Palmeiras

O clássico que cada um quer ver

Passei bem mais longe de achar um jogo chato ou ruim do que a bola de ter entrado hoje no Allianz. Contrariando a muita gente que diz ter sentido “sono” assistindo ao clássico, achei o segundo tempo quase didático.

Um Santos que ressuscita Dorival ao mercado tocando bola no chão, evitando a todo custo a ligação direta e abusando do direito de prender a bola.  Gosto. Acho que o futebol se divide em 3 momentos: Retomada de bola, criação e finalização. Nas 3 delas ter a bola é fundamental. E na única que não tem, tê-la é seu objetivo principal. Logo, porque queimá-la?

O Palmeiras é um time que Muricy e Celso Roth assinariam.  Com toda qualidade que tem, nenhum padrão que não seja “achar” um gol no talento individual, ligação direta ou bola parada.

É pouco. Muito pouco pro que foi investido e para o que se espera desse elenco. Marcelo Oliveira, que no primeiro ano de Cruzeiro apresentou algo bom de se ver, terminou sua passagem por lá – mesmo campeão – já vivendo de cruzamentos.

Não era impressão. Parece ser mesmo seu estilo.

O Palmeiras vai tentar se virar a moda antiga. Joga em alguém que ele resolve. O Santos, ainda que apostando no talento de garotos, tem um jogo coletivo e bem mais treinado que o Verdão.

O resultado é injusto. Ao Santos, que merecia ganhar a partida.

abs,
RicaPerrone

Quem compra e vende melhor no Brasil?

Este levantamento foi feito de forma simples e objetiva.  Considerando os valores em euros das negociações entre clubes para compra e venda de jogadores de 2010 até 2016.

Ou seja, se um clube contratar um jogador sem contrato ou em fim de contrato, não considera-se compra.  Apenas os valores que foram trocados entre clubes para compra e venda de jogadores (e empréstimos remunerados) estão sendo computados.

Os dados levantados são do site TransferMarkt.

A ser notado: 

  • Apenas Palmeiras e Flamengo sairam do perfil de exportador e tiveram prejuízo nas compras e vendas
  • Santos e Internacional tem a melhor relação compra e venda do país.
  • Botafogo, Vasco, Flu e Grêmio foram os que menos compraram.
  • Pato foi a maior compra de um time brasileiro no período. 15 milhões de euros.

abs,
RicaPerrone

Os elencos mais valiosos do Brasil

Os sócios, a média de idade, o valor estimado do elenco atual de cada um dos grandes.  Como isso se relaciona?

Percebeu que os elencos mais caros são dos clubes que tem mais sócios? Será mero acaso?

Note que Corinthians e Palmeiras tem os elencos mais caros do país. Botafogo e Vasco, não a toa os recém rebaixados e promovidos, os mais baratos. Também não a toa os com menor número de sócios.

A matemática simples de (mais sócios = mais dinheiro = melhores jogadores)  parece ter ficado mais exposta agora com esses números. Embora a diferença entre torcidas seja gigante, os sócios rondam a casa de 70 mil em média para um grande.

Os “milagres” ficam por conta do Fluminense, que tem uma base muito mais produtiva que a média, e o Cruzeiro, que também tem revelado jogadores e usado bastante a base.

O Santos, embora também seja referência no assunto, tem alguns jogadores de muito bom nível mas de muita idade em seu elenco, o que reduz o valor de mercado do time.

Os valores de mercado estimados são do site TranferMarkt.

abs,
RicaPerrone

Então já era

São 120 anos de futebol no Brasil. Das coisas básicas que ele nos ensina, decoramos o pênalti, o impedimento, a regra de jogar com os pés e outras verdades absolutas que repetimos feito papagaios desde então.

“Quem não faz, toma”. “Clássico é clássico”.  “O jogo só termina quando acaba”, entre outras tantas.

