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Tite e o prazer em vestir amarelo

Nunca acreditei que os problemas da seleção se limitassem a Dunga e menos ainda a CBF. Esse discurso, pra mim, é vazio e de quem pouco conhece o futebol.

O que mudou?

Além da óbvia melhora técnica de treinador e no relacionamento com os jogadores, mudou o olhar. Não só o deles, mas o nosso. Ao invés de virem pra seleção ser massacrados porque a imprensa não gosta da CBF e do Dunga, eles agora pegam o voo sabendo que estamos esperando por eles e ansiosos pelo jogo.

Jogador do Brasil vinha puto, hoje vem feliz e blindado.

Tite colocou sua marca acima de CBF e o escambau, que é o certo. E pra quem não achava isso, repare quanto jornalista que por ser corintiano, passou a achar por simpatia ao Tite.  Acabou a pancadaria.

Não é mais “Neymar e o resto”. Temos um time, como tínhamos antes e nos recusávamos a aceitar.  São quase os mesmos caras, com a diferença que sorrimos pra eles, eles pra nós e que acima deles enxergamos um aliado e não um inimigo.

A mídia tem um poder massacrante sobre o futebol. E o Tite é o remédio mais eficaz de todos os tempos contra o azedume jornalístico que segue a seleção.  Tite sorri, brinca, da entrevista, é gente boa pra caralho. E isso satisfaz os colegas e conceitua 90% da analise do treinador.

A seleção hoje se diverte. Antes, jogava por obrigação. E essa sim é a maior diferença de todas.

Ou alguém realmente acha que nos jogos anteriores, em 3 treinos, o Tite fez um time que jogava mal e perdia passar a jogar bem e golear?

abs,
RicaPerrone

Fim

Aprendi durante os anos que os fãs do Restart não necessariamente representam os músicos da banda. Onde quero chegar? As pessoas que colocaram Dunga e Gilmar na seleção não são as que mais gostaria de ver no poder, mas isso não me dá margem para fazer da dupla alvo de toda minha ira.

Estamos falando de dois ídolos do futebol brasileiro, um deles o cara que levantou a taça em 94.  Se como treinador não merecia estar ali – e não merecia mesmo – a culpa não é dele em ter sido chamado. Tal qual Gilmar, que embora tenha um trabalho de dificil avaliação de fora, não é também o “manager” que mais merece o cargo.

Meritocracia. Esse é o termo que deve reinar em qualquer lugar que deseja sucesso. Dunga e Gilmar, com todas as qualidades que os credenciam sim a estar por perto, não os credenciam a estar no topo.  Ou seja, podem ser parte. Não manager e treinador.

Dois anos de uma guerra. Não vi um trabalho tão ruim quanto pintado pois a seleção é massacrada todos os dias e com eles lá só piorou.  A CBF não tem uma linha muito inteligente no que diz respeito a sua imagem. Quando conturbada e acusada de tudo que não gostaríamos de ouvir, coloca um treinador com enorme rejeição.  De um lado tira o foco, mas de outro, a médio prazo, deu no que deu.

É a vez de Tite ou Cuca. São os dois treinadores do país que, por MÉRITOS, fazem por merecer o convite nos últimos anos.

Qualquer escolha que fuja disso volta a ser uma questão de relacionamento e não de méritos. Embora ache Jorginho e Roger bons treinadores, não imagino outro convite que não aos dois primeiros que citei.

E se o resultado disso, mesmo que por mal, seja uma nova expectativa, um voto de confiança e uma carga de força à nossa seleção, que seja muito bem vinda.

Quando gostamos de algo e não concordamos com o que está sendo feito dele, não viramos as costas. Brigamos por melhora. Não pelo caos.

