Alan Kardec

Galáctico sim senhor!

Eu custo a usar o rótulo porque não e filosofia do treinador o “espetáculo”.  Mas não consigo me esquivar de olhar pro time do São Paulo e perceber que ninguém, talvez nem mesmo o clube, dê a este elenco a dimensão que deveria.

Ouço a todo tropeço que precisa de reforços, que isso, que aquilo. Como se não bastasse, como se fosse um frágil esquadrão.

Ora, senhores. No time titular, hoje, os 4 jogadores de frente foram a seleção brasileira nos últimos anos. No banco, mais dois. Oswaldo e Luis Fabiano.

Talvez uma grande quantidade de clubes pelo mundo considerados grandes não tenha tanto “nome” em seu elenco.  E tem mais!

Na lateral, o titular da seleção do Uruguai. No gol, uma lenda do futebol.  E acredite: Dos demais titular, apenas dois não foram da seleção sub 20 do Brasil.

É sim um São Paulo pra virar quadro na parede. Se não pelo título, que só pode ser de um, por um momento mesmo que breve da retomada da verdadeira alma do clube, que é jogar futebol e não fabricar resultados sem apresentar nada demais.

Há brilhantismo no time do São Paulo desde o meio campo.

Porra, me esqueci! Chegou o Michel Bastos, titular da seleção brasileira em Copa.

Ai você pensa:  “Então é mais time que o Cruzeiro?!”.  E lhe digo, sem receio algum que “sim”.  Claro que sim!  Mas isso no papel.  Não significa que ele será usado da melhor forma, apenas que tem peças para formar algo que funcione.

Muricy não é um estimulador do futebol bem jogado. Mas não tem alternativa quando um ataque será criado por Kaká e Ganso.  Nem que ele obrigue o time a fazer cruzamentos, serão de 3 dedos e não um chuveirinho.

Um São Paulo como há muito não se via, buscando aquilo que há pouco andou fazendo com frequência: ser campeão. Mas serei honesto, quase maluco, e direi a vocês que se este time não der nem quarto lugar mas devolver ao clube a cara de um time que joga um grande futebol, pra frente, no chão e cheio de ousadia, eu já estarei feliz.

Mais feliz até, talvez, do que outros que ganharam na base do Deus me livre.

“O São Paulo é um clube cuja grandeza não consiste em ganhar títulos, mas sim em merecê-los.”

abs,
RicaPerrone

A piada que virou ouro

14 paus.  Este é o preço do jogador que começou a carreira como piada pelo nome, foi confirmando pelo futebol que apresentou até encontrar no Palmeiras da série B e do estadual 2014 um espaço que nunca conquistou em lugar algum.

Alan Kardec é um centroavante alto, tem apenas 25 anos, todos os argumentos a seu favor no que diz respeito a uma evolução natural que justifique uma mudança de status.  O São Paulo vai pagar os 14 milhões para ter mais um atacante em seu elenco.

É um tanto quanto curioso como os mesmos dirigentes que desmerecem um jogador passam a pagar milhões por ele anos depois.  Quem diria? Alan Kardec, aquele.

Se fosse presidente do SPFC não o contrataria porque o time já tem 4 atacantes e não precisa de mais um, ainda mais por este valor, que vem pra querer jogar e não pra esquentar banco.

Nem acho que o futebol apresentado pelo Kardec seja digno de mais do que 4 ou 5 milhões. Imagine 14.  Mas adoraria estar enganado e estarmos diante de um raro caso de um grande jogador que não se firmou até os 25 anos e de repente começa a fazer a diferença.

Entre acreditar numa boa fase e no histórico, sei não. Acho que fico com o histórico.

Nas mãos de Muricy Kardec pode render ainda mais e o SPFC ainda menos.  Tudo que Muricy não pode ter nas mãos é um cruzador e um jogador alto. Se tiver, o time dele não faz nada além disso. Até funciona, mas é duro assistir.

O desproporcional valor da compra gera dúvidas. A postura do Palmeiras em perdê-lo por 20 mil a mais do seu teto salarial, não. Se pra muitos é “perda”, pra mim é um recado importante de nova filosofia. De que o clube não quer fazer mais loucuras pra viver endividado.

Afinal, os mesmos que pedem que ele esteja “em dia” são os que pagariam acima do teto salarial e “foda-se”?  De que lado estão, afinal?

Quem é Alan Kardec?  Um craque de 14 milhões escondido até então ou um jogador comum em grande fase?

A segunda opção é mais provável. Eu não pagaria 14 milhões num jogador como ele, ainda mais não sendo esta uma posição carente em meu elenco.

abs,
RicaPerrone