Copa do Mundo

Dinamarca 1×1 Austrália

É até difícil comentar um jogo desses porque o que mais eu elogiaria provavelmente nem se classifique. Mas a Austrália, embora  não tenha vencido ainda na Copa, é uma das seleções que melhor me impressionaram.

Não, não é porque joga uma barbaridade. É pela evolução. Pela brutal diferença do jogo ruim que praticavam por décadas e pro futebol bem jogado que propõem hoje.

A Dinamarca é a mesma coisa desde sempre. Não joga bem, nem mal. Não chega, nem fica fora. É um coadjuvante feliz com seu papel.

A Austrália, coitada, nem isso. Mas mesmo não sendo candidata a nada, me agradou ver o quanto o futebol deles evoluiu.

Quem sabe em breve não consigam ser uma surpresa de Copa do mundo?

abs,
RicaPerrone

Espanha 1×0 Irã

Imagina se o Brasil deixa empatar um 3×3 e depois ganha do Irã apertado?  Então. A favorita Espanha é mais uma prova do futebol equilibrado e ainda mais complicado para times que não treinam.

Seleções não treinam. Só um mês.  E portanto furar bloqueios é muito mais difícil que destruir.  Todo mundo tem passado por isso e a Espanha com toda qualidade que tem, idem.

A vaga virá, Marrocos está fora. Mas virá aos trancos e barrancos, tal qual 90% das vezes os favoritos fazem em Copas.

A gente esquece mas a Alemanha não venceu a final, nem a Argélia em 2014 no tempo normal.  Não há massacres e bailes em Copa. Não é campeonato europeu de clubes onde 3 ou 4 são humilhantemente melhores que os demais.

E pra piorar não há o treinamento que permite um coletivo forte.

A Espanha não nos frustra. Nos conforta.

abs,
RicaPerrone

Uruguai 1×0 Arábia Saudita

Atenção, perigo! A Copa de 2018 flerta com uma surpresa desde que Itália e Holanda ficaram fora.  Talvez a surpresa seja apenas ir longe, talvez o título. O ponto é que das não citadas como favoritas, uma delas pode jogar mal e não ficar descredenciada: o Uruguai.

Em mais uma partida ruim, venceu. Se classificou, e só. Sendo o Brasil contestaríamos, sendo o Uruguai me preocuparia um pouco.

Alguns times no mundo tem alvará pra não jogar bola e ganhar jogos. O Uruguai é um deles. E quando eles conseguem ir ganhando, pegando confiança e não necessariamente jogando bem, tem o mesmo efeito interno do que quando nós ganhamos dando olé.

Uruguaio nunca se importou com futebol. Ele se importa com ganhar a “guerra”, mesmo que nem haja uma guerra.

As batalhas foram vencidas até aqui. E quando analisarmos o Uruguai, ignore o futebol apresentado. Eles nunca se importaram com isso.

abs,
RicaPerrone

Portugal 1×0 Marrocos

Cristiano precisou de 4 minutos para fazer um gol e outros 86 pra rezar pra bola não entrar.  Portugal fez a mesma coisa que Brasil, Inglaterra e tantos outros favoritos nessa Copa: fez o gol e parou de tentar o segundo,

Marrocos dominou o jogo, fez por merecer o empate mas não tinha um Cristiano pra fazer o gol.

Ainda que com chances de não se classificar, Portugal faz uma Copa abaixo coletivamente e totalmente baseada na qualidade do craque.

Cristiano deveria ser a parte determinante da engrenagem, não a única.  Se Portugal continuar a atuar dessa forma e um dia ele falhar, acaba a Copa.

Marrocos poderia ter jogado assim contra o Irã. Teria vencido. Não jogou. Está eliminado.

abs,
RicaPerrone

Polônia 1×2 Senegal

Todo time sem grandes perspectivas na Copa deveria ser africano. É impressionante como eles transformam um jogo ruim num evento feliz e cheio de dança, paixão, música.

Africanos tem o futebol na veia, não no cérebro. Talvez por isso gostemos tanto deles.

O gol decisivo foi erro do árbitro e ainda assim um gol regular. Pode isso, Arnaldo? Pode. Prova que nem o VAR resolve tudo. Juiz conseguiu errar na hora de chama-lo de volta pro gramado,  e ele fez o gol. Como que invalida se o juiz autorizou?

Um gol didático. Sensacional. Pra se mostrar em palestras sobre arbitragem por 100 anos.

Mas voltemos.

A Polônia é fraquíssima. E some isso ao fato de Senegal ser sempre aquela deliciosa dúvida que temos quando encontramos um time africano. Eles são horríveis ou vão quebrar a banca de todo mundo?

Senegal começou vencendo num grupo onde ele pode sonhar. E é bom que sonhe. Porque com eles em campo o espírito da Copa faz mais sentido.

abs,
RicaPerrone

Colômbia 1×2 Japão

Para vencer um japonês em alguma coisa você tem que errar menos que ele e deixar o talento e o improviso resolverem a questão. Se for previsível a vitória deles, dificilmente eles não vencerão.

Não era. Mas se tornou.

