nene

Raça, medo e mimimi

Se era raça que faltava, hoje não faltou.   A técnica, a intensidade, a qualidade tática do time ainda estão longe, mas o Tricolor deu hoje sinais de algo mais urgente: vergonha na cara.

O primeiro tempo foi tão superior que o placar saiu barato. O segundo tão feliz com o 1×0 que saiu justo. Em momento algum o Corinthians fez uma grande partida.

Em boa parte do jogo nenhum deles fez. E para isso basta ver a quantidade de cruzamentos na área, laterais pra escoradas de cabeça e chutões pra ver quem ganha no alto. Quanto mais isso acontece num jogo, pior o jogo.

Mas teve algo de novo. Um São Paulo disposto a ser mandante, propor o jogo e não se postando como azarão. Porque não é, nem nunca pode ser.

Sem Jadson e Rodriguinho o Corinthians emburreceu. Fosse mais ousado, o SPFC poderia ter feito 2×0 hoje e adiantado muito a vaga. Recuou, não quis o segundo gol e ficou feliz com 1×0.

Sob as bençãos de mais um ato que contraria o futebol brasileiro, um cartão pra quem sequer gritou um palavrão. Agora tem direção na comemoração. Nene, que em 15 minutos foi de brigão a artilheiro, a debochado e encerrou tirando da reta.

Era só uma provocação.  Se você é desses que acha que isso faz mal ao futebol, que os dois estão errados, que é um erro tremendo dois profissionais discutirem numa partida, parabens! Voce tem meio caminho andado pra vaga de comentarista de tv.

Se não for o caso, imagino que não tenha seu tampão do dedão invicto. O que aumenta sua credibilidade no tema, óbvio.

Mimimi a parte, o SPFC jogou melhor, mereceu vencer, perdeu a chance ate de resolver.  E como a gente sabe que não se perde chance em clássicos, acho que quarta-feira tem um jogão por vir.

abs,
RicaPerrone

Vencedores e figurantes

Sabe qual a diferença entre o Rubens Barrichello e o Mansell?  Um não aceitava de jeito nenhum estar ali pra trabalhar e ir pra casa. Acho que ninguém na Fórmula 1 deve acreditar que o inglês, autor de lambanças inacreditáveis, seja tecnicamente um gênio.

Mas era “louco”. E louco por vencer.

O time do São Paulo de 2004 era frouxo, mas era bom. O de 2005 tinha Junior, Amoroso e Luizão.  Ali estava compensado toda a falta de títulos do restante do elenco. Havia liderança, referência gente com fome e gente acostumada a vencer.

O São Paulo hoje tem 5 jogadores “famosos” em seu elenco. As “referências”.  Rodrigo Caio, Nene, Petros, Jucilei e Diego Souza.

Nenhum dos 5 é um grande campeão.

O Rodrigo não venceu nada ainda. O Petros não tem títulos, o Jucilei idem. Diego Souza tem 2 Copas do Brasil, só atuou em uma delas. Na outra era um garoto que integrava elenco.

O Nenê, embora com carreira internacional, soma em toda sua carreira alguns estaduais e um campeonato francês.

Essa é a referência de um clube grande que obrigatoriamente disputa títulos e é favorito em tudo que entra.  Esse são os caras que inspiram os jovens que vão chegando ao grupo.

E não, não há demérito algum em não terem grandes títulos. Mas o SPFC tem um elenco mal pensado quando não tem NENHUMA referência vencedora em seu grupo. Imagine ter 5, todas acostumadas com a derrota muito mais do que com as conquistas.

O Amoroso de 2018 não será um treinador. O Luizão não virá da base. E não adianta esperar que o Rodrigo Caio vire Lugano, porque não é seu perfil.

O time do São Paulo não é ruim. É apenas um time que não sabe vencer, não tem paixão por isso e que vai embora feliz todo dia as 18h com o salário na conta.

Pra alguns “ganhar” é ser bem pago e cumprir o que lhe pedem minimamente. Para outros é questão de vida ou morte.

No SPFC, há alguns anos, e pode incluir alguns com títulos de pontos corridos, o mínimo está bom.

Mas não está. Pode trocar de treinador mais 20 vezes. Tem gente que quer chegar em casa e dar um video game novo pro filho, tem gente que quer que o filho diga na escola quem é seu pai.

abs,
RicaPerrone

Exagerados

Um pouco fora do tom, eu diria. Nenê fará falta ao Vasco, mas nem de longe é a peça fundamental que se cita por aí. E também acrescentará ao SPFC, mas não será a solução de nada.