Boa sorte aos ídolos Dunga e Gilmar. E a quem vier em seguida.

abs,
RicaPerrone

A compreensível lista de Dunga

A separar antes de qualquer coisa que gostar ou não do Dunga é uma coisa, avaliar suas ações é outra.  Então, um pouco de calma porque essa coisa de massacre de véspera, ou achar que porque não gosto de alguém tudo que ele faz é errado é um dos problemas do país atualmente.

Eu adoraria ganhar a Copa América do centenário. Seria minha prioridade porque acho Olimpíadas um evento que nem deveria ter futebol.

Porque futebol não é esporte? Não. Na verdade é porque o futebol é maior pro mundo que a soma dos outros esportes. Logo, tê-lo ali ofusca quem de fato interessa naquele evento e ainda desmerece o próprio ouro, porque é sub 23 e não os times principais.

Mas tem. E tendo, entendo que o Brasil queira ganhar em casa. Por não ter, por ser aqui, o escambau.

Assim sendo, Dunga chamou um time misto que testa garotos para as Olimpíadas enquanto disputa a Copa América.  Não vai ajuda-lo a se segurar no cargo, mas hoje ficou claro que ele não está nem aí pro cargo.

Convicção. Isso é chave de qualquer sucesso.  Se Dunga convocasse hoje Ganso, Thiago Silva e Marcelo, ele mostraria que não tem certeza do que está fazendo e acabaria ali.  Ao convocar o time olímpico ele não só mostra que tem um objetivo como também se coloca como alvo em caso de uma medalha que não seja ouro no Rio.

Nos últimos anos ganharam as Olímpiadas Nigéria, Camarões com seus times sub-35.  Também México, Argentina, União Soviética, Espanha (92)… ou seja: ninguém que tenha levado algo adiante. É um título que não condiz com o futebol real.

E Dunga sabe que, se ganhar, “não será parâmetro”, e se perder “que vergonha não ganhar esse ouro”. Logo, faça o que acredita até o fim. Porque o fim é óbvio.

A lista:

Goleiros
Alisson (Internacional), Diego Alves (Valencia), Ederson (Benfica)

Zagueiros
Miranda (Internazionale), Gil (Shandong), Marquinhos (PSG), Rodrigo Caio (São Paulo)

Laterais
Daniel Alves (Barcelona), Fillipe Luís (Atlético de Madrid), Fabinho (Monaco), Douglas Santos (Atlético Mineiro)

Meio-de-campo
Luiz Gustavo (Wolfsburg), Elias (Corinthians), Renato Augusto (Beijing), Coutinho (Liverpool), Lucas Lima (Snatos), Willian (Chelsea), Casemiro (Real Madrid), Rafinha (Barcelona), Douglas Costa (Bayern)

Atacantes
Hulk (Zenit), Gabriel (Santos), Ricardo Oliveira (Santos)

abs,
RicaPerrone

#SomosFutebol – #SomosArrogantes

Quando o Brasil te engana com dirigentes ladrões você odeia os dirigentes e os esquemas deles, não o Brasil.  Você briga pelo bem do Brasil, e não porque passou a não gostar mais do país.

A lógica não se aplica a CBF, que é vítima de maus tratos há décadas e que deveríamos tentar salva-la e não enterra-la.  Com toda antipatia tosca criada pela mídia e a campanha anti-treinador mais escrota e cara-de-pau que já vi na vida, as vezes a entidade acerta de forma irrefutável.  E então a omissão é a melhor forma de não reconhecer.

O evento que está acontecendo essa semana na entidade não apenas contribui para o futebol como abre a possibilidade de você, torcedor, entender o que não pode perguntar.  Está ao vivo no site da CBF. Todas as pessoas que passam o ano avaliando futebol podem ouvir, pela primeira vez, a versão de Dunga, Gilmar, a visão do técnico da Itália, do Flu, do dirigente do Tottenham,  assim como tantos outros que ainda virão.

Ao final das palestras, debates. E você? Viu onde isso ser colocado a sua disposição?

