Brasileirão

Jesus, juiz e juízo

Jesus corrigiu com inteligência o problema ofensivo que o Flamengo tem hoje com a perda de 4 jogadores de frente de alto nível. Voltou Gerson pra onde ele não deveria ter saído, colocou Cuellar e deu liberdade pros laterais.

O Botafogo tem uma proposta muito consciente do que pode fazer com esse time. Toca, prende a bola e não vai pro risco. Mas a diferença dos dois times é muito grande, e quando isso acontece ou o rival é tão conservador quanto (Cruzeiro) ou a pressão vai existir, tal qual os espaços.

O Botafogo jogou bem. Tentou usar os espaços dados, fez 2, mas, aceitemos, o time do Flamengo é bastante melhor.

Ao ponto: arbitragem.

Erros decisivos. Rafinha e Cuellar mereciam o vermelho e dificilmente o resultado seria o mesmo com 9 x 11. Portanto houve grande interferência no resultado.

O que não muda o bom jogo do Botafogo, nem a boa virada do Flamengo que o empurra pros braços do torcedor pra quarta-feira.

Ambos tem que virar algo no mata-mata. A vida do Flamengo ficou mais promissora. Pudera. Um está  atrás de sobreviver e o outro ostentando. O fato do jogo ter sido equilibrado e ter tido erros de arbitragem refletindo no resultado é um elogio ao Fogão, não muito pro Mengão.

Seguimos. Porque é a quarta 21h30 que ambos saberão se vivem um crise ou uma lua de mel com seu torcedor.

RicaPerrone

Noite (in)feliz

Bom público, surpreendendo até mesmo os otimistas.  Saudades misturada com expectativa.

Nenê contratado, e não o faria com salários em dia, imagine atrasados. Não vem bem, faz bico quando contrariado. Contratação de alto risco num elenco que já tem um “meia técnico e lento” e que não recebe em dia.

O gol bem validado do Flu.

O gol bem anulado do Ceará. Indiscutível uso do impedimento no lance.

O massacre. A bola que não entra. As vaias a nova falta do “detalhe”.

“Cria” do Flu, Parreira criou a frase mais mal interpretada e mentirosa do futebol ao mesmo tempo. É fácil entender o que ele quis dizer, e mais fácil ainda entender porque passou a carreira sendo demitido. Detalhes.

Diniz tem uma idéia. Ela funciona, mas nem sempre o resultado final indica que foi bem feito.

Falta um “detalhe”. Justo o que decide a porra toda.

Se pelos números ou pela idéia, não sei o que vai decidir a nova diretoria do Flu. Sei que eu manteria, até porque é um time com salários atrasados e isso atrapalha qualquer processo para um líder.

Eu gosto da entrega, do conceito, da forma de jogar e não vejo alternativa melhor. Não me refiro ao Diniz, mas ao Fluminense que tenta ser protagonista pela forma e não pelo título, que obviamente com esse cenário financeiro dificilmente virá.

Enfim. Vaias. Numa noite em que faltou “o detalhe” para ser muito feliz.

RicaPerrone

Quem voltou melhor?

Dos 12 grandes, vi alguns. A tal parada de 30 dias normalmente gera expectativa de melhora e quase nada acontece na prática. Mas dessa vez, parece, não será bem assim.

Flamengo – Melhorou consideravelmente. Apesar do jogo contra o CAP ter sido normal e com riscos de eliminação, houve melhora. No Maracanã, um baile contra o Goiás.

Vasco – Melhorou bastante também. Jogou uma boa partida contra o time reserva do Grêmio e não fosse a arbitragem provavelmente teria vencido ao fazer 2×0. Após esse lance o time mostrou fragilidade e tomou a virada. Mas melhorou do primeiro semestre.

Fluminense – Joga hoje.

Botafogo – Melhora leve. É um time dentro de um limite apertado.  Contra o Cruzeiro é difícil porque a proposta dos dois é a mesma. Então ficou aquele jogo horrível. Mas é um time bem treinado.