Quando Palmeiras e Santos sairam pra final da Copa do Brasil eu vi o Palmeiras começar a ganhar o título no minuto seguinte.

“O Santos vai atropelar”.  “Goleada”. “Massacre”. “Sem chance”.

Vi jornalistas “cravando” em rede social que o Santos era campeão da Copa do Brasil. E vi um placar de 1×0 no jogo de ida que passa longe de significar algo resolvido. Ainda mais contra um Palmeiras.

Cada dia que passava antes da decisão eu tinha mais certeza que daria Palmeiras. Não porque o Santos tenha culpa no oba oba que fizeram com ele, mas porque o futebol se ofende e as vezes precisa se impor.

O futebol hoje era palmeirense.

Ele queria mais uma vez explicar que nós o amamos por não sabermos o que esperar dele, não porque ele é previsível, óbvio e justo.

Calado,  o Palmeiras assistiu a toda preparação para a festa do Santos. Cada virgula colocada na mídia motivava o Palmeiras e invertia o cenário do jogo.

Pobre Santos, encurralado por um adversário que nem estava na disputa.  Mas que acabou sendo decisivo.

O Palmeiras não entrou em campo hoje pra jogar uma partida. Entrou pra defender sua honra, pra calar a boca de muita gente e pra passar por cima de qualquer limitação que pudesse lhe atrapalhar.

O Santos não entendeu. Aqueles garotos pareciam olhar em volta sem conseguir dimensionar o que era aquele estádio cheio numa decisão contra eles.

Como é grande esse Palmeiras de perto, né?  Pelo jornal parecia tão menor…

abs,
RicaPerrone

Quando a regra não é clara

Eu não quero levar a partida para a arbitragem, se é isso que o título lhe sugere.  Sobre os pênaltis, discutíveis, eu não daria nenhum deles. Mas a regra que realmente quero discutir é outra.

Gabriel tem 19 anos.  Esse menino joga sua primeira grande decisão como protagonista titular de um grande clube ao vivo para todo país. Aos 5 minutos de jogo o Santos tem um pênalti, ele pega a bola e vai cobrar.

O gol do Gabriel poderia abrir caminho para a tal vitória fácil que previam do Santos sobre o Palmeiras. Mas ele perde. A trave o leva do céu ao inferno e, candidato a herói, no momento, é o grande vilão em caso de derrota.

Esse menino joga o restante da partida tendo que absorver tudo isso e tentar compensar de alguma forma seu erro. Já no fim do jogo ele marca um golaço e dá ao seu time a vitória que encaminha para um título ainda indefinido.

Gabriel então perde a razão, o controle e tira a camisa.  Ele grita, se bate, olha pra torcida, pro céu, agradece, não sabe nem pra que lado correr.  E ao final deste memorável momento que faz do futebol a nossa estranha loucura, ele é punido.

Eu sei. Vai ter alguém que dirá que “o patrocinador, blá blá blá…”.  Mas é realmente passível de punição por regra que o descontrole emocional após ser o autor de um gol decisivo seja um erro?

Você realmente gostaria de futebol tanto quanto gosta se o garoto fosse até a grade e desse um soquinho no ar já caminhando pro meio campo?  O quanto você se identificou com a perda de controle dele, a euforia e a vontade de correr pra todos os lados ao mesmo tempo?

Em 2006 Tinga foi expulso porque tirou a camisa quando fez o gol mais importante da história do clube.  Como prêmio ele viu o jogo terminar fora do gramado.

Eu não contesto os argumentos sobre patrocinadores e conduta.  Contesto o real significado do futebol e de se realmente o patrocinador prefere ficar na pele de um profissional frio e calculista do que voar das mãos  de um herói de título.

Eu ia querer voar.

abs,
RicaPerrone

Estatísticas: Santos 1×0 Palmeiras

Confira os dados do jogo Santos 1×0 Palmeiras pela Opta Sports, maior empresa de estatísticas do mundo!

