2×0

Tite e o prazer em vestir amarelo

Nunca acreditei que os problemas da seleção se limitassem a Dunga e menos ainda a CBF. Esse discurso, pra mim, é vazio e de quem pouco conhece o futebol.

O que mudou?

Além da óbvia melhora técnica de treinador e no relacionamento com os jogadores, mudou o olhar. Não só o deles, mas o nosso. Ao invés de virem pra seleção ser massacrados porque a imprensa não gosta da CBF e do Dunga, eles agora pegam o voo sabendo que estamos esperando por eles e ansiosos pelo jogo.

Jogador do Brasil vinha puto, hoje vem feliz e blindado.

Tite colocou sua marca acima de CBF e o escambau, que é o certo. E pra quem não achava isso, repare quanto jornalista que por ser corintiano, passou a achar por simpatia ao Tite.  Acabou a pancadaria.

Não é mais “Neymar e o resto”. Temos um time, como tínhamos antes e nos recusávamos a aceitar.  São quase os mesmos caras, com a diferença que sorrimos pra eles, eles pra nós e que acima deles enxergamos um aliado e não um inimigo.

A mídia tem um poder massacrante sobre o futebol. E o Tite é o remédio mais eficaz de todos os tempos contra o azedume jornalístico que segue a seleção.  Tite sorri, brinca, da entrevista, é gente boa pra caralho. E isso satisfaz os colegas e conceitua 90% da analise do treinador.

A seleção hoje se diverte. Antes, jogava por obrigação. E essa sim é a maior diferença de todas.

Ou alguém realmente acha que nos jogos anteriores, em 3 treinos, o Tite fez um time que jogava mal e perdia passar a jogar bem e golear?

abs,
RicaPerrone

Não esperem nada do Palmeiras

O palmeirense sonha com o título que há muito não vem. Mas o restante do país espera do Palmeiras muito mais do que isso. Toda semana há uma torcida enorme (porque soma a maior do país nela) secando e esperando a hora que o Verdão vai tropeçar.

“Tem que acontecer”. “Ninguém ganha todas”. E bradam numa perspectiva tão confusa que chega a ser engraçada. Porque é óbvio que “ninguém ganha todas”.

“Nem você”, dirá o palmeirense.  E com enorme razão.

Ser palmeirense hoje é rir no fim da rodada entre o alívio e a euforia. Os pontos corridos geram uma sensação péssima de “confirmação de título”. Ou seja, neste momento pra muita gente o Palmeiras não o está conquistando, mas sim evitando perde-lo. O que é absolutamente estúpido, diga-se. Mas estupidez faz parte da vida.

Está desconfortável ser Palmeiras. Tanto quanto promissor.

Faltam 9, e a cada rodada o palmeirense segura com mais dificuldade a vontade de explodir e jogar na cara de todo mundo que não, “dessa vez não!”. Compreensível, pois nunca esteve tão perto, tão merecido e tão pouco exaltado por terceiros ao mesmo tempo.

Sinto falta do “oba-oba”. Sinto que há “medo de perder”  no ar e que isso gera um conflitante sentimento no coração palestrino. Entendo, é absolutamente justo. E se vier, o título virá com alívio junto do prazer, o que é pra poucos.

Mas explica-se. Porque tem muita gente que fica aliviada em não cair. Quando você fica em ser campeão, há algo no seu clube que nem todos tem.

abs,
RicaPerrone

Um Flamengo “pra casar”

Em alguns momentos de sua gloriosa história, é claro, o Flamengo jogou um grande futebol.  Também viveu raros períodos onde rascunhou um futuro brilhante, organizado e profissional.

Já teve sua torcida carregando no colo e levando o time até onde ele nem sabia que poderia ir.  Já vimos jogadores medianos jogarem o fino da bola sem a menor explicação, tal qual sua nação invadir cidades que não o Rio de Janeiro para fazer jogos fora virarem “jogos em casa”.

Vimos também o Flamengo sobreviver sem o Maracanã. Longe do Rio, dos seus.

Mas nunca vimos tudo isso acontecer ao mesmo tempo.

O que torna esse domingo memorável?

O Pacaembu rubro-negro, o bom futebol, a vitória, a paz, a campanha regular e constante de um Flamengo que sempre prezou pela loucura e pela irregularidade.

