penalti

O amargo sabor de um grande empate

Assim, sem pensar muito, empatar no Morumbi contra o São Paulo é um puta resultado, não?

Não.  Hoje não.

Porque em 90 minutos o Vasco fez, seguramente, sua melhor partida no campeonato. Calmo, controlando a partida, criando opções, tendo inúmeras oportunidades de ter matado e ampliado o placar após o 2×1.

E com um homem a menos, jogando muito mal, o SPFC era um risco pelo individual. Mas todo vascaíno deveria já ter aprendido neste Brasileirão que o jogo só termina quando o juiz apita. Não fosse isso o Vasco já estaria fora do Z4.

Não está. Mas está perto disso.

E se pra muito vascaíno o jogo de hoje e o empate de quarta-feira simbolizam o “fim do sonho”, eu entendo que a distância que já foi de 11 ter chegado a 4 é um passo a mais pra busca-lo.

Se vascaíno fosse, compraria meu ingresso amanhã cedo.  Não sou, sou sãopaulino, diga-se.

E todo chororô do pênalti se resume a uma condição: A CBF orientou assim? Então foram dois penaltis pro Vasco.

Concordo? Não. Pra mim existe bola na mão, mão na bola e nada mais.  Essa regra é clara no meu entendimento, mas não serei arrogante de achar simples sendo que ha 100 anos se discute a mesma coisa e ninguém ainda chegou num lugar comum.

O São Paulo não pode esconder outra atuação bem ruim com uma discussão sobre um lance. Jogou mal quarta, jogou mal hoje, e não se engane pelo marketing gratuito que a mídia fará ao Osório.  Com ele, o SPFC também sempre foi um time irregular. Capaz de grandes vitórias e derrotas patéticas. Ou seja, pouca coisa mudou.

Mas se eu fosse imaginar um torcedor eufórico com o empate no Morumbi, mesmo diante das circunstancias e especialmente pela atuação, ele seria vascaíno.

abs,
RicaPerrone

Quando um lance fica maior que um jogo

São Paulo e Corinthians fizeram muito mais do que o resultado insinua.  Num grande jogo, aberto, cheio de alternativas e com dois times buscando a bola no chão, qualquer resultado era bem aceitável até os 47 do segundo tempo.

Ali, naqueles segundos finais, o jogo todo foi apagado.

O que resta é saber se foi ou não pênalti, Não adianta fugir pra qualquer subjetivo argumento que possa salvar a tese de que, aos 47, um penalti mudaria o resultado sem chance de reverter.

Bem verdade que penalti não é gol. Mas é a melhor chance que há.

E se por um lado o SPFC teve mais volume de jogo e até duas bolas na trave, o Corinthians é claramente um time mais bem formado na parte coletiva.  Embora sem os 3 pontos e uma liderança pragmática de outros tempos, o Tricolor joga um futebol hoje que há muito não jogava.

É protagonista do jogo, dono das iniciativas e não se esconde atrás de uma bola parada. Alguns dizem que o Tite parece o SPFC de 2006/2008. Mas não é verdade. O Corinthians busca o jogo pelo chão, tem alternativas ofensivas treinadas e não depende de bola parada para vencer.

Gosto desse São Paulo.  Mesmo sabendo que ele é menos favorito do que o anterior, eu prefiro esse.

E tal qual o jogo, nada do que escrevi até aqui importa mais. Tudo que você quer saber é se foi ou não pênalti, certo?

Então eu te digo que achei o lance confuso porque ele parece levar a mão ao corpo, mas quando toca na bola ele parece que a empurra de propósito.  Eu daria.

O pênalti, seus corintianos …. O pênalti!

abs,
RicaPerrone

Não concordo!

Com 5 minutos de jogo o árbitro marca pênalti pro Fluminense.  Eu não concordo.  E ali o jogo tomou um outro rumo.  O Flamengo tinha que ir com a bola dominada pro ataque e quem contra-atacava era o Fluminense de Gérson, talentosíssimo e inteligente, e Fred, que adora decidir jogos difíceis.

O Fluzão faz 2×0, o Flamengo diminui e o jogo fica caricato.  O Flamengo com a bola, o Fluminense muito mais inteligente nas poucas vezes que pegava nela.  Qualquer um podia fazer o próximo gol.