Pois então. Será até sexta-feira. Basta ir no site da CBF e acompanhar ao vivo toda essa rara oportunidade de ouvir um profissional do futebol dissertar sobre o tema o mesmo tempo que você gasta conosco, jornalistas, que na real não sabemos grandes coisas.

Dunga falou, Conte falou. Dunga mostrou altíssimo conhecimento dos problemas do futebol brasileiro, e embora seja um treinador não muito conceituado, dá pra ser um profissional bem aproveitado.  Oswaldo Oliveira falou. Deu aula.

Levir, tanta gente.

Entre diversos assuntos e debates nos deparamos com surpresas, despreparo, outros momentos de boas revelações. Mas basicamente notamos o abismo que há entre o que é feito, o que é pensado e o que é passado pro torcedor como verdade absoluta.

Eles enxergam um futebol que nós, mortais, nunca saberemos enxergar. E pior: no alto de nossa arrogância, nem queremos ouvi-los.

Por um momento, entre uma chacota ou outra de um jornalista no local, me perguntei: Será que pode passar pela minha cabeça que eu entenda de futebol ou possa taxar um sujeito como Dunga de “boçal”, como fazem alguns boçais?  Na seleção desde os 15 anos.

Treinador. 3 Copas.  Ídolo. Capitão.  Alvo.  Vilão.

E quem entende de futebol ao ponto de poder opinar com algum desdém sou eu?

É meio constrangedor as vezes chegar perto daquilo que tanto pisoteamos. Porque a CBF é uma empresa que lucra, que tem na sua estrutura um padrão de primeiro mundo, que tem um museu de emocionar qualquer um e que obviamente a mídia nunca fala nele porque é bom.

Tem um passado sombrio, um monte de gente incompetente e também um monte de gente boa tentando trabalhar pra melhorar.

E aí você chega no meio de 20 treinadores com anos de estrada, diversos campeões do mundo, profissionais preparados em marketing, gestão, entre outros e, ao invés de ouvir… debocha.  Ou pior: deturpa o que foi dito pra manchete ser ruim.

Assistam ao vivo amanhã. Não porque vocês devem ou não gostar e concordar com esse ou aquele. Mas pelo mero sintoma de sanidade que indica sua mínima curiosidade em saber o que esses caras pensam sobre o um tema que você jura ser professor embora sequer se aproxime dele.

abs,
RicaPerrone

Sai, Dunga!

É chegada a hora.  Dunga foi colocado numa fogueira do cacete, no pior dos momentos e aceitou. Se você quiser entender isso contra ele, entenda que ele não deveria ter aceitado o cargo que não merecia, embora você também nunca vá recusar uma promoção no seu trabalho se achar o coleguinha melhor que você.

Se quiser, pode também apreciar a coragem do cara em voltar ali após tudo que aconteceu em suas passagens pela seleção. Vitoriosas ou não, sempre muito polêmicas.

Eu vejo no Dunga um sujeito chateado por não ter o reconhecimento que merece. Ele é brasileiro, e portanto deveria já ter se acostumado que aqui, ídolo, só morto.

O que ele representa hoje pra seleção é uma burrice.  Não dele, mas da CBF.  Ela coloca alguém pra fazer a seleção ser mais criticada do que já tem sido desde a Copa, acaba com a imagem de um ídolo desgastando o sujeito ali, enquanto todos nós sabemos que o técnico do Brasil se chama Tite. Simplesmente porque ele MERECEU essa condição.

Dunga é um cara que não sabe ser superficial. Ele vai até o talo no que defende e por isso gera amor e ódio. Sou desses, entendo ele.

Mas hoje, essa relação é ruim pra seleção, pro Dunga, pra CBF e pro futebol brasileiro.

A Globo faz a campanha velada mais explícita da história contra o treinador.  O povo engole resultado e nada mais. Os resultados não são bons.  A CBF precisa de simpatia popular. E a seleção de alguém que dê não apenas qualidade como também unanimidade em algumas direções.

