2×0

Brasil 2×0 Costa Rica

Nervoso, de cara fechada e muito mais tentando não errar do que acertar. Esse foi o Brasil que entrou em campo contra a Costa Rica. Pressionado, sob desconfiança gerada pela confiança conquistada.

Quem diria? Jogar bem, no Brasil, é motivo de prejuízo.

Por 90 minutos buscamos. Por 45 erramos. O que a Costa Rica fez é detestável, mas é sempre bom lembrar que, coitada, ela é só a Costa Rica. É o que tem.

A bola entrou porque ela quis. Depois de tanto ser tirada do gol, ela mesma buscou Coutinho e pediu “me bate!”e entrou, encontrando a rede com raiva, justiça e alívio.

Ela, a bola, sofria como nós. E como sofremos!

Mas não ganhamos “achando gol”. Demoramos pra ganhar porque eles acharam defesas. É diferente.

Poderia ser 0x0? Poderia. E 6×0? Também.

Eu acho algumas coisas sobre o time.

  • O Coutinho de meia atrapalha o Paulinho. Ele fica mais preso.
  • O Neymar não está tendo o equilibrio para controlar pressão, dor, volta de contusão, tática, técnica e protagonismo.
  • O lado direito está ofensivamente nulo.
  • Marcelo abaixo do que esperamos.
  • Thiago e Miranda, hoje, fizeram ótimo jogo. Alisson também.
  • Fagner em nada comprometeu. Ao contrário, atacou mais que o Danilo.
  • Casemiro em partida irreconhecível.

E principalmente: não existe virose técnica. Quando quase todos jogam mal, não é tático, técnico, nem o adversário. É psicológico.

O pós 7×1 é tão massacrante mentalmente quanto o 7×1 em si. Esses meninos não tem sequer um líder, tanto que trocam de capitão. É time pra ser empurrado, não cobrado.

Escolham.

Eu já cometi o erro de ter dito que não confiava no Thiago as vésperas da estréia. Não era hora. Errei. Não cometerei outro. Há defeitos, apontemos, mas acima de tudo, ajudemos.

Não são “eles” buscando a taça pra nós.  Somos nós buscando a taça com eles.

abs,
RicaPerrone

Croácia 2×0 Nigéria

Se a Argentina abriu mal a Copa, pode se preparar porque não será daqui pra frente que a coisa ficará mais fácil. Nigéria sem nada a perder, que é a única condição de perigo que eles apresentam. E a Croácia se mostrando consideravelmente mais organizada.

Se fosse amanhã Croácia e Argentina e eu tivesse que colocar alguns reais, seria na Croácia. E assim sendo, considero a classificação em primeiro da Argentina hoje um risco.

Isso significa enfrentar a França nas oitavas, provavelmente.

Futebol consistente da Croácia, bem articulado e sem sofrer pressão adversária. Poderia até ter sido mais. A Nigéria é ainda um time que entra em campo com pouca noção do que vai fazer com a bola.

Eu até diria que um dia, quando entenderem isso, serão fortes. Mas como ouço isso desde 1986 e não acontece, desisto. Os africanos caminhavam para o protagonismo. Quando o futebol mudou e se tornou mais intenso, pensado, tático e físico do que técnico, voltaram a condição de grande zebra.

Saudades, Okocha, Amokachi e Kanu.

abs,
RicaPerrone

A Cinderela nem sempre encontra o principe

As histórias que o mundo ostenta são quase todas educativas. No final da trama o vilão se dá mal, a princesa sai feliz, o mocinho é lindo e os mais humildes saem exaltados. A Disney é maravilhosa.

Mas não é ela quem faz todos os roteiros do mundo, embora reconheça que se fosse o caso viveríamos muito melhor.

Hoje o moço mal não teve dó, nem medo das “viradas da vida”. Se debochar com 3×0 é “desrespeito”, com 1×0 é um pedido formal com firma reconhecida para se dar mal.

O Flamengo flertou por 90 minutos com o final mais previsível do mundo. E de tão marrento, tão ousado e folgado, o driblou.

Abel escalou mal. O Fluminense entrou em campo pra ver o jogo e não pra jogar. Por um tempo, viu. O Flamengo fez 1×0, mandou no jogo e a partir do momento que fez o gol passou a fazer o que adoramos ver, mas que condenamos quando não funciona.

Toquinho, drible, provocação e nem sempre na direção do gol. Era claro a tentativa de desestabilizar o Flu. O Flamengo quis ser malandro, jogador machucado voltando pro campo, aquele passe com risadinha olhando pro outro lado.

