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O que vale a Copa América?

Num mundo pragmático que muito se cobra e pouco goza, ser campeão se tornou um alívio e não mais uma glória. Aos megalomaníacos brasileiros é ainda pior, pois Olimpíada não vale, Copa América não vale, Confederações idem. Só vale Copa, e mesmo sendo o país que mais a conquistou, vivemos sob críticas e crises.

A Copa América é a Eurocopa que nos cabe. E portanto é altamente importante. Tal qual a Copa das Confederações, que é um torneio de campeões continentais.

A cultura do “só vale Copa” é bastante tosca e pobre. Mas é nossa.

O Brasil entra em campo pressionado pra ser campeão ignorando os rivais de alto nível como Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia. O mesmo sujeito que discursa que o futebol mudou, que não há mais fronteiras e que está tudo muito equilibrado é o cara que exige da seleção títulos sem considerar suas dificuldades.

O que vale a Copa América?

Talvez mais que a Copa América.

O fato de que essa geração não vá disputar mais nada em casa tão cedo. O fato de termos saído da Copa humilhados em casa e termos que recuperar a relação com o torcedor. Talvez encerrar uma era de vários desses jogadores sem o 7×1 nas costas apenas.

Ganhamos a Confederações, é verdade. Foi incrível. Mas entra ela e o dia de hoje houve o 7×1.

Por mais imbecilizado que seja o papo de “eu não quero ser o país do futebol, quer hospitais e escolas”, uma coisa não anula outra pra quem tem meio cérebro. E embora eu saiba que meio cérebro é muito pra uma boa parcela de pessoas, ainda acredito no bom senso da maioria.

Não é legal pro americano perder o basquete. Pro alemão com sua cerveja. Pro japonês a referencia tecnologica. Ninguém gosta de perder algo que você é referência.

A nossa é o futebol e disso muito me orgulho, o que não exclui querer outras coisas pro país. Ver o Brasil não ser mais o todo poderoso no futebol é um risco que machuca. Bem ou mal, gostem ou não, é o que temos.

Perde-lo não nos dará uma escola nova sequer. Apenas nos tirará o único posto de “melhor do mundo” que ostentamos.

Então, meus caros, a Copa América é uma chance. Uma possibilidade real de meter a camisa amarela com uma taça grande nas mãos de novo. E em casa, diante do seu povo.

Vale. E vale muito.

Simplesmente por valer bem mais do que uma Copa América.

RicaPerrone

O que a TV ainda não sabe


A TV brasileira ainda não vê futebol como deveria e isso se mostra no dia a dia dos clubes. Bato nessa tecla há mais de uma década que ao regionalizar o futebol brasileiro e enfiar o europeu na goela do torcedor você é incoerente e prejudica o seu negócio.

Exemplo simples: Porque em SP eu nunca vejo jogos do Cruzeiro? Porque na cabeça imediatista da tv é melhor passar só paulistas pra SP, só cariocas pro RJ, e assim dá audiência e tá resolvido. Se fosse verdade que não há como aumentar a perspectiva do torcedor em relação ao que assistir não haveria jogo internacional na tv.

Então, sejamos ainda mais práticos: olha o Grenal de ontem. Foi só ele, sem que dividisse atenção com outros jogos um em cada estado. O que aconteceu?  Repercussão nacional. Todo mundo viu o jogo, todo mundo está discutindo o jogo e os dois times tendo uma exposição de mídia enorme.

O Galo e o  Cruzeiro decidem sábado. Vai acontecer a mesma coisa. E porque toda rodada do Brasileirão se enfia os melhores jogos na mesma hora?

Porque não se espalha os grandes jogos para termos 3 destaques nacionais ao invés de um regional por estado?

A rivalidade pode surgir entre times de estados diferentes, isso é nítido. Basta ver que tem pivete discutindo por causa de Barcelona na escola. Se a distância sumiu, porque insistimos nela internamente?

A final do Paulista devia ser quinta, a do mineiro sábado e carioca domingo, por exemplo. Teríamos tido 4 dias de total atenção a cada decisão, cada time, patrocinador, evento.  Mas vamos ter todos o mesmo mundinho de bairro no mesmo dia e hora.

Porque? Porque é mais fácil ter 30 pontos domingo e vender pra casas Bahia do que ampliar o futebol nacional, valoriza-lo, torna-lo mais caro e não poder pagar pra renovar.

RicaPerrone

O Brasil e os canudos


É óbvio que não faz sentido, mas dá margem pra lacração. Toda vez que um artista/celebridade/aspirante enxerga a oportunidade de se posicionar conforme a cartilha, ele o fará.