Sai, Dunga! Sai dessa! É fria. Se a CBF não tem culhão de trocar, saia você porque não tem nenhuma necessidade disso tudo.  Não tem ninguém ganhando.

É uma corrente pra baixo. Perde-se um ídolo, uma identidade, jogos, credibilidade e torcedores.  Na seleção, hoje, perdem todos.

abs,
RicaPerrone

Corrigir ou aceitar?

Assim somos.  Desde o primeiro coco que rolou numa praia qualquer, o brasileiro reage emocionalmente de forma muito decisiva. Em qualquer aspecto, em qualquer ocasião.  O brasileiro coloca a emoção acima de tudo, é nosso jeito de ser.

Jeito esse que conquista, cativa, nos faz péssimos favoritos, insuportáveis azarões. A idéia de “contra tudo e todos” ainda é o melhor discurso motivacional do país. O conceito de favoritismo não é bem aceito por nenhum brasileiro.

Ontem o Brasil fez um grande primeiro tempo contra o Uruguai. Compacto, atacando com 10 jogadores, sem posição fixa, movimentação, liberdade criativa…. tudo como queríamos.  2×0.  É baile!

O Uruguai empata numa bobeira nossa e então tudo se reverte. Nosso time parece travar os pés na grama. David Luiz parece não conseguir conviver com o 7×1 e se divide em dois jogadores. Um, que até Brasil x Alemanha ninguém lembra mas era eleito “o melhor jogador da Copa” até então, e outro, após o 7×1, que se perde em lances absolutamente simples pra um jogador de seu nível.

E então o time trava, não corre mais riscos, todos tentam o lance salvador sozinhos, as jogadas não são mais naturais e os sorriso dão espaço a cara de pânico, aos pontapés e cartões idiotas.

O Brasil nunca conseguiu controlar suas emoções em campo. Este sempre foi o grande espaço encontrado pelo mundo para nos vencer. Após o 7×1, onde em 5 minutos conseguimos ter a maior crise de pânico da história do futebol e tomar 4 gols, nosso peso é ainda maior.

A seleção não é exatamente um problema. Mas talvez reflexo dele. Somos pouco auto-confiantes, exigimos de nós mesmos o melhor sempre, mas nos julgamos incapazes.  Somos o único vira-lata do mundo que nunca se compara ao cachorro ao lado, mas sim ao da mais elegante madame do bairro, exatamente para termos mais argumentos para nos menosprezarmos.

A seleção brasileira é bem brasileira. E por isso eu não sei se torço pra ela se ajeitar ou se pra chegar em 2018 sendo uma piada, um azarão de luxo.  O que aliás aconteceu algumas vezes, e em todas elas nós saímos campeões do mundo.

abs,
RicaPerrone

Dunga e o grupo

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Dunga é gaúcho, um sujeito duro, firme em suas convicções e gostem dele ou não, sua filosofia é essa. Se querem mudar o conceito, mudem o treinador, não tentem mudar o Dunga.

Dentro de suas certezas está e sempre esteve o grupo. Dunga não convoca jogadores que podem causar desconforto ao vestiário porque ele acredita que isso seja enorme parte do sucesso.

A lista é bem coerente com as anteriores. As polêmicas são também previsíveis.

Marcelo: Tá machucado.

Thiago Silva: Não satisfeito em jogar bola pra cacete, não consegue ficar 2 semanas sem dar uma entrevista que o coloque em situação desconfortável com o grupo da seleção.  Ele se boicota. Eu também não chamaria até que ele parasse de expor o grupo da seleção da forma que tem feito.  Acho o melhor zagueiro do mundo, mas…  Ele não pode contestar a tarja de capitão de um grupo pra imprensa e não internamente, por exemplo.

