quando saiu o chaveamento das oitavas, era só uma mera questão de figuração. Do lado de lá não tinha nada. E a França nem fez esforço para golear o melhor de lá.

Campeã incontestável. Vice de bela história. Copa de pouca técnica, nenhuma novidade, raríssima genialidade e muito pragmatismo.

Foi o que a Russia nos deu.

abs,
RicaPerrone

Brasil 2×0 Costa Rica

Nervoso, de cara fechada e muito mais tentando não errar do que acertar. Esse foi o Brasil que entrou em campo contra a Costa Rica. Pressionado, sob desconfiança gerada pela confiança conquistada.

Quem diria? Jogar bem, no Brasil, é motivo de prejuízo.

Por 90 minutos buscamos. Por 45 erramos. O que a Costa Rica fez é detestável, mas é sempre bom lembrar que, coitada, ela é só a Costa Rica. É o que tem.

A bola entrou porque ela quis. Depois de tanto ser tirada do gol, ela mesma buscou Coutinho e pediu “me bate!”e entrou, encontrando a rede com raiva, justiça e alívio.

Ela, a bola, sofria como nós. E como sofremos!

Mas não ganhamos “achando gol”. Demoramos pra ganhar porque eles acharam defesas. É diferente.

Poderia ser 0x0? Poderia. E 6×0? Também.

Eu acho algumas coisas sobre o time.

  • O Coutinho de meia atrapalha o Paulinho. Ele fica mais preso.
  • O Neymar não está tendo o equilibrio para controlar pressão, dor, volta de contusão, tática, técnica e protagonismo.
  • O lado direito está ofensivamente nulo.
  • Marcelo abaixo do que esperamos.
  • Thiago e Miranda, hoje, fizeram ótimo jogo. Alisson também.
  • Fagner em nada comprometeu. Ao contrário, atacou mais que o Danilo.
  • Casemiro em partida irreconhecível.

E principalmente: não existe virose técnica. Quando quase todos jogam mal, não é tático, técnico, nem o adversário. É psicológico.

O pós 7×1 é tão massacrante mentalmente quanto o 7×1 em si. Esses meninos não tem sequer um líder, tanto que trocam de capitão. É time pra ser empurrado, não cobrado.

Escolham.

Eu já cometi o erro de ter dito que não confiava no Thiago as vésperas da estréia. Não era hora. Errei. Não cometerei outro. Há defeitos, apontemos, mas acima de tudo, ajudemos.

Não são “eles” buscando a taça pra nós.  Somos nós buscando a taça com eles.

abs,
RicaPerrone

Suas idéias não correspondem aos fatos

Quando o Galo abriu mão dos titulares na Sulamericana o recado era claro: não dá pra disputar 3 campeonatos, vamos focar em dois. Sendo óbvio que a Copa do Brasil é o alvo mais realista e bem pago.

Compreendi. Faria também. Acho a Sulamericana um torneio fraco e superestimado por ser “internacional”. Mas entendi que aquele era o claro recado de que o time jogaria o tudo ou nada contra a Chapecoense hoje.

Não foi o que aconteceu.

Em diversos momentos chegou a ser pressionado, não controlou o jogo e seu ímpeto ofensivo foi o de quem jogava pelo empate, não pra vencer.

Na real o Galo que deveria ir babando pra cima da Chape foi lá pra não perder. E não perdeu. Nem se classificou.

Agora o time reserva da Sulamericana será mais contestado, o time ainda que líder do Brasileirão, pressionado a fazer grande campanha onde não era esperado que fizesse.

E veja você, a Chape, que nada tem com isso, segue sendo o time pequeno de maior vocação para o protagonismo em todos os tempos.  A fama a procura. Os feitos dramáticos idem.

Talvez ela nunca aceite o papel, mas nunca poderá dizer que lhe faltou oportunidade. O futebol ama a Chapecoense.

E o Galo vai ter que usar todo pragmatismo desta partida no chato pontos corridos, onde, diga-se, ser pragmático funciona.

abs,
RicaPerrone

Bons de “briga”

O Palmeiras tem muito mais time que o Corinthians no papel. Talvez este seja o maior mérito do Timão: saber que precisa ser coletivo e jogar no limite.

Do outro lado um time armado, que toca, toca, toca e não parece ter nenhuma necessidade de buscar o gol ou a vitória se não for por mera consequência técnica do jogo.

As vezes a técnica não basta. Se esse Palmeiras tivesse o espírito do Corinthians, ou o Corinthians o elenco do Palmeiras, seria ruim de bater.

O ímpeto “muricystico” do Palmeiras é problema só dele.  Não me refiro ao futebol jogado, mas o conceito claro de que não é preciso nada além de salário em dia e treino pra se jogar e ser campeão.  Mentira! Todo fator motivacional vale a pena quando bem colocado.

Pois esse Palmeiras entra e sai de campo igual em todos os jogos. Equilibrio, regularidade, mas….

