Copa do Mundo

Credibilidade

Pra que serve a sua história? Porque e por quem você escolhe entre o certo e o errado?  Pra que tanta preocupação com sua trajetória se ela de nada valer?

Credibilidade é o que a gente ganha ao longo do caminho pra, quando chegar, usarmos os créditos.

Credibilidade é algo que se conquista. Não há outra forma de tê-la se não por méritos.

Esse time do Brasil tem e merece ter a nossa confiança.  São anos jogando em muito alto nível, ganhando todas, exibindo grande futebol e reagindo bem a sair perdendo, ganhando, empatando, na chuva, no seco, na pressão, em casa ou fora.

Não há qualquer argumento que possa descredibilizar o trabalho feito até aqui e nem os 23 escolhidos para nos representarem lá.  Você pode preferir esse ou aquele, mas é inegável que estes, a maneira deles, fizeram você reconhecer que sim, eles merecem nossa confiança e respeito

Resgataram nossa maior bandeira. Foram tirar a seleção do mais humilhante momento dela e nos devolveram favorita à Copa do Mundo. Esse time tem hoje o direito de usar o que acumulou conosco: créditos.

Um jogo ruim lhe dá escolhas. Ou você vaia, ou você empurra. Tem time que  a gente olha de cima e vaia, tem time que a gente olha de baixo e empurra. E tem time que a gente dá a mão e anda do lado.

Você sabe o que esse merece. Não é hora, ainda, de reclamar, menos ainda de validar os insuportáveis seres humanos do “eu avisei”.

Nós é que avisamos! Vai ter hexa! Confia.

abs,
RicaPerrone

Brasil 1×1 Suiça

Provavelmente “assustada” com a dificuldade das protagonistas vencerem na estréia, a seleção brasileira entrou determinada a não ser mais uma delas. Jogou por 25 minutos o que se espera dela. Toques rápidos, pressão, controle absoluto do jogo.

Gol do Coutinho. 1×0.

Ufa! Não vamos tropeçar na estréia. O gol que era um problema se demorasse a sair, saiu.

E então, relaxaram. O Brasil perdeu por completo a vontade de fazer gols. Assistiu a Suiça tentar sem sucesso jogar nos minutos finais do primeiro tempo e ainda assim saiu dele tranquilo, vencendo, sem ser ameaçado.

Gol da Suiça. Irregular, foi falta. O Miranda não perde de cabeça, ele é impedido de subir.  E então o drama que se previa para 90 minutos agora tem 40 pra ser revertido.

Tudo começa a acontecer conforme o pessimista imaginava. Nervosismo, ferrolho dos caras, dificuldade de criar, a bola não entra, e acaba empatado.

O que evitamos aos 20, devolvemos a nós mesmos no segundo tempo. Mais uma vez, como acontece em 95% dos casos, a seleção brasileira sai de campo com um resultado muito atrelado ao psicologico.

É óbvio que somos melhores que a Suiça e o jogo em si mostra isso. Foram 21 chutes contra 5. Mas isso não basta.

Neymar precisa ser mais simples. Ele é cobrado como dono do time, mas não precisa aceitar essa condição em todos os lances. Pode tentar ser em alguns deles. Todos, não.

E a tal ousadia e alegria do time virou nervosismo e cruzamento na medida em que a Suiça se fechou feliz com o resultado.

Vamos classificar e vencer os próximos dois jogos. Não tenho dúvida disso. Mas é preciso jogar 90 minutos, seja qual for o adversário. Isso é Copa do Mundo, e do outro lado haverá sempre um time disposto a dar a vida para ganhar da gente.

abs,
RicaPerrone

México 1×0 Alemanha

O México foi à Copa com um treinador que levou de 7, contestado, brigado com a imprensa, com jogador acusado de envolvimento com trafico, uma polêmica orgia com prostitutas na véspera do embarque e pouco glamour.

A Alemanha é o nerd que senta na primeira fileira. Vai longe, papai se orgulha, mas não chega a ter uma vida divertida pra ostentar. Apenas resultados.

No confronto dos dois é óbvio a qualquer moderno comentarista de futebol que a Alemanha vá ganhar o jogo. Mas o futebol é apaixonante exatamente por isso.  Jesus não garante título aos fiéis, nem é aceitável imaginar que o diabo o faça com os de caráter duvidoso.

