2×0

Quem é quem?

Se me contassem só o enredo eu até desconfiaria, mas como vi com meus próprios olhos, não tenho dúvidas.

O São Paulo empurrado pela massa, jogando com  faca nos dentes e dividindo cada bola compensando qualquer falta de técnica com vontade.

O Flamengo jogando de ladinho, olhando pro adversário, tentando o toque mais bonito.

O gol “de mão” ou não, não importa. O importante ali é ver o time do Flamengo absolutamente conformado com o gol e sem sequer fazer uma pressão para anula-lo. E convenhamos, se a TV  até agora não sabe se foi, o mínimo é que a “vítima” jure por deus que tenha sido.

E segue o baile.

Um primeiro tempo desmoralizante. Um time que prometia o céu assistindo ao que até ontem brigava pra se manter longe do inferno. E tome pressão, Hernanes vibrante, carrinho sem direcão, bola pro mato. Isso aqui é…! Opa, essa frase não era deles?

Jogaram pelo pouco que apresentam, mas pelo tanto que desejavam o resultado. O São Paulo até a alma, o Flamengo até onde der se não for dar trabalho.

Eu não sei quem deste elenco do Flamengo eu contrataria. Mas deixaria minha filha escolher um marido ali no grupo de olhos fechados. Como não tenho filha, o Clube de Regatas Meninos de Jesus não me causa qualquer cobiça.

Tal qual a campanha do agora raçudo, valente e popular São Paulo. Mas ja que é pra perder a identidade, que se perca pra melhor.

E nessa aí, convenhamos, o São Paulo mereceu.

abs,
RicaPerrone

Zé Ricardo e o suicídio

A relação de comando de qualquer pessoa para com um grupo é muito complicada de manter. Um deslize e você perde o respeito, a confiança ou a liderança. Tanto faz. Se uma delas faltar, você está morto.

Zé Ricardo bancou o Flamengo dele até hoje as 10 da manhã. E ali ele tinha um time em crise mas com uma direção. Errada ou certa, ele acreditava em X e fazia X.

Quando escalou o time “dos outros” hoje ele se suicidou.  Se o Flamengo vencesse por 3×0 jogando muito bem, ele perderia a confiança do grupo porque provou pra si mesmo que estava errado. Ao escalar o time dos outros provou pro time que não acredita no que faz, ou que é passível de pressão.

O Flamengo perdeu hoje por lances individuais, por falta de capacidade de finalizar e criar, por erros táticos, técnicos, psicológicos, enfim, por todos os motivos possíveis.  Mas se há um perdedor hoje foi Zé Ricardo. Esse, no mínimo, perdeu alguma coisa.

Desconfio que seja o emprego, até.  Mas mesmo que fique, o treinador do Flamengo acredita no seu sistema de jogo, aceita pressão externa pra muda-lo do dia pra noite ou apenas viu que estava errado e errou de outra forma?

Difícil. Mas o tiro no pé foi disparado. Mesmo se seguir andando, vai mancar por muito tempo.

abs,
RicaPerrone

Você

Eu preciso escrever da a vitória do São Paulo sobre o Palmeiras.  Jornalisticamente, talvez eu devesse avaliar tática, falar do Prass, do Jean, achar “culpados” de lá, heróis de cá. Mas, foda-se.

Eu quero falar de você.

Tu sabe que eu te amo, né? A gente briga, passa tempo longe, as vezes flerta, mas no geral, sendo você o maior causador de alegrias e tristezas da minha vida desde 1978, é bem fácil perceber que te amo.

E eu assisti ao jogo de hoje como um marido que leva a esposa jantar após passar o dia com a amante. Não que eu conheça essa sensação, mas imagino qual seja.

Quarta fui ao Allianz. Hoje cedo à Arena Corinthians. E a tarde meu voo pro Rio me impossibilitava de estar no Morumbi pra te ver.  Porra, tu entende que é meu trabalho, mas mesmo assim me sinto meio filho da puta. Eu tinha que estar aí, né?

Eu sabia desde o começo da semana. Falei pra todas as pessoas: A gente ganha sábado.

Porque?

Porque é você.

Você não sabe ser saco de pancadas. Você não pode ser desafiado em sua grandeza dentro de sua fortaleza.  Uma vez acontece, duas, quem sabe? Mas hoje “PRECISAVA”.  E quando precisa, é você.

Tu fica ai nessa fase sem personalidade que já dura uma década e a gente cansa de você.  É um garoto tatuado, que vira roqueiro, depois entra pro samba, meses depois vira crente. Caralho, Tricolor! Quem é você?

Vai correr feito hoje? Vai jogar bonito feito na Florida? Vamos ser “o time da raça” todo vermelho que um asno branquinho inventou ou vamos ser o time que fomos desde a sua fundação e jogar futebol bem jogado?

Qualé a sua?

Eu to na sua. Sempre estive. E vou morrer abraçado a ela.  Mesmo sem saber qual é, sem entender o que você quer e pra onde você vai, é de uma irritante e absoluta verdade constatar que você ainda é boa parte da razão da minha vida.

Obrigado por hoje.  Levanta daí.

abs,
RicaPerrone

Insistam!

