Colombia

#TBT: Aristizábal

Quando o São Paulo anunciou o tal de Aristizábal em 1996 ninguém sabia quem era. As coisas não eram faceis como hoje, não tinha internet e descobrir algo sobre um jogador colombiano era quase impossível sem ser via a opinião de um jornalista qualquer.

Ele veio pro time de Parreira que contava com Muller, Almir, Denilson, Djair, Edmilson, Serginho, Belletti… puta time.

Óbvio que com Parreira não funcionou. Ele conseguiu deixar Muller e Ari no banco de Almir e Valdir Bigode.  Mas não me espanta. O que me espanta é a diferença entre a fama e a qualidade de certos jogadores.

Ari não era craque. Mas era muito inteligente, rápido e servia gols de bandeja pra quem estivesse a sua volta. Um jogador raro, não a toa bem utilizado pelo Luxemburgo no Cruzeiro ao lado do Alex, que é outro que jogava pensando e não só correndo.

Jogadores como Ari hoje teriam espaço ainda. Ele nunca se esquivou de correr em virtude da técnica ou da inteligência. Talvez pela técnica hoje seria um jogador valioso da Premiere League. Pelo conjunto, um craque.

Na época dele, não foi. E embora tenha títulos e passagens “simpáticas” a torcedores de vários times do Brasil, nunca conseguiu ser ídolo como seu potencial sugeria. Meu, foi. Tenho até camisa dele até hoje. Mas Ari é só mais um dos muito bons jogadores que nasceram com 20 anos de atraso pra serem craques.

RicaPerrone

Colômbia 1×2 Japão

Para vencer um japonês em alguma coisa você tem que errar menos que ele e deixar o talento e o improviso resolverem a questão. Se for previsível a vitória deles, dificilmente eles não vencerão.

Não era. Mas se tornou.

Com 3 minutos, 1×0, um jogador expulso e a Colômbia tendo que furar o bloqueio japonês dando espaço para o contra-ataque rápido deles.

Era quase um sonho para eles. E acabou terminando assim. Mesmo com o empate no golaço de falta, o Japão tinha todas as condições pra vencer e venceu.

Se convenceu?

Não. Nada demais. Diria até que mantenho a convicção de que a Colômbia venceria o jogo em condições normais.  Mas também não é um time que cause suspiros. Aliás, ninguém neste grupo causa muita coisa.

abs,
RicaPerrone

Maior que a taça

A Copa Sulamericana é presenteada constantemente com alguns marcos históricos que não merece.  Pro bem e pro mal, diga-se. De finais históricas que não terminam como o tosco jogo do SPFC em 2012 ao acidente da Chapecoense, esse torneio teima em não firmar mesmo que a vida insista contra ele.

Campeonatos vão ganhando peso pela sua história, não pela premiação. A Supercopa da Libertadores foi o melhor torneio que já fizeram no continente e não tinha vaga pra nada, dinheiro algum. Era só pela grandeza de quem participava e toda edição foi espetacular. Até que a Conmebol percebesse que ali havia um rival pra Libertadores, então o destruiu.

O Flamengo não estava nem aí pra Sulamericana, como ninguém está enquanto ainda puder ter um grande ano em outros torneios. É sim a “sobra”. Mas a sobra é melhor que passar fome, sempre.

Esse Flamengo bunda mole precisa muito mais de um título de superação do que de uma conquista técnica e regular.  Talvez a esse elenco seja mais importante um perrengue mesmo. E pra diretoria, que contrata tanto, seja importante aprender a olhar pra casa.

Sem Guerrero, Rever, Muralha… os meninos resolveram.  Não foi uma grande atuação, mas foi à lá Flamengo. Na medida em que ficava “impossível” aos olhos críticos, mais possível aos olhos deles.

Diria que se tivesse um expulso seria 3×0, tamanha a vocação pra gostar de passar perrengue.

Assim sendo, que perca na Argentina o jogo de ida. Porque Flamengo que é Flamengo não pode decidir nada por um empate.

A Sulamericana ganha mais um presente da vida. O mais popular do Brasil contra o maior campeão do continente que há anos não ganha nada.  Final de gente muito grande e com muita fome de vencer.