A bola entra, não entra, muitas vezes por acaso. Não fosse a burrice individual mexicana, poderia ter sido uma goleada. A quantidade de contra-ataques claros para marcar foi assustadora.

Seguindo a lógica, a partir deste resultado, Brasil x Alemanha se enfrentam nas oitavas.

Eu não tenho medo. Pelo contrário, acho que PRECISAMOS desse jogo. Elimina-los seria a morte de um fantasma, e perder pra eles seria “aceitável” por ser um grande time.

O México nos daria obrigação, favoritismo e pressão. Sem contar a sorte que esses caras tem contra nós.

Vem aqui, Alemanha! A gente tem umas contas pra acertar…

abs,
RicaPerrone

Sérvia 1×0 Costa Rica

Sérvia e Costa Rica deram o recado: o jogo mais importante da seleção é hoje contra a Suiça.  Os dois times tem pouca ousadia, pouca organização tática e quase nenhum padrão ofensivo de jogo.

A Suiça é tranquilamente o melhor do grupo, tirando a gente, claro. O que não significa que será 1×0 na Suiça e 4×0 nas demais. Significa apenas que, em tese, o jogo de hoje deve ser o mais complicado.

A Sérvia é melhor que a Costa Rica. Pouco melhor, mas melhor. E se tivesse um pouco mais de calma e talento teria matado o jogo num contra-ataque.

O que ficou nítido foi exatamente a falta de ambição em marcar o segundo gol. E a falta de decisão da Costa Rica para empatar.

O Brasil deve passar de fase sem dificuldade. Não só pela nossa qualidade mas pelo nível de Sérvia e Costa Rica. Um dos piores jogos da Copa até aqui.

abs,
RicaPerrone

Croácia 2×0 Nigéria

Se a Argentina abriu mal a Copa, pode se preparar porque não será daqui pra frente que a coisa ficará mais fácil. Nigéria sem nada a perder, que é a única condição de perigo que eles apresentam. E a Croácia se mostrando consideravelmente mais organizada.

Se fosse amanhã Croácia e Argentina e eu tivesse que colocar alguns reais, seria na Croácia. E assim sendo, considero a classificação em primeiro da Argentina hoje um risco.

Isso significa enfrentar a França nas oitavas, provavelmente.

Futebol consistente da Croácia, bem articulado e sem sofrer pressão adversária. Poderia até ter sido mais. A Nigéria é ainda um time que entra em campo com pouca noção do que vai fazer com a bola.

Eu até diria que um dia, quando entenderem isso, serão fortes. Mas como ouço isso desde 1986 e não acontece, desisto. Os africanos caminhavam para o protagonismo. Quando o futebol mudou e se tornou mais intenso, pensado, tático e físico do que técnico, voltaram a condição de grande zebra.

Saudades, Okocha, Amokachi e Kanu.

abs,
RicaPerrone

Argentina 1×1 Islândia

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abs,
RicaPerrone

Se vira, Tite!

Meu professor, eu sei que você sabe o que está fazendo como jamais alguém soube nesse cargo.  Já procurei entender os critérios, entendi, mas ainda assim, quero argumentar.

Esses 4 caras da foto (Geromel, Arthur, Luan e Grohe) são os melhores jogadores de suas posições no país há mais de 1 ano. Eles além de boa conduta e ótimo futebol conquistaram títulos importantes, jogaram diversas decisões e se comportaram bem em todas elas.

Eu respeito critérios táticos e técnicos, mas também entendo que é parte do cargo de treinador da seleção valorizar o futebol brasileiro. E portanto dizer para nossos jogadores que estando tão bem aqui quanto um jogador que atua num time mediano na Europa, que ele tem sim a preferência.

Eu jamais pediria o Grohe na vaga do Alisson. Mas do Neto, eu tenho certeza que ele merece estar.

Eu não quero que o Thiago Silva saia da seleção. Mas o Geromel é muito melhor e tem feito muito mais do que o ainda garoto Rodrigo Caio.