Os 80% deles que discordam ficam mudos. Porque é o Brasil, onde a minoria faz mais barulho que a maioria e onde estar com a maioria causa constrangimento e não segurança.

Inclusão é não te separar. Te fazer especial é esmola. Não seja um mendigo.

O Brasil é o país do canudo proibido. Nada é mais emblemático neste país do que os canudos.

São toneladas de lixo por minuto no mar em toda orla brasileira. Mas o canudo, não! Esse não!

Tem gente com fome, gente na fila do hospital há 3 dias sem banho e sem comer direito, deitado no chão. Mas a pauta de hoje é se Pablo Vittar pode ou não ser “a Pablo”.

Somos superficiais passando por intelectuais. Pulando etapas, discutindo o que dá like, não o que dá resultado.

Azul, rosa…? Qualquer retardado entendeu que a infeliz ministra disse aquilo para dizer que gostaria que as coisas voltassem a ser como antes. Não porque ela acha que menina de azul não pode. Porra! Pelo amor de Deus! Ela foi infeliz, mas não é possível que isso te revolte mais do que o rio que passa do lado da sua casa recebendo o seu cocô todo dia.

Eu sei que a vontade de ir lá no Instagram e meter uma camisa rosa e pagar de resistência é forte. Mas como que a gente vai melhorar como país discutindo a universidade que devemos escolher estando ainda na pré-escola?

Não somos um país evoluído. Nossas pautas são urgentes, velhas, nojentas. Falta saneamento básico, e você quer que artistas discutam na web com essas pessoas que literalmente cagam no chão de casa se devemos ou não entender a Thammy.

Porra, que se foda a Thammy! Ou o Thammy. Sei lá. Tanto faz.

“Ai! Olha eu de rosa! Sou artista e defendo…”. Vai defender a puta que te pariu. Faz 2 semanas você tava com a sua amante no carro enquanto sua mulher fazia sua janta, seu cretino.

Onde é que vamos? Estamos quebrados, com impostos absurdos, um país rachado com parte dele defendendo quadrilha, e vamos parar nosso dia porque o YouTuber e a atriz de malhação do suvaco azul acham que devemos priorizar o debate sobre a conscientização da masturbação homossexual nos dias com menos de 25 graus.

O canudo, senhores! O Brasil é o canudo.

Toneladas de lixo ao mar, e foda-se. Mas o canudo é preciso proibir, discutir, criar um novo e se sentir engajado.

Esqueçam o canudo. Fecha o esgoto pro mar, limpa a sujeira da praia, ensina seu filho a recolher o lixo e então, aí sim, o canudo.

Não se trata de achar o canudo irrelevante ou desnecessário. Se trata de entender que não estamos discutindo com uma turma de universitários ingleses sobre o próximo passo. Estamos discutindo com um sujeito que mija na rua.

Ele não vai entender “a Pablo Vittar” ou o rosa, o azul, ou seja lá o que for, enquanto ele ainda mijar na rua.

Prioridades. Ordem, e então, o progresso.

A gente discute o azul, o canudo, a Pablo. Mas podemos tirar aquela senhora ali do chão antes? Ela está tendo um AVC… embora isso não te revolte.

RicaPerrone

Flamengo segue liderando o ranking digital

O Ranking atualizado do mês de novembro mantém o Flamengo no topo e tem como única grande curiosidade o Botafogo ser o único dos 12 grandes que não está no “top 13”.

O “top 13” existe em virtude do acidente da Chapecoense, onde o mundo todo passou a seguir o clube nas redes sociais.

Sport e Botafogo estão praticamente empatados.

Fonte: Ibope

RicaPerrone

Vai ficar tudo bem

Desesperados, terroristas e aterrorizados,  calma!

Todo ídolo tem um fã clube de imbecis. Toda torcida tem uma parcela de imbecis. Todo lugar tem um imbecil. Ao tentar determinar que a imbecilidade é por causa deste ou daquele você está apenas retirando das costas do responsável a culpa e transferindo para quem jamais responderá por ela.

Ou seja, você está libertando o imbecil.

Do que você tem medo?

Não teve medo dos imbecis que apoiam a CUT e portanto o PT quando eles falaram em pegar em armas? Porque só te causa medo um lado?

Tem muito eleitor do Bolsonaro idiota. Mas eles seriam idiotas com ou sem ele. Tal qual o rapaz que esfaqueou o presidente não é responsabilidade dos discursos do Psol, PT e etc.