Jefferson:  Apesar de um grande goleiro e incontestável no que faz, Jefferson também tem personalidade forte e não é um cara tão fácil assim de lidar. Ele não é unanime nem no grupo do Botafogo como todo capitão de personalidade não é.  Logo, não é um absurdo imaginar que ele tenha feito algo que gerou um desgaste de relacionamento. Sua não convocação não é técnica.

As pessoas que acham que “não ser unanime” significa ser odiado pelo grupo precisam aprender a ler. Não ser unanime é não ser 100% bem aceito por todos.  O que a maioria das pessoas com um pingo de personalidade não são.  Pra se ter idéia, no meu programa “Cara a Tapa” eu editei a pedido do entrevistado uma nota “2” pro Jefferson.  O que não me faz achar nada sobre ele, mas apenas constatar que é um sujeito de posição firme e que isso pode cair bem ou mal. Acho sua não convocação resultado dele ter reclamado da sua saida do time titular na mídia.

Mas só acho.

Jonas: Não acompanho campeonato portugues. Não posso opinar! #SomosTodosGloriaPires

Kaká: Não entendo bem a convocação dele. Deve ser o mesmo critério de Thiago e Jefferson: o grupo.  Bola ele não joga pra isso há algum tempo, embora tenha tido um bom momento no SPFC antes de ir pro Orlando City, onde perde-se a referencia.

Hulk: Está jogando muito.  Mas é o Hulk, logo, no primeiro gol perdido, levará toda a porrada sozinho.  É uma convocação ousada.

R. Oliveira: Esse tem que ir se estiver num momento muito especial. Pela idade e falta de perspectiva, só se for fundamental. Hoje, não é. Mas tem outro?

abs,
RicaPerrone

 

Quando gols são detalhes

Uma vez o Parreira disse isso e paga pela frase até hoje.  Mas após 200 anos acho que vi um jogo da seleção onde de fato os gols foram meros detalhes.

Não se esperava uma seleção bem em campo ainda, e não tivemos.  Nem mesmo algo além de uma jogada estonteante de Neymar, que quase aconteceu numa bicicleta.

O que queríamos ver era a vitória e alguma evolução. Pois vimos.

Mas nada disso foi mais relevante aos olhos do torcedor do que as lágrimas dos olhos do Renato Augusto.

Fiquei impressionado com a quantidade de amigos que se empolgou com a imagem. Como se aquilo representasse um resgate, uma esperança ou talvez uma forma de nos aproximar a seleção novamente.

Nós queríamos gols, belos lances, mas Renato nos deu algo que nem nós esperávamos.  A sua reação ao marcar o segundo gol do Brasil foi a reação que nós sentimos saudades, que nos faz amar a seleção e esperar muito dela.

As lágrimas de Renato foram mais importantes que os 3 pontos, a boa atuação de Douglas Costa e a segurança de Alisson.

Um choro de um dos nossos, que joga aqui, no popular Corinthians, e que ainda se importa em ir até lá e vestir essa camisa.  Talvez o segredo seja a criação indivudual do rapaz. Talvez tenha uma dose de envolvimento por estar aqui.

Seja lá como for, multipliquem! Encontrem Renatos e os convoquem. Porque se não podem nos dar um show como antigamente, nos dêem ao menos a idéia de que se importam.

Aqui, no fundo, por mais que as cornetas virtuais sejam enormes, nós ainda nos importamos e muito com a seleção.

Que golaço, Renato!

abs,
RicaPerrone

Triste

Eu não tenho outro termo pra definir a seleção.  É “triste”. Nada mais.

Triste de ver como atua, mais triste ainda ver o quanto ela não confia em si mesma.

Triste em campo, triste no andar, na hora de reclamar ou vibrar.

Tristes.

Jogadores, comissão, tudo parece que está ali por obrigação e no único dever de “calar a boca” de alguém.  Há ódio, raiva, vingança, cobrança, mas sobretudo, tristeza.

Seleção que entrou em campo hoje pra “não perder”. E só quando perdia, jogou pra ganhar.  Porque claramente o medo de perder é hoje muito maior do que a vontade de ganhar.