Com 3 minutos, 1×0, um jogador expulso e a Colômbia tendo que furar o bloqueio japonês dando espaço para o contra-ataque rápido deles.

Era quase um sonho para eles. E acabou terminando assim. Mesmo com o empate no golaço de falta, o Japão tinha todas as condições pra vencer e venceu.

Se convenceu?

Não. Nada demais. Diria até que mantenho a convicção de que a Colômbia venceria o jogo em condições normais.  Mas também não é um time que cause suspiros. Aliás, ninguém neste grupo causa muita coisa.

abs,
RicaPerrone

Egito 1×3 Rússia

Embora empolgante, a campanha da Rússia não deve criar expectativas absurdas. Foram duas grandes vitórias, belos gols, mas é sempre muito importante ponderar os adversários. Egito e Arábia Saudita são muito fracos.

Classificada. Pode dizer sem medo. O Uruguai não tem capacidade de perder pra Arábia amanhã. Nem se jogar com 10 dá pra perder daquele time.

O treinador do Egito deve estar muito feliz com a escolha que fez em poupar Salah. Agora ele entrou, a Copa acabou e de nada adiantou. Ronaldo talvez tenha razão quando diz que trata-se do pior treinador com quem já trabalhou.

Pior é que Uruguai e Rússia nem devem poder escolher adversário. Espanha e Portugal jogam as 15 na semana que vem, os do Grupo A jogam as 11. Eles não saberão ainda se ganhar os leva a enfrentar Espanha ou Portugal.

Eu honestamente não saberia escolher. Então, melhor assim.

abs,
RicaPerrone

Inglaterra 2×1 Tunísia

Cometendo o mesmo erro da seleção brasileira a Inglaterra foi a campo pra fazer o gol logo. Fez. E quando fez, achou que o pior havia passado.

Sofreu o empate e o que era festa virou drama, diria o senhor Bueno.

Aos 40 e tralalá a vitória. A seleção inglesa é uma das mais didáticas lições que um futebol comercialmente forte não quer dizer uma seleção forte.

Aliás, trata-se da menor seleção grande da história das Copas.

Joga mal, feio, nunca chega e teria, em tese, obrigação de ser um bicho papão. São os criadores do jogo, os donos do melhor campeonato do mundo, onde estão os mais badalados treinadores do mundo.

A Tunísia, coitada, fez o que deu. Uma bola ou outra tentava achar um gol e nada mais. A Inglaterra, óbvio, mandou no jogo. Mas estreou como deixa quase todas as Copas: frustrando ingleses.

abs,
RicaPerrone

Bélgica 3×0 Panamá

Longe de mim tripudiar sobre os profetas que esperam há uns 8 anos que a fantástica geração belga seja campeã do mundo. Eles são primos mais novos dos que achavam que a Colômbia seria campeã, dos que esperavam um time africano na final em no máximo 8 anos (1990) e especialmente dos que juram que o futebol será dominado pelos EUA desde a Copa de 1994.

Pois bem.

Separemos a euforia com dos fatos. O time da Bélgica é mesmo bom. Pode surpreender, especialmente numa Copa sem Itália e Holanda, dois dos mais tradicionais semifinalistas do torneio. É Copa pra chegar uma “zebra”, sem dúvida.

Mas a Bélgica não é favorita. Não é uma seleção representativa na Copa e sofreu, ainda que sem a mesma pressão das grandes, para abrir o placar contra o Panamá.

O curioso é que este mesmo Panamá de forma heroica eliminou os exemplares EUA, que para muitos mandará no futebol em breve desde 1990.

Pra onde você correr cai uma lenda. Então fiquemos com os fatos. É mais prático.

A Bélgica é bom time. O Panamá não existe. Os EUA não estão nem na Copa, as seleções africanas são fracas até hoje, a Colômbia não ganhou porra nenhuma e se a Bélgica chegar é “zebra”.  Não porque é ruim. Mas porque é a Bélgica.

abs,
RicaPerrone

Suécia 1×0 Coréia do Sul

Existe um coreano entre Brasil x Alemanha nas oitavas.  A Suécia é um time conhecido, previsível, mediano e de alguma responsabilidade com a sua participação em Copas.

A Coréia é a zebra. Mas é uma zebra que corre uma barbaridade.  Eu reconheço a evolução do futebol deles nos últimos 20 anos, mas também não ignoro os assaltos que os levaram as semifinais em 2002.

Mas tem um porém.  Neste jogo ficou claro que a Coréia joga por um lance rápido e de pouca criatividade. O próximo adversário do México busca a eficiência enquanto o México debocha dela nos contra-ataques.

O jogo torna-se perigoso na medida em que a Coréia não tem mais nada a perder. O México tem. E com aqueles atacantes deles que brincam de perder gols, não é um cenário difícil imaginar a Coréia que hoje deu trabalho pra Suécia segurar os mexicanos e embolar o grupo.

O pênalti foi. Hoje o VAR quis participar do jogo. Eles ainda escolhem. Vamos torcer pra que escolham pra nós também quando preciso.

abs,
RicaPerrone