copa 2014

Essa gente sem vergonha

Amanhã é o dia do 7×1. Algumas tvs farão o tosco papel de dar um dia de programação dedicado a DERROTA brasileira na Copa.

Algo que fizeram no dia da MORTE do Senna, e só.

Em nenhuma outra data de conquistas, que convenhamos superam e muito as de fracassos, tivemos um “day”. Em nenhum aniversário comemorativo de nada fizemos um avatar.

Mas a mídia brasileira reflete o povo e vice-versa. Lamentar, chorar, colocar culpa nos outros, rir da desgraça e só saber conviver com o ar de: “ta foda”.

Este país em crise agrada. Porque o brasileiro odeia o sucesso, rejeita o ídolo e procura defeitos para diminui-lo. “Tá tudo bem”, aqui, é ofensa.

Porque o 7×1 é mais “comemorado” do que a soma dos 5 títulos da seleção pela mídia dia após dia. Porque “nós avisamos”.

Ora, o que pode ser trágico que a mídia não avisou? Ela prevê o fim de tudo o tempo todo. Imagine de um time de futebol.

É com vergonha profunda do meu diploma que assisto aos preparativos da mídia e por consequência de torcedores, que são sempre o espelho do que a mídia acha, para o #7x1day.

“A seleção da CBF” que perdeu a Copa América, e a da Argentina que foi a final. Nunca a “da AFA”.

É pequeno, derrotado, coisa de quem nasceu pra ser nada. O sujeito que valoriza suas derrotas e menospreza suas vitórias é invariavelmente o fracassado. E sim, somos um país que exalta o fracasso.

A mídia que chorou a eliminação da Espanha, que meteu dois gringos no ar pra chorar ao vivo suas eliminações e que acha piegas quando um de nós reage ao resultado com paixão.

País de gente covarde, que não tem coragem de olhar pra si sem pena. Um futebol desmoralizado por nós mesmos, em troca de dizer: “eu avisei”.

Comemorem o 8 de julho, medíocres! Façam festa e com ar arrogante, aquele que vocês condenam nos profissionais do futebol, digam o que deve ou não ser feito.

Quem sabe assim a gente possa melhorar. Com conselhos da imprensa que cobre a ex-namorada do Ken Humano mandando sms pro morto, ou com os imbecis que fazem de um dia triste uma festa.

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

De todos os lugares que visitei nesta Copa, nenhum me encantou mais do que estar no Metrô do Rio de Janeiro.

Jogo a jogo trocavam as cores daquela multidão que pela primeira vez lotava um vagão sorrindo e não atrasado pro trabalho ou cansado dele.

Entre diversos gringos que não entendiam muito bem o que fazer havia sempre uma duzia de brasileiros sorrindo dispostos a ajudar.

De graça para quem tinha ingresso, com os feriados pelos jogos, aquilo virava uma “Fan Fest” móvel que era embalada pela mistura de músicas que não entendíamos a letra, com gritos de “Brasil!” no meio do nada e o anuncio da estação Maracanã feito narração de gol pelo Penido.

Não havia um ser humano de mau humor naqueles vagões durante a Copa.

Foi muito divertido.

Os 30 dias mais incríveis de um país, eu arrisco dizer.

Nunca mais vou pegar aquele metrô sem lembrar de cada camisa de seleção que vi ali dentro. Espanha, Chile, Alemanha, França, Russia, Bósnia.  Agora, de volta, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Que aliás, nem saíram de moda.  Durante a Copa transitavam por ali misturados pela euforia de amar apenas o futebol.

O Metrô do Rio volta a seu ritmo normal. Mas sabendo que foi o caminho oficial entre o sonho e a realização dele para milhares de torcedores do mundo todo, tem como olhar pra ele como antes?

abs,
RicaPerrone

Toma aqui seu Pedigree!

A Copa acabou. Lá se foram milhares de turistas de volta pra seus países sem entender exatamente porque somos tão cruéis com nós mesmos.

É claro, só viram o que temos de bom. Exatamente como você e eu quando vamos até lá formar nossa opinião sobre eles.

Foram 12 meses quase insuportáveis de #NãoVaiTerCopa promovidos por um grupo virtual de bitolados que terminou num estádio qualquer gritando gol.  São anos e anos de “imagina na Copa”, na mais deprimente preparação de uma festa que já tive notícias.

Vira-latas por vocação, esperamos tudo que podia dar errado. Nos preparamos até para um vexame, talvez até mais do que para o sucesso.  A paixão nacional pelo “eu avisei” é insuportavelmente maior do que a vontade de ver algo melhorar de fato.