Os times vão pro intervalo e quando voltam Cristovão troca um meia por um atacante aberto. Ora, Cristovão! Se a bola não chega porque colocar mais um que recebe e tirar um dos poucos que criam? Não concordo.

E o Fluminense fez 3×1 num contra-ataque arrasador.

Era “justo”?  Depende. Não concordo que não seja considerando que o time do Flamengo tem a bola e nenhuma idéia do que fazer com ela. Mas e o pênalti?

Ah, o pênalti….

5 do segundo tempo, expulso Giovanni. Não concordo.

Mas antes dele sair, Gérson se machuca e o Enderson coloca Pierre em seu lugar.  Sem saber que ficaria com 10. E portanto, não concordo.

Chamou o Flamengo.  Perdeu poder de fogo, não ameaçava mais e isso tudo com mais 40 minutos pela frente era um perigo, mesmo com 3×1 no placar.

Em seguida ele saca o Vinicius e coloca um lateral.  Não concordo mais uma vez.

O jogos e torna um ataque x defesa constrangedor em alguns momentos. O Fluminense, agora com um a menos, simplesmente não existe ofensivamente. O Flamengo deixa dois atrás conversando com o Fred e passa o resto do tempo com a bola tentando achar alguém no time capaz de pensar uma jogada.

Não encontra.

E quando encontra, lá no final, é um cruzamento na área com um gol de cabeça. A única coisa que poderia sair daqueles mais de 70% de posse de bola sem nenhuma inteligência.

Então Fred se joga e ganha tempo. O Flamengo não joga a bola pra fora, o Flu reclama. E eu novamente não concordo.

Bola pra fora é pra contusão, não pra quem tá cansado e se joga pra ganhar tempo e sair mancando. Fred não se contundiu. O Flamengo não tinha que jogar a bola pra fora.

E termina o jogo! Festa do Flu, que ganha o clássico no Maracanã.

Talvez você realmente ache que o Flamengo tenha um grande time e que a saída da Unimed tenha deixado o Fluminense em péssima situação.

Mas não. Novamente eu não concordo.

O Fluminense tem o elenco mais técnico do Rio. E se uma das promessas estourar, especialmente o Gérson, é time pra brigar lá em cima por G4. Porque num futebol onde tudo é tão igual, faz muita diferença ter um ou dois caras diferentes. E o Fluminense tem.

abs,
RicaPerrone

E aí? Foi pênalti?

Reveja a imagem, por todos os angulos possíveis, e em 27 segundos de vídeo dê sua opinião final. Especialmente quem não é nem Flamengo, nem Vasco.

 

Vasco em 180

Deu Vasco. E se desse, sabemos, seria “porque a FERJ quis”.  Odeio finais determinados antes do desenrolar da história, mas tenho que conviver com eles.

Um Fla x Flu seria “apesar de”, um Bota x Vasco seria “óbvio que”.

Eu não quero isolar um lance pra fazer insinuações até porque nunca fiz. E se em 2014 eu não disse o que o vascaíno queria ler, não será em 2015 que direi o que o rubro-negro espera.

Em 180 minutos, o Vasco foi mais prejudicado pela arbitragem que o Flamengo. As duas expulsões incontestáveis ainda no primeiro tempo no jogo de ida dificilmente permitiriam ao Flamengo sair daquele jogo perdendo de pouco num 11 x 9.

E honestamente, isso nem foi tão determinante assim no resultado diante das partidas horríveis que o Flamengo fez.

Não que o Vasco tenha jogado bem. Foram dois jogos tecnicamente de se contestar treinadores. Só bicão, nenhuma jogada, nenhum “treinamento”  colocado em prática na construção de jogadas.

Mas ao final de 2 partidas, a vaga cairia pra um dos lados quase que na moedinha. Ninguém jogou nada. Um detalhe os separaria.

E não me diga que foi “o pênalti”, porque nem Roberto Carlos enumeraria os “detalhes” destas duas partidas que o árbitro inverteu ou se equivocou.

Eu não quero ser o cara que te garante que tudo isso é honesto. Mas eu preciso de muito menos caráter e respeito a você pra te insinuar ou afirmar que não seja.

Estragaram o clima das finais do estadual. Eu quero contar uma bela história e desde antes da bola rolar só se fala no juiz, na FERJ, no Eurico, no Bandeira. Ou seja, em gente que não devia fazer parte da véspera do jogo. Talvez, no máximo, do pós.

