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Salve Portaluppi, o mito!

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Craques eternizam seus nomes em clubes. Genios eternizam clubes na história.

Este homem de sunga e óculos escuros, que vive jogando futvolei, que não dá a mínima pras cagações de regras da imprensa, que só trabalha onde quer e quando quer, acaba de voltar onde se tornou lenda só pra “reforçar a tatuagem”.

O Grêmio é o Renato e vice-versa. Seu maior momento foi ele quem escreveu, e apenas numa história em quadrinhos esse sujeito voltaria 30 anos depois pra devolver a este clube, em sua casa nova, toda glória e alegria do estádio antigo que ele ajudou a eternizar.

Renato é a personificação do indiscutível.

Não gosta dele? Azar o seu. Ele vai continuar te fazendo ter que criar teorias para não aceitar seu sucesso.

Um gênio da tática? Não, claro que não. Um burro com sorte? Ô sorte! Haja sorte! Acho que não.

Renato Portaluppi é o último romântico, o último boleiro, o fim de uma era onde o futebol era malandreado, gingado, bem jogado e debochado.

Hoje Renato faz 55 anos e é o maior ídolo da história do Grêmio.

Sabe lá o que é isso? Ser de forma indiscutível o maior nome da história de um dos grandes? Não sabe. Nem eu sei. Nem saberei.

Ele poderia colocar um terno italiano e ir ao Bem Amigos cagar uma regra segunda-feira sobre a modernização, os estudos, a nova era, o Chelsea, o Mourinho ou a puta que pariu.

Mas ele vai pra Ipanema jogar futebol de óculos e sunga, tomando cerveja no quiosque.

Porque ele é pouco profissional? Não. Porque ele pode. A embalagem muito importa pra quem tem pouco o que apresentar. Renato é uma Ferrari. Não dá pra embalar, nem precisa. É o que é, não tem igual e todo mundo queria.

O futebol precisa de Renatos. O mundo precisa de Renatos. Nós precisamos de Renatos. E o melhor:  ele fez tudo isso sem ter uma conta no instagram.

Salve Portaluppi! O Mito!

abs,
RicaPerrone

17 de junho de 92

Hoje o dia mais feliz da minha vida completa 25 anos. E eu não tenho o menor pudor em dizer isso porque nunca menti em nenhum dos meus casamentos, eventuais formaturas (que sequer compareci) ou outras festividades.  Nada na minha vida foi mais incrível que o exato momento da foto acima. Quando Zetti pega o pênalti de Gamboa.

Eu tinha uns 14 anos. Minha vida era resumida em fazer merda na escola, passar de fase no video game, jogar botão e acompanhar o São Paulo como um doente apaixonado.  Eu diria até que a escola, os botões e o video game eram complementares ao clube.

Na escola eu ia pra discutir futebol. No video game pra jogar futebol. E jogava botão pra colocar o São Paulo em campo. Em resumo, em 1992, minha vida era o São Paulo.

Naquele dia, após ter ido a todos os jogos no ano anterior e naquele na capital, eu senti algo novo. Não sou da geração que ganhava Libertadores. Na minha ela era marginalizada. Tanto que o SPFC até quis abandonar o torneio.  Mas foi indo, indo, indo…. e estava na final.

Quando na final, o torneio cresce. Mas a Libertadores, ao contrário de outros tantos criados por aí, era um gigante adormecido e não um anão fantasiado.  Quando pisei no Morumbi naquela noite, ainda era umas 17h tamanha minha ansiedade, eu senti que algo especial estava acontecendo.

Não sabia que era tão especial.

O jogo, o drama, a casa cheia, o som ambiente. Os pênaltis, o Rei Rai, o monstro Zetti, o predestinado Macedo.  O Galvão Bueno narrava na Gazeta! Quem diria?

E nos pênaltis que vi de joelhos, soltei as lágrimas mais sinceras da minha vida.  Eu nunca chorei tão honestamente. Nunca agradeci a deus com tanta convicção de não falar sozinho. Eu nunca fui tão feliz quanto naquela noite.

É vazio. Claro. Você tem uma vida e o futebol não pode jamais ser o motivo maior dela. Sinal que sua vida é tosca, não que o futebol é maravilhoso.  Mas aos 14 anos, convenhamos, eu tinha o direito de ter uma vida resumida a futebol.

Aquele campo invadido, o abraço no meu pai, a festa no clube, o placar dando dia e hora do Mundial de Clubes. E eu só olhava e chorava, cantava, gritava.  Me enrolava na bandeira, beijava o escudo, como que tentando agradecer por ser parte daquilo.

