Palmeiras

Um Palmeiras mais leve

Pra mim só há uma forma de jogar futebol: sorrindo.  Qualquer tentativa de levar esse esporte como obrigação, mero dever profissional ou uma ciência exata é perda de tempo.

Times campeões sorriem enquanto jogam. Se divertem enquanto driblam e tem prazer em jogar bola.

O time do Marcelo era bastante pragmático, parecia jogar pelo mínimo necessário. E embora as vezes funcionasse, faltava alegria e tesão pelo gol.

Cuca não deu ainda um padrão, nem mesmo ajustou o Palmeiras ao nível que se espera dele a médio prazo. Mas fez o time gostar do jogo.  Não se omite mais, tenta algumas jogadas de efeito, sorri com facilidade após um grande lance e faz a torcida vir com ele.

Até pra ser “guerreiro” tem que se divertir com o que faz. Com aquela bola retomada na lateral, aquele pique que supera o adversário, ou até mesmo o carrinho duro que o derruba.  Quem tem tesão no que faz, sorri quando faz.

O Palmeiras não atropelou o São Bernardo. Não é zebra nem favorito contra o Santos, mas é um time completamente diferente do que vinha sendo na proposta, na personalidade e na vontade de jogar bola.

Jogador de futebol gosta de jogar bola. Quando um time cria menos do que destrói, o jogador não tem prazer em estar ali. O Palmeiras é protagonista e deve, perdendo ou ganhando, buscar o gol mais do que tentar evita-lo.

E Cuca concorda com isso. Graças a Deus.

abs,
RicaPerrone

Muito Palmeiras

12512640_1251874694842540_7535518976911740217_nAs chances que dizem ser remotas na verdade me parecem uma dose quase terrorista pra vender um cenario.

Dificil? Claro! Menos do que imaginar esse empate la de um time que ha uma semana nao ganhava coletivo contra cones.

O Palmeiras fez um grande jogo na argentina. Nao apenas pelo placar mas pela postura e pelas oportunidades de ter vencido o jogo mesmo com um a menos.

O resultado pra muita gente é a unica coisa que importa, e permita-me descordar. O que realmente importa é ver sua camisa dignamente representada. Perder, ganhar e empatar sao parte inevitavel do processo.

Hoje o Palmeiras foi muito Palmeiras. E talvez nem mesmo uma vaga mas oitavas seja mais importante do que ve-lo do tamanho que de fato tem.

Acho que da. E mesmo que não dê, tem quem morra de costas correndo e quem morra atirando.

So respeito o segundo. E o Palmeiras esta em pe, surrado, sangrando, mas ainda atirando.

abs,
RicaPerrone

Os milagres de Cuca

No Fluminense, o já rebaixado que escapou. No Galo, naquela Libertadores, nem preciso contar as vezes em que o sobrenatural fez de Cuca um herói.  No Botafogo, com o que chamaram de “timinho”, fez um timão.   E no Palmeiras Cuca espera sua hora de brilhar.

A questão não é “se”, mas “quando”.  É muito difícil o Cuca passar por um lugar sem deixar uma história, no mínimo, memorável.

Precisa de um ponto de partida. De uma defesa do Victor, de uma virada contra o Cruzeiro lá, ou de uma vitória contra o Rosário nos pênaltis no Morumbi. Milagres frescos ainda na memória de atleticanos, tricolores, sãopaulinos…

O jogo de Cuca era esse. Parar o indiscutível Tite, comandar a partida e, com drama, vencer o rival e respirar no campeonato.  Pronto! Está feito.  Cuca estreou.

Se o Palmeiras tivesse feito 3×0 no primeiro tempo, nada teria a ver com Cuca. No contra-ataque de um pênalti perdido pelo adversário, que me perdoem as mais evoluídas entidades, santos e orixás, mas é coisa de Cuca.

