2×0

SPFC 2×0 Botafogo: Distantes

Um placar de 2×0 não é exatamente o que separa hoje São Paulo e Botafogo. Tecnicamente a diferença é brutal, financeiramente e estruturalmente idem.  Em campo, porém, essas coisas as vezes ficam de fora e o peso das camisas igualam jogos.

O Botafogo teve momentos. Quando 1×0, no começo do segundo tempo, o Fogão até controlou o jogo. Mas é muito grande a diferença das possibilidades quando uma bola cai nos pés do Pimpão e do Pato. Primeiro pelo domínio, e em seguida pelas opções em volta.

Pro que tem, pelo tempo de trabalho do treinador, o Botafogo fez um bom jogo.

O São Paulo, que pra muita gente é surpresa, fez o que tinha que ser feito e alternou altos e baixos no jogo. Mas ganhou, teve bons momentos e marcou muito bem.

O Cuca não dirige time com sono. Se tiver ele acorda. E se não acordar ele muda. A pegada do Tricolor é notável. Em 20 minutos tinha 3 amarelados no Botafogo e o São Paulo marcando homem a homem o tiro de meta dos caras.

Há 1 mês eles assistiam o adversário criar a jogada.

A expectativa pro SPFC é boa no Brasileirão. Talvez a minha seja até mais otimista que a maioria. Eu falo até em título. O Botafogo em não cair, porque é isso que o seu time sugere.

Mas embora o jogo de hoje tenha confirmado a deficiência técnica, houve melhora.

Com perspectivas extremamente opostas para o campeonato, ninguém fez mais do que podia hoje. Nem menos.

RicaPerrone

Enfim, a estréia

Em 2019 o Grêmio já foi até campeão, mas ainda esperava aquela atuação de Grêmio. Não me refiro a um jogo do estadual qualquer, nem mesmo a uma goleada. Mas a um jogo decisivo onde o Tricolor fosse manter a bola, controlar o jogo e construir a vitória com calma.

As características de um Grêmio vencedor estavam faltando. Ontem sobraram.

Longe de um show, mas com a segurança de um time que volta a ter confiança e fazer o que sabe. Não adianta tirar desse time sua principal característica e esperar resultados semelhantes. O Grêmio do começo da Libertadores queimava a bola. O Grêmio dos últimos anos não entregava a bola de jeito nenhum.

Ontem houve controle, protagonismo, iniciativa e calma. Falta o Alisson soltar um drible antes a bola, o André ser mais centroavante do que pivô, uma aproximação mais criativa do meio, mas num geral o time voltou a ter postura.

O Libertad perde pouco em casa. Esse ano foi só pro Olímpia, clássico, e ano passado foram 6 derrotas, sendo 2 pro Olímpia, uma pro Boca.

Ganhar lá não é a moleza que pareceu ontem. Como nada do que o Tricolor conquistou nos últimos anos pareceu fácil como em alguns momentos foi. O Grêmio faz do jogo “fácil”. E não vinha fazendo.

Enfim, o Grêmio.

RicaPerrone

Abel tem uma ideia

Ouvir torcedor é um pedido formal para cometer um erro. Se dependesse de torcida todo time jogaria com 11 atacantes, subiria 11 da base no jogo seguinte a cada derrota e trocaria o treinador toda semana. Portanto, vamos ponderar as cobranças.

O “melhor” jogador do Flamengo ontem foi também o pior em campo. Gabigol perdeu diversos gols feitos e marcou dois. Um deles impedido e sem goleiro. Saiu ovacionado, mas o Abel não deve ter ficado feliz com sua atuação.

Outro que divergem é o Arão. O futebol hoje é extremamente “marcável” e não a toa os melhores times dos últimos anos no Brasil tiveram nos seus volantes os grandes destaques. Porque são craques? Não. Porque são o fator surpresa. Ninguém arma time pra marcar volante. A chegada deles é fundamental pra quebrar o esquema de marcação.

Arão é alto, tem alguma técnica e não vai alternar com o Cuellar. Só ele fará esse papel.  Sua presença no time é fundamental, e a única forma de tira-lo é adaptar o Diego a posição.  Pelo pênalti da semana passada vemos que não é uma adaptação fácil e que pode custar caro.