Ali eu já tinha meus mais de 300 jogos no estádio. Fácil. Frequento absurdamente desde os 3 meses de vida.  Mas ali eu entendi o que era futebol, pra que servia estar no estádio e o quanto as pessoas que acompanham pela TV não tem idéia do que estão discutindo quando falam de “viver futebol”.

Naquele dia eu descobri o tamanho do São  Paulo, o poder do futebol na vida das pessoas e o quanto é marcante “estar lá”.  Eu estive. Estarei sempre. Jornalista, empresário, idoso, solteiro, casado, pai, avô. Tanto faz. Aquele é meu lugar. E aquele foi o melhor dia para se estar nele.

Salve 17 de junho de 1992. O melhor dia da minha vida, ate hoje.

Saudações tricolores,
RicaPerrone

A melhor pessoa

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Um dia estava no twitter falando bobagem como sempre quando fui surpreendido por um novo seguidor. “Valdir Espinosa está te seguindo”. Pensei que era fake, mas vi logo que tratava-se mesmo do campeão mundial.

Isso faz mais de 5 anos, quando ainda morava em São Paulo. Numa das vezes que fui ao Rio combinamos de almoçar. Ali conheci o Dom Hélio, que até hoje é meu restaurante favorito na cidade, diga-se.

Me sentei com um campeão mundial e seu filho, Riva, referência na preparação física. Conversamos por longas horas e trocamos as mais diversas idéias. Ao final me lembro de tentar agradecer a ele o que aprendi naquele dia e ouvi: “Aprendemos os dois. Eu com você, você comigo”.

Fiquei encantado. Quem esse cara pensa que é pra ignorar o fato dele ser quem é de fato para se colocar num patamar “mortal”?

Logo fomos ficando amigos, aproximando as famílias e até meu primeiro “estágio” a distância que fiz na área técnica foi ajudando ele na observação do adversário enquanto ele foi treinador do Duque de Caxias.

Mas Valdir não tem empresário, não faz política e não joga o jogo. É o que é, e hoje em dia ser não basta, é preciso parecer. Ficou anos comentando futebol como se pudesse com palavras preencher o vazio de não estar mais ali.

Um dia estávamos numa resenha maravilhosa na casa de um amigo conversando sobre futebol e passado. Entre um vinho e outro o Rodrigo Caetano citou sua passagem no Grêmio. São dois “gremistas”, era evidente que o papo acabaria indo pra lá.

Ele falou e se emocionou. E quando perguntei a ele o que ele mais queria na vida, após ganhar tudo, ver os filhos criados, encaminhados e os netos idem, ele me respondeu: “ser campeão pelo Grêmio. Não tem nada igual”.

Ficamos olhando pro vinho, pros queijos, pra mesa por uns 30 segundos sem falar nada enquanto ele montava essa cena em sua cabeça. Deve ser foda poder “lembrar” de uma conquista heróica e não apenas sonhar com ela.

Foi aos EUA, trabalhou por aí, voltou a Porto Alegre há pouco tempo com o Renato pra trabalhar no “seu Grêmio”. E quem diria, o professor que aprende com alunos estava ali de novo, podendo tirar o time de uma fila de 15 anos na sua nova velha casa.

Ao final do jogo desta noite eu não consegui imaginar ninguém mais feliz no mundo do que o professor Valdir. Não nos falamos ainda, e embora eu tenha certeza que lhe darei esse abraço pessoalmente em questão de horas, faço absoluta questão de dividir com vocês, gremistas, quem é esse cara e o quanto ele esperou por isso.

Professor, parabéns! E obrigado por ter me ensinado mais do que futebol, mas sim como não se achar Deus mesmo passando bem perto de ser um em determinados momentos. Como neste momento você é, por exemplo, pra muitos.

abs,
RicaPerrone

Gostamos

Gostamos de decisões.

Gostamos que os astros façam os gols decisivos e para que sejam decisivos tem que haver uma decisão.

Gostamos de rojões no hotel do adversário, dos sinalizadores em volta do estádio na chegada dos times, da casa cheia e do cheiro de final.

Gostamos de falar que tem cheiro de final porque só alguns profissionais do ramo “sofredor” tem o poder de identifica-lo.

Gostamos de gols bonitos, de dribles humilhantes e de jogadores que sentem o jogo e reagem a ele.