O Arthur é caso simples pra mim. Eu sou um grande fã do Fred. Mas quando dois jogadores de alto nível jogam parecido e um deles está no Brasil e outro optou por um clube médio europeu, acho que é SIM papel do treinador da seleção privilegiar o nosso desde que não haja perda técnica. E não haverá.

O Luan, por fim, eu entendo facilmente olhando pro plano tático que ele não se encaixa no time. A função do Luan não existe na seleção. Os dois jogadores que atuam centralizados são quase “volantes”e não meias que fazem o “10” antigo na meia lua adversária sem tanta força de recomposição.

Eu juro que entendo!

Mas o melhor jogador da América, o garoto que entrou no time olímpico e mudou o time trazendo o caneco inédito não teria lugar na seleção de seu pais mesmo como opção EXATAMENTE para mudar o jogo embora não seja o ideal no plano tático original?

Tite, meu ídolo, eu sou desses que discuto até o dia da convocação e naquele momento os torno meus 23 protegidos até o último jogo porque entendo que o jornalismo é um detalhe irrelevante perto de ganhar uma Copa. Entre torcer pra vocês e fazer meu trabalho, eu juro por Deus que prefiro ver o Brasil campeão.

Mas professor… se for seis por meia dúzia, dá pros “nossos”. Diz que “jogar aqui” não é um mau negócio. A gente precisa.

abs,
RicaPerrone

 

Luan e Geromel precisam ir à Copa

Eu nem acho o Thiago Silva tão fundamental assim. Aliás, a história prova ano após ano que sua apurada técnica não basta para ser o que ele almeja.

Acho que ele é melhor que o Geromel se você der a mesma bola na altura do joelho para ambos. O Thiago vai dominar melhor, sim.

Se der a bola nos pés de um rival frente a frente, na velocidade, possivelmente o Thiago roube a bola antes do Geromel.

Mas se você for jogar uma grande partida, fora de casa ou contra um time muito forte, eu também não tenho a menor dúvida em quem confiar mais.

Luan é a mesma coisa. Não deve jogar mais que o Jesus, Coutinho, Firmino, talvez.  Mas se você precisar jogar contra o Boca em Buenos Aires, desses todos o único que vai entrar na área dos caras andando e dar um tapa por cima é o gremista.

“Bandido”.

Não o que comete crimes. O que não tem medo de cara feia. O que adora o desafio. O sujeito que quanto pior, melhor.

Copa do Mundo são 7 jogos, 3 pedreiras, sem jogo de volta. É matar ou morrer. E toda vez que ganhamos isso tivemos em campo ou ao menos no grupo diversos jogadores que se divertiam com o pânico.

Não me interessa quem vai sair. Me interessa saber que teremos na defesa e no ataque os jogadores mais decisivos possível. E que eles não gostem tanto de brilhar no domingo a tarde.

Craque brilha na quarta-feira.

abs,
RicaPerrone

Por esta sim, lamentemos

Outro dia houve comoção e torcida na imprensa brasileira para que nossos rivais, sujos, desonestos historicamente e responsáveis por duas eliminações nossas manipuladas, estivessem na Copa.

Compreensível, embora eu não tenha a mesma vocação pra ser o bobo do colégio.

Hoje a Itália ficou fora da Copa. E agora sim, seja pelos motivos que for, com todos os mil defeitos que cabem ser listados para explicar a fase, a roubalheira, a crise interna e a perda de território dos clubes locais, há motivos para tristeza.

A Copa do Mundo é um torneio de 20 edições onde Brasil, Alemanha e Itália disputam todas elas sendo os favoritos. Em apenas 3 das 20, um deles não foi a final.

Em 1930, Alemanha e Itália não disputaram.  Em 78, onde a Argentina comprou os jogadores do Peru e eliminaram o Brasil forjando uma final entre Holanda e eles.  E recentemente quando Holanda e Espanha fizeram a decisão.

Em todas as demais, lá estavam elas. As três donas da Copa.

Perder a Itália é perder um pedaço da Copa. O nosso grande rival, a partida que decidiu 2 Copas. O jogo que eliminou a maior das nossas seleções.

Hoje é um dia triste pro futebol.  Ao contrário do que seria aquele 10 de outubro, se o Equador tivesse feito o que deveria.

Até 2022, onde fatalmente será uma das 3 favoritas de novo.

abs,
RicaPerrone