O Bolsonaro era homofóbico? Era. Como todos nós éramos ha 20 anos.  Que bom que ele reviu alguns conceitos. E que pena que você não sabe que ele não tem poder, motivos e nem sequer sugeriu em momento algum fazer mal para gays.

99% das pessoas que elegeram o Jair são de bem. Se 1% de idiotas for fazer algo que não aprovamos, conte conosco pra recriminar. Não é uma luta de gays, negros e mulheres contra a sociedade.  Essa luta quem criou foi a esquerda para tentar se esquivar do óbvio rotulo de corruputos x não corruptos que faria da eleição um baila de 90% a 1o%.

Jair não é um homem mau.

E quem votou nele menos ainda.

Deixem o presidente tentar fazer algo por nós. Fiscalizar não é atrapalhar. E mesmo com todo o ódio que você destila “contra o ódio”, saiba que no final você só está atingindo famílias brasileiras de bem.

Que como você bem sabe, são maioria.

Gays, negros, heteros, pobres, ricos, brancos… até quando vamos brigar para separar o homicidio? Até quando vamos discutir se é mais grave matar um gay ou um hetero? E quando vamos, enfim, pegar a porra da regra e aplicar pra todos com igualdade?

Estão há anos separando pessoas por orientação sexual, cor, sexo, origem e fazendo elas acreditarem que os partidos representam esse ou aquele. Gerando guerra entre nós enquanto eles roubam BILHÕES e afetam igualmente todos nós na saúde, segurança, etc.

Nós saimos das mãos da mídia, da Globo, dos artistas. Vamos agora sair das nossas próprias idiotices e tentar entender que no fundo quase todo mundo quer a mesma coisa?

Não haverá ditadura militar, não haverá massacre a gays, mulheres e negros. Não há Hitler no Brasil.

Simplesmente porque 99% das pessoas que elegeram o Bolsonaro não são a favor de nada disso.

Como eu sei que 99% dos que votaram no PT não queriam a facada no presidente.

abs,
RicaPerrone

7/10 – Dia da independência

Há muito desconfiamos, mas era preciso uma prova determinante para poder garantir. O Brasil não é mais um país manipulado pela mídia, classe artistica e velhos partidos.

Em 2018 os três poderes escolheram dizer “não” a um só homem, que sequer tinha tempo de resposta. Eram miseráveis 8 segundos de tv, o que até outro dia determinaria a sua posição no resultado final.

E não, meus caros. Dessa vez não. Sem TV, contra a mídia, contra os ídolos e a classe artistica, sendo massacrado com meias verdades o tempo inteiro e sendo esfaqueado não podendo continuar parte da campanha, o povo escolheu quem quis.

Não, cara! Não entra na pilha de discutir se era o melhor ou o pior. O ponto é outro. Até mesmo o mais fanático petista, que por obviedade não tem intelecto para tal, deveria fazer esse raciocinio e  notar o que conquistamos hoje.

O Brasil não é mais um curral da TV. Não diz amém porque um galã de novela abre a boca. E não precisa mais da mídia pra saber quem é quem e para escolher seus lados.

Pela primeira vez na história não foram eles que decidiram o que íamos pensar. Pensamos por nós mesmos e, certos ou errados, nós decidimos.

Neste dia toda empresa deveria rever seu medo comercial de atrelar marca a opiniões, seu delírio antigo sobre rejeição e entender que o “não” só vem pra quem tem muito “sim”. Ninguém precisa rejeitar com tanto barulho o que não tem aceitação.

E agora eu pergunto a você, marca medrosa que achou que iria contra o povo se apoiasse algo que não seguisse a cartilha do detestável e rejeitadíssimo politicamente correto: como se sente tendo tido medo de agradar a maioria?

Um país covarde, manipulado e ainda nas mãos de muito político, bolsa-cabresto, entre outros, colocou uma manguinha de fora.

Faz jornalismo, Globo. Lavagem cerebral você não faz mais. Imagina as outras, coitadas, se arrastando pra ter a audiência que um vídeo de gatinho acordando tem num dia.

Acabou.

Os institutos de pesquisa erraram grotescamente, gerando até boa dose de desconfiança sobre sua boa fé.  O PT está destruído, o PSDB perdendo força absurdamente, e novos partidos, pessoas e uma nova cultura começa a se formar.

Aos poucos, é verdade. Ainda falta muito. Votamos mal, escolhemos mal, nos posicionamos mal.

Mas pela primeira vez, ainda que acabe se mostrando um equívoco lá na frente, terá sido uma escolha nossa.