Um torcedor que não sabe como lidar com o cenário construído planejadamente e que ainda olha pro campo tentando encontrar o causador do “milagre”.  Só que dessa vez não tem milagre. É colheita.

Há 10 anos o Flamengo teria reintegrado Adriano, comprado o Diego pelo dobro do valor e estaria em crise porque não paga salários mas contrata um camisa 10. Esse 10 estaria sendo o dono do time pedindo bola com a mão na cintura e a torcida protestando o décimo sexto lugar na gávea.

Rodrigo Caetano teria caido quando pressionado e não ganhado o crédito de mostrar a qualidade que tem. E um treinador novato teria sido esculachado no anúncio. Lembra?

É o Flamengo que não pode morrer, mas que quer ser um plano B. O Flamengo do imponderável dá espaço ao clube que planeja e conquista metas, não apenas vitórias e títulos improváveis.

Ao contrário. Esse Flamengo é cada vez mais provável.  Faz campanha de Cruzeiro, paga em dia como São Paulo, usa a base como Santos, mas ainda tem em sua torcida algo que só o Flamengo tem.

O Pacaembu hoje celebrou mais do que 3 pontos ou uma “invasão” a outro estado.  Celebrou um Flamengo que colhe o que plantou, e não um místico clube que consegue o que nao era pra conseguir.

Confesso sentir um amor bandido pelo outro. Mas que esse é pra casar, é!

abs,
RicaPerrone

Corinthians perde para o vento na Arena

O Corinthians jogou hoje. E pelo que notei, só ele.

Estou confuso.  O time que perdeu, a torcida que protestou, o goleiro que errou, a zaga que falhou, o técnico que deve cair e “o que faltou” ao derrotado.

Essa é a pauta única desde as 16 horas.

Crise! Terrorismo! Ameaças! Até quando? Afinal, o mediocre time do Corinthians é … quinto! E em casa, perde pro líder isolado por 2×0. Oh meu deus! Que absurdo! Como?

As bolas entraram empurradas por espíritos zombeteiros anti-corintianos que puniam os atuais representantes do “manto sagrado”.  E nada disso me faz imaginar não ser altamente questionável o momento, os reforços, as saídas, o treinador, a diretoria. O que não entendi ainda é como a mídia não notou o Palmeiras.

O protagonista da tarde é o time comum que perdeu o jogo, não o líder isolado que ganha um jogo fora de casa contra o maior rival se torna ainda mais líder.

A pauta é alvinegra.  Não há mérito, só falhas.

Quem perdeu? Porque perdeu? Como perdeu? Onde errou?

As vezes no Brasil ninguém vence. Especialmente quando o massacre a um clube vende mais do que a exaltação a outro.  Mas hoje, onde todos os problemas do Corinthians continuaram iguais, o Palmeiras conseguiu vencer o Corinthians após 34 jogos invictos na Arena e….  ninguém viu.

abs,
RicaPerrone

Somos!

Falando em “nós”,  lá na semifinal estamos. Eles e eu, eu e vocês. Os amarelos que queremos, não porque estão jogando o que esperávamos, mas porque estão brigando como brigaríamos nós.

A partida contra o Iraque foi absolutamente decisiva para que esse time percebesse o que estava fazendo de errado.  A bola as vezes vai entrar, as vezes não. É só ver que hoje nos tornamos a seleção com maior número de vitórias em Olimpíadas e… nenhum ouro.  Mas enquanto a bola se decide se dorme dentro ou fora, cabe a eles, ops, nós,  brigarmos.

Se for necessário com pontapés. Se não for, com olés apenas. Mas que em momento algum se duvide da relação representados/representantes.

Neymar agora sorri. Bate, apanha, marca, vibra, chama a torcida e comemora tiro de meta.  Neymar parece nosso capitão agora.

Luan deu ao time o que Felipe Anderson não daria.  Tal qual nosso “volantão”, gremistas que nos tiraram de um estado de sonolência em campo.  Não aceita-se naturalmente a derrota.

Aliás, ninguém deve aceitar jamais com naturalidade a derrota. A mais vitoriosa das seleções então, menos ainda. E agora o time dribla, provoca, vence e comemora.