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Jogadores que mais tocaram na bola:

Lucas Lima – 83 vezes (Santos)
Zeca – 67 (Santos)
Victor Ferraz – 61 (Santos)
David Braz – 60 (Santos)
Robinho – 58 (Palmeiras)
Zé Roberto – 56 (Palmeiras)

Mapa de Calor

Santos

Santos

Palmeiras

Classificação Planejada 2015

Todo começo de temporada os treinadores fazem um planejamento. Aí você pode perguntar: “Que diabos de planejamento é esse? Ele planeja perder? Não era pra tentar ganhar todas?”. Sim, era. Mas nem treinador é tão apaixonado e maluco de imaginar que vencerá todos os jogos de um campeonato como o Brasileirão.

Assim sendo, eles planejam uma forma média de atingir os pontos do último campeão, ou perto disso. E você pode se perguntar: “Qual critério ele usa pra saber onde pode perder ou onde tem que ganhar?!”.

Normalmente eles seguem uma linha simples.Ganhar todas em casa, bater nos pequenos fora, empatar com os médios e aceitam perder pros gigantes fora de casa. Esta soma dá o suficiente para você estar, no mínimo, brigando pelo título. A não ser que alguém dispare e quebre todo planejamento.

O mais afoito pergunta: “Mas se um time tem 20 pontos e o outro 18, com os mesmos 13 jogos, é óbvio que ele está melhor, não?!”.Não. E se o que tem 20 pegou 5 pequenos fora, 1 clássico e 7 grandes em casa? Significa que ele pegará os 7 grandes fora no returno. Talvez os 18 pontos conquistados sobre clubes mais fortes sejam mais valiosos do que 20 em pequenos.

Atenção:
– Todos os times, se cumprissem os pontos sugeridos, chegariam a 74 pontos.
– Alguns times podem perder clássicos, outros não. Isso porque alguns tem 2 clássicos por ano, outros 6.
– “Ah mas se meu time perder um jogo que era pra ganhar, ja era?” Não. Você calcula por outro jogo que “não era pra ganhar” e equilibra. Compensa.
– Eu não entendi! Facilitando: O importante não é seguir a risca os resultados. É chegar a rodada X perto ou com mais dos pontos planejados pra rodada X. O percentual diz o quanto seu time fez de pontos perto do que DEVERIA ter feito até aqui para brigar pelos 74 pontos. Só isso.
Enfim, aí está! Se você não entendeu, pergunta pro amiguinho do lado que ele explica.

Palmeiras 2×1 Fluminense: Os números e os lances decisivos

Pois vamos ao povo que quer polêmica.  Os lances discutíveis do confronto em tópicos e no final os números do jogo exclusivo pra vocês.

  • Acho que o Fluminense jogou melhor a soma dos 2 jogos do que o Palmeiras
  • Achei que não foi pênalti pro Palmeiras no Maracanã
  • Achei que o jogador do Palmeiras não estava impedido no gol anulado do Maracanã, embora saiba que é um lance bem polemico e dificil.
  • Achei falta fora da área no lance do pênalti no Allianz Parque. Embora também ache bem dificil esse lance.
  • Achei que o erro maior do lance foi do Marlon quando tenta fazer drible de corpo pra sair jogando ao invés de enfiar a bica após a defesa do Cavalieri.
  • Acho que o Fred foi o melhor jogador do confronto. Pela entrega, pelos gols, pela liderança. Enfim.
  • Achei que o Eduardo não errou ao escalar o Gum pra bater pênalti. Mas errou ao não treinar pênaltis ontem.
  • Acho que a arbitragem interferiu no resultado como interfere em 50% dos jogos pelo mundo.  Na minha avaliação, prejudicando o Fluminense porque eu não daria o penalti aqui e sim falta. Mas insisto: Lance difícil, longe de ser “roubo”.
  • Os erros do juiz podem tirar a culpa de um time pela derrota, mas não tiram os méritos do outro pela vitória.

