Maracana

Desculpa, São Januário

Tenho comigo que o grande problema do futebol no Brasil é que não aceitamos o capitalismo no esporte.  Se um dia uma empresa vier aqui e “comprar” o Brasileirão, ou criar uma liga onde os clubes sigam suas leis e recebam por isso, teremos a NBA do futebol.

Nesse dia, uma das mais básicas decisões será de que ele determina os locais dos jogos, não os clubes.  Para torcedores e dirigentes, que nada mais são que torcedores de gravata, importa vencer, tirar vantagem e ponto final.

Alguém precisa estar acima disso e pensar no espetáculo.  O Vasco da Gama é um time do tamanho do Maracanã. E hoje, com os estádios todos “padrão copa”, São Januário infelizmente não condiz mais com um grande clube.

Adoro o estádio, me sinto meio que em 1980 lá. Mas o futebol precisa estar em 2014 para que todos sobrevivam. O Vasco hoje, jogando em São Januário, é aquele que oferece a pior condição a seu torcedor. Disparado, sem nem conseguir enxergar o segundo colocado.

O Maracanã assusta, cabe mais gente, oferece mais condições e devolve ao time mandante uma condição que as vezes a técnica não consegue.

O Vasco de hoje jogou mal, venceu mal, mas num ambiente grandioso e condizente com o que sonham os torcedores para as eleições do dia 11.

Mais Maracanã ao Vasco. Menos “passado glorioso” e mais futuro vencedor.

Por mais que o passado seja brilhante, é pra frente que se olha.  E devidamente encaminhado de volta a série A, preocupação agora é totalmente interna, onde no próximo dia 11 escolhem se preferem olhar pra trás ou pra frente nos próximos anos.

Boa sorte, Vasco!

abs,
RicaPerrone

Venha buscá-lo, vascaíno!

Em 1989 eu era um garotinho de 11 anos e meu pai me levou ao Morumbi pra “ver o São Paulo ser campeão”. Pela primeira vez na vida chorei por causa de futebol.

Era o Vasco indo ao Morumbi com uma multidão de vascaínos buscar o Brasileirão que tanto queriam e mereciam naquele ano.

Em outras diversas oportunidades o Vasco foi campeão, chegou a cair, subiu, teve crises, glórias, ídolos e perebas.

Dizem que sábado o Vasco disputa uma partida importante pela série B no Maracanã. E a alguns dias de uma eleição que pode mudar a história do clube, ou piorá-la, vejo bem mais do que isso.

Voltar ao Maracanã, também casa do Vasco, é um detalhe. Mas ver o Maracanã lotado de vascaínos e o time vencendo grandiosamente pode ser mais do que um jogo de série b.

Talvez o que mais precisem os candidatos a presidente, jogadores, diretores e até mesmo vocês, torcedores, é um banho de Vasco da Gama. Uma retomada do que de fato são, para que não cometam equívocos na hora de decidir o que serão daqui pra frente.

O jogo no sábado é um detalhe. Você lá, de preto e branco, gritando, cantando, exaltando e se lembrando de um Vasco de Maracanã lotado as vésperas de uma eleição é o maior e mais importante “recado” que pode ser dado.

Um “lembra de mim?”. Aquele Vasco que sempre fui, não o que me fizeram ser.

É nesse que vocês vão votar. Num Vasco que não joga por empate na série B. Num Vasco que paga salários, que causa medo, respeito, admiração.

No Vasco que lota estádio, que entope o setor visitante dos jogos fora. Do Vasco que disputa títulos de série A, não o que briga na série B.

Um Vasco gigante, atordoado com tantas pauladas, mas absolutamente saudável para ainda reassumir seu posto.

Vá ao Maracanã, vascaíno. E não exatamente por causa do jogo, mas por causa do Vasco.

Quantas vezes uma vitória do seu clube foi buscá-lo de um momento triste na vida?

É hora de você ir até lá, com todos os seus, e buscar o Vasco de volta.

