Allianz Parque

“Chato” e não roubado

O campeão paulista de 2018 é o mesmo de 2917. Nenhum deles era brilhante, mas os dois são extramente competentes e “chatos”. Chatos de ganhar. Chatos de irritar. Chatos de desequilibrar. E porque não, chatos de “roubar”.

O pênalti não aconteceu, e portanto não houve um “roubo” que determinou o título do Corinthians. Poderia haver um roubo determinante ao campeonato caso o Palmeiras fizesse o gol de pênalti, porque não houve.

Mas a polêmica não é essa. É a mesma do aborto.

Você sabe que tem, se preciso até é capaz de fazer ou no mínimo sabe quem faz. Não tem como interromper, sempre o farão. E ainda assim você quer fingir que não está acontecendo.

Está. Há muitos anos está. O juiz sabia do erro dele no intervalo por um telefonema pra casa. Hoje ele sabe olhando pra qualquer lado onde todos tem um celular na mão e já podem dizer se houve ou não o pênalti.

Entre mudar de ideia e mudar o jogo, eles mudam de ideia. Pode? Não. Mas eles fazem.  Já temos uns 30 casos de lances onde o juiz voltou atrás de um tempo pra cá, e antes disso, na história, nem 5.

Será que deu virose de mudança de ideia, ou alguém avisa eles?  Curioso como sempre que mudar de ideia eles acertam, né?  Isso sem contar o olhar biônico de bandeiras e árbitros auxiliares que conseguem ver o que nem na tv é claro num rápido replay.

Eu duvido que ele viu. Apostaria em mais um lance de interferência externa que jamais será provado e, portanto, o arbitro acabou “acertando”  em sua decisão final.

Independente do lance, o jogo foi ruim tecnicamente. Um Palmeiras cheio de qualidade tentando resolver tudo num passe profundo no primeiro tempo, e bem marcado no segundo. Um Corinthians chato ao extremo, que se arrisca pouco, dá pouco espaço pro adversário e me lembra até o Capitão Nascimento “voce vai manter a calma. Pode o pau ta quebrando voce vai manter a calma”.  Nada altera o Corinthians.

É mérito. Frio. Repito, quase “chato”. Mas pra quem não tem um timaço, as armas são diferentes do que esperamos. E o controle emocional e tático do jogo que o Corinthians tem são visíveis.

Como dizer que o título não fica em boas mãos após eliminar o SPFC aos 47 e o Palmeiras na casa deles, nos penaltis?

Se é de história pra contar que vive o futebol, teremos pra contar a mais surpreendente das possíveis neste campeonato.

abs,
RicaPerrone

Constrangedor

Há uma diferença técnica, tática, mando de campo, fase, o que mais você quiser. O que não pode haver é uma diferença na postura em busca do resultado. E há. Gritante. Humilhante. Constrangedora.

O Palmeiras jogou um primeiro tempo como treina todos os dias. Só que ao invés de cones do outro lado tinham jogadores do São Paulo.  Mais fácil, cones não erram passes.

O toque de bola dentro da área adversária empolga o palmeirense, humilha o saopaulino. Por sorte e prudência em virtude da vaga garantida e da Libertadores, o Palmeiras não quis jogar mais meio tempo.

Se quisesse, sabe-se lá como sairia do Allianz Parque o time do SPFC hoje.

O torcedor sai de qualquer clássico derrotado pela arbitragem. Nunca o adversário foi melhor, é uma norma.  Mas quando o adversário nem sacaneia, quando você sai do jogo e nem argumenta, é porque a coisa ultrapassou limites.

Eu sou saopaulino. E durante o jogo os meus amigos palmeirenses não estavam me sacaneando, mas sim me consolando.  É o cumulo da humilhação.

Me odeiem, porra! Pisem em cima. Sou eu! Lembra? O cara do tri mundial.  Não fica com pena, não! Eu não mereço.

Ou mereço?

São pelo menos 12 anos sem jogar um bom futebol, 10 sem títulos, sendo que o conquistado não teve segundo tempo. Ao longo desse tempo o futebol do SPFC só piora, a superioridade do Palmeiras só aumenta.

