Maracana

Muitos problemas

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Vamos por etapas pra que não fique nenhuma pergunta sem resposta.

Não, eu não acho que a FERJ mande o juiz anular gols do Fluminense contra o Tigres.  Acho que se fosse fazer isso não seria em lances difíceis de impedimento mas sim como todo juiz mal intencionado faz: com cartões, amarrando jogo, etc. Juiz nenhum sabe se vai ter lance decisivo nas mãos. Ainda mais sendo do bandeira.

Lembra do chororô da “CBFLU” que irritava outro dia? Então, não entra nessa porque dá pra ganhar do Tigres mesmo se o juiz for presidente do Tigres.

Dá pra botar tudo nas costas do Cristovão? Não.  Porque? Porque tem salário atrasado e quando não se pode cobrar o funcionário nenhum chefe é 100% culpado.

Cristovão deve cair? Eu demitiria.

Porque? Porque acho fraco e sem pulso. E em campo, além de mexer mal, não entendo um jogo onde o Fred não viu o goleiro adversário NENHUMA vez de frente.

A defesa do Fluminense é muito boazinha. Erra, 1 segundo depois os 4 e mais os volantes estão andando de cabeça baixa pro lance. Não tem um pra gritar, xingar, organizar isso.

Não falta luta. Falta postura. É diferente.

O capricho com que as 139 bolas na frente do gol foram chutadas pra fora hoje são de dar raiva. E o Fluminense pode fazer muito mais do que isso com o time que tem.

Hora de mexer. Mas lembre-se que toda vez que um treinador leva 100% de culpa por um momento ruim, absolve-se a enorme parcela do time.

Tá fácil jogar no Fluminense.

abs,
RicaPerrone

A prova da burrice

 

Vasco e Flamengo jogam domingo a preços não populares valendo porra nenhuma pelo falido estadual.  Essa frase é repetida pela mídia todo santo dia, tal qual qualquer posição contra ou negativa sobre o nosso futebol.

Quando trata-se de um evento, seja ele qual for, diz a lógica que você deve promovê-lo, ainda mais se sobreviver de seu sucesso.

Eurico Miranda voltou ao futebol e a sua moda, antiga, forçada, até equivocada, conseguiu dar uma aula de marketing para todos esses novos dirigentes de terno e MBA na casa do caralho, e mais ainda pra essa imprensa tosca que incentiva dia após dia o torcedor a não consumir mais o produto que ela mesmo vende.

Vasco e Flamengo se tornou um grande jogo pela promoção dele. Se voluntária ou não, tanto faz. Mas Eurico conseguiu, com a boca, sem MBA, fazer o que qualquer Chael Sonnen sabe fazer no esporte: promoveu o espetáculo.

Haverá 50 mil pessoas no Maracanã. Hoje a tarde venderam 15 mil. Filas e mais filas. E ninguém quer necessariamente avaliar o nível técnico, o que vale o jogo ou os preços do ingresso.

Querem ver porque o jogo foi vendido como “algo imperdível”.

E então, aos duzentos anos e no alto de seu retrocesso, Eurico Miranda consegue ser melhor promotor de eventos que todos os novos dirigentes e a péssima mídia esportiva que ainda não sacou sua real função no processo.

E não, não quero exaltar o Eurico Miranda por isso. Quero mostrar o quanto somos estúpidos ao enfiar porrada no que é nosso o tempo todo.

Torcedor quer motivos pra CONSUMIR futebol. E a mídia faz de tudo pra afasta-lo dele.

Burrice. Esse é o nome.

Algo que, com todos os defeitos do mundo, Eurico não é.

E teremos o Flamengo x Vasco que merecemos. Em meio a um torneio tosco, sem valor, sem qualquer motivo se não a simples vontade de vencer o rival.

abs,
RicaPerrone

Garotos

O tricolor esfrega as mãos, esconde o sorriso e pondera a vontade de “calar a sua boca”.  Mas nada move mais o Fluminense hoje do que a vontade incontrolável de mostrar para jovens inocentes que sua grandeza não é fruto de um patrocinador apenas.

