jesus

Gostamos

Gostamos de decisões.

Gostamos que os astros façam os gols decisivos e para que sejam decisivos tem que haver uma decisão.

Gostamos de rojões no hotel do adversário, dos sinalizadores em volta do estádio na chegada dos times, da casa cheia e do cheiro de final.

Gostamos de falar que tem cheiro de final porque só alguns profissionais do ramo “sofredor” tem o poder de identifica-lo.

Gostamos de gols bonitos, de dribles humilhantes e de jogadores que sentem o jogo e reagem a ele.

Gostamos de Jesus chamando alguém de “cuzão” ao vivo na TV.  Não porque é certo ou errado, mas porque é o que nós faríamos. E se faríamos, gostamos.

Gostamos do olé no final, da falta de objetividade quando já resolvido e da desculpa escrota de que “só segurei a bola” quando todos sabem que era pra humilhar o adversário.

Gostamos de redes soltas que ficam com a bola. De estádios que nos permitem ficar em pé e de gandulas que seguram a bola quando necessário.

Gostamos de empurra-empurra, de jogo corrido, de chamar o craque “deles” de viado.  Não somos homofóbicos, apenas gostamos disso.

Gostamos de reclamar do juiz. Gostamos da fila pra entrar, do perrengue pra sentar e da correria pra sair rápido pra não ficar no transito.

Gostamos de abraçar quem não conhecemos. Gostamos de perder nosso status social por duas horas e nos transformarmos em parte de uma massa.

Gostamos de achar que o repórter torce contra, que o comentarista não sabe nada e que o juiz estava claramente contra nós.

Gostamos de sofrer. Gostamos de vencer e gostamos de perder. Sim, gostamos! Tem seu valor aquela noite mal dormida pelo time do coração que um dia lhe servirá de argumento numa mesa de bar para medir sua paixão e fazer inveja aos seus iguais.

 

 

Gostamos de passar horas falando “aquela bola… se ele toca mais pro lado…”, como se pudessemos refazer o lance.

Gostamos de demorar a pegar no sono agitados com o jogo que acabou agora.

Gostamos de escrever sobre isso. Gostamos de ler sobre isso. Gostamos de saber que nossa semana não se resume mas poderia ser só isso.

Gostamos de futebol.  E se gostamos, gostamos de Atlético x Palmeiras.

O último jogo decisivo que não decidia o título em 2016.  O campeão ta ali, mas não pode comemorar.  E até disso, acredite, gostamos.

abs,
RicaPerrone

Os “quase heróis” e o “herói”

Pode dizer que foi drama de véspera, que nem havia contusão. Tanto faz. Se não houve, mais mérito ainda pro Palmeiras que fez o Flamengo acreditar que não teria seu principal jogador.

Os rubro-negros tiveram sua noite de “quase heróis”. Da expulsão de Márcio Araújo, que considerei um pouco exagerada mas bem previsível, a saída de Diego, os que estavam em campo tiveram script de super herói.  Era achar um gol e estava feito o maior “milagre” rubro negro do ano.

Volante poupado da culpa, treinador nas nuvens, time na liderança, o Santos Dumont não daria conta. Teriam que desembarcar no Galeão.

E a saída do Diego não é absurda como parece. O meia joga pro time, joga bem mas não é o responsável individual pelo time estar vencendo. Diego está bem. Não está brilhando. E sua saída me pareceu uma questão estratégica simples: Se vou contra-atacar, saco o meia e deixo os abertos em campo.

O Palmeiras entendeu, aumentou o poder pelo setor com Xavier e foi pra cima. Tomou o gol num lance onde o Patrick apareceu sozinho aberto, onde fatalmente o Diego não estaria. Ponto para o professor.

Ferrolho neles. Mas era o líder do campeonato, em casa, e com Jesus. O garoto foi colocado em campo como arma letal. Era dele a obrigação, machucado ou não, de resolver a parada.

E não é que o fez?

O empate no fim mudou o saldo do jogo de 10 heróis para apenas um.  O resultado é muito bom pro Flamengo, nem tanto pro Palmeiras, mas que ainda é o líder. Logo, não dá pra reclamar muito.

O Flamengo sai de São Paulo tão forte quanto embarcou no Santos Dumont. E o Palmeiras enfrenta o Corinthians líder, mas sem o herói.

