oitavas de final

Sem espelho em casa

“Perdemos pra nós mesmos”.  Essa deve ser a frase mais comum no dia seguinte a um clássico qualquer. O time que perde o jogo não assume de forma alguma os méritos do rival e atrela a seus gols perdidos e defeitos na zaga o resultado.

Como se fosse possível enxergar algo além dos nossos 11 correndo em campo contra aqueles “cretinos”, sejam eles do clube que for.

Hoje cedo me perguntaram “porque o Flamengo perdeu”. Respondi que o Vasco é que ganhou. Porque na minha cabeça quando você acredita que “perdeu pra si mesmo”, você está começando a perder o jogo seguinte também.

Você pode querer saber onde errou o Flamengo. Acho justo.

E digo que não entendo a dificuldade que tiveram em ler o cenário sendo ele, Flamengo, o maior protagonista de casos semelhantes.  Que tipo de rubro-negro não sabe que, quando desacreditado, uma camisa pesada costuma responder a altura?

Como é possível, e eu vi, tantos flamenguistas “comemorarem” pegar o Vasco no sorteio pela fase do rival?  Ora, meu caro rubro-negro, você é a prova viva de que isso não existe. Como pode ser enganado?

Onde estava Emerson Sheik, que parecia mais disposto a provar ser “maior que o Vasco” (um absurdo sem tamanho, mas entendi como provocação) do que em ganhar o jogo? Porque tanto driblinho? Porque o chapéu? Porque a caneta e não o passe?

Vítima de si mesmo? Não, claro que não!

O Flamengo teve contusões durante o segundo jogo, uma torcida incrível no Maracanã ontem e um começo de jogo arrebatador. Mas em algum momento, de novo, ele achou que tinha o Vasco nas mãos.

Você quer mesmo saber onde errou o Flamengo?

Em olhar mais pra tabela do que pra camisa que tava do outro lado. Erro que todo mundo já cometeu com o próprio Flamengo e se deu mal.

Veja você, o maior dono de causas impossíveis não tem espelho em casa.

abs,
RicaPerrone

 

Um roteiro fácil

Talvez você seja mais um dos que perderão horas da sua madrugada tentando entender “como o Flamengo perdeu” o jogo.  Eu serei mais simples.

Tentarei entender o que faz de um time tão arrasado e pisoteado no campeonato brasileiro eliminar seu maior rival e transformar uma semana em meio ao caos em história. Tentarei buscar formas não táticas e técnicas de entender que força é essa que, em clássicos, impulsiona o time em pior momento.

Que Vasco é esse que entra em campo com a vantagem do empate e num simples olhar para as arquibancadas descobre que não é favorito antes mesmo da bola rolar?

Onde vai parar a arrogância das pessoas que acham que o futebol é um esporte lógico e administrável meramente com pessoas de terno e gravata dispostas a determinar de véspera quem é quem?

As duas partidas tiveram momentos bastante equilibrados e fatores de extremo desequilíbrio.  As camisas se prestam o devido respeito, mas havia no ar, desde o dia do sorteio, uma certeza rubro-negra de que o caixão seria empurrado neste mata-mata.

Certeza essa que pra mim inverteu a situação. Colocaram o Vasco, veja você, aquele mesmo Vasco de tantas glórias, na situação de franco atirador.

Ora, quanta burrice! Havia um só cenário para o Vasco e ele lhe foi dado de presente.  A certeza do outro lado, a mídia falando em “goleada”, a “zebra” no primeiro jogo e a confirmação no segundo.

Contusões, sorte, azar, a bola que entra de cá, que quica e sai de lá.  O marrento atacante que ao invés de ganhar queria um chapéu no adversário.  O intragável dirigente que venceu de novo.

Roteiro fácil.

O Vasco que não ganha de quase ninguém, também não bate em qualquer um.  Só em gente grande.

abs,
RicaPerrone

Os confrontos – Copa do Brasil

As vezes as lendas do futebol se tornam fatos. Dizem que o Flamengo é sortudo, o Botafogo azarado.

Dizem que o Cruzeiro, quando em boa fase, não passa perrengue e ganha tudo com enorme facilidade. Dizem também que o Grêmio é copeiro, o Santos, nem tanto.

