volta

Fortaleza faz o óbvio ao invés de cena

Incomum, não absurdo. Absurdo é não compreender a saída. Absurdo é condenar a volta.

O Fortaleza está agindo não apenas com humildade mas com grandeza.  Nenhum dirigente do tricolor é hipócrita de dizer que não teria ido. Apenas comentaristas virtuais acham que é normal dizer não pro Cruzeiro estando no Fortaleza.

Ceni fez o que qualquer um faria. Não deu. O clube não tem motivos pra ter magoa. Apenas inteligência pra entender o cenário, se colocar como menor do que o Cruzeiro, porque de fato é, e chama-lo de volta.

Não consigo ver onde está o problema em ser lógico.

Nem no Ceni em voltar, menos ainda no clube em ligar pro treinador que melhor conhece esse time e saiu por uma causa justíssima.

RicaPerrone

A volta do melhor centroavante do Brasil

Fred é mais um ídolo do futebol brasileiro judiado pela estupidez do torcedor e ingratidão jornalística.  O melhor centroavante do Brasil ainda em atividade voltou e marcou dois, aos 35 anos.

Suas contusões sempre atrapalharam muito uma carreira brilhante. Dessa vez cheguei a pensar que ele desistiria, mas que bom que me enganei.

Fred é um dos jogadores que melhor ouvi falar até hoje por companheiros, um capitão de time que todo mundo que trabalhou com ele respeita e dentro de campo é simples avaliar: alguém dentro da área foi melhor que o Fred no Brasil desde 2012?

Não.  Bem vindo de volta, “Don Fredon”!

RicaPerrone

Quem é esse cara?

Eu serei prático ao dizer que nunca vi no Gabigol futebol pra 30 milhões de euros. Acho que o Santos deu muita sorte nessa e vendeu na hora certa.

Não serei hipocrita de dizer que acho que não dar certo na Europa aos 20 anos significa que tenha tudo dado errado e que o garoto não vale nada.

Mas aos 21 anos, e embora tenha algum tempo já de intimidade com nosso futebol, quem é Gabigol?

O menino de ouro? Mais uma cria de Neymar? Um jovem craque amadurecendo? Ou um novo Keirrison?

Não sei e acho que hoje ninguém é capaz de dizer.  Mas os 30 milhões que a Inter erradamente investiu nele não cabem hoje pra analise.  Foi uma aposta. E uma aposta perdida.

O Santos aposta de novo em seu próprio garoto. E pode recupera-lo, embora eu tenha o potencial dele como algo inferior ao que ele mesmo já atingiu um dia.

E dizer tudo isso de um jovem de 21 anos é tão estranho, tão errado, tão triste.

abs,
RicaPerrone

Não espere nada do Flamengo

Seja qual for o time, contra quem for o jogo e em que estádio for, nunca espere nada do Flamengo.

Flamengo não é um clube para te dar o que você espera. Flamengo é a materialização do inacreditável. E portanto, quanto mais você acredita em algo, mais distante da realidade ele fica.

Não há regra.  Há uma simples história que coloca o time em duas situações: o de desafiante e o de desafiado.  Talvez estejamos falando de um dos maiores desafiantes do mundo. Mas também de um dos piores desafiados.

O cenário é tão claro que bastou o time entrar em campo no seu estádio, com o jogador que a torcida queria como titular e… pronto! Não deu mais a lógica.  Que lógica? É lógico que o Flamengo não ganharia.

Durante o jogo, no momento do empate o Flamengo perdia o jogo e a torcida mais comia unhas do que gritava. Havia um clima de “eu sei que vai dar merda” misturado com “hoje não”, que obviamente terminaria em “porra, já era”.

O Flamengo perde uma bola, sofre um contra-ataque e, pasmem, numa retomada do Rever a arquibancada muda de lado. Quem cobrava volta a empurrar, o time passa de obrigado a ganhar a ser o time que busca o empate. E temos novamente o Flamengo.

Dois a dois. O Maracanã é o inferno.

Lembra do “já era”?  Virou “Deixou chegar, fudeu!”.   E “Mengo! Mengo! Mengo!”, ensurdecendo quem não fosse parte do coro. As chances apareceram, os espaços abriram lá e cá.  Qualquer resultado era possível, embora a vitória tivesse sido até mais merecida.

E acaba.  “Já era”.

O Maracanã queria matar saudades e o fez. Viu o Flamengo na mesma pura forma de Flamengo, frustrando quando desafiado, fazendo história quando desafiante.