O Corinthians alterna jogos acima da média e jogos não tão bons. Isso pode parecer “pior” do que ser regular, mas na verdade o time que joga todas como “apenas mais uma” não ganha taça. O que sabe qual é o jogo da taça, normalmente, leva pra casa.

Falta ao Palmeiras mais luta pelo gol. Não é pela bola, é pelo gol.

Ao Corinthians, com o time que tem, campeão brasileiro e paulista, é difícil dizer que falta algo. Não há ali um time no papel que prometa nem metade do que esse time tem conseguido.

abs,
RicaPerrone

O medo e a obrigação

O Fluminense tem por característica principal e distante da segunda colocada a superação. Esse time tenta com o que tem, o que não tem. Corre, luta, briga e camufla a sua fragilidade com dedicação e a não cobrança da camisa que veste.

Eu explico.

Se o Fluminense tivesse sendo cobrado pra ser campeão com esse time estaria em crise e perdendo jogos. Exatamente o descrédito está dando a eles o espaço para serem surpresas embora num time grande.  É difícil “surpreender” em time grande. Ele sempre carrega com ele a esperança de títulos.

Esse Fluminense “ganhou” o direito de jogar como der desde que corra. O outro lado, não.

O São Paulo tem time, investiu pesado e tem por obrigação que jogar mais do que joga. Não tem obrigação de vencer o Flu no Rio. Não é isso. Mas tem por vocação e elenco que não se acovardar.

Um primeiro tempo bem desenhado pelo que deve ser de véspera. O melhor time peitando mesmo fora de casa e ganhando o jogo até. Aí vem o segundo tempo e a gente precisa conversar sobre ele.

O Abel Braga mandou o time pra frente gradativamente na medida em que via que o SPFC não teria nenhum problema em não jogar os últimos 45 minutos.

O Aguirre tem uma característica uruguaia detestável:  Se tiver que se defender, ele enfia os 11 atrás e que se dane. É curioso porque uma das críticas que eu mais fazia a ele no Inter da Libertadores 2015 era exatamente essa. Ele abria mão de jogar sem cerimônias quando ganhando.

É comum o perrengue no Uruguai. Mas não é necessário aqui, ainda mais num pontos corridos.

O Fluminense jogou um ataque x defesa o segundo tempo todo e fez o gol merecidamente. Não se abre mão de jogar futebol impunemente.

Segue o Fluminense empolgando pela luta, o São Paulo tentando convencer seu torcedor de que não será mais um ano a toa.

E o Fluminense anda argumentando bem melhor que o São Paulo com sua torcida.

abs,
RicaPerrone

Flamengo: Uma igreja no inferno

Ninguém abre uma casa de chá em Las Vegas. Em Londres não tem samba. E no Rio de Janeiro não é muito apelativa a “campanha do agasalho”.  Lei seca na porta de culto não arrecada nada, mas na saída da Olegário Maciel, dá muito certo.

Não existe uma fórmula infalível pra nada. Tudo funciona ou não dependendo de onde, com quem e quando.

O Flamengo jamais será uma Igreja. E se for, quando for, não será mais Flamengo.

O Flamengo não pode votar contra o mata-mata.

O Flamengo não pode ser o time menos polêmico do Brasil no dia a dia.

O Flamengo não pode jogar pra ricos apenas.

O Flamengo não pode ter um time de coroinhas.

O Flamengo precisa de algo inexplicável pra funcionar. E quando se faz tudo pra que ele funciona, é óbvio que, para ser inexplicável, ele não funcionará.

A diretoria do Flamengo é sim a melhor da história do clube e todos os títulos que o clube conquistar nos próximos 100 anos deverá uma parte a ela.

O que não significa ser uma ótima gestora de Flamengo.

De finanças, sem dúvidas. De Flamengo, tenho muitas.

A diretoria do time mais popular do país elogia a torcida que pôde ir num treino de graça. E diz em seguida: “mas nada vai mudar quanto aos preços”.

Ou seja. “Alô moleque que foi ontem lá e se emocionou, está pedindo pra virar meu eterno cliente! Tu não me interessa. Você é pobre!”.

E no mesmo dia grita que é grande porque tem 40 milhões, onde inclui os 35 milhões de pobres.

Não procurem mais o treinador vilão, o jogador enganador, nada disso. Note, é simples: o time do Flamengo é um departamento de uma empresa organizada.

Ele entrega o mínimo necessário, ninguém falta, batem cartão, não reclamam e vão pra casa. Quem vai ser demitido por falta de “algo mais”?

O Adriano teria saído do campo falando palavrão, o Pet teria mandado o Diego pra aquele lugar no meio do jogo, o Zé Roberto teria sido expulso e o Flamengo teria tomado o segundo e perdido.

Mas seria muito mais Flamengo do que empatar esse.

abs,
RicaPerrone