Envenenados por uma mídia maldosa, mal informada e as vezes mau caráter, jovens torcedores se perguntam se haverá vida após a Unimed.  Ora, ora, meu caro fã de esporte.  São 100 anos. Talvez a questão seja como ficará posicionada no mercado a Unimed sem o Fluminense.

O ponto é que nenhum reforço daria ao tricolor o prazer de ver sair de sua própria casa um rascunho de solução rápida para os novos problemas do clube.

Não dá pra não pensar no Santos de Robinho, Diego, Elano, Renato…  Não pela qualidade, são apostas. Mas pela situação.

Quando “sem saída”, a maioria não sai mesmo. Os grandes encontram uma forma.

Cada bola que Gérson solta de 3 dedos dá ao torcedor uma esperança involuntária, apaixonante, mas ainda assim, real.  Não há quem o faça não se questionar: “Porque não?”.

E se um deles for um “novo Assis”? Um “novo Conca”, pensando mais modestamente.  Ou será que vai precisar mais uns 20 anos pra entender que grande é aquele que faz história e não só aqueles que mandam comprar?

abs,
RicaPerrone

Léo e os vira-latas

Uma vez alguém me disse que o problema do Brasil era não ter passado por guerras, furacões, tsumanis e nada que fizesse seu povo ter que se unir e defendê-lo.

Eu não compreendi na época, mas hoje acho bem claro. Quando vou aos EUA tenho a nítida sensação de ter diante dos meus olhos o desenho do que ele disse. A diferença brutal do resultado final de um povo que se importa e ama seu país contra o que adora odiá-lo e que não faz o menor esforço para melhorá-lo.

Nós não conseguimos bater palmas.

O brasileiro é tão colonizado que basta um de nós chegar a algum lugar para que ao invés de aplaudir, contestemos. Basta uma coroação ser anunciada para que ofenda os não coroados.

Era dia de Léo. E honestamente, após 10 anos de clube, fim de carreira, que diabos importa se alguém acha se ele foi um craque, um medíocre ou um merda?

Era apenas uma festa para coroá-lo, não para fazer análise ou para discutir se ele a merecia.

Somos convidados de um casamento que chamam a noiva de puta nas costas do noivo. Somos incapazes de aplaudir sem “poréns”. O sucesso alheio nos ofende. É incrível.

Uma vez, há pouco tempo, discuti com um tremendo imbecil enquanto nosso Carlinhos Brown era homenageado no Oscar. Naquele exato momento onde o sujeito chegava ao topo da carreira, o mal amado estava despejando ironias diminuindo o feito do artista pelas redes sociais.

Que não goste! Mas respeite. Que não participe! Mas deixe que saboreiem o doce momento sem lembrar das calorias.

O jornalista é preparado pra ser perturbado, pra achar pelo em ovo e sempre desconfiar de tudo. Mas quando ele vai para o entretenimento, ou ele deixa de ser burro, ou destrói o próprio produto.

Talvez não seja muito difícil enxergar a consequência dessa merda toda.

Difícil mesmo é olhar pra um estádio com 30 mil pessoas num amistoso, as 22h, numa quarta-feira e ver o “último dos moicanos “ deixando o cargo de capitão do mais popular time do país e se limitar a aplaudir.

Léo foi um dos grandes no que fez. Fez história, e você? Fez o que enquanto a história se encerrava diante de seus olhos?

Aprenda a aplaudir para só então se sentir no direito de vaiar.

Valeu, Léo! Foi um prazer te ver escrever essa história.

abs,
RicaPerrone

Todos sabiam

Já havia amanhecido quando o primeiro rubro-negro disse para o outro que “era a cara do Flamengo perder esse jogo”.   Despedida do Léo Moura, o rival rebaixado, valendo liderança, aniversário da cidade, o time de maior torcida, estádio cheio.

Tudo indicaria uma vitória do Flamengo não fosse este o Flamengo.