Vai virar as costas pro seu “primeiro amigo”?

abs,
RicaPerrone

A fórmula Flamengo

Nem começa, recalcado. Esse post talvez sirva mais pra você, não rubro-negro, do que pra eles. E não é um dos posts que gosto de fazer fomentando paixão pós jogo e exaltando vitórias. Ao contrário, é um post de dia seguinte onde quero encontrar explicação para que o “momento Flamengo” seja compreendido e, talvez, dele, se tire alguma lição.

Não é básico, nem lógico. Todos querem explicar e juram ter na ponta da língua uma resposta que resuma tudo isso. Mas não tem, e não é fácil assim entender o que está acontecendo. Mas talvez, com algum esforço, possamos tirar disso uma grande lição.

Porque a torcida do Flamengo está indo aos jogos, mesmo os que não valem nada, pagando ingressos caros e com um time que sequer tem um ídolo ou um craque em campo?

“Aqui é Flamengo!”, “É amor!”, ok, ok, ok.  Mas vamos aos fatos. Esse amor sempre desapareceu pra qualquer torcida do mundo quando o time vai mal.  Apareceram quando o time “precisou”.  Ok, já vi também em muitos casos.

Mas porque ficaram?

O Flamengo não está ameaçado de rebaixamento há muito tempo. Os jogos não são decisivos, os adversários não são confrontos diretos, o foco é na quarta-feira e não no domingo. E os caras estão metendo sequencialmente de 30 a 40 mil pessoas por jogo.

Tem alguma coisa aí que não conseguimos enxergar ainda.

Não é promoção, nem a qualidade do espetáculo, nem o estádio, nem um ídolo. Ou seja, estamos falando de um caso raro, talvez único, onde conseguiu-se fazer a torcida ir ao estádio, pagar o que o clube quer, não oferecer um grande time, nem mesmo um grande objetivo.

Qual é a mágica do que está acontecendo?

Não levem pro lado delirante e delicioso da paixão. Quero encontrar razão, não “rubro-negrismo”. Esse já conheço, é fato, é lenda, é história.

Talvez nesse misterioso pacote que está fazendo uma torcida viver um time “mediocre” aos domingos em busca de porra nenhuma seja o grande ponto que não encontramos ainda. O que de fato quer o torcedor brasileiro?

Um grande jogo, um grande rival, um grande time, um preço barato, um estádio confortável?

Não me diga “todos”. Porque destes, o Flamengo não tem nem um grande time, nem preços, nem está lotando contra grandes rivais.  Estão indo por hábito, criando uma rotina de estar no Maracanã pra ver o Flamengo jogar, desde que…?

Desde que…?

Essa é a pergunta.  E aqui, enquanto discutem “fla press”, “Flamengo é Flamengo”, entre outros, temos um ponto que pode mudar o futebol brasileiro e a relação torcida/clube.

Não esperem um final de post conclusivo. Pois não tenho a conclusão. Tenho a dúvida, e a compartilho aqui na esperança de encontrar uma tese mais aceitável do que “Flamengo é Flamengo”.

Até porque, com outros times melhores do que esse, disputando posições melhores que a décima, a ingressos mais baratos, cansamos de ver o Maracanã vazio.

Esse time/fase tem algo. E é preciso descobrir o que é.

abs,
RicaPerrone

Eles acreditam

Hoje a tarde encontrei um garotinho de camisa rubro-negra no sinal. Ele vendia balinhas e eu brinquei com ele: “Vai ganhar hoje, moleque!?”.

– Claro, tio!

Esnobe. Me senti até meio discriminado por aquele ser tão convicto de sua fé. E contestei, menti, só de sacanagem!