Talvez o Haddad perca. Talvez o Bolsonaro. Mas ninguém foi tão desmoralizado neste 7 de outubro quanto imprensa, classe artistica e os grandes partidos que por anos nos estupraram.

Dia 28 tem mais. E aí? Vão descer pro chão ou cair do salto?

abs,
RicaPerrone

Renovação é todo dia, o tempo todo


Toda vez que o Brasil sai de uma Copa logo surge o mais óbvio clichê jornalístico de projetar a Copa seguinte com 4 anos de antecedência.  Como se fosse possível prever quem surgirá, o que farão os que já surgiram e como estarão os já consagrados.

É perda de tempo. A seleção brasileira muda o tempo todo exatamente porque lançamos jogadores o tempo todo. Perdemos dezenas deles pra vida, pra China, pra má vontade ou para a falta de maturidade.

Em 2014 dezenas de matérias como as que saem hoje surgiam para dizer que tinhamos naquele time a base de 2018. Nas listas havia Ganso, Pato, Lucas Lima, Oscar, Dória, goleiros que não deram em nada, atacantes que desapareceram e nenhuma citação a Jesus, por exemplo, titular de 2018.

Nós não podemos prever nada disso.

O que devemos fazer e raramente fazemos é ignorar esse lance midiático de tentar dar soluções para daqui 4 anos e manter uma seleção com renovação o tempo todo. Isso significa que não devemos tirar da seleção quem não vai a próxima Copa. Devemos manter sempre os 23 melhores até que um deles deixe de ser o melhor e sai do time naturalmente.

Porque você tiraria Thiago e Miranda da Copa América 2019, por exemplo? Pra que tirar Marcelo da seleção? Forçar a vinda de alguém que ainda não é melhor que ele.

Até 2022 temos 2 Copa América e possivelmente uma Confederações. Todas elas equilibram time, testam cenários e são títulos. Além da eliminatória, obviamente.

A seleção não existe de 4 em 4 anos. Talvez a sua vontade de torcer por ela sim. Mas ela é continua, disputa títulos e a manutenção de seu status o tempo todo e é assim que deve ser.

Por coerência, dia 7 de setembro contra os EUA, uns 18 dos 23 dessa Copa devem sim ser chamados.

Simplesmente porque você não pode adivinhar quem sera Rodrigo Caio, Paquetá, Vinicius Jr, etc daqui 4 anos. Então, que seja natural e constante a renovação e não feita radicalmente aos gritos de jornalistas que sequer torceram pela seleção.

abs,
RicaPerrone

O jogo

Especificamente sobre o jogo da eliminação, o Brasil teve seu melhor da Copa em alguns momentos e a condenação dos erros em outro.

Não acho que jogou mal, nem passa perto de ter jogado menos que o adversário. Ao contrário, jogou muito melhor. Mas um gol contra e um contra-ataque deixaram o jogo perfeito pra Bélgica.

O que eles tinham era exatamente a idéia de fazer um gol e deixar o Brasil vulnerável pro contra-ataque. Fizemos o gol pra eles, abrimos espaço, cometemos um erro grotesco de marcação no segundo gol e não fizemos os gols que construímos.

A Bélgica não foi desleal, não fez cera demais, não deu pontapés. Apenas se defendeu e fez o que podia com as armas que tinha. Nós misturamos erros individuais com escolhas ruins do Tite e gols perdidos.

Não vou caçar bruxas. Isso é coisa de covarde. O Fernandinho jogou muito mal, mas ele joga na função do Casemiro? Não. Então faltou um “volantão” reserva na convocação.

O Coutinho fez outra partida horrível, tal qual a do México. Tiraram pra por o Renato? Não. Então…

Marcelo joga uma barbaridade, mas defensivamente sempre foi uma avenida. A cobertura dele no segundo gol é inacreditavelmente ruim.

Neymar não pode ser acusado de se acovardar. Pediu a bola o tempo todo e tentou. Mas não acertou.

Essa soma nos anulou. E mesmo assim tivemos chances claras de vencer o jogo. Somos melhores que a Bélgica, que todos os demais times da Copa. Mas em 90 minutos o “tudo pode acontecer”, aconteceu.

Por erros nossos sim. Mas tem outros fatores também. O Tite sequer seria o treinador não fossem 3 cm a mais nas luvas do Cássio há 6 anos. E hoje estaria classificado caso 5 cm pra lá e pra cá tivessem sido diferentes.