São Paulo – Melhorou. Nada absurdo, mas brigou em campo e se mexeu mais. As saídas parecem mais importantes do que os treinamentos durante a Copa América.

Palmeiras – Igual. Ou seja, ganhando. O futebol não é lindo de ver, mas é altamente competente.

Corinthians – Não vi.

Santos – Não vi.

Cruzeiro – Mesmo futebol. Um time forte que não quer ter a bola pressionar 0 adversário. Espera uma chance e faz. Eu gostaria de ver mais desse time, mas inegavelmente funciona.

Atlético MG – O que se viu quarta-feira é de uma apatia assustadora.

Grêmio – Melhorou. Voltou a tocar a bola, ter um padrão e criar chances. Um jogo com reserva, outro com titulares. Ainda falta o último passe. Mas melhorou com a parada.

Inter – Não vi.

RicaPerrone

Compreensível

O rubro-negro sempre foi megalomaníaco. Sua postura nunca foi proporcional aos resultados e a graça do Flamengo é exatamente essa. A facilidade com que se vai do céu ao inferno e a injustificável confiança em momentos não tão favoráveis.

Ser Flamengo é esperar o improvável como tendência.

Nunca o flamenguista foi tão “insuportável”.  Também pudera, se nunca tiveram estrutura, contas em dia, dinheiro em caixa e ainda assim já mantinham o otimismo acima da taxa do explicável, imagine agora.

Como você racionaliza e contém o rubro-negrismo do sujeito diante de um time de milhões, reforços de valores inimagináveis há poucos anos, um treinador europeu, jóias surgindo da base… enfim. O mais pessimista dos flamenguistas hoje almoça olhando passagem pra Dubai.

Vai? Não sei. Mas hoje, com esse time, uma goleada dessas, casa cheia, reforços chegando, é muito pouco provável que algum argumento ou “porém” tire do torcedor a euforia natural de um Flamengo que rascunha ser o que nunca foi, embora já tenha sido dono do mundo.

Jesus ainda não pode ser julgado. Mas o fato de ter tirado do futebol brasileiro a obrigatoriedade de escalar um time com 3 na frente e uma formação espelhada nos rivais já lhe dá algum crédito.

O Flamengo hoje jogou o que dele se espera. Pelo time que tem, pela mobilização que a torcida está fazendo, pelas condições de treino que jamais tiveram.

Estamos falando de alguém que  esperava picanha, comia cupim, as vezes “passava fome” e hoje está sentado no melhor rodízio da América do Sul ajeitando o talher pra começar a comer.

Você pode até duvidar se ele vai matar a fome. Mas não pode condena-lo pela expectativa.

RicaPerrone

Os limites do VAR

Não vou entrar no mérito do resultado “alterado” pelo VAR. Eu discordo da discussão ir nessa direção porque há quem considere falta e jogada de origem, então se torna interpretativo.

O que não me parece interpretativo é a falta de uma regra para situações assim.

Quanto antes você pode achar um lance? 5 segundos? 10? Porque uma bola estourada pelo goleiro pode gerar um gol e não ter sido tiro de meta.

Qual o limite do que o VAR pode reavaliar?

Já ouvi falar em desafios, como na NFL e no tênis. Mas me soa absurdo imaginar que um lance onde a tv do mundo veja um erro absurdo não possa ser anulado porque “ja gastaram os desafios”.

O VAR é bom. A arbitragem é que é muito ruim.

Amadores, fazendo seu bico aos domingos enquanto milhões estão em jogo. A relação é absurda. Quase inocente.

Mas fato é que precisamos de regras onde não há bom senso. E no Brasil, sabemos, não existe bom senso. Logo, que haja mais regras.

Gol mal anulado que muda o jogo. E que não muda o fato do Grêmio ter sido melhor no jogo.

Mas não é esse o ponto. O ponto é não ter um ponto.