– Mas você viu que o Everton e o Gabriel não jogam?
– E dai?
– Como “e dai”?  São os melhores! (exagerei)
– Tio, aqui é Flamengo.  Vai uma bala pra ajudar?
– Não, obrigado. Mas você vai ao Maracanã?
– Vô nada, tio! Tenho dinheiro não.
– E vai assistir o jogo onde?
– Sei não senhor. Essa hora to no onibus voltando pra casa.
– Vai ouvir?
– Não precisa não, tio. Vai dar Flamengo.
– Tudo bem, mas você não vai nem acompanhar o jogo?
– Quando eu chego em casa tá acabando. Aí eu vejo o final. É sempre esse horário. Vai uma bala, tio?
– Não, obrigado. Essa merda não anda. Abriu e fechou o sinal e nada…
– Deu ruim ali na frente, tio. Tá tudo parado! Leva uma balinha ai pra ajudar, tio…
– Po, cara. To sem dinheiro nenhum mesmo! Nem moedas! Só se eu te encontrar na volta. Só tenho cartão.
– Tudo bem, tio.  O senhor é Flamengo?
– Não, sou São Paulo.
– Ih, é paulista, é?
– Sou.
– Vixi…
– Que foi?
– Lá é ruim.
– Já foi lá?
– Fui nada.
– E quem te disse que é ruim?
– Se é bom porque o senhor tá aqui?
– Você é esperto, moleque. Mas hoje vai dar Galo, viu? (só pra sacanear antes de ir)
– Aê, tio! Se o Flamengo ganhar tu compra 5 balas amanhã?
– Taí. Compro! Gostei da confiança. Mas… e se perder?
– Perde não, tio. O Flamengo não perde….
– Tchau, garoto! Até!
– Aê, leva uma bala ai…
– Não, tô sem dinheiro trocado…(interrompido)
– É de presente ai, tio. Você é legal.
– Valeu garoto. Boa sorte no jogo hoje, tá?
– Até amanhã, tio! Mengo!!!

E quando ele grita bem alto “Mengo!” e sai do vidro do meu carro o rapaz do carro atrás abre o dele, chama o garoto, aperta a mão dele  e diz: “Dá 5 balas aí, flamenguista!”.

Ele me vê fechando o vidro e grita: “Ae tio! Tá vendo? Esse não vai ter que voltar amanhã!”.

E sim, eu vou voltar.  Claro que vou.  Como se ele não soubesse disso desde as 14h desta quarta-feira…

abs,
RicaPerrone

Um Flamengo do Flamengo

É quarta-feira, 19 horas e o Rio de Janeiro está parado. Quanto mais me aproximo do Maracanã, mais nervoso fica o trânsito.  Eles querem chegar, se atropelam, empurram, correm, é hora de Flamengo.

Eu chego em cima do jogo. Quando encontro o dono do ingresso que usarei pra entrar, a bola já rolava. Subimos as ladeiras intermináveis do Maracanã conversando e ouvindo as primeiras reações da torcida rubro-negra.

Logo quando chegamos no final da rampa, um “gol”. Um grito longo acompanhado de festa e música.  No mínimo, pênalti.

Porra nenhuma. Era Paulo Victor tirando um gol certo de Nilmar.  E neste ambiente entramos para ver mais uma apresentação de um novo Flamengo.  Um time que não encontra referência, que é celebrado a cada atitude, e que joga acolhido por uma gente disposta e perdoar qualquer passe errado, desde que haja um pique para retomar a bola em seguida.

Essa mesma torcida vibra com os cortes de Samir, com arrancadas de Léo Moura e com carrinhos sem nenhuma classe de Márcio Araújo.

Se não prestar atenção vai se assustar com uma reação coletiva de festa numa bola qualquer perdida na intermediária. Não é gol, é um carrinho.  E que carrinho!

Gabriel é a cereja de um bolo muito bem recheado. De um Maracanã que se tornou evento, que conta com aquele povo desde o primeiro minuto e conseguiu fazer dele um jogador de linha fundamental.

Esse Flamengo não tem nada demais. Não bastasse o fato de ser Flamengo.

abs,
RicaPerrone

2×0 pra “eles”

Não, não tô maluco. Eu vi o jogo, sei que o placar não foi 2×0.  Me refiro aos dois jogos do Fogão após a “loucura” do presidente em afastar 4 titulares em meio a uma crise pesada.

Com toda sua torcida contra, correu o risco de ser o salvador ou o vilão do rebaixamento.  Não entendi os motivos, até porque não houve explicação. Mas em campo, contra Vitória e Palmeiras, mesmo aplicado e correndo até o fim, o Fogão perdeu as duas.