Nenê tem uma carreira muito boa. É muito bom jogador, foi ficando mais inteligente com a idade e se tornou ainda melhor. Mas Nenê é o apelido. Ele já tem 36 anos, cai de rendimento a cada ano como naturalmente todo ser humano.

Embora estejamos falando de alguém diferenciado, ele ainda é humano. Tão humano que em 2017 jogou bem abaixo do que se espera dele. A tendência é ele ir “piorando” a cada ano, já que a idade chega. E se ele não vem bem e tende a piorar, porque tanta festa em compra-lo e tanto desespero em perde-lo?

Ele é referência técnica. É também o cara mais lúcido e esclarecido pra falar pelo time. Mas em campo Nenê não é o cara de 2015.

Não consigo imaginar Nenê e Diego Souza juntos no futebol atual. Acho lento, pesado. Mas… Um cruzando bola parada pro outro cabecear eu consigo.

E o Vasco, tão dependente de Nenê, ia perde-lo se não pro SPFC pra natureza.  Ele tem 36 anos.

Não consigo encontrar nem o desespero do Vasco nem a euforia do SPFC.  Apenas uma perda natural, um reforço barato e que pode surpreender e tem pouco a perder, e segue o jogo.

abs,
RicaPerrone

Tudo pode quando é “só futebol”

Veja você, torcedor do futebol não caramelizado e sem flocos crocantes, como ainda é fácil reviver uma legítima tarde de futebol.

Mesmo que longe do meio a meio do Maraca, que é meu cenário ideal para clássicos, os dois times se enfrentaram sob a dignidade mínima exigida do bom futebol que é permitir a entrada das duas torcidas no estádio.

E assim, com o mandante recebendo o visitante com deboche, sem bombas e pontapés, tudo volta a ser como gostávamos.  “Ah, mas é homofobia!”. Não fode.  Brincadeira é brincadeira e normalmente o errado quando alguém se ofende é o ofendido.

No saudável Vasco x Fluminense raiz, o futebol se fez presente porque é assim que ele gosta de aparecer.

Os dois pênaltis aconteceram. O Fluminense, embora não criasse chances de gol, virou o jogo em 2 lances que nem seriam de tanto perigo, talvez. Mas virou com justiça porque os pênaltis aconteceram.

E o Vasco que “briga pra não cair”, se viu diante do cenário infernal das contestações novamente. Era levar o jogo pra São Januário e perder que tudo viraria problema.  Desde o ônibus.

Aliás, agora, com a vitória, lhes pergunto: Que ônibus?

Seria capa se Nenê não tivesse saido do banco pra buscar o que é dele. Jogadores como Nenê não estão bem o tempo todo, mas tem uma qualidade especial não identificada pela ciência que é de seduzir a cena pra si.  Nos acréscimos, como quem escreveu o próprio roteiro da volta, Nenê vira o jogo e dá a merecida vitória ao Vasco.

Marcou melhor, anulou os principais jogadores do Fluminense e teve mais intensidade o tempo todo.  Foi melhor, e talvez nem mesmo um 3×0 fácil faria desde jogo tão especial ao Vasco quanto o sofrido 3×2 com gol do ídolo no fim.

Teve zoeira, drone, onibus quebrado, chegada de taxi, bom público, jogão, lance polêmico e gol no fim.

Dizem que “é preciso limites para brincar com futebol”.  Então me promete que eles não estiveram sob risco hoje, porque o que vi das 10 da manhã até o fim do jogo foi futebol em estado puro em São Januário.

“É preciso cuidado porque esse tipo de brincadeira gera violência”.  É só bla bla bla protocolar de uma geração que acha que time vencedor é o que tem banheiros de mármore, contas em dia e não bola na rede.

Hoje, ao Vasco, tudo. Amanhã a gente discute o que tá ruim. Porque hoje vascaíno que achar defeito é burro.

Abs,
RicaPerrone

A série B é o menos importante

Qual o objetivo do Vasco em 2016?  Muitos dirão “subir pra série A”, e não deixam de ter razão.  Embora seja óbvio, tanto o objetivo quanto a realização dele, o preocupante pra mim é o que será preparado pra 2017.

De que adianta ser campeão da série B e começar 2017 tendo que refazer um time todo, tendo tido um ano num nível mais baixo par testar e adaptar jovens para formar algo realmente forte para o futuro?

O Vasco tem em seu elenco hoje 11 jogadores acima de 30 anos. Obviamente a maioria deles é titular, ganham um bom salário e não tem um futuro promissor. No máximo, um presente.