RicaPerrone

No lucro

Não acho que o Vasco tenha jogado mal. Embora o que ele veja hoje como “melhora” ainda seja bem distante do aceitável pra um clube desse tamanho. Mas também não vou entrar na pilha dos chutes a gol pra dizer que o resultado foi injusto.

Injusto foi o pênalti não marcado pro Botafogo. Sem VAR, vá lá. Com VAR, não tem explicação.

O Vasco melhorou. Mas o atacante do Botafogo matou no peito uma bola que passou por cima da cabeça da zaga do Vasco. Isso não pode ser normal.

Gostaria de ver no Rossi o que alguns vascaínos enxergam. Não consigo.

E mesmo achando o time do Vasco bem melhor do que a posição que ocupa, é a teoria do elefante na lama. Se fosse pequeno saia, como é pesado se afunda na medida em que tenta reagir.

É cedo. Pra ambos.

Mas o Botafogo já fez muito mais do que dele se espera. E o Vasco, não dá nem pra dizer que fez “menos”, pois de fato não fez  “nada” ainda.

O jogo de hoje deixou os dois no lucro. O Botafogo pela campanha que nem o mais otimista torcedor esperava. E o Vasco por não ter tomado o segundo no lance de indiscutível pênalti ignorado pela arbitragem.

RicaPerrone

Grêmio 4×5 Fluminense: Sem comentários

Algumas das coisas que mais queremos na vida custam caro. Não me refiro a dinheiro, mas a testes e momentos de insistência em nossas próprias teses que não temos coragem de bancar.

Entendo. É pressão, saúde, comodidade, dinheiro fácil. Mil motivos que nos levam a mudar o que acreditamos para “ir levando” sem tantos problemas pelo caminho.

O que o Fluminense fez hoje foi muito além de um jogo épico de futebol.

Com 30 minutos do primeiro tempo o Grêmio ganhava, brincava de jogar bola e já tinha o jogo resolvido. O Fluminense que toca a bola desde o goleiro não fazia mais sentido e pela frente havia um óbvio final trágico para a idéia, o técnico e alguns titulares.

A goleada desenhada, a crise devidamente pronta, o treinador e suas certezas na rua. E naquele momento a gente olha pro campo e vê o Fluminense repetindo a jogada. Pega a bola e toca, toca, toca. E aí você cansa e diz: “Demite esse maluco! Porra, tomando 3×0 e não muda essa merda?!”.

Não.

Porque ele tem certeza do que está fazendo. Gostemos ou não, seja amanhã o motivo de uma tragédia ou de um título, o Fluminense joga assim e ponto final. Teve todos os motivos do mundo hoje aos 30 do primeiro tempo para jogar tudo pro alto e se proteger do pior.

Não.

Insistiram diante do óbvio fracasso. Até que em 90 minutos a tragédia virasse uma de suas mais épicas páginas.

No momento onde desistir era mais fácil e qualquer covarde recuaria, o Fluminense bancou o que está fazendo.

Sem “poréns”. Absolutamente nada hoje é discutível. Neste domingo o Fluminense não é um time pra discutir, analisar, criticar e nem mesmo elogiar. Apenas aplaudir. E em pé.

RicaPerrone

Enfim, boas notícias

Quando a CBF erra a gente espanca. Quando acerta tem que elogiar, caso contrário você é um dos péssimos sujeitos sugeridos pela sociedade moderna que deve ou só martelar ou só lamber, independente do cenário.

São raros os campeonatos no mundo que já usam o VAR. Ótimo pra nós que sejamos um dos primeiros, ignorando a lógica até, já que os mais ricos deveriam ter colocado já.

Ano passado a CBF pediu pros clubes pagarem. Eles não tem dinheiro pra pagar salário, imagina VAR. Esse ano assumiram a maior parte do custo e entenderam como investimento, já que um campeonato honesto e transparente só dá a ela credibilidade comercial pra faturar mais e mais.

