Copa do Mundo

Curto e grosso: Suiça

Nunca jogaram nada, mas se defendem que é uma beleza. Somando isso a pressão da estréia, podem dar algum trabalho pro Brasil.

De 1958 pra cá, nunca passou das oitavas e deixou de ir a mais Copas do que participou.

Ou seja, o histórico é uma merda.

Sobre o time atual, números que camuflam.

Na Euro foi eliminada pela Polônia nos pênaltis. Nos últimos dois anos perdeu um jogo apenas.  Mas foi um dos 3 que fez contra seleções “não desprezíveis”.  Foi 2×0 pra Portugal, curiosamente a unica seleção aceitável que a Suiça venceu nestes 2 anos. Também por 2×0,

Nos últimos 20 jogos sofreu apenas 10 gols.  Mas vai sofrer gol de quem jogando contra quem joga?

É sexta no Ranking da FIFA.  Porque?

Porque não perde. E não perde porque joga contra times ruins. Veja a tabela ao lado.

A única qualidade acentuada, tradicional e clara deste time é saber e não ter vergonha de se defender.

Nem 5 jogadores do elenco selecionado atua no país. A maioria joga na Alemanha.

Não são bobos. São extremamente conscientes da sua limitação e jogam em cima disso.

Títulos
Nada. Um mundial sub-17 em 2009 que nunca passou perto de se repetir, já que nem nas semi a Suiça chegou em nenhuma edição anterior e nem posterior a esse surto.

Abs,
RicaPerrone

Por esta sim, lamentemos

Outro dia houve comoção e torcida na imprensa brasileira para que nossos rivais, sujos, desonestos historicamente e responsáveis por duas eliminações nossas manipuladas, estivessem na Copa.

Compreensível, embora eu não tenha a mesma vocação pra ser o bobo do colégio.

Hoje a Itália ficou fora da Copa. E agora sim, seja pelos motivos que for, com todos os mil defeitos que cabem ser listados para explicar a fase, a roubalheira, a crise interna e a perda de território dos clubes locais, há motivos para tristeza.

A Copa do Mundo é um torneio de 20 edições onde Brasil, Alemanha e Itália disputam todas elas sendo os favoritos. Em apenas 3 das 20, um deles não foi a final.

Em 1930, Alemanha e Itália não disputaram.  Em 78, onde a Argentina comprou os jogadores do Peru e eliminaram o Brasil forjando uma final entre Holanda e eles.  E recentemente quando Holanda e Espanha fizeram a decisão.

Em todas as demais, lá estavam elas. As três donas da Copa.

Perder a Itália é perder um pedaço da Copa. O nosso grande rival, a partida que decidiu 2 Copas. O jogo que eliminou a maior das nossas seleções.

Hoje é um dia triste pro futebol.  Ao contrário do que seria aquele 10 de outubro, se o Equador tivesse feito o que deveria.

Até 2022, onde fatalmente será uma das 3 favoritas de novo.

abs,
RicaPerrone

Tudo que não somos

Não somos raçudos como eles, nem apaixonados pela seleção. Não temos a mesma força na arquibancada, nem mesmo a declarada torcida incondicional da mídia.

Não estaríamos focados em passar, mas em preparar a pauta para a eliminação.  Não somos patriotas, não somos “fechamento”. Somos um bando que cobra, não que empurra.

Não flertamos tanto com o fracasso. Mas também não idolatramos tanto nossos heróis.

Não lembramos com a mesma intensidade das nossas conquistas, mas torturamos nosso vilões até que a morte os absolva.

Pra nós é fácil. Sempre foi.

Somos tão diferentes que conflitamos conceitos sem que precise estarmos no mesmo campo. A sua vitória é a vitória da catimba, da raça, da guerra, da malandragem. A nossa, do futebol.

A sua é marcada por sangue. A nossa por samba.

Teu garoto rasga a cara na grama pra se dizer argentino, o nosso mete uma caneta e dá risada. Somos debochados, vocês, arrogantes. Nós temos motivos, vocês não.

Somos tão maiores que discutimos internamente se os apoiaremos. Vocês, conhecedores de seu devido lugar, não pensam duas vezes em jamais estar do nosso lado.

Aqui a mídia acha lindo e se emociona com a torcida por vocês. Mas se recusa a torcer pela nossa, mistura política, dirigente, faz uma merda sem tamanho e depois vive rolando em cima dela.

Argentinos são torcedores mais fiéis que nós, sem dúvida.

Mas quase invariavelmente as torcidas mais fiéis vem dos times mais sofridos. Pela lógica, nem torcida teríamos, já que somos a referência, somos os donos, a inspiração, a porra toda.

Deve ser uma merda ser concorrente da Ivete Sangalo. Ser filho do Zico. Irmão do Alisson, irmã gêmea da Gisele Bundchen.