O que houve hoje no Allianz foi a confirmação de uma nova era.

O São Paulo que era forte. O Palmeiras que era mais fraco. O Morumbi que era o melhor estádio. O soberano que era modelo.

Já era.

O São Paulo não se reconhece mais. E o Palmeiras há tempos não se via tão parecido com o que de fato é.

abs,
RicaPerrone

Um Palmeiras mais leve

Pra mim só há uma forma de jogar futebol: sorrindo.  Qualquer tentativa de levar esse esporte como obrigação, mero dever profissional ou uma ciência exata é perda de tempo.

Times campeões sorriem enquanto jogam. Se divertem enquanto driblam e tem prazer em jogar bola.

O time do Marcelo era bastante pragmático, parecia jogar pelo mínimo necessário. E embora as vezes funcionasse, faltava alegria e tesão pelo gol.

Cuca não deu ainda um padrão, nem mesmo ajustou o Palmeiras ao nível que se espera dele a médio prazo. Mas fez o time gostar do jogo.  Não se omite mais, tenta algumas jogadas de efeito, sorri com facilidade após um grande lance e faz a torcida vir com ele.

Até pra ser “guerreiro” tem que se divertir com o que faz. Com aquela bola retomada na lateral, aquele pique que supera o adversário, ou até mesmo o carrinho duro que o derruba.  Quem tem tesão no que faz, sorri quando faz.

O Palmeiras não atropelou o São Bernardo. Não é zebra nem favorito contra o Santos, mas é um time completamente diferente do que vinha sendo na proposta, na personalidade e na vontade de jogar bola.

Jogador de futebol gosta de jogar bola. Quando um time cria menos do que destrói, o jogador não tem prazer em estar ali. O Palmeiras é protagonista e deve, perdendo ou ganhando, buscar o gol mais do que tentar evita-lo.

E Cuca concorda com isso. Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

Estatísticas: Palmeiras 1×2 Nacional

Em parceria com a #Opta, o blog mostra os gráficos e alguns números que explicam a derrota do Verdão no Allianz Parque.

Veja os passes errados do Palmeiras no campo de ataque. Note a quantidade absurda de bolas jogadas na área adversária ao invés da troca de passes.

O posicionamento médio estatístico do time em campo mostra uma centralização clara para receber cruzamentos. Os que entraram, entraram também com a função de encontrar essa bola.

Os jogadores com maior precisão no passe:

Zé Roberto 94,8%
Lucas 90%
Jean 89,1%

Os jogadores com pior precisão de passe:

Gabriel Jesus 75%
Cristaldo 79%
Dudu 79,3%

  • O Palmeiras trocou 500 passes no jogo.  Destes, 50 foram longos.
  • Foram 27 cruzamentos na área o jogo todo.

Captura de Tela 2016-03-10 às 14.20.07A troca de passes mais comum do jogo foi entre Robinho e Lucas. Foram 13 passes. Veja no gráfico ao lado onde aconteceram e leia com facilidade as características do jogo.

Robinho é um jogador de meio campo que tem a bola de frente pro adversário.  Sem opções de jogadas pelo chão, estica a bola na lateral para que aconteça um cruzamento.

Essa foi a jogada que o Palmeiras mais fez na partida.  Seria curioso, não fosse há tanto tempo a única jogada do time.

abs,
RicaPerrone

A fábrica de quase heróis

Era noite de para super herói.  O Fluminense é aquela cidade violenta onde quase toda semana alguém aparece para salvar o povo e permitir uma noite feliz.

Semana sim, outra também, Fred é a esperança tricolor.

E o roteiro hoje era impecável.  Uma perna só, no sacrifício, tendo a favor de vosso discurso um pênalti mal marcado no Maracanã que fatalmente, não fosse uma goleada, seria o grande “motivo” da derrota.

Ele joga, fica, grita, marca o gol e leva o jogo pros pênaltis. Lá, onde toda a história do futebol diz que ele tende a perder a façanha dos 90 minutos, se coloca pra bater o decisivo.

Quis o destino que Fred não terminasse vilão de seu próprio show.

