firmino

É muito melhor

O Galvão tem razão. É muito melhor contra eles. É diferente. Temos apenas nesse jogo a sensação de ganhar de um rival com a seleção.

Por mais que Itália e Alemanha sejam consideravelmente maiores que a Argentina, a gente não se odeia. A gente se respeita.

Por mais que seja o Uruguai que nos calou em 50, a gente não se odeia. É uma vontade de ganhar desportiva.

Contra eles parece que mesmo quem “pouco se importa”, se importa.

Jogando bem, jogando mal, de 1×0 ou goleada. Não tem a menor importância. É um raro momento onde o clubista assume a camisa da seleção, ignora análises e quer apenas vencer. Basta.

Aquele “meio a zero tá ótimo” que nunca serviu pra seleção e é mantra no clube, enfim, pode ser unificado. E é só neste jogo, porque domingo é preciso ganhar e jogar bem.

Hoje, não. Bastava ganhar “deles”.

Feito, como sempre. Quando não há nada de “estranho”, o resultado é quase sempre o mesmo.

Lá se vão 26 anos de fila, uma insistência tosca de boa parte da imprensa brasileira em querer coloca-los onde não merecem e, pasmem, até virar casaca.

Nada muda.

Nós na final, eles em casa. Nós discutindo se poderíamos jogar mais, eles explicando como podem não jogar nada.

Se domingo formos campeões, será bom. Mas nem mesmo o título será melhor do que hoje.

Como diria o Galvão, ganhar é bom. Ganhar da Argentina é muito melhor.

E é mesmo.

RicaPerrone

Hoje, não!

O discurso fácil é o de “contra o Paraguai com um a menos é obrigação”. Ok, mas quem de fato acompanha futebol sabe que as coisas não são mais assim. E que se um time se propõe a não jogar, dificilmente tem jogo.

Se uma das 24 bolas chutadas por nós entra, golearíamos em seguida. Enquanto não entrasse eles iam praticar o anti jogo escroto porém legítimo.

Uma coisa é não merecer. A outra é não conseguir. O futebol é um esporte que não tem lógica e quando isso se constata contra nós também tem que valer. Merecemos vencer e bem. Um 5×0 hoje tava justificado.  Mas não entrou.

Arrebentar a seleção por esse 0x0 e avaliar os mesmos 90 minutos com euforia caso 3 bolas entrassem é o que DEVERIA diferenciar torcedor e analista. A seleção jogou bem. Jogou MUITO melhor que o adversário, mereceu a vitória e saiu com ela.

Críticas? Tenho. O William e o Paquetá são respectivamente “ponta direita” e meia. O Jesus e o Coutinho não são. Se é pra levar pra seleção é pra usar.

Tite adapta o time a sua idéia e não suas idéias ao material que tem.

Tá bom? Ainda não. Ruim? Longe disso. A seleção é a melhor da Copa América, a que mais ataca, a que menos sofre na defesa, a que mais tem posse, a que mais dribla, a que mais finaliza, etc, etc, etc. Todos os números, e também o volume de jogo, são claros ao mostrar bom desempenho.

Dessa vez, embora eu discorde muito do que o Tite vem fazendo em alguns casos, o Brasil vem de 3 bons jogos na Copa América e merece a classificação.

Corremos. Tentamos. Criamos. Não nos omitimos do jogo.

O que falta? Adivinha… “o cara”. E se não tem, não tem.

RicaPerrone

É o capuz!

Agora ficou tudo claro. O capuz do Firmino é um dos problemas da nossa seleção.

Eu fico constrangido com algumas discussões. A gente da uma zapeada no controle remoto e vê os mesmos caras de 1960 comentando futebol pedindo renovação.  A gente fala em profissionalismo, tenta “ir a fundo” nos problemas do futebol brasileiro e aí você se depara com uma segunda-feira que discute o capuz do Firmino.