Você quer que eu te diga se achei pênalti? Não. Acho que não. Mas também não achei um lance absurdo.

Estive entre as duas torcidas na zona mista do Maracanã. E em momento algum os dois conseguiram olhar mais pra bola do que pro juiz.

Isso sim é uma tragédia, um “erro”, um “roubo”.

No pouco que vi de futebol em 180 minutos, o Vasco foi um pouco mais organizado, mais prejudicado pela arbitragem e pareceu mais disposto a se sacrificar pela vaga.

O Flamengo que começou 2015 tocando a bola e sem dar chutão, não troca mais 2 passes e vive de chutão. Se algo mudou e preocupa o rubro-negro, não deve ser o juiz.

E por favor, não estraguem o que restou do Carioca com novas insinuações pré-jogo que tirem dos jogadores de Vasco e Botafogo o protagonismo das próximas duas semanas.

Deixa a bola rolar um pouco, porque os maiores erros do campeonato carioca até aqui não tem sido de arbitragem, mas sim de passes, cruzamentos, etc…

abs,
RicaPerrone

Os malditos pênaltis

Há tempos não assistia apenas as cobranças de pênaltis do meu time. Ou estava no jogo ou, na pior das hipóteses, assistia ao jogo todo pela tv.

Hoje, trabalhando em Cruzeiro x Galo, não pude ver. E gravando em vídeo, uma experiência nova pra mim, não dá nem pra ficar olhando de lado.

São Paulo e Nacional faziam um jogo de 1984 pra mim, onde eu sabia perguntando pra pessoas ou no máximo ouvindo um radinho qualquer. Quando o jogo era transmitido, diga-se.

Pai, esposa, sms, whatsapp, bolinha na Globo e a porra do jogo que não acaba.  Até que acaba, e todo aquele “mais um jogo” se torna “o jogo”.

Os pênaltis tem uma capacidade cruel de pisotear sua dignidade perante a sociedade.  Todo controle que você tem sobre seu corpo pra não parecer um perfeito idiota vai pro ralo quando uma disputa de pênaltis se inicia.

Você reza pra santo que não acredita, beija qualquer merda que estiver a mão, junta as duas perto do peito e se concentra como se fosse decidir a vida da sua própria mãe.

Bastou 7 minutos de tv ao vivo e uma noite super agradável e produtiva de trabalho se tornava uma noite de merda.

Os pênaltis. Malditos pênaltis.

Kardec derrubou meu copo, minha auto estima, meu semblante, minha noite, o fim da carreira do Rogério e uns dois programas extras que gravariamos este ano.

Alem disso, eliminou o meu time.

Antes fosse goleado, me deixando puto. Antes fosse roubado, me fazendo vítima.

Cruel, foi nos pênaltis. Aquela maldita fórmula de desempate onde o futebol te dá o gostinho da vitória pra depois tirá-la de você e te fazer lembrar do quanto você se importa.

Mesmo quando não está nem ai.

abs,
RicaPerrone

Não. Hoje, não!

Que me perdoem os exaltados botafoguenses a beira de mais fracasso, mas “hoje não”.  Vaia é uma reação normal, quase automática ao final de uma derrota. Mas quando se perde como hoje, não.

Em campo um time desfalcado, com 2 meses de salário atrasado, jogando bem, correndo, até ter um pênalti contra inventado pelo arbitro. Dali pra frente não precisa ser mais do que médio conhecedor de futebol para saber que viria um festival de erros bobos, pressão, tensão e um jogo de ataque x defesa com poucas chances de empate.

Foi o que aconteceu.

Não justifica talvez algumas más atuações. Mas não é justo, pra mim, jogar nas costas de um lateral uma derrota por um pênalti que ele não cometeu.  Tocou a bola, claramente.  Não há pênalti algum no lance.

Se o Botafogo já cansou de se complicar por falta de postura em grandes jogos, desta vez não é o caso.  Jogou bem, soube se impor, mas infelizmente foi prejudicado por um erro do arbitro.

Acontece. Muitas vezes, diga-se. Mas acontece.

As vaias são legítimas, honestas, espontâneas e compreensíveis. Tanto quanto injustas.

Ainda dá.

abs,
RicaPerrone