É até difícil comentar um jogo desses porque o que mais eu elogiaria provavelmente nem se classifique. Mas a Austrália, embora não tenha vencido ainda na Copa, é uma das seleções que melhor me impressionaram.
Não, não é porque joga uma barbaridade. É pela evolução. Pela brutal diferença do jogo ruim que praticavam por décadas e pro futebol bem jogado que propõem hoje.
A Dinamarca é a mesma coisa desde sempre. Não joga bem, nem mal. Não chega, nem fica fora. É um coadjuvante feliz com seu papel.
A Austrália, coitada, nem isso. Mas mesmo não sendo candidata a nada, me agradou ver o quanto o futebol deles evoluiu.
Quem sabe em breve não consigam ser uma surpresa de Copa do mundo?
Das histórias possíveis de serem contadas nesta partida fatalmente o uso do VAR ficará sendo a mais emblemática. Sim, a França ganhou com justiça em virtude da possibilidade tecnologica de encontra-la.
Mas o surpreendente futebolistico do jogo foi a atuação da Austrália, dividindo posse de bola, trocando passes, ameaçando e sendo pouco ameaçada.
Uma partida inimaginável para a seleção australiana de outras Copas. Nesta, e talvez os próximos dois jogos me desmintam, a seleção australiana parece um time de futebol.
De quem muito se espera normalmente vem a frustração. A França é uma das favoritas, tinha o dever de ganhar, a pressão de estrear bem e encontrou um time muito melhor do que a tabela sugere quando se olha as bandeirinhas.
A França tem time, tem camisa e tem apenas um problema: expectativa.
Tradicionalmente não é uma seleção que lida bem com o protagonismo de véspera. Vejamos.
Quando a bola estava perto de rolar na Arena Pantanal fiz uma rápida viagem pela história e descobri que ambas não dizem quase nada ao futebol mundial. Mas que o Chile diz um pouco mais.
Lembrei que a Austrália é uma representante do mais fraco e que adoramos ver zebras no futebol. Mas na verdade um empate ou mesmo a vitória australiana representaria o fim das chances de uma “zebra”.
É no Chile que depositamos aquela vontade muda de ver a Espanha, ex-melhor do mundo, de volta ao seu mediocre lugar. É o fim do insuportável tic tac, é o golpe final que sacramenta a morte daquele que a Holanda já atropelou.
Não, a Austrália não pode fazer isso.
O Chile, com essa torcida que vimos hoje, com nossa ajuda em terras cariocas… porque não?
Quando ouvi o hino do Chile, não tive mais dúvidas. O melhor pro futebol nesta noite era ver Valdívia e seus colegas “quase craques” levando o Chile, “quase zebra”, a uma possível decisão contra a Espanha, a “quase ex protagonista”.
E pelo espetáculo daqueles que viajaram para acreditar no inacreditável, pela impotência australiana e também pela fila no Outback, resolvi: Serei Chile!
E mesmo não acreditando no ímpeto dos 15 minutos iniciais, por um segundo repensei a vontade de enfrentá-los.
Mas passou. Junto com as bolas que não entraram da Austrália, que sim, jogou o suficiente para um empate que não veio.
Mas, chileno que fui, fiquei feliz.
Porque temos um grupo cheio de alternativas onde se previa óbvio. Óbvio é o toque de lado quase insuportável que camufla um esquema defensivo numa mentira bem contada sobre “posse de bola”.