E de rara fé explícita, os botafoguenses caminhavam em direção ao Maracanã sabendo ter neste momento difícil do clube uma arma para buscar a vitória.

Nada é tão convidativo quanto jogar um clássico na condição de “não favorito”.  E eles sabiam. Tal qual os rubro-negros, que era absolutamente possível imaginar um contra-ataque que resolvesse a partida mesmo com toda aquela posse de bola dizendo que não.

A bola rolava, o Flamengo mandava, o Botafogo nem sequer jogava. Um primeiro tempo de deixar qualquer pessimista com razão. Mas então, “todos sabiam”.

O rubro-negro virava o intervalo dizendo:  “Tinha que ter matado essa porra…”.  E o botafoguense enxergava na não derrota até ali uma oportunidade única de vitória.

“É a nossa cara”, diziam ambos.

Se fizesse ou tomasse o gol, os dois tinham o discurso na ponta da língua.  Afinal, um gol aos 40 do segundo tempo “é a cara” do Flamengo.  E sofrê-lo, favorito, na despedida de seu capitão, idem!

O que também não tirava da cabeça do botafoguense que era “a cara deles” tomar um gol no fim, tal qual surpreender e vencer o jogo num lance qualquer.

Até que quando o Maracanã todo já estava em pé para saber enfim o que de fato “já saberia” no final do jogo, Tomas dá um chute de fora da área e a sequência é “óbvia”.  A bola bate na trave, no goleiro, e entra.

Todo pessimista botafoguense “sabia” que ela ia entrar. E o mais otimista dos rubro negros “havia cantado a pedra” no intervalo.

Era o gol dos discursos prontos. O final dramático e surpreendente de um filme onde todos diziam saber o final.

Aquele gol era do Flamengo. Não por mérito, tática, técnica, analise. Mas porque se eu te encontrasse após o jogo e contasse que um dos dois times fez o gol da vitória aos 40 do segundo tempo batendo na trave, no goleiro e entrando, não…você não acertaria.

Mas o Tomas acertou. E todos aqueles que mudaram de idéia sobre o óbvio final que a partida teria por 90 minutos, também.

abs,
RicaPerrone

Recado dado; missão cumprida

De todos os grandes que “conquistaram” a volta a série A, não me lembro de uma reação tão inteligente quanto a da torcida do Vasco neste sábado.

Claro que haveria aplausos com 3×0. Não sou tolo de achar que foram lá com essa intenção. Mas não tendo motivos, podendo escolher, optaram pelas vaias de alívio e não os aplausos pelo mínimo necessário.

O Vasco não conquistou nada. Fez a sua obrigação e de forma burocrática, mal feita, nas coxas.  Vascaínos tem muito mais noção do tamanho do clube que torcem do que o time e a diretoria. Por isso os lembraram aos berros, já na série A, que não achavam aquilo suficiente.

Encheram um Maracanã e fizeram todo barulho de um time de série A que disputa título. Mas com o passar do tempo os fatos foram sobrepondo a paixão e o Icasa quase virou a partida.

Assisti ao jogo do lado do Eurico Miranda, que me disse: “Eu não queria voltar. Mas precisou”.

E o curioso é que por mais que eu deteste a idéia dele estar lá novamente, o conceito de “precisar” não é infiel aos fatos.  Como os quase 60 mil que lá estavam, o sentimento é de resgate, não de festa.

E é importante que seja.

Missão cumprida. O fórmula 1 está no podium numa corrida de Stock Car.  É o mínimo do mínimo, mas é o que precisava.

Ao menos o vascaíno conseguiu conter a paixão e dizer pra esse time que o considera “sem vergonha”. E pelos nomes que tem e os resultados que tiveram, sim, eles tem razão.

abs,
RicaPerrone

 

“Se”…

O Fluzão complica sua briga pela Libertadores podendo ter brigado pelo título. E explico facilmente com um dado claro, objetivo e incontestável:  Foram 10 pontos perdidos em casa contra times pequenos.