Nessa guerra travada entre diretorias e torcidas, a do Palmeiras terá uma trégua.  Mas não porque funcionou e sim porque venceu 2 partidas que não podiam vir em melhor hora.

Quando se falava em “fazer uma loucura” pra evitar a queda, a diretoria negou. Disse que ia com o tinha, e que bastaria. Hoje, basta.

Ao contrário do Botafogo, que tinha um time até suficiente pra evitar a queda e o desfez por conta própria.

Das soluções encontradas, 2×0 pra “eles”.

“Eles”, o Palmeiras.

Mas ainda tem jogo. Muito jogo.

abs,
RicaPerrone

Brasileiríssimo

Quando o Botafogo precisa focar no Brasileirão pra não cair e coloca o time titular na Copa do Brasil, corre-se o risco de dificultar ainda mais o projeto série A 2014.  Afinal, convenhamos, por mais incrível que seja o futebol, não há um “projeto Libertadores” no clube.

Mas no Santos pode haver. E se houver, é via Copa do Brasil.

Inspirado, Robinho aproveitou um erro da defesa do Botafogo e fez 1×0. Fez uso de todo seu talento para entrar tabelando e marcar o segundo.

Ah, Robinho! Sabemos porque não foi na Europa o que esperávamos que fosse. Simplesmente porque és um brasileiro nato.  O que dribla, dá risada, se arrisca, erra, acerta, mas joga bola se divertindo.

Enquanto o Botafogo perdia Jefferson e Emerson num jogo que não deveria ter levado como prioridade,  o time que restou fazia de tudo para equilibrar um jogo perdido. E quase o fez.

Com muita dignidade de quem sequer recebe salários o time do Botafogo honrou a camisa que veste.  Quase empatou, e até merecia. Pelo empenho, não pelo futebol.

E do outro lado, protagonista, tão moleque quanto quando dribla, Robinho simulava uma falta e era expulso, dando mais uma chance ao Botafogo.

E não, não vou discursar sobre Robinho e sua queda cinematográfica.  Se fosse um argentino fazendo isso contra um brasileiro diríamos que é “malandragem”, “catimba”, “experiência”.

Não funcionou. Mas não tentou fazer nada que o mundo do futebol não tente no final de um jogo duro, fora de casa com o placar a seu favor.

Como se esperava, o Santos sai favorito. Como não esperava, o Botafogo piorou a moral do seu time titular e conseguiu ainda 2 desfalques importantes.

E dizem que tem coisas que só acontecem ao Botafogo. Mesmo as que ele implora pra que aconteçam.

abs,
RicaPerrone

Se todos fossem iguais a vocês…

… que maravilha seria torcer! Ah, Cruzeiro! Em domingos assim chego a lamentar por ser um dos nossos e não falar outro idioma numa liga européia qualquer.

Quando entra no Maracanã sem suas principais peças e joga de igual pra igual com o Fluminense, criando até mais possibilidades de vencer o jogo e não mudando seu padrão, como eu fico curioso.

Se fosse azul/grená, catalão, hoje discursaríamos sobre sua base.  Inventariam absurdos e mais absurdos para justificar o que é simplesmente um time bem treinado.

Diriam que as crianças mineiras treinam com chip na orelha, que desde os 6 meses já brincam no berço trocando passes no 442, entre outros delírios vira-latas que adoramos ter quando vemos algo bem feito em outro idioma.

Porra, Cruzeiro!  Porque diabos foste fundado aqui?

E você, Fluzão? Que joga pra frente, troca passes e se preocupa tanto com o ataque que muitas vezes se complica na defesa?  Porque diabos não és francês?

Esse Maracanã tão gringo, cheio de gente de várias cores diferentes, num dia de sol, vaias, aplausos e surpresas não os merece.  É jogo pra Camp Nou, torcida única, de cachecol e que não enlouquece a cada gol perdido.

A cota de TV do Cruzeiro é responsável pela desproporção técnica… ops, não!  Então, o que é?

Esse Flu que mantém ídolos e ainda contrata, como consegue?  Com dinheiro de patrocinador, é claro!  E veja você, que absurdo! O tal patrocinador nem arrendou o clube, menos ainda é acusado de contrabando de armas russas.