Eu não sou burro, eu entendi o que o Capita quis dizer. Mas honestamente…  E se tivesse sido campeão? Alguém realmente se importa ou se acha no direito de julgar o quanto a preocupação com a imagem dos meninos tira o foco num jogo?

O Neymar é cheio de estilo. Joga pra caralho.  O Romário adorava a noite. Jogava pra caralho. Os melhores jogadores que eu vi adoravam tomar uma e virar a madrugada.

E daí? Porque chegavam de terno eram mais ou menos focados?

Pode-se contestar o capuz. Eu entendo. O que não me parece razoável é que esse seja o tema principal numa segunda-feira pós uma eliminação.

Tá cheio de gente que num discurso diz que o futebol brasileiro perdeu a identidade e no minuto seguinte está falando bosta sobre Mourinho, Guardiola, metodologia europeia e o caralho a quatro.  Que porra de identidade é essa que se busca tudo fora?

É um circo cheio de palhaços fazendo graça e um monte de gente assistindo batendo palmas.  A discussão é vazia, a mídia não sabe NADA de futebol, são raríssimos os caras que se dão o trabalho de ir lá conversar sem buscar um furo mas sim entender como funciona.

Para quem fala parece sempre tudo fácil. Todo mundo tem a solução de tudo.

Mas hoje é o capuz. Na Olimpíada será a tatuagem nova do fulano.  Na Copa, se perder, o fone de ouvido.  E se ganhar, foda-se!  Ou não foi assim que a mesma mídia que hoje corneta fez enquanto Muricy fazia o anti-futebol e era endeusado por resultado por exemplo?

abs,
RicaPerrone

Hum… não!

Eu sou o cara mais esforçado neste país para acreditar na seleção, convenhamos!  E acredito, sempre.  Mas se já sai do jogo com a Colômbia preocupado, hoje fiquei ainda mais.

Na minha cabeça, mesmo que a seleção tenha feito um jogo razoável e tido o domínio da partida até o Dunga surtar e encher o time de zagueiro, eu esperava outra coisa.

Eu imagino aquela concentração e se eu tô no grupo uso toda a onda “Neymar e mais dez” a meu favor. Faço o time entrar querendo dar a goleada do ano!

E não. Os caras entraram, fizeram o gol, voltaram, buscaram contra-ataques, nada muito efetivo.

Quando resolvido com 2×0, recuou o time pra não tomar e quase tomou dois.

Como explicar? Eu senti falta de personalidade. De novo.

Talvez eu seja exigente demais com isso por eu ter uma personalidade muito forte de quem não liga de ir pro risco e se desgasta por exageros. Talvez por isso eu goste tanto do David Luiz.  Mas eu, hoje, naquele time, iria pra cima fazer a atuação do século e deixar a mídia toda com cara de bunda por achar que “só tem Neymar” ali.

E não. O que vimos é que, de fato, muito acima da curva só ele mesmo.  Coutinho não jogou nada, o Robinho foi bem, mas faltou volume, ímpeto ofensivo, causar medo, ser o gigante.

Sei lá quanto o 7×1 mexe com os caras e impede que eles corram riscos. Mas a seleção ainda não me parece livre daquele jogo. É muito cuidado em não tomar gol pra um time que sempre gerou pânico em adversários.

Tá faltando medo no rosto dos adversários. Algo que só nossa atitude pode causar.

abs,
RicaPerrone

Coerente e previsível

Dunga não é o perfil do treinador que inventa um nome bombástico 2 dias antes da lista final. Pelo menos até hoje não foi. E mais uma vez foi coerente com suas convocações anteriores, manteve todos os convocados e o grupo que formou.

É bom? É. É o que tem.

Faltam protagonistas. Isso me incomoda. Mas aí não é culpa dele, é o momento. Num futebol onde cada vez mais importa o coletivo nós temos que readaptar a mentalidade e cultura de um povo até equilibrarmos isso. Leva tempo.