Mas o futebol é um filho da puta.

Fosse em qualquer outro cenário no mundo o Fluminense voltaria melhor, viraria o jogo e os “humilhados seriam exaltados”, “o mundo precisa de humildade”,  “esses meninos pensam que são o que?”, entre outros óbvios discursos encerrariam a quinta-feira com uma “lição”.

O Flamengo pediu pra sofrer o empate, foi no fio da navalha e mesmo batendo na bola com “nojinho” fez o segundo.

Porra, cadê Deus? Tudo que aprendemos dizia que o final era outro. Os marrentos debochados arrogantes sofreriam o empate. O combinado era esse, não?

Não.

O combinado é que você se torna um babaca quando já vencedor humilha os derrotados. Estava 1×0, eles fizeram o tempo todo. Foram talvez irresponsáveis. Mas não foram covardes.

E se esse estádio se chama “Mané Garrincha” é exatamente porque nos orgulhamos de como jogamos e encaramos o futebol.

A Cinderela não é virgem, o principe deve ter amante e aquele sapatinho nem era de cristal.

abs,
RicaPerrone

Maior que a vaga

Se havia um motivo até ontem era a vaga na Sul-americana. Pessoalmente, não sou dos maiores fãs do torneio e não me preocuparia em estar nele com tanto apego quanto alguns brasileiros fazem.  Mas entendo, especialmente no Rio de Janeiro, onde há essa “loucura” por um título internacional que ninguém ganha há muito tempo.

Hoje, desde que a polêmica (na minha opinião exagerada) das fotos saiu, a coisa tomou outra proporção. Além disso havia a história de ser a pior campanha de um brasileiro na fase de grupos, entre outros temperos que foram agregando ao jogo.

Com 4 dos 7 já no aeroporto pra voltarem ao Brasil, o Vasco foi a campo com tudo pra dar errado. E é aí que time grande destoa.

Quem diria? Jogou bem, agrediu o adversário quando teve a bola, não se desesperou, fez 2×0 e saiu de lá com o placar que precisava para conquistar a vaga na Sul-americana.

Mais do que isso. Para dar paz, deixar a fotografia de lado e voltar ao Rio de Janeiro como time de futebol que é.  O Vasco tem sido motivo de todas as manchetes do mundo: política, golpe, briga, até foto de jogador. Menos de futebol.

Independente da importância que cada um dá ao objetivo traçado. Hoje ele era complicado, ficou ainda mais com os problemas disciplinares, e o Vasco foi lá e conseguiu.

Durma em paz, vascaíno. Pelo menos hoje.

abs,
RicaPerrone

“Sem vexame”

Rubro-negro sofre com o fantasma do “vexame” na Libertadores. Primeira fase ou qualquer adversário que se considere “obrigação” faz do Flamengo uma vítima de si mesmo.

Assisti aos 5 jogos do Mengão na Libertadores. Esse foi o que mais me preocupou.

– Porra, Rica! Mas jogamos partidas piores que essa!

Depende.

Eu entendo a ansiedade e o drama da “primeira fase”.  Mas algumas coisas precisam ser c0locadas antes que o oba-oba delicioso da torcida do Mengão encubra tudo.

  • Time com Everton, Diego, Vinicius e Paquetá TEM que ter no mínimo uma puta saída de bola. O Flamengo perdeu bola o jogo todo hoje na sua intermediária. Não conseguia sair jogando.
  • Dos 4 talentosos citados acima, só 1 jogou bem.
  • A maioria das chances de gol foram criadas por contra-ataques e/ou erros da defesa adversária e não articuladas pelo Flamengo.
  • O primeiro objetivo de um jogo de futebol é ter a bola. Sem ela você não joga, com ela o adversário não te ameaça. Todo time, em qualquer circunstancia do jogo, está buscando a bola. O Flamengo não conseguiu ficar com a bola.

Enfim. A vaga garantida, paz no Ninho e agora Copa, treino e só tem “fantasminha” em julho/agosto.  Hora de curtir a vaga e o primeiro semestre que “deu certo” com o time bem no Brasileiro, classificado na Copa do Brasil e também na Libertadores.

Mas ou o Flamengo encontra um equilibrio emocional e tático, ou… nada feito.

Houve show no Maracanã. Mas foi da torcida. Essa “engoliu o choro” e empurrou mesmo morrendo de medo do “vexame” aparecer ali de novo.

abs,
RicaPerrone

Pra matar saudades

Aquele Maracanã lotado, rubro-negro e a preços mais aceitáveis até lembrava um Flamengo de personalidade forte, iniciativa de jogo e vitória no fim.