Quando o jogo em si é maior que o torneio.  Mas não é pelo torneio. É pela glória.

abs,
RicaPerrone

Somos!

Falando em “nós”,  lá na semifinal estamos. Eles e eu, eu e vocês. Os amarelos que queremos, não porque estão jogando o que esperávamos, mas porque estão brigando como brigaríamos nós.

A partida contra o Iraque foi absolutamente decisiva para que esse time percebesse o que estava fazendo de errado.  A bola as vezes vai entrar, as vezes não. É só ver que hoje nos tornamos a seleção com maior número de vitórias em Olimpíadas e… nenhum ouro.  Mas enquanto a bola se decide se dorme dentro ou fora, cabe a eles, ops, nós,  brigarmos.

Se for necessário com pontapés. Se não for, com olés apenas. Mas que em momento algum se duvide da relação representados/representantes.

Neymar agora sorri. Bate, apanha, marca, vibra, chama a torcida e comemora tiro de meta.  Neymar parece nosso capitão agora.

Luan deu ao time o que Felipe Anderson não daria.  Tal qual nosso “volantão”, gremistas que nos tiraram de um estado de sonolência em campo.  Não aceita-se naturalmente a derrota.

Aliás, ninguém deve aceitar jamais com naturalidade a derrota. A mais vitoriosa das seleções então, menos ainda. E agora o time dribla, provoca, vence e comemora.

Se bastará, não sei. Se o ouro virá, menos ainda.  Mas ao final da partida o torcedor diz “nós”. E isso é a coisa mais importante que a seleção brasileira tem. O nosso “nós”.

abs,
RicaPerrone

Somos só mais uma vítima

Pra abrir, facilito qualquer discussão afirmando que sim, o Atlético Nacional é mais time e mereceu a vaga. Ponto.

O que vem a seguir é outro assunto. Assunto que já tratei aqui outras vezes até mesmo sugerindo um boicote dos times brasileiros ao torneio. Dessa vez, este ano, foi com o “meu time”, e por isso volto a contestar.

Aconteceu com Flamengo em 2007, com o Flu em 2008, com o Inter em 2007, o Santos outro dia. Aconteceu com o Grêmio, com o próprio SPFC e tantos outros times brasileiros em Libertadores.  Os lances podem ser capitais ou não, a tendência é quase sempre sairmos prejudicados.

Não sou favorável a nenhum tipo de complô, mas sou favorável ao bom senso. Não se coloca um argentino pra apitar um Brasil x Colombia que define o possivel adversario do Boca, porra!

“Ah, tudo bem! O juiz é mesmo energico e podia ter expulsado o Maicon”.  Ok, vou considerar seu argumento.  Mas aí ontem o juiz deixa de dar um pênalti, de expulsar o zagueiro, além de por consequencia disso ter expulsado jogadores do SPFC.

É a primeira vez que um time brasileiro sai da Libertadores inconformado? Não. É a décima? Não! É a vigésima!

Alguma coisa tem que ser feita.  Ou se padroniza a porra da arbitragem, ou se sorteia o juiz, ou vamos ter que começar a suspeitar. E podemos! Porque ao contrário das mil teses que falam disso no Brasil, temos diversas acusações e condenações de arbitros envolvidos em esquemas para favorecer times argentinos. Só entre SPFC e River Plate duas vezes o arbitro estava comprado e foi afastado após julgado.

Não temos força política? Ok.  Eles falam uma língua e nós outra? Ok. Somos sempre o time a ser batido? Ok.  Mas tem limite.  Todo ano um ou dois de nossos clubes saem da Libertadores desesperados com a arbitragem. Sem contar os que são assaltados e conseguem não ser eliminados, caso do SPFC em 2005 contra o River.

Vamos chorar, chorar, chorar e… ninguém vai fazer nada? Cadê os clubes unidos nessa hora pra levar um protesto a Conmebol e ameaçar não disputar? Sem Brasil a Libertadores quebra. Somos o pilar de sustentação financeiro do futebol sulamericano há decadas.

Tá na hora de ser filha da puta capitalista e usar o poder a nosso favor. Não queremos ajuda. Só queremos o devido papel que nos cabe: Os donos dessa porra.

abs,
RicaPerrone

“El milagro de Medellin”

Porque não?