Torcida idolatra e odeia com critérios meio absurdos. Mas a paixão não é racional, logo, entende-se.  O Gabigol faz o que a torcida esperava há anos: corre, mostra raça, briga e se importa.  Pode perder 20 gols. Quando fizer um e for pra galera, tá perdoado.

Arão pode tomar 20 bolas, criar 20 lances no ataque, quando errar um passe está morto. Aí entra uma briga por ter razão, não por avaliação.

Vamos então ao Arrascaeta.

A torcida acha que o Flamengo contratou o Pelé. Normal. Caríssimo, badalado, embora aos 25 anos esteja trocando de time entre Brasil e Uruguai e portanto não se trata de um jogador de nível internacional ainda.  Mas vamos esquecer os valores e a expectativa do novo Pelé e cair na parte técnica.

Arrascaeta não joga na função do Diego. Não quer dizer que não possa vir a jogar, mas esse papel no Cruzeiro era do Thiago Neves. O uruguaio disputa a posição, em tese, com Everton e Bruno. Os dois começaram o ano muito bem e não tem qualquer argumento para tira-los do time.

Abel não está sendo teimoso. Está sendo criterioso.

Quando o Tite tirou o Marquinhos titular da Eliminatória toda pra meter o Thiago Silva no primeiro coletivo pré-copa ele foi injusto. Se o Abel fizer isso também será.

O fato de vocês quererem ver o “super Flamengo” em campo não implica nele estar pronto e sequer dele ser possível de funcionar como você espera.

Se meter o Diego no Arão e o Arrascaeta no meio e perder 2 na Libertadores você não vai dizer “erramos”, vai dizer “Abel seu merda!”. E portanto ele não está te ouvindo com toda razão.

O time as vezes só cria no individual. Ontem criou no coletivo. Mas aí falhou o individual na finalização. Esse equilíbrio ainda não foi encontrado.

RicaPerrone

Quando a derrota é o menos importante

São 23h46 quando ligo pra um amigo tricolor para falar do jogo que acabei não indo por outros compromissos. Ele atende bem melhor do que eu esperava, sem voz de enterro, com alguma dose de sarcasmo no tom.

Não lamenta, nem defende o time. Só xinga uma vez e muda de assunto.

Eu insisto no jogo. Ele concorda, não reage, muda de assunto.

Então eu faço uma piada, que é pra causar a irritação e a resposta. Ele ri, aceita o golpe e não se importa. O pergunto se está tudo bem, pois sei o grau de fanatismo. Ele diz que sim, que “esperava”, e que será rebaixado domingo.

Eu digo que não, que tem que acreditar, que é só um empate. E ele explica sem ironias que “acha que merece o rebaixamento”.

Desligo. Devo ter ligado errado.

Abro meu instagram e lá na direct tem uma mensagem que diz o seguinte: “Talvez você não leia isso, mas hoje o Fluminense perdeu um torcedor. Não merecemos o que a administração fez com o clube. O apequenou. Prefiro parar de torcer pra essa vergonha e me ocupar com outras coisas. Hoje perdi a vontade de acompanhar futebol”.

Não sei quem é. E sei que ele vai mudar de idéia. Mas sei que de todos os sentimentos do mundo que um clube pode gerar num torcedor esse é o último. A indiferença ao ponto do abandono.

Desistir. Repensar o que você dedica a ele.

A Sulamericana que se foda. Até mesmo a série A, sendo bem honesto. O problema da torcida do Flu hoje não é com a divisão ou com a final. É com a honra.

Eles nem queriam a vaga. Queriam a vitória. Ou um empate injusto de quem merecia vencer.  Sair gritando “guerreiros!”e não sair mudo porque nem protestar dá vontade.

Um dia um dirigente do clube disse no Conselho que, para ele, o Flu era o Fullham do Brasil. E então trabalhou até transforma-lo nisso.  Quem não sabe o tamanho o peso do que vai carregar quase sempre derruba.

Que merda vocês fizeram com o Fluminense.

RicaPerrone

Dá!

Eu sei, eu sei. É frustrante, dá um desanimo, a gente vai dormir puto e acha que tudo vai acabar mal. Mas palmeirense… se respeita, vai.

Dos 4 times na semifinal da Libertadores o Boca é o que menos jogou bola até aqui. Está aí, inclusive, porque o Palmeiras quis ser “fofo”  quando na minha opinião deveria ter sido escroto e matado o problema no ovo.