Talvez para acabar com algumas delas, talvez para alimenta-las, o sorteio da Copa do Brasil colocou o Botafogo com a certeza de que, se passar, pega um grande nas quartas. E o Flamengo com o caminho sem um dos grandes até as semi.

O que significa que o Botafogo está em situação mais complicada. Ou talvez o Vasco, que pode ter o Cruzeiro logo em seguida.  Mas na real também implica no favoritismo rubro-negro, o que jamais foi exatamente uma garantia de sucesso.

Entre lendas e mitos, segue a Copa do Brasil. Hoje, o mais empolgante campeonato do país.

Gremio x Santos – Jogo igual. Grande confronto, uma pegada diferente. O Felipão, rei do Mata-mata, contra um Santos que não costuma se dar tão bem nesse formato quanto o tricolor. Mas que hoje tem, com a chegada do Robinho, um time um pouco melhor que o Grêmio.

Botafogo x Ceará – Não é o que parece. O Ceará tem um time ajeitadinho, o Botafogo um time sem salários e tendo que se matar no Brasileirão pra evitar o pior.

Cruzeiro x Santa Rita – Quando a fase é boa pode chover Pelé que a Xuxa cai no colo, hein?

Vasco x ABC – Vasco favorito, deve passar, mas… não dá pra chamar de sorte pegar o Cruzeiro na próxima fase, dá?

Bragantino x Corinthians – Jogo tranquilo. O Bragantino não jogou bem contra o SPFC em nenhum dos dois jogos. Venceu pela vagabundagem do time do SPFC em campo. O Corinthians deu sorte.

Palmeiras x Galo – Sorte que o Palmeiras não teve, nem o Galo. Mas hoje, se olharmos rapidamente para os dois… o Galo deu mais sorte que o Palmeiras.

Atlético Pr x América RN – Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar? Dúvido.

Flamengo x Coritiba –  Olha só, o Fla é favorito. Se passar pega o CAP provavelmente, onde já não se torna tão favorito assim.  Se há um lugar no mundo que o Flamengo costuma encolher é no Paraná. E lá pode se definir a  Copa do Brasil pra ele.  Se por um lado escapou dos grandes até as semi, por outro encontra um de seus maiores “pesadelos” não oficiais.

O que espero?

Da Copa do Brasil, só surpresas. É o que ela nos ensinou nos últimos anos.

abs,
RicaPerrone

Os oito

Oito classificados para as quartas de final. Curiosamente os primeiros de seus grupos na fase inicial.

Comparei os números totais dos jogos de oitavas de cada um deles, claro que ponderando que alguns foram a prorrogação, outros não. Ainda assim, dá pra tirar alguma coisa.

Se não der, adicionei o mapa de calor dos times em suas partidas nas oitavas.  Todos dados exclusivos da OptaSports.

Mapas de calor:

A Copa que não queremos ver

“O futebol mudou”.

É incontestável. Na verdade, a falta de mudanças no regulamento fez com que o jogo mudasse e se adaptasse até chegar ao nível atual.  E hoje, reconheço, nem acho tão ruim quanto em outras Copas quando o 1×0 de bico pro alto e bola alta eram a única opção dos mediocres.  Hoje todos jogam pelo chão, errando menos, arriscando menos, mas numa intensidade muito maior.

Gosto? Não muito. Ainda sou fã do meia que pára a bola e olha pra frente. Mas hoje, se ele parar, vem dois e tomam a bola dele em meio segundo. O espaço acabou, a técnica não é mais nada sem força e velocidade.  Os três, aliados, no mesmo nível, formam um craque.

“Não tem mais bobo no futebol”.

Tem sim. Somos nós, comentaristas.  Repetindo frases feitas como essa o tempo todo e minimizando as coisas a quadros táticos e números.  Achando que desenhar um 442 encontra os problemas de um time que muda a formação 3 vezes por etapa de jogo.

O futebol é rápido, intenso, forte e a grande mudança não é nenhuma dessas. A confiança ainda é muito mais relevante que o posicionamento, ainda que façamos questão de não reconhecer.

Onde ontem se buscava o acerto, hoje vence quem minimiza o erro. E não me refiro a defesa, mas sim ao ataque.  Passes curtos, rápidos, previsíveis porém sem grande margem pra erro.