Riscos são parte de um futebol atrevido que se diferenciou por isso. Riscos é o que menos corremos.  Somos pragmáticos, óbvios, tristes.

O povo devolve o que a seleção nos dá, e a seleção se porta como é cobrada. Falta carinho de ambos os lados.  Ninguém mais chega aqui tocando pandeiro.  Parece que vem porque são obrigados a vir.

Tolerar o insuportável dever de ter que pagar por erros de dirigentes, amargura jornalistica e um 7×1 que virou paixão nacional dos azedos. Até que ganhem 45 jogos seguidos, 2 copas e, enfim, tenham “sido aceitaveis”.

Porque desde que o mundo é mundo a seleção brasileira nunca está bem. Sempre lhe cabe mais e há sempre um ou dois absurdos no time, outros fora dele.  Imagine agora, onde de fato a seleção vai mal.

“Falta treinador!”, dizem os especialistas na deliciosa função de eterna pedra.  Mas ninguém é culpado de nada sozinho, e embora desde 1950 tentemos achar num cara a culpa por todos os problemas do futebol, continuamos sem notar que somos parte dele.

Fomos NÓS que exaltamos o Muricybol. Fomos nós que trocamos qualquer coisa por 1×0 de bola parada em troca de ganhar ou ganhar.  Agora é “atraso tático”?

Aplaudimos quem ganha sem analisar como ganha. Vaiamos quem perde sem saber porque perderam. E somos, torcida, time, cbf, imprensa, a mais confusa relação de paixão pela mesma camisa que se auto-destrói dia após dia por não termos uma direção.

Jogar na seleção virou uma honra triste. Você vai, mas não pode sorrir. Porque afinal, você é brasileiro, então tá rindo de que?

Como se soubessemos fazer algo dar certo sem sorrir, gingar, brincar e ousar.

abs,
RicaPerrone

O maior gol da Argentina em todos os tempos

Eu tenho 37 anos, acompanho futebol há 37 e 9 meses.  Eu não me lembro de ter ouvido um grito de gol da Argentina narrado pelo ótimo Galvão Bueno.

O que a Globo está fazendo, e talvez não seja algo da emissora e sim de uma duzia de pessoas, não me parece justo.  E longe de “defender” o Dunga, que também acho que não é o ideal pro cargo, uma coisa é se posicionar a outra é manipular.

Eu não gosto do Muricy. Ponto. Tá dito.

Eu prefiro o Tite e o Cuca ao Dunga. Tá claro, em palavras, como deve ser.

Mas esse joguinho velado que faz até a tradicional paixão do Galvão pela seleção e “birra” com a Argentina mudar de lado não tem sentido, é covarde, não vai levar a lugar nenhum.

Ninguém ali diz: “Não gosto do Dunga e quero ele fora”. Todos fazem um show de que “não tem nada contra” e detonam tudo e todos os 90 minutos, até chegar ao incomum momento em que Galvão Bueno, repito, meu ídolo, narrou seu primeiro gol da Argentina sobre o Brasil.

Esqueça o Dunga.  É justo esse massacre velado?

Porque não pode dizer “Não gosto do Dunga e prefiro ele fora”? Não seria mais honesto e transparente do que jogar contra a seleção por discordar de um nome?

A seleção da Argentina nunca foi tão exaltada e bem tratada na história deste confronto como hoje. Cada chance de gol do Brasil só faltava subir um aviso: “A Argentina está desfalcada”.  E no gol deles, pela primeira vez, o grito de gol do Galvão.

Uma coisa é não concordar/gostar do Dunga. Outra é usar o que temos enquanto imprensa para veladamente jogar contra alguém.

A seleção hoje joga suficientemente mal pra isso. Não precisa de nenhum empurrão de fora, muito menos os que fingem ser um tapinha nas costas.

abs,
RicaPerrone