Leandro, Julio César, Martin Silva, Rodrigo, Mattos, Diguinho, Julio dos Santos, Andrezinho, Nenê, Éder Luis, Jorge Henrique e mais alguém que eu possa ter esquecido não estão em começo de carreira cheios de fome buscando seu espaço.  Talvez pra série B isso seja bem mais do que o suficiente, mas e em janeiro de 2017?

Você começa um ano na série A com um time de 33/34 anos? Ou você usa 2016 para mesclar e formar um time especialmente jovem o preparando pra dar frutos na série A?

A filosofia de montagem desse elenco do Vasco pra 2016 me preocupa. Não pra 2016, mas para o que virá depois deste óbvio triunfo que é a volta a série A.

abs,
RicaPerrone

Até o fim

Me lembro bem do dia em que li dezenas de pessoas rebaixarem o Vasco faltando um turno pra acabar o campeonato.  Lembrei do Fluminense de 2009 e resolvi duvidar.

Não do Vasco, mas da facilidade com que aquele cenário se estabelecia.

Times grandes já cairam e cairão em todo lugar do mundo. O ponto não é esse, embora seja sim uma vergonha ser rebaixado tendo o tamanho que tem o Vasco.  A questão é como.

Tem time que cai lutando, tem time que cai andando em campo. Tem time que cai de véspera e até time que cai no tapetão.  A torcida reage de uma forma a cada queda, embora todas elas sejam dignas de vaias.

O que teria acontecido com o Fluminense em 2009 se perdesse o último jogo e fosse rebaixado após tudo aquilo? Um “não serviu pra nada” encheria a boca de muita gente, mas… será que não mesmo?

Eu não enxergo nesse Vasco uma base pra 2016 por ser um time “velho”.  Mas talvez entenda que através de uma reação dele em campo um Vasco mais Vasco possa ressurgir, apesar do Eurico.

Em 2010 o Fluminense foi campeão Brasileiro. E comparando o incomparável, tudo isso começou numa luta pelo impossível exatamente como o Vasco faz em 2015.

Acho difícil os 3 resultados acontecerem? Acho.   Mas as vezes eu analiso futebol de forma um pouco menos técnica e ignoro tudo que aprendi sobre o jogo nas 4 linhas para me lembrar do porquê amamos tudo isso.

Será que o gol do São Paulo, as 14 partidas com uma só derrota, a reviravolta, o pênalti no Nenê e toda essa loucura vão mesmo “não dar em nada”?

O Vasco merece cair. Tanto quanto merece se salvar após o returno que fez.

Talvez a história escrita até aqui, restando uma página para o final é que não mereça um final que não seja feliz.

Quem escolheu acreditar, que acredite. A diferença entre o “eles conseguiram” e o “nós” é exatamente essa.

abs,
RicaPerrone

#VoceEscolheuOQue?

A maioria escolheu duvidar, e é justo e compreensível.  O Vasco se arrastava em campo, era uma piada imaginar uma reação. Aí surgiu um maluco com uma faixa escrito que “resolveu acreditar” na arquibancada e a piada ganhou slogan.

Tá acabando a graça.

Do impossível aos fatos há uma distância considerável, mas sempre menor para quem tem tamanho.  O Vasco consegue uma sequência inimaginável e vence o seu maior rival mais uma vez para selar a reação.

O jogo? Gasto poucas linhas pra avaliar que o Flamengo começou voando, fez o gol, sentiu o próprio gol, recuou e viu o Vasco voltar no segundo tempo disposto a virar o jogo a qualquer custo.

Não houve falta. Mas foi um golaço. Não sei se daria o pênalti, mas o Vasco virou o jogo jogando muito mais que o Flamengo.  Os lances podem ser discutidos e serão, óbvio. Mas a superioridade que levou o Vasco a virada, não.

E é curioso como o futebol repete as mesmas histórias e parece que nunca aprendemos. Tanta gente que riu do G4 e o Flamengo foi buscar. Tanta gente que rebaixou o Vasco na manchete vai ter que ponderar ou, no mínimo, prorrogar muito o que queria confirmar.

Ainda são poucos, nota-se pelo público. Mas já são convincentes.  Quem escolheu acreditar está fazendo parte de uma história incrível, com ou sem final feliz.

Pouco importa o final da história. Primeiro porque ela nunca acaba, e principalmente porque seja um final feliz ou não, vale a pena fazer parte dela.

#EuRespeitoQuemAcreditou

abs,
RicaPerrone