E pra matar a saudades, ele apareceu.

Com o entusiasmo da volta do Guerrero, a atuação espetacular do Diego Alves, o golaço do Paquetá, a fumaça que causa o xodó Vinícius e a vitória construída no segundo tempo, sem folga e com algum sofrimento que é pra ser Flamengo.

O Inter jogou um bom primeiro tempo, mas não voltou pro segundo. O Flamengo fez um primeiro tempo ok, mas sem tentar resolver. No segundo veio pra fazer o gol a todo custo, e fez. Dois.

Não sei o que muda. Nem sei se mantém. O Flamengo alterna jogos como os de hoje com o da Ponte.  Mas é indiscutível a alegria do rubro-negro ao se ver líder, Maracanã lotado, Guerrero de volta e Everton Ribeiro estreando pelo clube finalmente.

Quinta-feira vale vaga. No domingo liderança. Na outra semana, a mais sonhada das classificações.

O céu está mais perto do que o inferno. E pensar que estiveram lá não faz nem 1 semana…

abs,
RicaPerrone

Mais que o título

O Cruzeiro precisava mais dessa conquista pela temporada do que pela taça em si.  Ameaçado de ver o sonho virar crise muito rápido, a conquista de hoje se tornou bem mais do que um título estadual.

O time é nuito bom. Perdeu Fred, viu seus dois primeiros jogos importantes do ano se tornarem derrotas e a torcida que estava sonhando começou a cobrar.  O paraíso é muito perto do inferno pra um time que cria expectativas. E o Cruzeiro de 2018 é um time de quem muito se espera.

Não assisti ao jogo final ainda. Vi os gols, os melhores lances, a expulsão e a polêmica toda. Sim, concordo com a maior parte dos atleticanos. A expulsão era dupla. O Edílson não só deixa o pé como imediatamente após levar a paulada, devolve com o braço.

Acho que friamente se tirassem as camisas e colocassem camisas vermelhas e amarelas, nem mesmo o presidente do Cruzeiro discordaria disso. Mas sendo azul e a outra preta e branca, é claro que o Edílson não fez nada na visão de metade de Belo Horizonte.

Mudou o jogo? Provavelmente.  Uma final com 10 contra um time que naturalmente já é melhor que o seu no papel faz diferença. E deve ter feito.

Independente da polêmica da arbitragem o título dá ao Cruzeiro uma breve tranquilidade para buscar o que ele realmente almeja no ano e as finais deram ao Galo uma sensação que “dava” pra ter batido o rival não fosse o arbitro.

Mais notável que isso só constatar que de novo, como sempre há anos e anos, o gol decisivo de um título foi de quem?  Thiago Neves….

abs,
RicaPerrone

Quando vencer até dói

Eu nem me lembrava dele, pra ser honesto. Talvez eu nunca o tenha notado. Mas aos 35 anos, Paes não terá um futuro brilhante. Tem uma carreira digna, boa, mas que a idade só permite manter, não mais sonhar.

O São Paulo jogou mal. Mas mereceu a vaga porque o São Caetano jogou pior ainda.  O que na verdade era pra ser uma partida de eliminatória simples com resultado bastante comum e previsível, comoveu mais do que convenceu.

Aquele “chupa!”  de torcedor na hora que ele erra virou nó na garganta quando, ao final do jogo, ele se deita no chão e, conforme ele mesmo revelou, olha pro céu e diz “porque comigo?”.

Na entrevista, chora. É um cavalo de quase 2 metros experiente chorando feito um garoto por uma bobagem que eliminou o provável eliminado.  Mas o choro dele é mais alto que os aplausos do Morumbi.  Porque é mais sincero e merecido que os aplausos.

Ele merece ser o vilão pelo erro que cometeu. E também pode chorar, porque como todos nós, um dia dá tudo errado e a gente se sente o mais injustiçado do mundo.

Paes vai sumir. Ele não é uma promessa, nem o primeiro goleiro a falhar e sair chorando. Não será o último também.

Mas seguramente foi a coisa menos esquecível que o Morumbi viu nesta noite.

abs,
RicaPerrone

Constrangedor

Há uma diferença técnica, tática, mando de campo, fase, o que mais você quiser. O que não pode haver é uma diferença na postura em busca do resultado. E há. Gritante. Humilhante. Constrangedora.