Ó, senhor! Me salve! Estou afundando num mar de mentiras que se sustentam muito pelo complexo dessa gente.

Sim, nós temos Cruzeiro!  Marcelo não atende por Pepe, nem fez curso na NASA pra aprender a trabalhar.  Apenas teve tempo pra isso.

Podemos! Como vimos hoje no Maracanã, fazer o que esperam de nós.  Digo, no caso, o que ELES, gringos, esperam. Porque nós mesmos, não.

Afinal, o foco é o juiz! Onde errou? Arbitragem brasileira é fraca? E o gramado? Estava 100%?

Ah, se fosse “lá fora”…

abs,
RicaPerrone

 

Acreditar ou confiar?

Você rubro-negro não pode dizer que “confia” neste Flamengo. Pode dizer que acredita.  É diferente.

Quando acreditou nele, especialmente nas últimas 5 semanas, ele encontrou seu limite e ultrapassou com muito esforço para tentar te recompensar. E conseguiu.

O Grêmio era um time que não inspirava confiança e nem fé.  Felipão trouxe, no mínimo, a fé de volta.

Desde então o Grêmio, se não for brilhante, é pelo menos competitivo.  Tal qual o Flamengo, usa o limite para encontrar no detalhe a diferença entre a  vitória e a derrota.

Pois então. Parecidos na recuperação e até nas limitações dos times, neste sábado não havia dois desafiantes, mas um desafiante e um desafiado.

O Flamengo , que até outro dia nada podia, hoje era o time a ser batido.  E com uma corrente de 60 mil pessoas confiando naquele time, acabou perdendo.

Longe, bem longe de ter sido um fracasso.  Mas um beliscão para colocar o sonho no lugar.

Este Flamengo, tal qual o Grêmio, é time pra “acreditar”, não pra “confiar”.

Neles você deposita esperança, empurra, assume a dificuldade e joga junto.  Em outros você espera um resultado, compra um ingresso e assiste ao jogo.

Iguais em 90 minutos, assim como nos últimos 40 dias.  Hoje, seguindo a lógica que os sustenta atualmente, ganhou o que menos se esperava.

abs,
RicaPerrone

Tem que odiar

Eu sei como vão dormir os milhões de rubro-negros nesta noite.  Todo mundo sabe.  Todos já passaram por um dia de vitória com viradas épicas, polêmicas e pênaltis.

Todos sabem como é não ser Flamengo. Menos eles.

E talvez numa noite como estas seja impossível que eles possam entender o que sente um torcedor rival.  Mas é nítido, angustiante, quase divertido.

O índice de revolta a um pênalti mal marcado pro Flamengo é proporcional ao de um assassinato.  E sim, foi “mal marcado”. Ok, eu me rendo, usemos então a frase que todos os não rubro-negros estão loucos pra ler: “Foi roubado!”

O problema é que esse pênalti vai ser sempre um detalhe em meio a uma virada de 3×0, com time misto, em casa, com a torcida apoiando, após 40 dias gloriosos de um time mediocre que virou incrível.

As peculiaridades rubro-negras cansam a paixão alheia.  Uma delas é, de vez em quando, um apito amigo num lance decisivo. Mas calma lá! Todos tem, contra e a favor.  Mas os do Flamengo se destacam.

Talvez por serem maioria. Ou talvez meramente por serem mais incômodos.  O erro a favor do Flamengo grita mais alto.

Como a torcida deles, diga-se.

Um time misto, sem perspectiva, meio que “nem aí” pro jogo.  Um time que tem num reserva seu capitão.  Já viram isso?

Só no Flamengo.

Só que em meio a uma virada de 3×0 e uma disputa de pênaltis incrível, é uma questão de apego irracional focar no lance irregular.  Mas é o que resta.

Eu entendo. Juro que entendo.  Mas eles não.

Simplesmente porque a vida não lhes permite com a mesma frequência estar do lado de quem assiste o milagre. Rubro-negros estão quase sempre sendo parte dele.

Tem gente que não acredita em milagres.  E tem gente que torce pro Flamengo.

abs,
RicaPerrone