Holanda

O exemplo do futebol argentino

O que aprendemos com a derrota do Brasil para a Alemanha? Segundo especialistas, ela representa um futebol mal administrado, tecnicamente pobre, covarde em campo, de má qualidade tática e com um treinador ultrapassado.

Representa a roubalheira dos dirigentes, a incompetência da CBF e até mesmo a dependência de um só jogador.

Isso tudo veio a tona com uma derrota numa pane de 6 minutos. Justíssimo, nenhum 7×1 pode “não dizer nada”.  Até porque, sabemos, estamos muito atrasados em relação ao futebol europeu. E por isso perdemos.

Mas hoje, 24h depois, descubro que pela lógica e coerência mínima do que dizemos como papagaios, o futebol argentino merece ser exaltado.

Um time que joga pra frente, futebol alegre, toque de bola rápido.  Dentro das características do seu futebol.

Moderno, bem adaptado ao novo estilo jogado na Europa, com um treinador conceituado, experiente e ao mesmo tempo moderno.  A AFA, que é a CBF deles, um exemplo de organização e calendário.  Dirigentes honestos, acima de qualquer suspeita.

Seus jogadores não jogam todos na Europa, tem identificação com os clubes e os torcedores. Fazem poucos amistosos fora, jogam sempre em casa e é absolutamente comum vê-los em finais e conquistando títulos.

Esse futebol que não está falido, que não paga 5x menos que os vizinhos que tomam de 7 ao maior salário de sua liga, merecem estar na final e ter tudo isso exaltado.

Afinal de contas, senhores, eles ganharam. Mesmo há 28 anos sem vencer um grande adversário em Copas, mera bobagem.

Hoje, meus caros, temos que reconhecer: o futebol argentino vive grande fase!

Afinal, o que vale é o placar do último jogo e nada mais. Que aliás…. foi 0x0.

abs,
RicaPerrone

Esse burro genial

Van Gaal é um gênio.

Trocou um goleiro aos 119 minutos de jogo para que seu terceiro goleiro fosse pegar os pênaltis mais importantes da sua seleção nos últimos 4 anos.

Se o Krul não pega, Van Gaal estaria demitido, humilhado, condenado, inclusive por mim, que jamais faria isso com meu titular.

Futebol, como comprova Felipão em sua existência, é uma arte muito mais voltada pra confiança do que pra tática. Muito mais pra grupo e motivação do que meramente um 442 bem treinado.

Felipão jamais tiraria seu goleiro no final de uma prorrogação. E repito: nem eu.

Van Gaal tirou, deu sorte, ou teve todos os méritos do mundo por saber que tinha no banco uma carta pra vencer o jogo. Mas o genial treinador holandês passou a centímetros da burrice.

E sabe, discordando dele, achando um absurdo o que ele fez, passei a respeitá-lo.

Não porque acho que ele tenha razão. Nem porque deu certo. Mas porque ele correu o risco pra tentar ganhar um jogo.  E se é de riscos que o futebol precisa, é de se aceitar a atitude de Van Gaal e não de condenar.

A Costa Rica fez muito mais do que podia fazer. Mas o seu não futebol absolutamente justificável pela camisa que veste diante da que a enfrentava, não pode ser mais premiada que a ousadia de quem arrisca tudo num time grande pra tentar vencer.

Perder na Costa Rica é uma coisa. Correr o risco de assumir a derrota de uma Holanda, ainda mais pra uma Costa Rica, é outra.

Van Gaal ganhou mais do que o jogo hoje.

abs,
RicaPerrone

Os oito

Oito classificados para as quartas de final. Curiosamente os primeiros de seus grupos na fase inicial.

Comparei os números totais dos jogos de oitavas de cada um deles, claro que ponderando que alguns foram a prorrogação, outros não. Ainda assim, dá pra tirar alguma coisa.

Se não der, adicionei o mapa de calor dos times em suas partidas nas oitavas.  Todos dados exclusivos da OptaSports.

Mapas de calor:

Reconsiderando atuações

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Quando terminou o Brasil x México eu não entendi bem o que o Felipão queria dizer com “evolução”. Pra mim o time havia jogado mal e mesmo sob os milagres do goleiro adversário, tínhamos que ter feito mais do que aquilo.

Essa maldita mentalidade de achar que jogamos contra cones nos trai o tempo todo. Foi preciso a Holanda, até então “o time da copa”, quase perder e ser dominada pelo México para entendermos que não empatamos com um bêbado.

Na real, deixamos de sofrer 90% dos sustos que a Holanda sofreu. E se foi isso que Felipão teve como meta, em troca de achar um gol na frente, conseguiu. A bola não entrou por detalhe, a deles, por falta de chances.

A Holanda tem uma coisa que me agrada muito. Ela perde, perde, perde e não muda seu jeito de jogar. Isso é personalidade, o que aliás nos faltou quando “vendemos” nossa alma pro 1×0 de bola parada desde agosto de 1982.

O futebol corrige ao longo do tempo todas as injustiças que comete. E não são poucas.

A maior delas, no entanto, ainda está pra ser corrigida. Talvez seja agora, talvez mais pra frente. Mas a Holanda é o maior time do mundo que não ganha nada.

É maior que Uruguai, Inglaterra, França, Espanha e Argentina. Toda Copa revela jogadores, tem seleções marcantes e não consegue o “maldito” título por detalhes do futebol.

Torço pra Holanda pela dignidade de saber que caso não possamos sair desta Copa com a taça, que ela vá pra quem merece e de fato joga futebol.

O México criou uma seleção de futebol com a única intenção de encher o saco da seleção brasileira. E faz muito bem o que se propôs.

Já tá feito. Pode voltar pra casa.

abs,
RicaPerrone

Tudo no lugar (Holanda 5×1 Espanha)

Fifa.com

Fifa.com

A Holanda é o maior time do mundo que nunca ganhou nada.  Entre as seleções, estaria facilmente to top 5 não fossem os títulos que deixou de conquistar.

A seleção que perde por correr riscos, que joga futebol e que desde que me entendo por gente usa os “pontas” abertos sem se render a uma grande novidade tática mundial.

Personalidade. Assim se ganha mais do que campeonatos, mas “respeito”.

O placar desta sexta-feira é exagerado, sem dúvida. Mas de forma alguma uma zebra.  Zebra aconteceu nas últimas duas Euros e na última Copa, quando a seleção de nenhuma tradição e impacto no futebol mundial achou uma geração e fez dela um surto de conquistas.

Nada contra a Espanha, mas as coisas precisam voltar pro lugar.

A grande é a Holanda, a “surpresa”, a Espanha.

Sua condição histórica é de brigar com o Chile pela segunda posição. Nada muito diferente do que se desenha até aqui.

A novidade no blog é o quadro de posicionamento estatístico que fixa de forma indiscutível onde cada um jogou de fato durante os 90 minutos.

Dados da Opta, fornecedora de estatísticas dos maiores clubes do mundo, exclusivo no blog durante esta Copa do Mundo.

Confira:

abs,
RicaPerrone