Enfim. Que seja um VAR pra esclarecer. O da Conmebol esclareceu: mostrou que há roubo como no absurdo caso Dedé e na eliminação do Grêmio.  Que o nosso esclareça lances, não teorias conspiratórias.

Sobre o limite de treinador, acho a mesma coisa que sobre a obrigação de ter o curso: a CBF não tem que se meter no livre mercado.  Se o clube quiser empregar um faxineiro de treinador, problema dele. Não diz respeito a entidade.

Se quiser trocar toda semana, idem. E se formos pensar em critérios e padrões, a CBF deveria repensar sua estratégia de posicionamento já que ao invés de dar ao torcedor a sensação de valorizar nosso futebol toda vez que entram em campo os times naquela cena ridícula européia com um painel tosco de patrocinio de fundo,  poderia criar mais empatia e aceitação assumindo a cultura de seu país.

Mas enfim. Hoje a principal notícia é que teremos uma arbitragem, em tese, menos ruim. E que os clubes disseram não a uma idéia ruim da CBF sobre os treinadores.

Boas notícias.

RicaPerrone

 

Porque dói tanto?

Talvez você esteja curioso pra saber porque o título do Palmeiras não gere tanta exaltação quanto deveria. Talvez te assuste ouvir que Inter, Flamengo, São Paulo e Grêmio “deixaram” o Palmeiras ser campeão.

Mas a verdade é que esse título machuca muito o que chamamos equivocadamente de “especialistas”.

É o título do “morto” que virou referência em poucos anos. Do clube que fez o estádio transparente e lucrativo ao invés de um bonde. Daquele que tornou-se a o mais forte e que mesmo que os números provem o contrário, dirão que é graças a Crefisa.

Especialmente porque o maior responsável pela “virada” rumo ao título é exatamente o cara que os “especialistas” humilharam e enterraram como profissional em 2014.

O ultrapassado, o culpado, o “boçal”, como alguns estúpidos se referem ao nosso treinador do penta. E então ele volta, não discute, trabalha e faz de novo o que já fez 50 vezes: ganha.

Não dá pro “boçal” me foder. Eu preciso culpar o Flamengo, o Inter e o Grêmio. Preciso de outras mil desculpas que não me façam perder para os fatos e ter que reconhecer que exagerei, fui escroto e que o Felipão é um patrimonio do futebol brasileiro e não um problema.

Porque tem o Felipe Mello, que nós também tentamos enterrar em 2010.

Problema sou eu, jornalista, que não consigo passar pro torcedor em dezembro que o campeão foi incrível e sim faze-lo acreditar que outros é que falharam.

Falhei eu, jornalista, que passei anos desmerecendo o Zagallo e fazendo do Bauza um gênio.

Falha todo dia quem tenta puxar o outro pra baixo pra não ter que chegar onde ele chegou. E chegar onde o Felipão chegou é um sonho quase impossível pra 99,9% de nós.

O Palmeiras é grande. Mas pra reconhecer isso é preciso ser também e nem todos são.

Parabéns, Palmeiras!

RicaPerrone

Sete clubes entrarão na rodada 37 de “férias”

Alguns acham que o Brasileirão de pontos corridos é justo por ser “todos contra todos”. Eu lhes digo há anos que é exatamente esse um dos fatores que o torna bem mais injusto do que terminar em confrontos diretos de interesses iguais.

A partir da próxima rodada 7 clubes entrarão em campo sem nada pra fazer. E não, ninguém “disputa” vaga na Sulamericana. É a consolação da consolação.

Do Cruzeiro até o Flu, contando o Paraná, ninguém tem o que buscar. Botafogo, Bahia, Santos e Corinthians estão nessa lista.

Dos 7, cinco destes clubes estarão em confrontos que decidem para seu adversário ou Libertadores ou rebaixamento.

Essa tal “justiça” do todos jogam contra todos não existe quando você depende da sorte de ter no final da tabela adversários interessados ou não.

RicaPerrone