É do jogo. Esse time não saiu da Copa devendo esforço e seriedade. Saiu devendo um futebol bem jogado que lhes foi tirado por contusões, convicções do Tite e jornadas individuais ruins.

Perdemos todos. Porque concordamos todos com o que foi feito.

abs,
RicaPerrone

Hoje não

Eu pensei em falar da tática. Pensei em aliviar pra eles, falar em 2022. Pensei até em responder a carta da Dona Lúcia.  Mas após passar o resto do dia rodeado de torcedores frustrados eu honestamente não sei se hoje, ainda no calor da derrota, é hora de se fazer muita avaliação.

Acho sim que o Brasil foi, é e jogou melhor que a Bélgica. A bola entrou pra eles, não pra nós. É parte do jogo e qualquer pessoas com um pingo de noção de futebol sabe que isso faz do jogo a paixão mundial que ele é.

Merecíamos perder? Não. Mas mesmo não merecendo temos mil “porques”  para justificar as coisas. O Tite, o Neymar, o VAR, a sorte, o Fernandinho, tanto faz.

Mantenho todas as palavras que usei no começo da Copa: O Brasil JAMAIS foi pra uma Copa tão bem preparado quanto em 2018. A CBF jamais foi tão organizada e séria quanto é hoje (embora falte muito), a comissão técnica nunca foi tão justamente escolhida e as coisas nunca foram tão bem feitas.

Poderia perder? Perdeu.

Renovaria com todo mundo por 4 anos antes de entrar no avião e eventualmente se intoxicar com os azedos, os profetas do apocalipse e especialmente com quem não chama a seleção de “nós”.  Não confie numa palavra dita por eles.

Amanhã falo de tática, de todos os motivos que acho que fizeram a gente não conseguir o esperado hexa. Não é um caso de “raiva”, nem de “irritação”.

É a derrota que entristece. E quando ela acontece, é porque valeu.

E valeu sim. Ou você acha que futebol é um esporte onde se ganha, perde e nada mais? Se sim, você não entendeu nada.

abs,
RicaPerrone

Mas e se….?

Eu fico imaginando de cá, enquanto mal consigo pegar no sono, como estão eles lá, já dormindo para o jogo de amanhã. Eu imagino a tensão, o “medo” que dá jogar uma Copa sendo Brasil e todas as consequências terroristas que a mídia aqui coloca.

E então eu pergunto: o que pode acontecer? Medo de quê?

“Imagine se a gente perde!?”

“Imagina se eu erro e faço um pênalti?!”

“Imagina se eu perco a bola do contra-ataque?!”

Senhores, se um dia um time de futebol representando a seleção brasileira estivesse sentado na concentração e alguém lhes dissesse: “Imagine vocês perdem a Copa de 7 pra Alemanha em casa!?”, o que aconteceria?

Seria inevitavelmente a maior das tragédias possíveis de se imaginar. E então eu lhes pergunto: na prática, o que aconteceu?

Nada.

A lição é simples de ser entendida. Uma vez o Loco Abreu disse que não havia tragédia alguma em perder um pênalti. Que era só futebol. E se por um lado o torcedor não quer ouvir isso, a história diz que, sim, é “só isso”.

Imagine 4×0 pra Bélgica. 10 dias de ESPN culpando todas as gerações dando 0,2 no ibope, o Sportv criando teses, o Galvão puto, uma dúzia de manchetes por aí, uns 3 vilões, todos na Europa na mesma semana e segue a vida.

Porque na real, nada acontece “se…”.

O “e se…” é o maior terror que a gente coloca na nossa cabeça a troco de nada. Porque cada drama é só nosso modo de ver as coisas. O medo de perder não apenas tira a vontade de ganhar como nos limita a defensores de uma condição que sequer foi atingida.

Agora, “e se …” a gente joga muito, ganha, vai pra final, é campeão, vocês voltam pro Brasil nos braços do povo, calando os idiotas, reconhecendo os que apoiaram e aliviam a vida dura de uma nação? Eternizam seus nomes, orgulham seus filhos e netos, fazem história e ainda ganham muito dinheiro?

Esse é o “e se…”dos campeões do mundo do dia 15.

Não há nada pior do que o 7×1. E se esse não causou nada demais além da tristeza de uma derrota no futebol, teremos medo de quê, agora?

Pra cima deles.  Mas não tentem preservar algo que não é nosso, nem se preocupar em não perder. Não temos nada a perder.

O cinturão não é nosso. Não adianta só se esquivar. Tem que bater até derrubar. Então, batam!

abs,
RicaPerrone