Destes todos, acho que Robinho, Neymar, Elias  e Coutinho são protagonistas em times grandes. O restante ou joga em time menor ou joga em grande sem o papel de destaque.

No time que eu imagino em campo, Robinho e Neymar atuam de titulares. Elias, idem.

Cabe um Fred ali? Por mérito, cabe. Artilheiro de tudo que disputou desde a Copa. Aliás, assim como costumava fazer antes dela. Mas tirar o Tardelli, que vem bem na seleção, também seria sacanagem. Então segue o jogo.

É time de transição. Safra mediana, longe de ter cara de Brasil. Mas o futebol não é mais técnico, não privilegia mais a qualidade e menos ainda a individualidade. Vamos ter que nos adaptar a um novo conceito de seleção, buscando grupo e não mais 23 nomes incríveis fazendo o torcedor sonhar com um futebol de 1982/1970.

Dá pra ser campeão. Aliás, onde não há Alemanha e Itália, o Brasil é sempre favorito.

Goleiros: Jefferson (Botafogo), Diego Alves (Valencia) e Marcelo Grohe (Grêmio);
Zagueiros: David Luiz, Marquinhos, Thiago Silva (Paris Saint-Germain) e Miranda (Atlético de Madrid);
Laterais: Marcelo (Real Madrid), Filipe Luís (Chelsea), Danilo (Porto) e Fabinho (Monaco);
Volantes: Luiz Gustavo (Wolfsburg), Fernandinho (Manchester City), Elias (Corinthians) e Casemiro (Porto);
Meias: Everton Ribeiro (Al Ahli-EMI), Douglas Costa (Shakhtar Donetsk), Willian (Chelsea) e Philippe Coutinho (Liverpool);
Atacantes: Neymar (Barcelona), Diego Tardelli (Shandong Luneng), Robinho (Santos) e Roberto Firmino (Hoffenheim).

abs,
RicaPerrone

Fora Dunga!

Dunga deveria ser demitido da seleção.

Seu time joga por resultado, ele não tem grande experiência como treinador, em 2010 “perdeu a Copa” e isso tudo resume o que devemos saber sobre o assunto.

Para a mídia esportiva brasileira, seleção tem que vencer. E quando vence, “tem que dar show”. E quando dá, “tem que vencer”.

Ninguém, nem Espanha e Alemanha, últimas campeãs do mundo, dá show. As duas passaram por contagens mínimas e prorrogações inclusive contra pequenos. Mas venceu, é o que importa.

Importa pros outros. Aqui, nada presta.

Onde já se viu um treinador sem passado assumir uma seleção brasileira?  Por isso estamos em crise, afinal, não seguimos o modelo alemão! Que começou, diga-se, com Klinsmann….  Ops.

E então, mesmo perdendo, é preciso dar sequência! Por isso que Dunga caiu em 2010, onde fez ótima campanha em 4 anos e uma boa Copa até os 10 do segundo tempo contra a Holanda.

Mas o que importa é vencer.

E então ele volta. Só vence, e então o que realmente importa é vencer e convencer. Desde que nos convença que é possível não vencer convencendo.

Ou desista. Porque estamos sempre lidando com uma paixão encubada pela seleção onde todos querem algo e fazem questão de dizer “nem se importar tanto “.

Nós adoramos a seleção. Quando ela ganha, é claro.

Fora Dunga! Você não pode calar nossa boca e nos deixar sem ter do que reclamar!

abs,
RicaPerrone

O combustível 7×1

Na minha cabeça os “7×1” nunca representaram nada além de um jogo muito ruim, uma tarde onde tudo deu errado e um desequilibrio emocional enorme de um time pressionado como nenhum time havia sido em todos os tempos.

Na cabeça de outros tantos, 19 jogadores que atuam na Europa e um treinador que acaba de passar 10 anos lá representam “os problemas do futebol brasileiro”. Eu, honestamente, não vejo nessa ligação nada além de oportunismo, sensacionalismo e superficialidade.