Você não precisa entregar jogo pra tirar um chileno, ou um colombiano. Mas quando se trata de um time argentino sabemos que não há limites para levar vantagem. São os caras que comemoram terem DOPADO nossa seleçào pra ganhar um jogo.

Quando existe a possibilidade de tira-los do torneio, tire! E o Palmeiras preferiu decidir em casa contra o Boca do que eventualmente ter um adversário menos indigesto fora.  Pois então que decida.

2×0 no mundo do Felipão é rotina. Ele está acostumado a perder fora e reverter. Ninguém ganha Libertadores goleando geral. Isso é utopia. E no dia que o Palmeiras não puder fazer 2×0 em alguém em casa eu paro de comentar futebol.

Dá. É claro que dá!

Mas pra que dê é preciso levar o palmeirense ao estádio neste dia e não o público do cinemark que migrou pro estádio de futebol.

Se você duvida, dê seu ingresso pra quem acredita. E se você acredita, convença outros 2 que dá. Mas que não haverá espaço para vaias, um minuto de desconfiança e paz para o Boca.

É hora de jogar Libertadores, Palmeiras. És uma bela Arena, um grande time, uma linda fase. Mas tá na hora de fechar o teatro, meter povão pra dentro, ativar o Felipe Melo que há em cada um e entender que nao se trata apenas de futebol um jogo de Libertadores.

Dá! É só não equilibrar na raça, na pressão que na bola o Palmeiras sobra.

abs,
RicaPerrone

Um só time completo

Não, não me refiro a Paquetá ou qualquer outro jogador. Me refiro a essência. O Cruzeiro foi ao Maracanã para tentar ganhar o jogo e não para se acovardar. Tem time pra isso, e o fez.

O Flamengo tirou o povo do estádio, escalou um time com medo de perder e não para se impor e sufocar o adversário em casa.

Todo resultado é discutível porque quase todo placar é feito de circunstancias pequenas durante um jogo cheio de alternativas. Se a bola do Cruzeiro não entra é outro jogo? É. e se a do Thiago Neves entra? Também.

No geral o que mais se viu no Maracanã hoje foi um Cruzeiro postado para ser o que costuma: um time que quando ganha não deixa dúvida. E o Flamengo, do povo, dono do Maracanã, foi a campo com uma torcida reduzida e elitizada para escalar um time pra não tomar gols.

Tomou.

Porque em decisão quase sempre vence quem teve alma. E que alma é essa rubro-negra que renega sua força, sua casa e sua gente?

O Cruzeiro é o time brasileiro que, quando ganha, ninguém discute. Hoje, nem o mais rubro-negro discutiria. A vaga está muito perto. Mas ainda não definida. Contra o Flamengo talvez o Cruzeiro possa perder em Minas.  Contra esse Flamengo covarde, mauricinho e que pensa mais do que briga, não perde nem com os reservas.

abs,
RicaPerrone

Segue a receita

Parece clichê, e é. O Flamengo quanto mais compra jogadores mais atrasa seu natural processo de evolução.  Como “quase” sempre, bastou precisar apostar em garotos e a aposta deu certo.

Flamengo x Botafogo não foi um jogão. Foi um jogo de 7 minutos onde o Fla fez 2 lances pela esquerda com o já massacrado Matheus Sávio e resolveu o jogo.

O Botafogo não tem elenco pra reverter uma situação dessas num clássico contra um time como o líder Flamengo. Teria, talvez, contra um time mais fraco que acha 2 gols. Não era o caso.

Dali pra frente o Flamengo não forçou, o Botafogo não encontrou um jeito de empatar e a partida caminhou pro final sem grandes novidades.

O ponto interessante é que, mais uma vez, quando o Flamengo “precisa” de algum moleque pra suprir a falta de um dos medalhões, ele faz melhor que o medalhão e o time vence.

Foi assim quando perdeu a zaga, foi assim quando perdeu Everton, quando o Diego machucou, quando o Guerrero saiu, e se me permite, é assim desde 1895.

Mais garotos. Menos salários astronômicos para jogadores comuns. O futebol brasileiro já exagera nas compras e nos salários. Tratando-se de Flamengo, então… beira a loucura.

abs,
RicaPerrone

Um recomeço

Se havia um cenário ideal era o 3×0, os pênaltis, a vitória e São Januário em êxtase vibrando com a virada do Vasco.  Era improvável, se tornou possível, passou pelo provável e terminou como um sonho quase alcançado.