Por isso, de alguma forma, te admiro, Argentina. Eu não sei se teria estrutura emocional pra tentar ser algo tão impossível e desmoralizante quanto “o rival da seleção brasileira”.

Parabéns! A gente se vê na Russia. E reza pra ser de longe, porque frente a frente… já sabe.

Abs,

RicaPerrone

Roteiros prontos

Eu gosto muito de observar como o futebol é cruel com alguns roteiros previsíveis.  Quando você vê o resumo da vida do Messi, toda sua trajetória na seleção e o quanto lhe falta essa “identificação” com seu país, você não tem dificuldade em notar que tudo que ele gostaria de ter hoje era um título mundial com a Argentina.

Tá na testa dele. E tal qual Zico, ele negará se não conseguir. Dirá que o que fez no Barça já o completa, que não trocaria, etc. É natural, o ser humano inteligente é aquele que vê o que conseguiu e não o que faltou. Messi tem 29 anos, ainda jogará uma Copa em muito alto nível.

A Russia seria a Copa de 86 do Zico.  Um roteiro épico de persistência, superação e espera com final feliz. Mas que o futebol, filha da puta, não permitiu.

Eu tenho quase certeza que a maioria das coisas na vida são consequências naturais dos seus atos. O futebol é o ponto que me tira essa certeza.

Porque Thiago Neves fez 3 gols numa final de Libertadores e não virou herói.  Porque o Zico se matou pra jogar uma Copa e perdeu o pênalti que podia decidi-la. Porque Messi erra o pênalti que daria o título do fim da fila pra seleção dele.

Hoje temos alguns roteiros prontos. O mais cinematográfico é o de Messi levantando a taça de campeão numa Copa chorando feito uma criança e se tornando a história de superação e vontade de vencer pela seleção mais incrível do século, inclusive colocando como “ato de amor” o seu tosco abandono glamourizado.

Mas é futebol. E toda vez que eu olho pra esse roteiro e vejo 2018 chegar eu penso: “Uma história triste também não cai mal de vez em quando, né?”.

abs,
RicaPerrone

Acabou o caô: Frete barato e livro com 50% de desconto!

Nem começa o chororô. Era o frete o problema? Conseguimos a um preço fixo e baixo pra todo Brasil! Era o preço? Então, metade do preço pra você.

E agora? Não vai comprar o #TeveCopa porque?

https://www.estantedoautor.com.br/livro/cronicas/tevecopa/

A Copa no Metrô

De todos os lugares que visitei nesta Copa, nenhum me encantou mais do que estar no Metrô do Rio de Janeiro.

Jogo a jogo trocavam as cores daquela multidão que pela primeira vez lotava um vagão sorrindo e não atrasado pro trabalho ou cansado dele.

Entre diversos gringos que não entendiam muito bem o que fazer havia sempre uma duzia de brasileiros sorrindo dispostos a ajudar.

De graça para quem tinha ingresso, com os feriados pelos jogos, aquilo virava uma “Fan Fest” móvel que era embalada pela mistura de músicas que não entendíamos a letra, com gritos de “Brasil!” no meio do nada e o anuncio da estação Maracanã feito narração de gol pelo Penido.

Não havia um ser humano de mau humor naqueles vagões durante a Copa.

Foi muito divertido.

Os 30 dias mais incríveis de um país, eu arrisco dizer.

Nunca mais vou pegar aquele metrô sem lembrar de cada camisa de seleção que vi ali dentro. Espanha, Chile, Alemanha, França, Russia, Bósnia.  Agora, de volta, Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Que aliás, nem saíram de moda.  Durante a Copa transitavam por ali misturados pela euforia de amar apenas o futebol.

O Metrô do Rio volta a seu ritmo normal. Mas sabendo que foi o caminho oficial entre o sonho e a realização dele para milhares de torcedores do mundo todo, tem como olhar pra ele como antes?

abs,
RicaPerrone

Um gringo para nos salvar

Imagine você que o Brasil vive a maior crise de identidade da história de seu futebol.  Que  não sabemos mais exatamente quem somos, como jogamos, porque pioramos, onde falhamos.

Quer dizer. As pessoas não sabem muito bem, só os jornalistas, autores do conceito que estragou tudo e que hoje querem regrar como corrigir.

Mas enfim.

Vamos buscar num Guardiola ou num Mourinho a solução.

Que puta absurdo!

A seleção brasileira é a consequência de um futebol, não a base dela. Se mudar a cereja do bolo, alguém realmente acredita que o bolo todo vá se transformar numa massa melhor?

Se é técnica a crise, conceitual e da base, o que adianta pegar um treinador europeu e mandar ele comandar 23 jogadores brasileiros que já atuam na Europa e que não tem nenhum envolvimento com o nosso futebol?