Mas começo a dar valor pros “7×1”.

Porque se ele será o argumento motivador que fará da seleção um time disposto a vencer, vencer e vencer para provar pro mundo que aquilo foi uma aberração, então que seja.

Esse time, que não perdia antes dos 7×1 e depois dele voltou a ganhar de tudo mundo, é insistentemente (e burramente) avaliado pelo dia ruim, nunca pelos outros 500 dias bons. Mas é Brasil, e é natural por aqui a paixão pelo fracasso.

Hoje, contra a França lá na casa deles, 3×1. Futebol melhor, posse de bola, toques rápidos, time compacto e competitivo ao extremo.

Estamos formando um novo time, tentando convencer quem não tem grande noção da realidade que aquilo foi um fato isolado. Mas estamos usando os “7×1” a nosso favor.

E se for este o combustível pro hexa, então que se repita todo dia pelos próximos 4 anos a frase mais mongolóide do país desde julho de 2014: “Gol da Alemanha!”.

abs,
RicaPerrone

O time que “quase” não perdeu em 2014

Acabou o  ano mais esperado, frustrante e inesquecível da história da nossa seleção.  Entramos favoritos, chegamos favoritos, perdemos como um time de juniores, retomamos rapidamente e ganhamos todos os jogos, inclusive dos vice campeões do mundo que jogaram menos do que nós a Copa toda.

Com caras novas, mais de meio time da Copa e um esquema tático idêntico, o Brasil prova que houve um descontrole emocional na Copa do Mundo muito acima de qualquer questão técnica e tática.

Era isso, com o Oscar e o Hulk trocando. Hoje troca com William, mas não mudou a formação, menos ainda o desenho do time.

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Mudam algumas peças e na verdade o que temos em campo é um time menos pesado, com muito menos pressão e com o controle emocional do que deve fazer.

Tem uma mudança na compactação da defesa com o meio, mas num geral é o time da Copa. Os resultados pré-Copa.

O 7×1, que foi um surto emocional após o segundo gol, para muita gente é reflexo disso ou daquilo. Bobagem.  Um time com 19 “europeus” e um treinador há 10 anos atuando lá não reflete porra nenhuma do que é feito aqui em nosso futebol.

Foi um apagão. Não haverá outro.

Bola pra frente. E de preferência no Neymar.

abs,
RicaPerrone

Tá fácil “chegar lá”

Eu não tenho nem avaliação pra fazer sobre o Firmino e o Talisca. E isso me dá alguma desconfiança, já que pra ser um  jogador de seleção brasileira, na minha cabeça, o cara deve ser pouco contestável.

Talvez eu esteja falando dos novos craques do time. E que fique claro, não os conheço.  Mas me preocupa muito que 15 jogos no campeonato Português seja o suficiente para estar no time mais cobiçado do mundo.

Me preocupa que o Firmino jogue num time de merda da Alemanha e que chegue a seleção brasileira por ele. Tal qual o goleiro da Fiorentina, outro time meia boca que não deve exportar ninguém pra seleção brasileira.

– Então pra você jogador pra ir pra seleção tem jogar em time grande?

Sim. É parte do processo provar que pode.  Quantos caras você viu brilharem na Portuguesa e sumirem fora dela? Quantos na Ponte Preta? É diferente ser “bom” num time pequeno . Pra aparecer num grande tem que ser “muito bom”, e é isso que a seleção busca.

O Talisca pode ir do Benfica a seleção. É time grande. Mas em 15 jogos?

É isso que o jogador precisa na carreira agora pra chegar a mais cobiçada posição que um jogador pode chegar?

Acho pouco, como achava um equívoco em 2010 considerar Neymar e Ganso as soluções da Copa por 1 paulistão  bem jogado.  Tá fácil. Tá tudo muito na mão e quando se tem muito fácil se dá menos valor.

A camisa da seleção tem que ser um prêmio, não uma aposta.

abs,
RicaPerrone