Se bastará, não sei. Se o ouro virá, menos ainda.  Mas ao final da partida o torcedor diz “nós”. E isso é a coisa mais importante que a seleção brasileira tem. O nosso “nós”.

abs,
RicaPerrone

Jogo é jogo, clássico é clássico

Nos últimos 10 anos o futebol brasileiro faz esforço para rasgar sua identidade.  Faz-se tudo para que os jogos sejam todos uma questão de pontos na tabela, torcidas com “mandante e visitante”  mesmo em clássicos, menores campos, ingressos caros, arenas de mármore e entradas em campo toscas em casalzinho como se fossem padrinhos do juiz, o noivo.

E no vestiário antes de um clássico muito do jogo se decide pelo que se diz.  Não porque devemos acreditar que uma bravata bem colocada seja melhor do que treinamento. Não é isso! Longe disso! Mas o treinamento é para ganhar jogos, não para ganhar clássicos.

Nessa hora você acrescenta tudo que puder e então torna o jogo diferente. Por ser diferente, equilibrado e imprevisível. E por ser tão especial, você não tem o direito de entrar nele com a mesma atitude do dia-a-dia.

O Vasco entrou pra eliminar o Flamengo com ódio. O Flamengo entrou pra jogar mais uma partida e “se deus quiser, com ajuda dos companheiros….”.

Adivinha quem ganha os clássicos desde a volta do Eurico?

Porque o Eurico é bom pro Vasco? Porra nenhuma! Mas porque nesse dia, onde o futebol ainda teima em resistir aos modernos números e métodos, o que ele acredita faz diferença.

Não é o que determina o resultado. Mas ajuda, faz parte do jogo.  Eurico eleva um Flamengo x Vasco ao patamar que merece. Muricy e o Flamengo/empresa o desmerecem a 3 pontos.

Já são alguns jogos desde que essas duas filosofias se confrontam. Os resultados são bem claros. Falta ao Vasco o pragmatismo financeiro do Flamengo atual.  E ao Flamengo, pasmem, falta a gana vascaína em enxergar um clássico como o que ele realmente representa.

Se a final tivesse que escolher um dos lados, pediria o Vasco. Porque ele a queria muito mais que o Flamengo. E não “encontrou”.  A conquistou. É diferente.

abs,
RicaPerrone

Um Palmeiras mais leve

Pra mim só há uma forma de jogar futebol: sorrindo.  Qualquer tentativa de levar esse esporte como obrigação, mero dever profissional ou uma ciência exata é perda de tempo.

Times campeões sorriem enquanto jogam. Se divertem enquanto driblam e tem prazer em jogar bola.

O time do Marcelo era bastante pragmático, parecia jogar pelo mínimo necessário. E embora as vezes funcionasse, faltava alegria e tesão pelo gol.

Cuca não deu ainda um padrão, nem mesmo ajustou o Palmeiras ao nível que se espera dele a médio prazo. Mas fez o time gostar do jogo.  Não se omite mais, tenta algumas jogadas de efeito, sorri com facilidade após um grande lance e faz a torcida vir com ele.

Até pra ser “guerreiro” tem que se divertir com o que faz. Com aquela bola retomada na lateral, aquele pique que supera o adversário, ou até mesmo o carrinho duro que o derruba.  Quem tem tesão no que faz, sorri quando faz.

O Palmeiras não atropelou o São Bernardo. Não é zebra nem favorito contra o Santos, mas é um time completamente diferente do que vinha sendo na proposta, na personalidade e na vontade de jogar bola.

Jogador de futebol gosta de jogar bola. Quando um time cria menos do que destrói, o jogador não tem prazer em estar ali. O Palmeiras é protagonista e deve, perdendo ou ganhando, buscar o gol mais do que tentar evita-lo.

E Cuca concorda com isso. Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

Ainda são fortes

imagem_58872_largeEu disse quando sairam quase todos que o maior segredo do Corinthians não era individual, embora fizessem enorme diferença.  Cada jogo que assisto tenho mais convicção de se tratar de uma filosofia e não de um time que caiu do céu.

A diferença brutal de qualidade não é proporcional a do futebol apresentado.  Apensar de não ser um time pronto e nem candidato a nada por enquanto, é um time que joga com o mesmo padrão, as mesmas prioridades e o mesmo conceito de 2015.

Os números do jogo falam por mim. O placar é magro, mas o domínio do jogo, constrangedor.

O Corinthians não é um time que sobra, nem que brilha, nem que goleia. É um time que te passa a impressão de saber o que está fazendo os 90 minutos, perdendo ou ganhando.

E quem vai dizer que não sabem?


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