O Fluminense jogou melhor que o Palmeiras em 180 minutos, teve um pênalti mal marcado no Maracanã (embora também ache que o gol do Palmeiras tenha sido mal anulado)  e hoje teve um discutível pênalti que começa fora da área e termina dentro.  Eu não daria. Daria falta. Mas passo longe de chamar isso de “roubo”.

O discurso da eliminação, salvo uma goleada, estava pronto de véspera. E a imagem do pênalti no Maracanã será reprisada pra sempre quando o assunto for Fluminense/Arbitragem.  Previsível.

O ponto mais interessante do jogo hoje é que Fred teve seu dia de Thiago Neves, nas devidas proporções, é claro.

Fez tudo que tinha que fazer pra salvar a cidade em mais uma noite de super herói. Mas, como o mocinho morreu no final, ninguém vai contar essa história pros netos. Por mais que ela merecesse.

abs,
RicaPerrone

Allianz Parque – Capítulo 1

Era uma vez um estádio.  Durante um período não muito feliz dos anfitriões ele foi ao chão e, no melhor negócio da história do futebol mundial em todos os tempos, uma nova Arena surgiu.

Para alguns, covardes, oposição velada ao futebol brasileiro, ele se chama “Arena Palmeiras”.  Não. Não se chama. O nome é Allianz Parque, nascido em 19 de novembro de 2014, numa derrota. Mas a história é escrita como nos convém, logo, pro capítulo “estréia”, fica valendo a de 1933, 6×0 no Bangu, e foda-se.

Voltemos no tempo. Ou melhor, corremos.

Chega o esperado 29 de outubro de 2015 e o Palmeiras tem sua primeira partida inacreditável em sua nova velha casa.  Sim, eu sei que o Cruzeiro já esteve lá sendo eliminado. Mas existem jogos decisivos, jogos importantes e jogos para sempre.

Pela primeira vez o Allianz Parque sediou um jogo que nunca vai terminar.

Naquela eufórica torcida que clama por grandeza e títulos do tamanho de seu estádio, havia uma mistura de medo e fé. Um roteiro digno para um primeiro capítulo.

Os gols, a queda de rendimento, o herói do jogo pintando do outro lado, toda a história sendo escrita para uma página de superação e dor comandada por Fred, o injustiçado. E não diga que não, porque todo torcedor enxerga essa história do dia seguinte sendo escrita durante o jogo.

Quando terminou, o Fluminense tinha uma classificação épica. O Palmeiras, um gostinho de “jogo perdido” por ter sofrido o último gol do jogo.

Mas tinha que ser assim, sofrido, nos pênaltis, devagarinho, com todos os olhos na mesma direção, para que fosse eterno.

Prass, Gum, nenhum herói nem vilão de fato, pois no capítulo primeiro do Allianz Parque a estrela maior teria que ser o Palmeiras como um clube, não como pano de fundo para um jogador se eternizar.

E acabou. Pra que nunca mais tenha fim este Palmeiras 2×1 Fluminense que trouxe de volta tanto “palmeirismo” ao palmeirense.

Que discutam os pênaltis, o juiz, a sorte.  A história está escrita. E é só o começo.

abs,
RicaPerrone

Jogando como nunca…

Se eu te disser que foram 21 chutes a gol contra 12,  500 passes contra 290, 84% de precisão nos passes contra 65% e um placar de 4×2 você sabe que estou falando do Palmeiras, é claro.

Mas errou.

Os números são do Flamengo que hoje jogou uma partida muito superior e foi goleado. Parte por erros da arbitragem bastante decisivos no começo do jogo, é verdade, e parte pela enorme incompetência defensiva do time.

O ponto é que nem o mais “doente” dos palmeirenses dirá que não houve pênalti. E mesmo ele pode confirmar o fato do Palmeiras ter feito um jogo ruim até fazer 4×2.

Mas meu Deus, quem faz 4×2 de virada jogando mal?!

O Palmeiras.