O Palmeiras jogou um primeiro tempo como treina todos os dias. Só que ao invés de cones do outro lado tinham jogadores do São Paulo.  Mais fácil, cones não erram passes.

O toque de bola dentro da área adversária empolga o palmeirense, humilha o saopaulino. Por sorte e prudência em virtude da vaga garantida e da Libertadores, o Palmeiras não quis jogar mais meio tempo.

Se quisesse, sabe-se lá como sairia do Allianz Parque o time do SPFC hoje.

O torcedor sai de qualquer clássico derrotado pela arbitragem. Nunca o adversário foi melhor, é uma norma.  Mas quando o adversário nem sacaneia, quando você sai do jogo e nem argumenta, é porque a coisa ultrapassou limites.

Eu sou saopaulino. E durante o jogo os meus amigos palmeirenses não estavam me sacaneando, mas sim me consolando.  É o cumulo da humilhação.

Me odeiem, porra! Pisem em cima. Sou eu! Lembra? O cara do tri mundial.  Não fica com pena, não! Eu não mereço.

Ou mereço?

São pelo menos 12 anos sem jogar um bom futebol, 10 sem títulos, sendo que o conquistado não teve segundo tempo. Ao longo desse tempo o futebol do SPFC só piora, a superioridade do Palmeiras só aumenta.

O que houve hoje no Allianz foi a confirmação de uma nova era.

O São Paulo que era forte. O Palmeiras que era mais fraco. O Morumbi que era o melhor estádio. O soberano que era modelo.

Já era.

O São Paulo não se reconhece mais. E o Palmeiras há tempos não se via tão parecido com o que de fato é.

abs,
RicaPerrone

Previsível e muito bom

O que eu espero de um clássico? (Sim, porque Derby é viadagem)

Espero tensão, apoio de torcida, mobilização, seriedade, jogo duro, nenhum pé fora de dividida e uma história foda pra contar ao final do jogo. Espero polêmica, choro do perdedor no final, alegria e deboche do vencedor. É pra isso que vejo futebol.

Convenhamos, independente de chegarmos à analise da razão ou não nas reclamações, tivemos tudo isso. Então, feliz estou.

Começa pela incrível presença de 10 mil pessoas num treino pra apoiar na sexta-feira. Passa pela memorável e honesta cena de Clayson e Felipe Melo não se dando as mãos pra agradar comentarista de terno e gravata.  Simples: não se gostam, não se cumprimentam.

O pedido pela hipocrisia e pelo teatro não é uma questão de educação. É uma questão de achar que o mundo é melhor quando se finge. Eu prefiro como ele é.

O jogo tenso, pegado, Romero alucinado.  Um golaço merecido pelo que apresentaram os times no primeiro tempo. E depois disso o jogo se entrega à polêmica.

Seria o mesmo sem a expulsão? Claro que não! Perdendo e com 10 é foda até pro Real Madrid contra o Getafe. Imagina um clássico. Foi justo? Hum….

Perguntei na rede social após o jogo pra sentir o tamanho do clubismo e do que de fato viram ali. Tirando os palmeirenses que juram não ter sido nada e os corintianos que acham que o Jailson tinha que ser preso, notei que os demais não envolvidos no jogo ficaram bem divididos.

Não é uma característica do goleiro do Palmeiras agredir ninguém. De fato ele estica a perna e usa pra tirar a bola. E faz isso inclusive porque um jogador impedido do Corinthians confunde sua saida do gol, o que pouca gente está notando. O fato dela tocar – e não ser chutada por ele –  no palmeirense antes tira o impedimento que aconteceu na origem do lance? Honestissimamente, não sei. Acho que não, mas posso estar errado.

Eu não daria o pênalti na hora. Como ele não deu. Avisado sei lá por quem, resolveu dar. Pelo VT há uma pernada. Mas se ela foi por maldade ou sequencia do lance, é de lascar a alma adivinhar.

Pontos que eu levantaria: se o jogador do Corinthians impedido vai no lance antes do choque, está impedido antes do pênalti, não?

E sendo assim, não marcaria pênalti.

Mas passo longe de achar roubo. É absolutamente difícil o lance.

Dali pra frente, tensão, Palmeiras sem ter muito o que fazer, outro pênalti, 2×0, fim de papo.

O Corinthians queria mais, precisava mais e merecia mais. Jogou mais. O Palmeiras aposta todo seu argumento numa polêmica, porque sabe que jogou menos que o adversário.

Amanhã só se discutirá esse lance. E portanto o clássico fez seu papel.

abs,
RicaPerrone