O rubro-negro vai dormir puto, é natural. Perdeu na Libertadores e mesmo sendo bem razoável a derrota lá como foi no Chile, há um sentimento de frustração nos dois jogos pelo que foi apresentado.

E então eu lhes digo: insistam!

Não desistam, não procurem vilões, nem atormentem o clube por resultados absolutamente comuns. Não transforme a rede social na “torcida do”.  É uma micro parte dela. Respeite, mas não aceite. O Flamengo jogou outra boa partida.

Ah mas perdeu…!

Calma aê, irmão! Perdeu foi gol pra cacete. Time que cria, é pouco ameaçado, tem a bola e perde 4 gols embaixo da trave não tem nada que reclamar além da pontaria. O resto todo funcionou.

Posse de bola maior que a do rival, jogando fora. 18 chutes a gol, apenas 10 faltas cometidas, 400 passes trocados, 90% de acerto. Os atacantes todos tiveram a bola do jogo, e hoje nenhum acertou. E o time não tinha seu principal jogador.

Zero críticas ao treinador. Quem armou o time pra jogar a boa partida do Chile e a de hoje foi ele. Se a bola não entrou, na conta de quem finalizou.

Desempenho é o que o profissional analisa. Resultado é o que o torcedor analisa.

Insistam! O Flamengo tem um bom time, joga um bom futebol e por detalhes técnicos não está conseguindo vencer jogos bem relevantes como esse. Mas a bola vai entrar. Uma hora ela vai entrar.

abs,
RicaPerrone

No limite

A diferença entre o Corinthians e o São Paulo, hoje, é de consciência. Enquanto o Tricolor ainda acredita ter Jucilei, Nem, Pratto, Cueva e Maicon voando, o Timão consegue enxergar exatamente até onde seu time pode ir tecnicamente.

E então entre  o treinador e a busca pelo coletivo.  O Corinthians não tenta jogar um grande futebol porque consegue olhar pro seu time e ver que, em 2017, não tem um grande time. Pelo contrário, tem diversas peças até contestáveis.  Mas aceita, se molda a isso e joga em cima disso.

O São Paulo do Ceni tem nomes bem mais interessantes, mas a maioria deles ou não está bem, ou não está devidamente colocado no contexto.  Fato é que o time espera uma atuação técnica que não consegue reproduzir.

O Pratto e o Gilberto esperando bolas de ninguém no final do jogo era a cara de um  time que espera algo que não vai fazer. Ou talvez faça, em outro momento, com outro nível físico e tático. Hoje, não.

O Corinthians não espera do Jô um lance individual. Não é uma formação baseada na expectativa de que algo do tipo vá acontecer pra resolver o jogo. E então os dois times se dividem entre expectativa e realidade.

Na realidade o Corinthians venceu porque sabia até onde podia ir, onde o SPFC iria errar e como chegaria ao gol. O São Paulo não sabia. Perdeu o Nem, e então nem o que sabia existia mais.

Não está resolvido. Mas está bem perto disso.

abs,
RicaPerrone

Alívio e missão cumprida

Ao Vasco, o título que virou “obrigação”.  Ao Botafogo, a digna derrota que o isenta de qualquer pressão. E assim, a final da Taça Rio que não servia pra nada, serviu para aliviar a crise num dos lados, para fortalecer o grupo em outro.

Deu Vasco.  E é natural que tivesse sido assim, já que o adversário chegou de viagem tarde, deixou 9 titulares fora do jogo, focado em outro torneio e vindo de uma partida dura na quinta. Além da expulsão no segundo tempo.

O Vasco “tinha” que ganhar.  E ganhou.

O Botafogo tinha que não fazer feio, e não fez. Peitou, jogou até onde conseguiu correr, dificultou o jogo e até levou algum perigo. Correu até risco de ser “campeão”.  Mas o Vasco foi melhor, mereceu, ponto.

Essa final não deveria ter acontecido. É quase um desrespeito com os clubes obriga-los a jogar uma decisão que não tem mais função na tabela. Ou seja, não é decisão de nada.

Mas, já que os gênios da Ferj conseguiram invalidar uma final, que sirva pra alguma coisa. E dentro do que podia servir, acho que os dois sairam muito bem. Um campeão, com o gol que teimava em não vir do Luis Fabiano, e o outro com o grupo fortalecido.

Agora sim, vai valer. E esse título coloca o Vasco numa situação diferente, mais leve, menos pressionado e iguala as semifinais.

Pelo menos pra isso, serviu.

abs,
RicaPerrone

O de sempre

A única certeza que se tinha um clássico desses é que o São Paulo teria que ganhar do Cruzeiro e também dos espíritos zombeteiros que tiraram a Copa do Brasil como torneio oficial para se divertir com o Tricolor.

Do Cruzeiro, ficou puxado sem chutar no gol. Dos espíritos, não teve jeito.

Com total controle defensivo da partida, o Cruzeiro não criou quase nada mas anulou o São Paulo. Entendeu que sem Cueva era bola aberta e jogadas por ali. Fechou as pontas, o São Paulo não sabia mais como chegar.