Jogo exemplar didático do porque amamos futebol e não tanto outros esportes.  Não tem roteiro, tendências, justiça, lógica.  O Palmeiras goleou e fez mais uma vez uma partida preocupante.  O Flamengo fez um jogo empolgante e segue brigando pra não cair, em situação preocupante.

É claro que o torcedor vai olhar o placar e fazer 90% da sua avaliação em cima dele. Mas a real é que o Palmeiras conseguiu uma grande vitória numa grande partida do Flamengo.

Hoje, pela primeira vez, não tem tanta gente colocando no Cristovão a derrota. Talvez pelos pênaltis não marcados, talvez pela boa partida do time. Mas o ponto é que sua alteração foi um sucesso desastroso.

Jonas é o jogador que protege a defesa. O que fica.  Ederson entrou e resolveu na frente. Mas pra isso o Flamengo perdeu seu setor defensivo. Tomou 3 gols como que numa pelada.

E é aí, saindo do óbvio de determinar que “meteu volante é retranqueiro e meteu atacante é bom” que os treinadores devem ser avaliados.

Hoje o Flamengo fez um grande jogo. Não merecia perder. Mas perdeu muito também porque seu treinador não soube equilibrar o time.

O Palmeiras jogou mal, só se encontrou já vencendo, mas com as mexidas que fez parou qualquer tentativa de nova reação rubro-negra.

E o Brasileirão ganhou outro jogaço de 40 mil pessoas pra sua vasta coleção deles em 2015. E tome “menosprezo”…

abs,
RicaPerrone

O Pink e o Cérebro

Em maiúsculo, para evitar que doentes façam do “pink” uma brincadeira com a cor e não com o personagem.  Embora se fosse, convenhamos, seria muito engraçada.

Palmeiras e São Paulo, propostas diferentes, conceitos táticos diferentes e um resultado incontestável.

O Palmeiras fez bom uso de 2 volantes que jogam futebol, um meia que não é brilhante mas aparece e do jogo coletivo e objetivo quando tinha a bola.  Não teve muito, mas quando teve fez bom uso dela.

Posicionamento médio estatístico do SPFC na partida

O São Paulo jogou com 3 zagueiros. O Hudson ficou muito mais entre Dória e Tolói do que na frente deles. Souza sozinho, Ganso dormindo e Michel Bastos aberto lá na direita.

O único criador do São Paulo ativo é Michel. Osório o colocou como flecha e não como arco. Anulou seu melhor jogador, sua melhor jogada e sua maior chance de vencer.

O Palmeiras tinha Dudu de um lado, Rafael de outro. Egídio passando atrás do Dudu e um bloco de 5 toda vez que tinha a bola.  Pelo chão, veloz, sem inventar ou confiar demais no individualismo de algum deles, foi construindo o placar com uma calma irritante.

E o ímpeto de um foi engolido pela inteligência do outro. O Pink, sem cérebro, não faz nada. O Cérebro, sem o Pink, sobrevive.

Deu cérebro.

abs,
RicaPerrone

Dia de Palmeiras

Não vou “gastar” parágrafos para registrar o óbvio. Que Tolói foi burro, que Ceni cometeu um erro, que isso muda tudo e que o Palmeiras “soube aproveitar”.

Estarei cometendo um erro mais grotesco que o do Tolói se após uma épica vitória dessas eu olhasse o lado derrotado e tentasse explicar os “porques”, desmerecendo por tabela o vencedor.

E que vitória! Um time que jogou futebol, fez 3 golaços, teve a chance de fazer mais uns 2 e em momento algum da partida forçou uma goleada.

Estaria colocando meu lado torcedor “um passo a frente”, como Ceni, para avaliar o erro e não o espetacular gol de Robinho.  Rogério é pano de fundo, por mais delicioso que seja ao palmeirense.

Como foi ver Dudu, alvo de uma disputa sem fim no começo do ano, deitando, rolando e até se pendurando nas costas da defesa do rival.

Era dia de Palmeiras. Só do Palmeiras.

E em respeito a isso, deixo pra amanhã qualquer comentário sobre os motivos que levaram “o São Paulo a derrota”.  Até porque o principal motivo está no contexto:  O Palmeiras.

abs,
RicaPerrone