A fábrica de quase heróis

Era noite de para super herói.  O Fluminense é aquela cidade violenta onde quase toda semana alguém aparece para salvar o povo e permitir uma noite feliz.

Semana sim, outra também, Fred é a esperança tricolor.

E o roteiro hoje era impecável.  Uma perna só, no sacrifício, tendo a favor de vosso discurso um pênalti mal marcado no Maracanã que fatalmente, não fosse uma goleada, seria o grande “motivo” da derrota.

Ele joga, fica, grita, marca o gol e leva o jogo pros pênaltis. Lá, onde toda a história do futebol diz que ele tende a perder a façanha dos 90 minutos, se coloca pra bater o decisivo.

Quis o destino que Fred não terminasse vilão de seu próprio show.

O Fluminense jogou melhor que o Palmeiras em 180 minutos, teve um pênalti mal marcado no Maracanã (embora também ache que o gol do Palmeiras tenha sido mal anulado)  e hoje teve um discutível pênalti que começa fora da área e termina dentro.  Eu não daria. Daria falta. Mas passo longe de chamar isso de “roubo”.

O discurso da eliminação, salvo uma goleada, estava pronto de véspera. E a imagem do pênalti no Maracanã será reprisada pra sempre quando o assunto for Fluminense/Arbitragem.  Previsível.

O ponto mais interessante do jogo hoje é que Fred teve seu dia de Thiago Neves, nas devidas proporções, é claro.

Fez tudo que tinha que fazer pra salvar a cidade em mais uma noite de super herói. Mas, como o mocinho morreu no final, ninguém vai contar essa história pros netos. Por mais que ela merecesse.

abs,
RicaPerrone

Allianz Parque – Capítulo 1

Era uma vez um estádio.  Durante um período não muito feliz dos anfitriões ele foi ao chão e, no melhor negócio da história do futebol mundial em todos os tempos, uma nova Arena surgiu.

Para alguns, covardes, oposição velada ao futebol brasileiro, ele se chama “Arena Palmeiras”.  Não. Não se chama. O nome é Allianz Parque, nascido em 19 de novembro de 2014, numa derrota. Mas a história é escrita como nos convém, logo, pro capítulo “estréia”, fica valendo a de 1933, 6×0 no Bangu, e foda-se.

Voltemos no tempo. Ou melhor, corremos.

Chega o esperado 29 de outubro de 2015 e o Palmeiras tem sua primeira partida inacreditável em sua nova velha casa.  Sim, eu sei que o Cruzeiro já esteve lá sendo eliminado. Mas existem jogos decisivos, jogos importantes e jogos para sempre.

Pela primeira vez o Allianz Parque sediou um jogo que nunca vai terminar.

Naquela eufórica torcida que clama por grandeza e títulos do tamanho de seu estádio, havia uma mistura de medo e fé. Um roteiro digno para um primeiro capítulo.

Os gols, a queda de rendimento, o herói do jogo pintando do outro lado, toda a história sendo escrita para uma página de superação e dor comandada por Fred, o injustiçado. E não diga que não, porque todo torcedor enxerga essa história do dia seguinte sendo escrita durante o jogo.

Quando terminou, o Fluminense tinha uma classificação épica. O Palmeiras, um gostinho de “jogo perdido” por ter sofrido o último gol do jogo.

Mas tinha que ser assim, sofrido, nos pênaltis, devagarinho, com todos os olhos na mesma direção, para que fosse eterno.

Prass, Gum, nenhum herói nem vilão de fato, pois no capítulo primeiro do Allianz Parque a estrela maior teria que ser o Palmeiras como um clube, não como pano de fundo para um jogador se eternizar.

E acabou. Pra que nunca mais tenha fim este Palmeiras 2×1 Fluminense que trouxe de volta tanto “palmeirismo” ao palmeirense.

Que discutam os pênaltis, o juiz, a sorte.  A história está escrita. E é só o começo.

abs,
RicaPerrone