A vaga não veio, mas hoje o Vasco buscou mais do que 2 gols de diferença.

Não por um jogo brilhante, mas por uma atuação digna da camisa que ostenta. E quando bem ostentada ela reage através de sua torcida. Os aplausos no fim são merecidos porque o Vasco é um clube que pode perder, desde que perca de cabeça erguida.

Já quase pisoteado na Bahia, o time conseguiu se reencontrar, mostrar algo bem melhor hoje e terminar em pé, mesmo que eliminado.

Clubes não vivem de vitórias. Vivem de grandeza, história, paixão e poder de reação.  Se o Vasco é hoje um clube estuprado pelos seus ex-presidentes e conselheiros, mais importante do que ganhar ou perder é se aproximar do clube que ele foi e deve ser sempre.

O time da virada. Pra hoje, faltou pouco. Pro Vasco, falta muito.  Mas é bom vê-lo recomeçar a temporada com cara de Vasco e não aquele saco de pancadas que entrou de férias em junho.

abs,
RicaPerrone

Só mais um Silva

Os Silvas são os pessimistas mais felizes do mundo. Eles nunca acham que vai dar certo, mas ainda assim estão sorrindo e festejando mais do que os que tem certeza.

Os Silvas renegaram a Copa até a bola rolar. Quando rolou se derreteram por ela como sempre acontece. Os mais azedos da família vivem o desespero de, talvez, não poder dizer “eu avisei” no final. E não há nada mais trágico para um pessimista do que não poder ter razão.

Os Silvas se juntam, bebem, festejam e vestem a mesma cor. São toscamente desorganizados, a família que mais dá trabalho na vizinhança. Festas até tarde, condomínio atrasado, filho rebelde, estaciona onde não pode.

Mas é inegável que ali tem algo especial. Naquela casa pode estar o mundo caindo e lá estão eles sorrindo. Tão rindo de quê, afinal?

Na verdade nós, Gallardos, Jimenez, Hernanez, Rodriguez, Flores e Muñoz, morremos de inveja dos Silva.

Eles tem o mágico poder de ignorar um vazamento no meio da sala e continuar o jantar. Afinal, a comida está boa.  Ô vocação pra celebrar que esse povo tem!

E lá, na Russia, veja você, nada mudou. O mais rebelde dos Silva resolveu tudo. Caindo, rindo, debochando, levantando e trocando o objetivo pela farra.  Porque eles são assim. Não adianta brigar, tentar entender e menos ainda copiar.

Os Silva são foda. Começando pelo tal do Neymar da Silva Santos Júnior.

abs,
RicaPerrone

Aceita, volta e vamos!

Não é um dia pra contestar, nem pra se empolgar. A seleção alterna bons momentos com claros momentos de desequilibrio nos jogos e isso não pode acontecer em mata-mata.

Vou ser prático, fazer por tópicos e simplificar o que eu penso do time até aqui.

Coutinho:
Sua entrada como meia é a pior coisa que aconteceu ao time. Para que ele atue nessa posição o Tite desequilibrou todo o time voltando o William na direita, prendendo mais o Paulinho e perdendo altura e recomposição defensiva no lado justo do Marcelo. Coutinho pode jogar como vinha nas eliminatórias: na direita.  O time fica equilibrado com Renato e Paulinho apoiando os lados direito e esquerdo, Casemiro centralizado, e dois jogadores leves nas pontas.

Neymar e Coutinho:
Quanto mais o Coutinho joga perto da área, mais ponta o Neymar vira. E quanto mais o nosso melhor jogador se afasta do gol, menos gols eles faz.  Vale tudo isso apenas pra ter o chute do Coutinho de fora da área?

William:
Está mal. O time com Coutinho ali voava. Não tem porque não mexer após testar e não funcionar.

Jesus:
Isolado, preso, precipitado e não está rendendo nem como fazedor de gols nem como pivô. Hora de testar Firmino.

O time:
O mesmo que se tornou inquestionável até a Copa. Não tem motivos pra mexer e insistir num time que oscila tendo um pronto e testado em casa:  Casemiro,. Renato, Paulinho, Neymar, Coutinho e Jesus (Firmino).

Dito isso, boa noite e que venha o México!

abs,
RicaPerrone