Me diz aí. Qual seu motivo para desistir enquanto ainda está na Libertadores a um passo da decisão?

Vai jogar contra o Barcelona, lá? Vai começar com 8 em campo?

Te falta camisa? Nasceu ontem? Nunca viu futebol?

Até as 22h nós, tricolores, estaremos na Libertadores. Ninguém pode nos eliminar antes disso, muito menos nossa própria fé.

O pior que pode acontecer é o que já aconteceu. Se já vivemos no pior cenário, o que esperar que não algo melhor pra hoje?

Se acho que dá? Não. Acho não.

Mas até a hora do jogo, me forçarei a relembrar todos os resultados impossíveis que já presenciei no futebol e me convencerei de que hoje é dia de milagre. “El milagro de Medellin”.

Eu sei que dá vontade de dizer “já era” porque assim evitamos o tanto de sacanagem do pós jogo. Mas só tem um torcedor que está na Libertadores hoje. É você. Só um pode ser tetra. Só um tipo de torcedor pode acordar hoje e passar o dia tenso esperando uma decisão.

E repito: porque não?

Temos mil motivos para acreditar que não, hoje não.  Mas temos 3 estrelas no peito pra dizer que sim, que ainda dá.

E se ainda dá, ao seu lado estaremos.

Boa sorte, São Paulo.

abs,
RicaPerrone

Hoy, se puede!

E não precisa nem olhar a camisa. O futebol chegou num nível de competitividade, força, tática e inteligência em campo que qualquer time é capaz de enfrentar qualquer outro time, seja do nível que for.

Quando falamos de seleções, especialmente as que chegam a uma Copa, não existe mais o timinho, o timaço. Não existe na verdade quase nada além da mudança de cores nas camisas.

Todos jogam igual, correm tanto quanto e a técnica, onde se diferencia, não é mais o fator determinante do jogo. É coletivo, compacto e, depois, se der, técnico.

Peru e Bolívia fizeram um jogo com as estatísticas idênticas as de um Brasil x Argentina. Mesma troca de passes, mesmo percentual de acerto, chutes a gol.  É tudo muito parecido.

Não gosto. Acho que nos prejudica, já que nosso diferencial sempre foi técnico.  Acho que a FIFA tinha que rever regras com o passar dos anos.  Mas por outro lado eu não acho que o Chile na final da Copa América será menos favorito do que qualquer outro, seja Brasil ou Argentina.

Eu não acho um absurdo perder pra Colombia. Não entendo como “ganho” o jogo de sábado.

Porque se tem uma coisa que o futebol melhorou nos últimos anos é o equilibrio.  Você pode não ter 70 paraguaios bons de bola. Mas hoje tem 7. E bastam 11 pra formar um time.

Antigamente o Peru não tinha um jogador de qualidade. Hoje tem 4. E com 4 nesse futebol coletivo ele iguala qualquer partida.

Mais do que reclamar, acho que está na hora de revermos também a forma que analisamos futebol e o que esperamos de alguns times.

Ou você duvida a Colombia tirar a Argentina hoje?

abs,
RicaPerrone

Boa sorte, Osorio! E só.

Aí você fica entre duas situações complicadas.  O São Paulo anuncia um treinador que atuou basicamente na Colômbia e nos EUA até hoje. Logo, por motivos óbvios, os jornalistas daqui tirando algum nerd que não come ninguém, não sabe muito sobre o sujeito.

Pois se um jornalista de SP não sabe escalar o Vasco e um do RJ o Palmeiras, não é muito normal que saibam quem é esse cara.

Eu não sei. E não vou ficar na dúvida. Entre dizer pra vocês que não conheço e fingir traçar um perfil de alguém que nunca vi trabalhar pra parecer “professor” do tema, vou reconhecer que pra mim é tão ponto de interrogação quanto pra maioria de vocês.

Acho legal a tentativa, gosto do futebol colombiano. O que não quer dizer nada, pois Muricy é brasileiro e não tem nada a ver com o modo de jogar tradicional do futebol brasileiro.

Vi raros confrontos de seus times em Libertadores e não fiquei guardando na memória uma análise tática deles.