O jogador que arrisca um grande passe longo a cada 3 está fora do mercado. O que acerta 15 de 3 metros entre 15, é um grande jogador.

O jogo buscou nivelar o que era um baile de quem sabia jogar.  E diga, meu caro: Quem não pode aprender a correr e se posicionar? O futebol de hoje pede muito menos talento natural e muito mais disciplina.

E desde quando os craques eram craques por serem disciplinados?

Ao contrário. Eram teimosos, faziam o que dava na telha. Hoje, se fizerem, caem na base pra um grandão qualquer que toque de lado e não erre.

A Argélia não é melhor que a Alemanha. Nem o Chile que o Brasil. Menos ainda a Nigéria que a França.  Mas “ser melhor”, hoje, não tem a ver com técnica.

Há beleza nisso, se souber observar.  Mas há, também, um caminho sem volta em busca da mediocridade.

Que desde que competitiva, serve.

O vexame da Copa não seria a eliminação do Brasil, nem a Espanha, menos ainda a Alemanha.  Somos nós, comentaristas que não conseguimos até agora perceber o que de fato está acontecendo e continuamos prevendo o óbvio, tratando derrotas como surpresas em virtude de um tipo de jogo que permitimos tomar conta do  nosso esporte favorito.

Agora mudemos a forma de ver o jogo. Pois eles não vão mudar a forma de jogar.

abs,
RicaPerrone

Acabou o ensaio!

Não tem mais continha, time já classificado, decisão no saldo, nada disso. Agora é frente a frente, no mais puro estado que o futebol pode existir.

Sem vantagem, sem ida e volta, em campo “neutro” para 14 times menos Brasil e   Chile. Uns com caminhos fáceis, outros mais complicados. Mas quem se importa?

Num esporte como estes não interessa em que fase você cai mas sim para quem. Dá pra imaginar um Brasil x Colombia, França x Alemanha de um lado, Holanda x Costa Rica, Argentina x EUA do outro.

Mas é claro que não será assim.

Se fosse, não seria futebol e portanto o mundo não estaria parado pra assistir.

Sou mais Brasil. Sou mais Colômbia, sou mais França e mais Alemanha.  Sou mais Holanda, mais Costa Rica e mais EUA.

Mais nada. #SomosTodosSuiços

A Arena Corinthians pode ser santificada caso aconteça o que todos nós desejamos com requintes de crueldade.  Mas é difícil, como era contra o Irã. E não fosse o juiz…

Enfim.

Oremos.

abs,
RicaPerrone

Os números não mentem

Existem 3 formas de ver um jogo de futebol. A que só enxergamos nosso time, a que vemos sem torcer e a que os números mostram. E acredite: A terceira é a menos importante no futebol.

É claro que todo atleticano vivo só está ponderando as chances que o Galo não criou, como se não houvesse ninguém do outro lado.  O Atlético Nacional não é um timinho. Portanto, olhando pros números do placar, o resultado é até bom.

Olhando pelas chances criadas, idem. Podia ter sido pior.

Mas num jogo agradável de assistir, que a bola não parava um segundo, com os dois times tentando jogar com velocidade e apenas um deles conseguindo dar o último passe, não vi um Galo tão terrível assim.

Porque das 25 finalizações do Nacional contra as 2 do Galo, a mais perigosa do jogo foi dos brasileiros, aos 39 do segundo tempo. E ali, se entra, os hoje cobrados por raça e pelos números do jogo seriam apenas “heróis”.

Isso é futebol.

Talvez a curta memória tenha feito os atleticanos esquecerem do que se sofreram pra chegar ao título em 2013, em alguns momentos jogando até mal. Acontece, é Libertadores.

Mas não consegui enxergar tantos defeitos assim além do último passe.  Este, o mais notável e urgente.

Por diversas vezes o Galo foi com a bola em boas condições no ataque, mas se precipitou. A bola ficava com o Nacional porque o Galo devolvia muito rápido, tentando sempre a jogada mais direta.

Tem volta. 1×0, vocês jogam aqui.

Não vai ser fácil porque não pode ser fácil. Se perder, discute-se mil defeitos e procuram vilões. Enquanto vivos, respirem. E se as cobranças forem maiores que a fé, quarta-feira que vem não será uma noite bem dormida.

Dá pra virar.

abs,
RicaPerrone