Qual o sentido dessa tese? O Mourinho faz a seleção jogar igual o Real Madrid e…?  E a base do Vasco? E o problema dos garotos que saem com 14 anos e viram robôs de esquemas táticos e não mais nossos talentosos meias?

Vamos chegar a um acordo. O que queremos é retomar a condição de diferenciados ou nivelar e fazer simplesmente o que todos fazem? Eu não torço pra time que faz o basicão. Não nasci pra aplaudir o “comum”.

Se queremos Brasil de volta, então que se arrume a base, os clubes e a CONSEQUENCIA disso será uma seleção melhor e mais preparada.  Em termos. Afinal, jogam todos fora. E assim sendo, se der certo, também vão dizer que é pela maturidade que a Europa lhes deu.

Cadê a maturidade dos 17 europeus chorando a cada jogo?

Vamos parar de babar ovo, por favor.  O que precisamos mudar é aqui dentro, não indo buscar um treinador para cuidar de jogadores que já atuam com ele num time onde sequer ele terá treinamento pra dar. Que diabos ele pode nos passar se nem treinar ele vai?

Menos bla bla blá, mais coerência nas escolhas.

Guardiola, Mourinho. Tanto faz.  O que precisa mudar é o treinador da base do seu clube. Ou o comando da CBF, que lembre-se, é eleito e reeleito pelo seu clube ano após ano.

Então, antes de sairmos jogando pedra onde o problema aparece, note que estamos bem mais próximos e em condição de cobrar de onde ele realmente surge.

A cobrança tem que ser jogo a jogo, por ingressos baratos, futebol de qualidade, treinadores sérios e revelações da base não queimadas pela mídia no primeiro gol perdido.

Um novo futebol passa, também, por uma nova mentalidade de quem forma a opinião dos torcedores.

São tão velhos e ultrapassados quanto Felipão, Parreira e outros tantos. Só que o microfone é nosso, não deles.

Mudem todos. E pela raiz. Pelos galhos não adianta nada.

abs,
RicaPerrone

Toma aqui seu Pedigree!

A Copa acabou. Lá se foram milhares de turistas de volta pra seus países sem entender exatamente porque somos tão cruéis com nós mesmos.

É claro, só viram o que temos de bom. Exatamente como você e eu quando vamos até lá formar nossa opinião sobre eles.

Foram 12 meses quase insuportáveis de #NãoVaiTerCopa promovidos por um grupo virtual de bitolados que terminou num estádio qualquer gritando gol.  São anos e anos de “imagina na Copa”, na mais deprimente preparação de uma festa que já tive notícias.

Vira-latas por vocação, esperamos tudo que podia dar errado. Nos preparamos até para um vexame, talvez até mais do que para o sucesso.  A paixão nacional pelo “eu avisei” é insuportavelmente maior do que a vontade de ver algo melhorar de fato.

Todos vieram, se divertiram, não passamos nenhum vexame, não houve caos nos aeroportos e cidades. Não houve arrastão, força policial desproporcional ou a malandragem brasileira sobrepondo os bons e cordiais brasileiros dispostos a receber bem.

Não houve nada que um país de primeiro mundo pudesse se envergonhar. Mas o que mais me impressiona é que as pessoas de fora o tempo todo diziam que o metrô é parecido, que o shopping é igual, os restaurantes os mesmos, enfim. Mas eles se apaixonavam mesmo era pelo que nós mais temos vergonha: o brasileiro.

Que diabos de povo é esse que não se enxerga quando bem vestido e tira foto pra eternizar quando mulambo?

Porque é tão difícil aceitar que não somos a merda que imaginamos, nem o paraíso que eles enxergam. Mas que podemos receber Copa, pessoas, investimentos, o que for. Afinal, somos diferentes da maioria, mas não piores por isso.

E agora, meu caro pessimista? Está com vergonha?

Duvido. Porque o mundo aplaudiu nosso evento e eu não estou nem aí se ele foi organizado por PT, PSDB ou pela puta que pariu. Eu quero ver dar certo, não me importa sob a batuta de qual maestro.

Qual o legado?

Você escolhe. Talvez você não consiga enxergar nada, ou talvez só uma plataforma de metrô mais moderna te satisfaça. Mas se quiser, se tiver um pingo de vontade de ver este país melhor, o legado desta Copa pode ser uma nova forma de nos enxergar.

Com mais orgulho, mais noção do que de fato temos ou não que melhorar, com a certeza que somos queridos, educados quanto queremos e que sim, podemos estar diante do planeta e não fazer nenhum vexame.

Talvez porque nosso maior vexame seja exatamente a mania de achar que somos sempre os vira-latas da história.

Mas se isso nos acompanhou por toda a vida e elegemos a Copa como a consagração do nosso vira-latismo, então aceitem as consequencias.

Deu tudo (certo) errado!

Toma aqui seu Pedigree! E vê se pára de correr atrás do próprio rabo.

abs,
RicaPerrone