Em duas bolas paradas, 2×0.  O Cruzeiro coloca a mão na vaga e de certa forma até confirma a “lógica”, já que é um time de Copa do Brasil, algo que o São Paulo está longe de ser.

Acabou? Quase.

Só não digo que sim porque a mesma “zica” que o SPFC carrega na Copa do Brasil o Cruzeiro carrega ao enfrentar o São Paulo no Mineirão. Então, vai que…

Mas não. Não vai.

abs,
RicaPerrone

O favorito

Se você me perguntasse ontem o que esperar da Copa Sulamericana, estaria bem pouco otimistas. Considero um torneio um tanto quanto desvalorizado, de pouco interesse popular.

Mas, é um torneio sul-americano. Aquela final do São Paulo onde o adversário não voltou, seguido de alguns finalistas e semifinalistas inexpressivos acabou deixando um ar de “campeonato inferior”.

E eis que cai o avião da Chape, a comoção no futebol mundial foi toda em torno da decisão de que? Da Sulamericana.

Ela muda de status pela tragédia. Mas muda. E ainda que na primeira rodada, ela tem públicos que deixam bem claro não ser a menina dos olhos de ninguém. Ou de quase ninguém.

37 mil pessoas foram ao Maracanã. Houve mosaico, clima de “jogão” a semana toda, supervalorização do adversário e da importância do torneio. Sintomas claros de quem entrou nele de fato. O Fluminense escolheu a Sulamericana, a torcida comprou, e ela mudou de cara.

Se antes esperaríamos para ver quem embala, quem cai na Copa do Brasil e vai priorizando o torneio por falta de escolha, hoje temos um time que, de véspera, já escolheu.

Tão raro quanto a escolha, a aceitação da torcida. Fizeram barulho, compraram o barulho.  Houve um jogão no Maracanã, onde talvez não fosse estranho ter apenas 10 mil pessoas hoje a noite.

A Copa Sulamericana de 2017 ganhou um favorito. Porque? Porque é o único time grande que a colocou como meta e que fez sua torcida entender isso.

Isso não significa que o Fluminense vá conquista-la. Mas significa que para ser campeão vai ter que eliminar o Fluminense…

abs,
RicaPerrone

 

É como que um favor

A última vez que eu vi o São Paulo entrar em campo e jogar futebol porque queria foi em 2005. Talvez em alguns jogos do começo de 2006, ainda embalados pelo grupo fantástico campeão do mundo.

Mas em seguida o pragmatismo deu resultados, o SPFC se “Parreirizou” e focou sua existência no ganhar ou ganhar.  Funciona, mas não encanta.  A bola entra, mas não estufa a rede. O caneco vem, mas não marca.

Quem viu 2005 sabe do que estou falando. A soma dos 3 brasileiros não tiveram o brilho daquele time da Libertadores, que jogava rindo, indo pra cima, que fazia gol por tesão e não por obrigação.

Já trocaram 200 treinadores, até presidentes. Nada faz o São Paulo voltar a jogar futebol como que por vocação.  A impressão que se tem há anos e anos é que eles vão jogar porque mandaram.

Venceu, 2×0. Legal.  Diria o Luxemburgo, “é pica sonsa”. E não estou falando de dar carrinho. É outra coisa.

Não te dá raiva, nem um puta prazer. Te deixa ali, meio feliz, meio puto, meio esperando mais, meio satisfeito. Meio. Tudo meio.

Que te falta pra entender que futebol não é só resultado, Tricolor? Ainda mais você, que nunca priorizou as taças ganhas mas sim o respeito conquistado.

Tanto faz. Vai classificar, talvez até seja campeão. Mas… não marca. Não acha um time que te remeta a uma característica especial.

Nem eu sei explicar. Como eles poderiam entender? Foda-se.

abs,
RicaPerrone

Nós gostamos de vocês

Embora o dia-a-dia do futebol seja altamente amargo e desgastante pela cobrança, acho ainda que nem tudo é dinheiro e resultado.  Fosse eu um desses caras, me comoveria mais um garotinho de amarelo com meu nome nas costas do que um cheque por um carrão.

Nem todos são assim. Mas nesse time, hoje, nós sabemos que há algo mais do que a conta bancária.

Há anos e anos nós tentamos consertar a nossa relação e nesse processo mais agredimos do que demos suporte. Somos péssimos parceiros, tal qual diversas vezes vocês foram infiéis. Se não conosco, com nossas tradições, com nossa cultura e nossa história.

Hoje a seleção encerrou seu ano com mais uma vitória.  E de todas as análises táticas e técnicas possíveis do jogo, nenhuma delas me importa. Sei que parte dos jogadores lêem o blog, que compartilham entre vocês no whatsap o que escrevo e quando soube disso foi a maior alegria da minha vida.

Hoje, após mais uma vitória com dribles, gols, controle do jogo e euforia por aqui, quero resumir tudo numa só frase e que ela seja suficiente para vocês terem um grande final de ano com suas famílias em suas casas espalhadas pelo mundo.

Talvez não fale por todos. Mas garanto que falo pela maioria.

Nós gostamos de vocês. Obrigado!

abs,
RicaPerrone