Gostamos de Jesus chamando alguém de “cuzão” ao vivo na TV.  Não porque é certo ou errado, mas porque é o que nós faríamos. E se faríamos, gostamos.

Gostamos do olé no final, da falta de objetividade quando já resolvido e da desculpa escrota de que “só segurei a bola” quando todos sabem que era pra humilhar o adversário.

Gostamos de redes soltas que ficam com a bola. De estádios que nos permitem ficar em pé e de gandulas que seguram a bola quando necessário.

Gostamos de empurra-empurra, de jogo corrido, de chamar o craque “deles” de viado.  Não somos homofóbicos, apenas gostamos disso.

Gostamos de reclamar do juiz. Gostamos da fila pra entrar, do perrengue pra sentar e da correria pra sair rápido pra não ficar no transito.

Gostamos de abraçar quem não conhecemos. Gostamos de perder nosso status social por duas horas e nos transformarmos em parte de uma massa.

Gostamos de achar que o repórter torce contra, que o comentarista não sabe nada e que o juiz estava claramente contra nós.

Gostamos de sofrer. Gostamos de vencer e gostamos de perder. Sim, gostamos! Tem seu valor aquela noite mal dormida pelo time do coração que um dia lhe servirá de argumento numa mesa de bar para medir sua paixão e fazer inveja aos seus iguais.

 

 

Gostamos de passar horas falando “aquela bola… se ele toca mais pro lado…”, como se pudessemos refazer o lance.

Gostamos de demorar a pegar no sono agitados com o jogo que acabou agora.

Gostamos de escrever sobre isso. Gostamos de ler sobre isso. Gostamos de saber que nossa semana não se resume mas poderia ser só isso.

Gostamos de futebol.  E se gostamos, gostamos de Atlético x Palmeiras.

O último jogo decisivo que não decidia o título em 2016.  O campeão ta ali, mas não pode comemorar.  E até disso, acredite, gostamos.

abs,
RicaPerrone

Enfim, sorrisos

O Allianz Parque é o estádio mais tenso do Brasil há pelo menos 4 ou 5 meses.  Ali, toda semana os donos da casa se reunem para “não dar mole”.  Num campeonato como esses é muito mais fácil ser o Flamengo do que ser o Palmeiras.

Explica-se com alguma tranquilidade essa tese no momento em que o time carioca, por exemplo, vem pro Maracanã e passa de desafiante a desafiado.  Pronto, sumiram as vitórias.

Torcida empurra e também pressiona.  Quando favorito, te pressiona a cumprir o seu dever. Quando azarão, te empurra.  O segundo colocado será sempre empurrado,  o líder sempre pressionado.

O Palmeiras viveu um campeonato de angustia, não de prazer.  Foi colocado todos os dias pela mídia o seu “dever” de se manter ali, ou lembrado do fracasso de 2009.  Até mesmo quando tudo vai bem, o time a míseros pontos do título, o negativismo aparece no debate sobre “a fase do Gabriel Jesus”. Haja paciência! E eles tiveram.

Hoje, contra o Inter, o Palmeiras jogou pouco, se empenhou muito mas conseguiu o que lhe era exigido: “vencer, vencer, vencer”.

Transformaram alegria em alívio. Dor em raiva, e vão transformando jogo a jogo o sonho em realidade.  Hoje o Palmeiras fez seu torcedor sorrir de emoção, não de alívio.  E pela primeira vez sai do estádio com mais exaltação do que pressão.

Dificilmente alguém lhe tira dali. E embora seja possível, não é mais muito justo.  Poucos clubes aguentariam o que esse time aguentou por tantas rodadas sendo cobrado pelo seu limite.   E para quem vive de achar defeitos esse Palmeiras é insuportável.

No estádio que representa o melhor negócio feito por um clube em todos os tempos no futebol mundial, o segundo título em 2 anos é iminente.

Mas é real. Comovente. E entre rebaixamentos e glórias, ressurge o alviverde imponente.

abs,
RicaPerrone

Não se trata de gols apenas

Se alguém não entendeu o que disse Maradona a respeito de Messi outro dia, acho que entendeu essa semana na Eurocopa.  Eu não tenho o menor pé atrás em afirmar que o Messi é mais talentoso que o Cristiano. Bem mais, eu diria.

Também não tenho dúvida de quem se esforçou mais pra chegar lá tendo menos talento natural que o outro.