O Rosário já não é mais é um delírio. O estadual idem.  Qualquer “nem fodendo” virou “vai que…”.  E é assim que acontecem os milagres de Cuca.

Com fé, trabalho, drama, lágrimas e muita emoção.

Cuca estreou.  Abençoado seja o Palmeiras.

abs,
RicaPerrone

Estaca zero

Nada.  O Palmeiras que Marcelo deixou não tem nada ensaiado.  Ele é um esboço de time que tem uma formação tática pra se defender, nenhuma idéia do que fazer com a bola e nenhuma alternativa que não seja a bola cruzada na área pra ver o que acontece.

Cuca chegou agora, não tem o que fazer. Talvez tenha chegado um pouco tarde já que agora virou quase um milagre essa vaga. Mas dá! E enquanto der, no futebol, tem que acreditar e brigar.

O assustador é a falta de equilibrio, de direção.  Um time que joga junto há 3 meses não pode apresentar o que o Palmeiras apresenta. Sabem disso, tanto que trocaram o treinador.

O problema é quando.

Será que ainda dá?

Não é um recomeço. É um começo.

abs,
RicaPerrone

O saldo de 2015 dos 12 grandes

Embora os resultados oficiais divulgados pelos clubes só seja apresentado no mês de abril, o Itau BBA entregou um balanço dos 12 grandes em 2015 já neste mês.

Segundo o BBA, os 12 grandes faturaram 2,58 bilhões em 2015.  Gastaram 2,41 bilhões, o que determina um raro ano onde o futebol brasileiro “lucrou”.  E este lucro está bastante baseado na gestão de recuperação financeira do Flamengo.

Só o clube carioca, segundo estimativa do Itaú BBA, teve um saldo positivo de 114 milhões.

Outros clubes que se destacam pelo saldo são Fluminense, Palmeiras e Cruzeiro. Sendo que a saúde financeira do tricolor carioca esteve colocada em dúvida desde a saída da Unimed em janeiro de 2015.

Curiosamente ou não, os 4 saldos devedores são Galo, Corinthians, São Paulo e Grêmio.  Os 4 clubes conseguiram vaga para a Libertadores.

abs,
RicaPerrone

O melhor técnico humano do mundo

O padrão do futebol moderno implica em definir grandes treinadores como aqueles que estudam, usam terno, fazem do futebol quase um processo matemático e que se portam como seres imunes a erros.

Eles não podem ter manias, cometer exageros, usar a suas crenças e nem mesmo transformar seus trabalhos em memoráveis e sofridas páginas da história de um clube.

O treinador padrão é frio. É como o futebol tem se tornado.

Cuca sofre, leva fama, vira o jogo. Cuca chuta tudo, chora, cai no chão. Cuca grita, berra, se desequilibra e quando vence age como um jogador em atividade.

Cuca é o Galo campeão, o Botafogo do quase, o Fluminense do milagre.  Cuca faz mais do que bons trabalhos. Faz história.

O futebol é um pretexto para a criação delas. Acredite: é mais interessante lutar pra não cair do que estar em décimo. É mais bacana perder chorando do que como se nada fosse.

Cuca é imune ao óbvio.

Por onde ele passa fica mais do que uma taça, mas sim uma história de superação, envolvimento clube/torcida, paixão, milagres, noites memoráveis e a figura humana de um técnico “retrô”, sem ser um atraso.

Cuca é a melhor escolha que um clube pode fazer se acreditar que o futebol é mais do que um jogo. E é.

abs,
RicaPerrone

Um grande jogo

Captura de Tela 2016-03-13 às 12.57.17Perdoem-me os pessimistas, mas não vi nada de ruim no Pacaembu neste domingo.  Da boa atuação do time reserva do São Paulo ao segundo tempo do Palmeiras, nada me desagradou.

Intenso, rápido, com altíssima média de passes certos (85%). Não esperava.