“Já era”.

E adivinha quem adora desmentir o “já era” nesse mesmo Maracanã?

abs,
RicaPerrone

 

Roteiros prontos

Eu gosto muito de observar como o futebol é cruel com alguns roteiros previsíveis.  Quando você vê o resumo da vida do Messi, toda sua trajetória na seleção e o quanto lhe falta essa “identificação” com seu país, você não tem dificuldade em notar que tudo que ele gostaria de ter hoje era um título mundial com a Argentina.

Tá na testa dele. E tal qual Zico, ele negará se não conseguir. Dirá que o que fez no Barça já o completa, que não trocaria, etc. É natural, o ser humano inteligente é aquele que vê o que conseguiu e não o que faltou. Messi tem 29 anos, ainda jogará uma Copa em muito alto nível.

A Russia seria a Copa de 86 do Zico.  Um roteiro épico de persistência, superação e espera com final feliz. Mas que o futebol, filha da puta, não permitiu.

Eu tenho quase certeza que a maioria das coisas na vida são consequências naturais dos seus atos. O futebol é o ponto que me tira essa certeza.

Porque Thiago Neves fez 3 gols numa final de Libertadores e não virou herói.  Porque o Zico se matou pra jogar uma Copa e perdeu o pênalti que podia decidi-la. Porque Messi erra o pênalti que daria o título do fim da fila pra seleção dele.

Hoje temos alguns roteiros prontos. O mais cinematográfico é o de Messi levantando a taça de campeão numa Copa chorando feito uma criança e se tornando a história de superação e vontade de vencer pela seleção mais incrível do século, inclusive colocando como “ato de amor” o seu tosco abandono glamourizado.

Mas é futebol. E toda vez que eu olho pra esse roteiro e vejo 2018 chegar eu penso: “Uma história triste também não cai mal de vez em quando, né?”.

abs,
RicaPerrone

La vuelta de Dios

O momento onde você mais ouviu falar de Orlando City não foi num jogo ou numa eventual conquista. Foi na apresentação de Kaká.  As maiores festas descontroladas e portanto espetaculares do Rio de Janeiro foram protagonizadas pelas chegadas de Romário e Ronaldinho ao Flamengo.

Os três maiores eventos do SPFC nos últimos anos foram apresentações, recordes e despedidas de ídolos.  Não exatamente grandes jogos.

Talvez para muitos de nós ainda seja difícil compreender o que leva um torcedor a consumir futebol. Talvez esse tipo de aviso se repita insistentemente até que se perceba que ninguém com dinheiro próprio (clubes com dono)  “gastam” dinheiro com ídolos. Eles investem.

Gasto é um time com 10 bons jogadores que chegará em sétimo. Esse não causa nem dor pra não cair, nem alegria ao brigar pelo título. Esse está morto. É melhor ser quase rebaixado do que sétimo colocado.

Lugano é mais uma prova de que o futebol não precisa apenas de técnica. Precisa de identidade.

Dios voltou. Parou um aeroporto como poucas vezes esses centroavantes enlatados conseguiram fazer com seu carisma de prostituta beijador de camisas.

Dios voltou. E trouxe com ele mais do que uma proteção à zaga sãopaulina. Mas auto estima, vontade de estar no Morumbi e de acompanhar a temporada.

Ídolos não são caros. São raros.

Que Dios nos abençoe.

abs,
RicaPerrone

Voltou!

A Vila Belmiro só faz sentido se houver um negro vestido de branco humilhando a simplicidade com os pés.

Se não for Pelé, que seja Neymar. Que seja Robinho. Mas que haja sempre um jogador digno de fazer com a camisa do Santos o que a eternizou: ser genial.

Pouco me importa se Robinho venceu na Europa, se soube ou não dar passes rápidos e curtos por lá. O Robinho que me interessa dá risada, pedala, dribla meio time e mesmo quando perde a bola faz ter valido a pena a tentativa.

Se há no futebol brasileiro um lugar onde não tentar o drible deveria ser pecado é a Vila Belmiro.

E então, a volta do driblador Robinho faz todo sentido.  Pelo ídolo, pela referência, pelo passado e pelo futuro que o espera.

O Santos não precisa ser campeão, nem ter uma multidão lotando estádios por onde passa. O Santos precisa ser brilhante, ousado, “moleque” e nos fazer gostar de futebol.

Robinho me faz gostar de futebol.

abs,
RicaPerrone