O que temos por Cristiano a partir desta data não é mais uma avaliação futebolistica apenas. É a postura de uma referência que se faz referência. De um líder que é realmente “o dono da porra toda”, e que se ganhar ou perder vai meter a cara pra ser o alvo de todo blá, blá, blá que vem de fora pra dentro.

Cristiano em 2 jogos – no último nem jogou –  foi o jogador que Portugal precisava.  O que grita, o que MANDA, o que se posta como líder e que não se omite perante o medo de ser julgado.

Ele vive julgado. Toda pessoa de sucesso vive sendo julgado o dia todo, todos os dias, por pessoas que não fizeram sucesso. É assim a vida, e sobrevive o que consegue entender que entre ser julgado por omissão ou por ação, a segunda será sempre menos confortável. Porém, a que te fará ser merecedor do sucesso.

Messi não tem nenhum DEMÉRITO em não ser esse cara. Mas Cristiano tem esse mérito de ser, além de um grande jogador, um cara que mete seu gel, anda feito uma gazela e não tá nem ai pra nada.

Messi não bateria um pênalti de cavadinha pra irritar um goleiro.  Cristiano bateria, perderia, e seria expulso na sequencia por se descontrolar.

Cristiano erra mais que o Messi. E por errar mais indica o quanto tenta ser maior do que a vida lhe ofereceu.  Hoje, campeão da Euro sem jogar a final, foi um dos melhores em campo.

E Messi, titular absoluto e fazendo gols na Copa América, um dos piores em campo na final.

Porque jogar futebol, para “o cara”, nunca bastou.

abs,
RicaPerrone

Aqui é Vasco!

 

brtbEra uma vez um “time sem vergonha”. Ali, só alheia.  Lanterna, encostado, massacrado, rebaixado, sem nenhuma esperança.  Aquele time recebeu um aqui, outro ali. Um novo comando e fez do segundo turno agendado para chacota meses de esperança.

Não deu tempo.

Começa 2016 e discute-se o quanto vale o estadual.  Mais uma vez repetia-se a pergunta mais vazia do mundo.

Quanto vale um estadual?

E eu lhes digo: Qual estadual? O de 77 do Corinthians? Vale tudo! O do gol de barriga? Idem.  Quanto vale uma série B?  A do Grêmio nos Aflitos?  Incalculável.

Títulos são construídos e conforme são conquistados vão determinando seu valor.

Ao Vasco, um estadual invicto tinha um sabor especial. É a série B, o rebaixado, o pisoteado de dezembro jogando confeti de baixo pra cima com os rivais no camarote, hoje, derrotados.

Tudo aqui é complicado. O calendário, as divisões políticas que determinam os estaduais e seus formatos, a falta de unidade entre clubes.

Aqui, dificilmente se faz algo inteligente e planejado que não seja um empurrão apaixonado com um tiro certeiro.

Aqui é assim. Aqui vivemos paixão e isso nos faz diferentes, para melhor e para pior.

Eram 60 mil pessoas no que disseram ser desinteressante há algumas semanas.  Não é.  Porque enquanto tiver um time grande em campo, haverá interesse.

Aqui é difícil, truncado, atrasado, legendário, apaixonante, zoneado mas respeitado.

Aqui é Vasco!

abs,
RicaPerrone

DNA rubro-negro

Existem campeões e campeões. Os que planejam, os que dão sorte, os que ganham num erro do adversário, os que tem um craque que resolve.  Tem quem goleie na final, tem quem ache aquele gol numa bola perdida e transforma uma atuação ruim numa partida épica.

E tem o jeito Flamengo de ser campeão.

Quando 0x0, os dois times disputavam em igualdade de condições e então faziam um jogo parecido. Até que a bola entrou uma vez e o cenário mudou.  Festa no Pacaembu, o Corinthians ganhando e agora favorito.

Sai o segundo, “já era”. E então, surge o DNA rubro-negro.

Tivesse ficado no 1×0, talvez o Corinthians até tivesse deixado adormecido o mantra que impulsiona o rubro-negro. Mas quando dado por vencido, colocado em situação de descrédito, o Flamengo é muito mais Flamengo.

O que se viu em 10 minutos do segundo tempo foi um time desafiado. E como bem sabe o rubro-negro, tem que ser sofrido, inacreditável e quando ninguém mais acreditava. Só eles.

Três gols pra valer dois. Um massacre de 15 minutos impiedoso e um resto de partida como no primeiro tempo:  equilibrado.

Chegam os pênaltis, o Flamengo é o primeiro a perder. E quando perde volta a situação desconfortável de ver sua conquista virar “improvável”.  Clube de Regatas do Improvável.