Todos vieram, se divertiram, não passamos nenhum vexame, não houve caos nos aeroportos e cidades. Não houve arrastão, força policial desproporcional ou a malandragem brasileira sobrepondo os bons e cordiais brasileiros dispostos a receber bem.

Não houve nada que um país de primeiro mundo pudesse se envergonhar. Mas o que mais me impressiona é que as pessoas de fora o tempo todo diziam que o metrô é parecido, que o shopping é igual, os restaurantes os mesmos, enfim. Mas eles se apaixonavam mesmo era pelo que nós mais temos vergonha: o brasileiro.

Que diabos de povo é esse que não se enxerga quando bem vestido e tira foto pra eternizar quando mulambo?

Porque é tão difícil aceitar que não somos a merda que imaginamos, nem o paraíso que eles enxergam. Mas que podemos receber Copa, pessoas, investimentos, o que for. Afinal, somos diferentes da maioria, mas não piores por isso.

E agora, meu caro pessimista? Está com vergonha?

Duvido. Porque o mundo aplaudiu nosso evento e eu não estou nem aí se ele foi organizado por PT, PSDB ou pela puta que pariu. Eu quero ver dar certo, não me importa sob a batuta de qual maestro.

Qual o legado?

Você escolhe. Talvez você não consiga enxergar nada, ou talvez só uma plataforma de metrô mais moderna te satisfaça. Mas se quiser, se tiver um pingo de vontade de ver este país melhor, o legado desta Copa pode ser uma nova forma de nos enxergar.

Com mais orgulho, mais noção do que de fato temos ou não que melhorar, com a certeza que somos queridos, educados quanto queremos e que sim, podemos estar diante do planeta e não fazer nenhum vexame.

Talvez porque nosso maior vexame seja exatamente a mania de achar que somos sempre os vira-latas da história.

Mas se isso nos acompanhou por toda a vida e elegemos a Copa como a consagração do nosso vira-latismo, então aceitem as consequencias.

Deu tudo (certo) errado!

Toma aqui seu Pedigree! E vê se pára de correr atrás do próprio rabo.

abs,
RicaPerrone

Os donos da festa

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Que prazer te coroar, Alemanha.  Não porque desejei, é claro que não. Queria estar de verde e amarelo bebado nas ruas gritando até me acabar. Mas não tendo sido nossa, que seja então de quem joga futebol e merece.

A simpatia, a camisa, os twittes em portugues. O maior cavalo de Tróia da história do futebol deu certo.  Te recebemos como amigos e não como rivais. E vocês saem daqui com a taça.

Mas não porque de dentro do cavalo sairam gladiadores, mas sim um futebol bem jogado, frio, fácil, mas muito acima da média mundial.

Eu sei que vão tentar achar mil formas de justificar tudo isso em cima de projetos que talvez nem tenham existido. Aqui é assim. Se o Itaperuna ganhar a série C nego vai dizer: “Puta trabalho” sem nem saber quem é o tecnico.

Se perder, “trabalho fraco e ultrapassado”.

Enfim. Vocês merecem a taça, nossa simpatia, nosso respeito e nosso carinho.

Acho que poucas vezes uma Copa esteve tão em boas mãos como esta. Num time sem craque, sem gênio, coletivo, no chão, quase um “não” ao futebol alemão do passado.  Mas de alguma forma, olhando com bons olhos, uma evolução a quem sempre nos respeitou como referência e agora inverteu a situação.

Parabéns! E voltem sempre.

Fizeram história, gols e muitos amigos. Até já, em 2018, na Russia.  E vê se não espalha o 7×1, pô…

abs,
RicaPerrone

Te amo, Argentina!

Futebol se avalia de várias formas.  Há quem passe horas desenhando quadros táticos, há quem fale em emocional, há quem vá buscar na história um motivo para tudo e até quem fale em macumba.

Mas existem coisas que ninguém sequer perde tempo em contestar.

Quando perdemos de 7 eu fiquei realmente magoado. Nunca havia tido um vexame brasileiro numa Copa. Era disparado nosso pior momento.  Paralelo a isso nossos rivais na final contra o mesmo time que nos humilhou.

Será que há no mundo uma força oculta tão cafajeste pra terminar nossa festa assim?   Se “Tá escrito”, então quem foi o filho da puta que escreveu?

Tem coisas que não mudam.

Se tem algo que sabemos de véspera que podemos contar é com a deliciosa eliminação da Argentina e aquele mar de arrogância injustificada se transformar em lágrimas.