Robinho e Fred decidem nesta quinta se ainda temos um trio buscando o título ou se vimos mesmo uma “final” antecipada nesta quarta-feira.

abs,
RicaPerrone

#Paz

De todas as necessidades básicas da seleção brasileira há algum tempo venho dizendo que a mais determinante no nosso desempenho era a paz.

Explico.

O time viajava pra se reunir sabendo que ia apanhar da entrada até a saida. Que ninguem presta, que a imprensa faria da oposição a Dunga um 7×1 todo santo dia e que estar ali era pedir pro tempo passar logo pra voltar pro seu clube.

Tite deu a seleção uma dose de paz inacreditável.  O time jogou como se não perdesse há anos, driblou e brincou com a bola como se fossem os ídolos de uma geração e favoritos a golear na altitude.

Gols foram saindo naturalmente, ninguém vacilou na hora de tentar uma jogada ou decidir um bicão pro alto. Isso tudo não se deve a 3 dias de treino, porque o Tite é bom mas não é mágico. Deve-se a paz.

Ontem Tite conseguiu arrancar uma salva de palmas da imprensa porque deu o time 24h antes, como se fosse uma bobagem do treinador optar por esconder até a hora do jogo. Cena tosca, mas bem a cara da mesma mídia que fez da seleção um inferno até tirar dali quem eles não queriam.

Agora com Tite, que é “gente boa”, nem do Del Nero falam mais. A “seleção da CBF” é capaz de voltar a ser “brasileira”.  E nisso ganham todos, especialmente os imbecis que a rotulavam dessa forma antes.

Uma estréia espetacular. Com controle de jogo, de ritmo, de campo e com uma goleada merecida. Criada pelo talento individual e pela ousadia que até ontem ninguém arriscava mais por medo.

Agora sim. #Paz.

abs,
RicaPerrone

Os maiores também em Olimpíadas!

E o futebol nos consegue mais uma medalha. Será a sexta, e pasmem, o Brasil se torna o maior medalhista olímpico no futebol em todos os tempos.

Falta o ouro. Mas o nosso “fracasso”, o nosso “trauma”,  é ser o maior medalhista em olimpiadas.

É inacreditável a força do futebol brasileiro e nota-se isso quando a referência de algo ruim lidera estatísticas.  Não é bom a falta do título, mas com eles ignoraremos essa dificuldade e seremos apenas os que tem mais medalhas.

O time acordou, se divertiu, brigou, foi Brasil.

Lá estamos. Falta um.

Chegou o dia?

Nunca precisamos tanto de uma medalha de ouro como precisamos dessa. E o que era um torneio “amador” de pouca importância se torna uma grande chance de respirarmos e tocarmos em frente com o nosso maior orgulho: o futebol.

Que assim seja.

abs,
RicaPerrone

Um por todos…

Talvez pela ansiedade, talvez pela carga da obrigação de vencer bem. Talvez pela expectativa criada na “magia” do trio de ataque. Seja lá qual for o motivo, a seleção jogou uma partida impressionantemente igual hoje. Repetiu do primeiro ao último minuto as mesmas tentativas esperando que uma hora desse certo.

E daria, é verdade. Gabriel Jesus quase fez e ali estaria tudo resolvido. Mas até a bola entrar, a seleção parecia ter absoluta certeza de que o gol viria por uma jogada lenta onde um dos craques pegaria, pararia na frente do beque, faria uma ginga e daria o passe decisivo.

Foi tentado isso em TODOS os lances de ataque do Brasil. No máximo uma corrida lateral para procurar espaços.

Faltou coletivo, velocidade, fluidez. Time leve que jogou parado cada um na sua. Sem troca, só esperando que o companheiro resolvesse.

Bem longe do que se espera. Bem menos catastrófico do que se prega.

Fomos melhores, tivemos a chance de ganhar, e se tivesse entrada a bola do Jesus agora estaríamos só lamentando a não goleada. Então, não é pra transformar um tropeço e uma estréia ruim no fim do mundo.

Domingo sim, agora, virou decisão.  E não só pelos pontos, mas pela confiança. A seleção vai precisar se impor de outra maneira.

Renato mais perto da área, menos Gabriel esperando bola, menos “joga no Neymar e espera”, e mais troca de posições. Faltou tudo hoje. Até o gol, que embora pudesse ter acontecido, não isentaria o time da partida ruim e cheia de preciosismo nos lances individuais.

Que seja o tropeço do ouro. Aquele pra acordar o time, e não para nos acordar de um sonho.

abs,
RicaPerrone