Surge o goleiro, que defende, vira herói, resolve bater, perde, vira vilão.

Desafiado pelo goleiro corintiano, Thiago vai pro gol e volta mais rubro-negro do que nunca.  Aquele ar de quem vive com as mãos em volta da orelha perguntando: “Cadê? Fala agora! Eu não ia perder? Não era impossível?”.

E Patrick confirma o final da história improvável com o mais provável final para um Flamengo que esteve “quase derrotado”.

Desde cedo eles sabem, aprendem e ensinam: O Flamengo nunca está “quase” derrotado.

abs,
RicaPerrone

Então já era

São 120 anos de futebol no Brasil. Das coisas básicas que ele nos ensina, decoramos o pênalti, o impedimento, a regra de jogar com os pés e outras verdades absolutas que repetimos feito papagaios desde então.

“Quem não faz, toma”. “Clássico é clássico”.  “O jogo só termina quando acaba”, entre outras tantas.

Quando Palmeiras e Santos sairam pra final da Copa do Brasil eu vi o Palmeiras começar a ganhar o título no minuto seguinte.

“O Santos vai atropelar”.  “Goleada”. “Massacre”. “Sem chance”.

Vi jornalistas “cravando” em rede social que o Santos era campeão da Copa do Brasil. E vi um placar de 1×0 no jogo de ida que passa longe de significar algo resolvido. Ainda mais contra um Palmeiras.

Cada dia que passava antes da decisão eu tinha mais certeza que daria Palmeiras. Não porque o Santos tenha culpa no oba oba que fizeram com ele, mas porque o futebol se ofende e as vezes precisa se impor.

O futebol hoje era palmeirense.

Ele queria mais uma vez explicar que nós o amamos por não sabermos o que esperar dele, não porque ele é previsível, óbvio e justo.

Calado,  o Palmeiras assistiu a toda preparação para a festa do Santos. Cada virgula colocada na mídia motivava o Palmeiras e invertia o cenário do jogo.

Pobre Santos, encurralado por um adversário que nem estava na disputa.  Mas que acabou sendo decisivo.

O Palmeiras não entrou em campo hoje pra jogar uma partida. Entrou pra defender sua honra, pra calar a boca de muita gente e pra passar por cima de qualquer limitação que pudesse lhe atrapalhar.

O Santos não entendeu. Aqueles garotos pareciam olhar em volta sem conseguir dimensionar o que era aquele estádio cheio numa decisão contra eles.

Como é grande esse Palmeiras de perto, né?  Pelo jornal parecia tão menor…

abs,
RicaPerrone

Sem manchas

Na frente de uma loja dois sujeitos se apaixonaram por uma linda camisa.  Quase que ao mesmo tempo entraram e perguntaram ao vendedor o preço.  Constrangido, ele os informou que só tinha uma.

Os dois homens começaram a se empurrar, dizer que um chegou primeiro, que outro era mentiroso, etc. Um era mineiro, o outro paulista. Embora a preferência por cores e vestimentas fossem tão semelhantes, os dois se pareciam muito pouco.

Após breve discussão, o paulista levou a camisa.  Enfurecido o mineiro disse que era um absurdo, que só havia acontecido aquilo por ele ter menos relacionamento com a loja, etc, etc, etc.

O paulista saia da loja quando o mineiro, irritado, jogou café na camisa que ele acabara de comprar.  Manchou. Mas cansados e sem mais o que discutir, foram cada um pra sua casa.

Meses depois se reencontraram em clima mais amistoso, desta vez em Belo Horizonte. O paulista tinha ido a trabalho e por isso usava sua bela camisa que comprara naquele dia.

O mineiro lhe foi cordial, aceitou o fim daquele blá blá blá e até lhe ofereceu um café.  Desta vez, na xícara.  Educadamente se sentaram e conversaram por quase 2 horas.

Ao final, tendo explicado durante todo este período o porque dele ter conseguido aquela camisa e não o mineiro, parece que os dois se entenderam.  Cabisbaixo o anfitrião lhe abriu a porta para que pudesse ir embora e, como que num impulso, lembrou-se do café que havia atirado na última vez.

  • Esta é a mesma camisa que falamos?
  • Sim, estou com ela por coincidencia.
  • Eu não havia jogado café nela?
  • Sim, você estava nervoso. Tá tudo bem.
  • Mas não machou?
  • Não. Ainda assim, tive o cuidado de lavar de novo hoje.

abs,
RicaPerrone