Eu sabia, desde a dor do Mineirão, que alguma coisa estava guardada para nos divertir.

Vocês, argentinos, são os melhores rivais que alguém pode ter. Destemperados, marrentos, folgados e invariavelmente derrotados.

Eu posso perder de 7 hoje mas fatalmente serei o favorito em 2018. Você, nem quando tudo parece perfeito e a vida lhe dá a possibilidade de não encontrar pedras no caminho, consegue ir adiante.

Jogou mais 2 vezes contra grandes. Não ganhou nenhuma. São, agora, 32 anos sem ganhar de um time grande em Copas.  É quase uma seleção de Camarões.

Vem aí a Copa América do Chile. Vamos nos encontrar, e eu vou morrer de rir.

Como disse. As vezes a nossa seleção nos decepciona. A de vocês, nunca!

Boa volta. E tentem não quebrar nada.

abs,
RicaPerrone

Era só uma Copa

Vipcomm

Vipcomm

Eu defendo muito a tese de que “É só futebol”. Talvez por ter sido obrigado pela profissão a entender que era só isso, ou talvez para conseguir me manter sem ódio dos rivais do meu time para conseguir ser justo com eles.

Mas pela seleção, mantive. Usei quase que como uma forma de alimentar meu lado torcedor passional e cego. Odiando argentinos, torcendo desesperadamente e não fazendo qualquer esforço para tentar mudar isso.

Fiz dessa Copa o meu maior momento. E na carreira, foi mesmo. Tive uma audiência absurda, fiz diversas propagandas, consegui faturar um dinheiro, bater recordes, ser lido pelos jogadores, até receber pedido de “ajuda” com textos motivacionais e campanhas que pudessem chegar a Grande Comary.

Me envolvi até o pescoço. Como há muito tempo não conseguia me envolver com nada. Eu nunca tive certeza da vitória, mas eu a desejei como poucas vezes na vida desejei alguma coisa.

Eu trocaria todos os centavos que ganhei a mais na Copa por ser campeão e poder correr pra abraçar meu pai no dia 13 de julho. Eu trocaria todo sucesso que meu trabalho fez durante a Copa para poder chorar de alegria com amigos que jamais dividiram uma arquibancada comigo.

Eu voltei a ter 8 anos. Voltei a ser o garotinho que pedia pelo Zico e que esperava o time do Telê ganhar a Copa. Esses 30 dias espetaculares que nosso país viveu devolveram muito do que eu não queria ter perdido enquanto profissional de imprensa.

Eu chorei, vibrei, sofri, pulei, gritei. Discuti, perdi a linha, torci contra, xinguei. E até mesmo ver o meu “inimigo” chegar longe me divertiu, pois eu vislumbrei um duelo final.

Eu comprei camisetas, bolas, fulequinhos e tudo mais para afilhados, filhos de amigos e outras crianças com quem tenho contato. Vi nos olhos delas o que havia nos meus em 86.

Levei 10 horas de estrada pra ir ao Mineirão. Um pneu furado, uma carona apertada, um reboque, um perrengue danado. Só pra estar lá.

E quando acabasse aquilo, tudo que eu queria era poder chorar entre os meus ou comemorar com eles. Eu nunca imaginei viver pra ter na tela do meu computador um grupo de brasileiros debochando de nós mesmos em troca de “ter razão”.

Eu sinto realmente pelas pessoas que acham que isso tratava-se de um campeonato de futebol. Tenho vontade de sentar cada um deles na minha frente e explicar o que é futebol pra uma geração que está sendo criada para minimiza-lo através de uma imprensa azeda, mal paga, de olhar opaco e pessimista.

Não é pelo hexa, meus amigos. É pela Copa com meu pai, que não sei quantas terei. É pelo direito de abraçar meus amigos que não dividem o amor por um clube. É pela festa, pelos amigos, pelo orgulho, pelo hino que só posso cantar emocionado num estádio de futebol.

Pelo único lugar onde ser brasileiro com “muito orgulho” não é ridículo.

É pela minha carreira, pelos meus planos, pelo dinheiro e pelo alcance do que faço. Mas principalmente, juro, pelo garoto de 8 anos que eu reencontrei nestes 30 dias de Copa.

Se você torceu contra, eu fico realmente chateado. Eu queria dividir essa dor com você, não disputar quem se importou menos.

Eu queria consolar meus leitores brasileiros pela tristeza de terça-feira, jamais ter que me defender de alguns deles.