Achei que o São Paulo foi até melhor na partida, teve um amplo domínio no primeiro tempo. Mas no fim o Palmeiras encaixou um contra-ataque já ensaiado minutos antes e fez o dele.  O segundo gol entra pra cota do Robinho contra o SPFC. É padrão já.

Alecsandro segue sendo o jogador “meia boca” mais interessante do país.  Ele é centroavante mas arma jogadas melhor do que finaliza. E a cada 3 gols na cara que perde, faz um golaço para balancear as críticas e confundir velhas verdades.

Hoje, o nome do jogo.

E que jogo bom de assistir.

Posicionamento estatístico médio:

abs,
RicaPerrone

Estatísticas: Palmeiras 1×2 Nacional

Em parceria com a #Opta, o blog mostra os gráficos e alguns números que explicam a derrota do Verdão no Allianz Parque.

Veja os passes errados do Palmeiras no campo de ataque. Note a quantidade absurda de bolas jogadas na área adversária ao invés da troca de passes.

O posicionamento médio estatístico do time em campo mostra uma centralização clara para receber cruzamentos. Os que entraram, entraram também com a função de encontrar essa bola.

Os jogadores com maior precisão no passe:

Zé Roberto 94,8%
Lucas 90%
Jean 89,1%

Os jogadores com pior precisão de passe:

Gabriel Jesus 75%
Cristaldo 79%
Dudu 79,3%

  • O Palmeiras trocou 500 passes no jogo.  Destes, 50 foram longos.
  • Foram 27 cruzamentos na área o jogo todo.

Captura de Tela 2016-03-10 às 14.20.07A troca de passes mais comum do jogo foi entre Robinho e Lucas. Foram 13 passes. Veja no gráfico ao lado onde aconteceram e leia com facilidade as características do jogo.

Robinho é um jogador de meio campo que tem a bola de frente pro adversário.  Sem opções de jogadas pelo chão, estica a bola na lateral para que aconteça um cruzamento.

Essa foi a jogada que o Palmeiras mais fez na partida.  Seria curioso, não fosse há tanto tempo a única jogada do time.

abs,
RicaPerrone

Mais do mesmo

Resultados são tão questionáveis quanto a falta deles. Quando Marcelo Oliveira montou aquele Cruzeiro que jogava um bom futebol, poucas pessoas sugeriram não ser tão filosofia dele quanto vocação do elenco. Hoje, passados alguns anos, temos mais fé em Goulart e Everton do que em Marcelo Oliveira.

Seu bicampeonato com o Cruzeiro já terminou o ano só com bolas cruzadas. O torcedor menos doente do Cruzeiro já notava isso e questionava a queda. Mas o time era campeão, dane-se como.

Marcelo pode ter perdido peças, um momento onde “o que dava” era pra viver de bola na área. Vamos em frente.

No Palmeiras, contratou quem quis. Teve opção pra montar o time de todo jeito que possa imaginar e, se não for pelos pés de Dudu e Jesus, nenhuma bola chega ao ataque palmeirense sem voar.

Não há jogada, não há padrão.  Não há nada de novo, mesmo quando funciona.

E note a diferença fundamental de discussão: O que é novo x o que funciona.

Muricy funciona. Jamais se questionou isso.  Mas é de mais Muricys que precisamos ou de mais Tites com filosofias modernas, competitivas e ao mesmo tempo bem trabalhadas?

O futebol permite que se chegue a resultados através de detalhes isolados. Quando fechamos um time e buscamos a bola parada, temos todo jogo pelo menos 5 chances claras de fazer o gol.  Se ela entrar, o técnico é bom. Ganha 500 mil. Se não entrar, dificilmente vai gerar uma grande má fase porque o treinador do outro lado normalmente também faz isso.

Pobre do nossos times que dependem tanto do medo de perder.

Marcelo pode ser campeão mais 15 vezes. Nunca se contestou o resultado, mas sim a forma.  Não há nada de novo no que faz Marcelo Oliveira. Nada.

abs,
RicaPerrone