Desejo sorte. A ele e a quem está chutando tudo sobre o cara pra dizer: “Eu conhecia e avisei”  daqui uns meses.

abs,
RicaPerrone

Na conta do treinador

Diego Aguirre é o cara que tinha data marcada para ser demitido, venceu de goleada uma partida fora de casa e acertou o time do Inter.

Desde então o treinador conseguiu mostrar que tinha um plano e que ele funciona. Sem mais pressão, passou pelo Galo em dois grandes jogos e foi a Colômbia enfrentar o Santa Fé.

Ontem, especificamente ontem, o Aguirre teve uma noite de juvenil.

Qualquer pessoa que já tenha visto um jogo de Libertadores sabe o que são os primeiros 15 minutos e os últimos 10 se você aceitar a pressão adversária.  Eles te empurram pra trás, jogam bola na área ate achar alguém que empurre pro gol.

Aguirre tirou um atacante e um meia pra colocar um volante e um zagueiro, com um 0 a 0 no placar, seu time tendo espaço no contra-ataque, e sabendo que transformaria um jogo difícil num ataque x defesa por 10 minutos finais.

Parecia roteiro adaptado. Você sabe o que vai acontecer, todo mundo sabe.  O Inter perdeu poder de contra-ataque, liberou mais gente do Santa Fé pra ir pra cima e tomou o gol no final.

Nada irreversível. O jogo mesmo permitiu uma vitória do Inter ou do Santa Fé. Os dois tiveram chances, embora o Inter tivesse chutado 3 bolas no gol e o Santa Fé 13.

Aguirre escolheu o sufoco e o risco de tomar o gol. Tomou. Será cobrado justamente por isso.

Mas dá pra reverter. Não com facilidade, pois o time colombiano não é uma galinha morta. Mas dá. O Inter tem hoje o melhor elenco da Libertadores. O que não quer dizer que vai saber o que fazer com isso.

abs,
RicaPerrone

#SomosTodosComuns

É uma merda dizer isso, mas infelizmente a convocação do Dunga levou muito perto do que de fato temos de “melhor”.  E note que o que hoje é considerado melhor há pouco tempo estaria no patamar do “mediocre”.

Note também que muitos dos nossos craques não vingaram por culpa deles mesmos e que essa conta não cabe ser depositada no treinador, na CBF, na Globo ou em qualquer outro alvo fácil para se justificar qualquer coisa.

Na real, quando concordamos com a lista que fracassou na Copa e com a primeira após a Copa significa não que somos bipolares, mas que não temos mais tanta opção.

Chover no molhado é entrar no discurso vazio de que “não temos mais” isso ou aquilo, sem que ninguém consiga dizer exatamente porque. Mas não choverei nessa água.  Quero entender algo maior do que isso.

Porque nossos jogadores não são mais protagonistas? Ok, o nível mundial de “foras de série” diminuiu MUITO e hoje a seleção campeã, por exemplo, não tem esse puta craque no time.  Isso nos enfraquece, já que nosso jogo sempre foi muito mais técnico e individual do que coletivo.

Mas porque apenas Neymar é “o cara” no time dele, ao lado do Messi, enquanto os outros ou são apenas muito bons ou no máximo craques de times médios?

O Cruzeiro, líder do Brasileirão e atual campeão, não tem um fora de série. É a “Alemanha” brasileira. Jogam todos, pra todos, sem um fator de desequilibrio indvidual e previsível.

Mas se somos criados desde o primeiro chute na bola para desequilibrar, como agora dizemos pra nossos garotos todos que procuramos menos erros e riscos, e que tudo que ele fazia de melhor hoje é condenável?

Nossa geração de Robinho, Pato, Ganso e Neymar não conseguiu evoluir pra jogar junta. Mas aqui, quando juntos, deram um show de futebol recente pelo Santos que não sabemos repetir.

Eu concordo com quase toda a lista do Dunga.  Mas concordo porque o futebol me convenceu a aceitar menos brilhantismo e mais simplicidade em busca de errar pouco.

Essa seleção, que é pouco contestável, me faz imaginar uma partida contra outro time, formado por lúdicos “craques” nacionais como por exemplo Diego, Robinho, Ganso e Pato.  Que seja.

Em quem você apostaria seu dinheiro num jogo desses?

Eu sei. Eu também apostaria.

abs,
RicaPerrone