Eu queria estar na final. Queria conseguir chorar a porra da lágrima que está presa na minha garganta desde as 17h30 de terça-feira, quando sai daquele estádio a pé, sem rumo, ligando pra minha esposa e pedindo: “Me tira daqui! Compra uma passagem, mas me tira daqui!”.

Eu amei ver aquele Mineirão sofrendo chorando com a seleção. Não porque desejei isso, jamais! Mas porque sei que o mundo virtual azedo e sempre negativo é muito mais virtual do que real.

Eu não consegui chorar ainda. Porque toda vez que chego perto disso, alguém transforma minha tristeza em raiva com algum deboche ou comentário negativo.

Não foi engraçado.

Se não por David, Julio, Neymar e Fernando, pelos milhões de crianças que como eu e vocês viveram isso um dia tendo como principal objetivo da sua vida “ser campeão”.

Agora nossos objetivos e deveres são outros. E se eu pudesse, trocaria todos eles pra viver apenas o sonho de ser campeão. Foi o que fiz por 30 dias.

E até domingo eu espero conseguir chorar tudo que ainda não tive tempo, entre textos, compromissos e discussões filosóficas sobre o futuro do futebol.

Mas juro, o que mais me machuca não é a derrota, os 7×1, nem mesmo se a Argentina for campeã no Maracanã domingo. O que está me judiando é ter que me resguardar pra não ver brasileiros rindo de brasileiros.

Isso pra mim é insuportável. Mais do que qualquer título rival ou eliminação humilhante.

Eu só não queria que ninguém desse risada de eu não ter realizado o sonho de ver o Brasil na final com meu pai.

O futebol não é nada além de uma desculpa para reunir pessoas, explorar sentimentos e perder o senso do ridículo por alguns minutos.

Eu não quero sua audiência falando que avisei que perderíamos. Eu queria a sua audiência pra chorar comigo num texto do hexa.

Tá doendo. Vocês não tem idéia do quanto ainda dói. Mas eu juro que faria tudo de novo. E farei, porque durante a Copa, num dia qualquer, prometi pra mim mesmo que não deixaria de ser esse idiota apaixonado por futebol que ainda sou.

Eu ainda vou escrever o post do hexa.

abs,
RicaPerrone

A causa, a consequëncia… e agora?

Dizem que decepções fortes podem causar doenças. Que magoa e muita dor ajudam a desenvolver coisas ruins.

Nas Copas de 82 e 86 o Brasil foi jogar futebol e não conseguiu ganhar por detalhes.  A dor das derrotas fez com que o povo procurasse vilões e através da imprensa estereotipasse  um formato de correção de rumos.

Para estes, acreditem, o ideal era buscar um futebol mais competitivo e menos técnico. O modelo europeu, talvez.

Em 1991 surge na seleção um preparador físico que fala bonito, tem bom relacionamento com os chefes e que pensa “diferente”.  Fala outra língua, diz que estudou tática na casa do caralho e que vai revolucionar o futebol brasileiro.

Fecha o time, faz uma eliminatória sofrível, se complica até o último jogo quando o talento brasileiro veio salvá-lo contra a sua vontade.  Era Romário, o baixinho que não marcava ninguém, explicando pra Parreira que futebol se ganha jogando bola.

Dali pra frente Romário consagrou o treinador.  De 1995 em diante, por causa de 7 jogos sofridos e resolvidos no talento individual de jogadores diferenciados, Parreira virou um nome top.

Isso faz 20 anos. De lá pra cá ele foi demitido de todos os clubes que passou fazendo péssimos trabalhos em todos eles. Talvez porque Romário tenha parado, talvez porque sua tese seja um atraso com roupa de evolução.

Depois da “vitória” de Parreira vieram as metastases da doença. Muricy, Roth e tantos outros que nem sabem falar “problema” e “drible” sem trocar o “erre”, mas que gritam, enfiam 11 na defesa e acham uma bola parada como poucos.

E lá estava o futebol brasileiro entregue ao estilo europeu. Lançando volantes, zagueiros, brucutus e discutindo a altura dos meninos para revelar ou não um talento.

Este sujeito que se postou com cara de herói nacional não passou do maior atraso da história do futebol brasileiro. Até hoje, vivendo do que Romário lhe deu, caga regras que nem ele consegue cumprir.   Faz showzinho na coletiva, determina o que é certo ou errado com cara de nojo.

Parreira é o retrato do que a mídia transformou o futebol após as derrotas da década de 80.

Veio a fase vitoriosa e com ela as raras contestações de como se jogava.

Chegamos ao ponto de ter em Muricy, o homem que odeia futebol, a referência nacional.  E hoje, porque perdemos um jogo numa pane mental e não técnica, achamos que tudo está errado.