Vitória, Bahia, Coritiba e Chapecoense.

Dez pontos que hoje colocariam o Flu na briga por título, 3 pontos atrás do Cruzeiro.

Time pra isso teve, tanto que conforme mostrei há duas linhas, os pontos que os separavam da briga foram perdidos por bobagem, não por menor qualidade técnica.

Não direi que o Flu “perdeu pra ele mesmo”, é ridículo isso. Mas perdeu para times que ele não precisa ter perdido. E em casa, o que aumenta a suspeita sobre um salto alto que não dá pra entender, ainda mais hoje, onde era fundamental vencer.

Sem criação, com bolas jogadas na área a todo custo e de todos os lados, aquele Flu que não tinha brucutus na volta da Copa hoje parece ser dirigido por um deles.

O Flu ficou a 6 pontos de uma vaga bastante improvável. Tanto quanto era perder estes 10 pontos, o que também pode ser visto por um lado otimista…

abs,
RicaPerrone

#Oêaaa – Fluminense 1×0 Botafogo

Episódio: Fluminense 1×0 Botafogo
Campeonato
:  Brasileirão
Fase: Returno
Convidados: Daniel Erthal
Apresentação:  Rica Perrone e Marcio Kieling
Inscreva-se aqui:

“Quase” tudo errado

Para pouca gente Fluminense e Botafogo jogaram a vida em 2014 no Maracanã. Tão frustrante quanto o público, o futebol.  Mais do Flu, vencedor, do que do Bota, o vencido.

A decisão de Maurício em afastar o trio há cerca de um mês se mostrou errada. Simplesmente porque nos últimos dois jogos o Botafogo não precisava ter perdido.  Dava pra ter ganhado do CAP, dava pra ter empatado com o Flu, pelo menos.

De todos os cenários possíveis o mais real era um ataque x defesa do Flu contra o Botafogo.  Mas por incrível que pareça o time mais técnico resolveu jogar pelo alto, fazendo chuveirinhos por 90 minutos e igualando a condição dos dois times, já que não é preciso muita qualidade pra “saltar”.

E desta forma, acredite, o Botafogo teve duas bolas pra marcar e mudar o jogo. Talvez até ganha-lo. Numa o Carlos Alberto quis aparecer no Fantástico, na outra o jogador que nem me recordo escolheu chutar ao invés de tocar de lado pra um dos atacantes livres na cara do gol.

Uma hora uma cabeçada vai pro gol. E o Flu encontrou num de seus cruzamentos a cabeça de Edson e os 3 pontos que o mantém na zona de cobiça pela Libertadores, enquanto joga o Botafogo num domingo desesperador onde só rezar é opção.

Campo molhado, ninguém chuta. Time mais técnico, e só cruza.  Time mais limitado, por uma bola, a encontra, e brinca na hora de marcar.

Fizeram tudo errado. Mas o Fluminense é tão melhor que o Botafogo hoje que nem assim houve uma surpresa.

Deu a lógica.

abs,
RicaPerrone

Em um jogo Vasco fatura 74% do total até então

São apenas 366 mil reais. Nada que deixe um clube rico, sequer pague as dívidas.  Mas o Vasco saiu do Maracanã neste sábado com este valor no bolso, já descontados todos os impostos, parte do consórcio, entre outros.

A soma não seria notada não fosse um dado curioso.  Nos treze jogos que fez como mandante na série B em 2014 até então, o Vasco havia lucrado apenas 497 mil reais.  Ou seja, em uma partida no Maracanã o Vasco conseguiu 74% do que arrecadou até aqui no campeonato.

Com um agravante. Dos treze jogos como mandante e venda de ingressos, em cinco deles o Vasco pagou pra entrar em campo.

A renda total do jogo no Maracanã ultrapassou 1,3 milhão. E mesmo com a pífia margem de 28% do total, o Vasco já teria levado a melhor sobre os rivais, que em média levam 17% da renda total do Maracanã.
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abs,
RicaPerrrone