Pode até estar. Mas é culpa nossa. Nós pedimos por Parreiras, nós aplaudimos Muricys, nós queremos a vitória sem contestar a forma.

Nós aceitamos a mediocridade em troca de um número. E o número agora é 7.

Parreira precisa desaparecer. Os times que ganham sem jogar futebol precisam ser vaiados. Os jornalistas que ironizam a derrota e não sofrem com ela, demitidos. E o torcedor que acha graça em perder ou que não exige nada além da vitória, judiado pelas consequencias.

Renegamos nosso futebol por não sabermos entender que as vezes a bola não entra. Criamos um discurso jornalistico de merda onde todos entendem de todos os setores de um clube e resultam num pênalti mal batido.

Explica pra mim, pra torcida do Galo, pra um cientista e um ateu: Como o Atlético foi campeão em 2013?

Como é que o Brasil tomou de 7?

Como Galo e Inter perderam pra times da áfrica no mundial?

Como o São Paulo ganhou do Liverpool?

Como o Flamengo de 2009 foi campeão?

Como o Flu foi quase rebaixado com o time do título de 2012?

Nós destruimos uma identidade por não sabermos lidar com nossas características. Por sermos vira-latas, por não respeitarmos quem somos de fato e termos em mente que tudo lá fora é sempre melhor.

A bola volta a rolar na terça-feira por aqui.

O que vamos fazer?  Aplaudir outro Parreira ou aceitar outro Telê?  Ignorar nossos ídolos por causa de um pênalti? Deixar de adorar nossos heróis porque sairam com um travesti ou porque tem problemas com uma filha? Eles jogam bola ou vão casar com nossas filhas?

A cada derrota vamos pedir mais um volante pra daqui 20 anos reclamarmos que não temos mais padrão de jogo?

Não notaram que a Alemanha, a Espanha, a porra do Barcelona e o maldito Chelsea fazem exatamente o que faziamos há 30 anos? Tocam a bola, esperam, não devolvem de graça.  Joga com ela nos pés, não no alto. E dando a posse de bola um valor defensivo tão relevante quanto o ofensivo?

Vamos repetir feito papagaios o que a mídia, mesma que afundou nosso futebol, diz sobre a Copa de 2014 e que saiu rindo da sala de imprensa terça-feira?

É esse o amor que temos pelo futebol?

Ou será que vivemos de fato num país onde ama-se os clubes, não o futebol?

Terça-feira começamos a descobrir. Porque depois dessa, se alguém aplaudir o 1×0 jogando mal, feio, na retranca, merece mesmo o 7×1.

abs,
RicaPerrone

O exemplo do futebol argentino

O que aprendemos com a derrota do Brasil para a Alemanha? Segundo especialistas, ela representa um futebol mal administrado, tecnicamente pobre, covarde em campo, de má qualidade tática e com um treinador ultrapassado.

Representa a roubalheira dos dirigentes, a incompetência da CBF e até mesmo a dependência de um só jogador.

Isso tudo veio a tona com uma derrota numa pane de 6 minutos. Justíssimo, nenhum 7×1 pode “não dizer nada”.  Até porque, sabemos, estamos muito atrasados em relação ao futebol europeu. E por isso perdemos.

Mas hoje, 24h depois, descubro que pela lógica e coerência mínima do que dizemos como papagaios, o futebol argentino merece ser exaltado.

Um time que joga pra frente, futebol alegre, toque de bola rápido.  Dentro das características do seu futebol.

Moderno, bem adaptado ao novo estilo jogado na Europa, com um treinador conceituado, experiente e ao mesmo tempo moderno.  A AFA, que é a CBF deles, um exemplo de organização e calendário.  Dirigentes honestos, acima de qualquer suspeita.

Seus jogadores não jogam todos na Europa, tem identificação com os clubes e os torcedores. Fazem poucos amistosos fora, jogam sempre em casa e é absolutamente comum vê-los em finais e conquistando títulos.

Esse futebol que não está falido, que não paga 5x menos que os vizinhos que tomam de 7 ao maior salário de sua liga, merecem estar na final e ter tudo isso exaltado.

Afinal de contas, senhores, eles ganharam. Mesmo há 28 anos sem vencer um grande adversário em Copas, mera bobagem.

Hoje, meus caros, temos que reconhecer: o futebol argentino vive grande fase!

Afinal, o que vale é o placar do último jogo e nada mais. Que aliás…. foi 0x0.

abs,
RicaPerrone