Copa do Mundo

Burro!

Felipão tem 65 anos, a idade do meu pai. Poderia ser meu pai.

É tecnico de futebol há muitos anos e não há qualquer exagero em citá-lo como um dos maiores vencedores da história do futebol brasileiro.  Não há qualquer contestação sobre a importância deste sujeito ao nosso futebol quando se coloca o cara no auge da história de clubes como Grêmio e Palmeiras, além de um título mundial pela seleção.

Dizem os mais “entendidos” que ele não foi bem na Europa.  Meu Deus! O que é isso? Ele pegou uma seleção que sequer se classificava pra Copas, levou ao quarto lugar de uma, a final de uma Eurocopa e foi o cara que mais treinou a seleção portuguesa em sua história.

É um ícone por lá.

Mas não. Ou ganha, ou ganha. Seja com o Criciúma ou a seleção brasileira. Só importa ganhar.

Ops, mas com o Criciúma ele ganhou uma Copa do Brasil.

Aliás, ganhou outras 3.

Felipão pode ou não levar sua simpatia e aprovação.  Mas seu respeito, é o mínimo.  Um trabalho ruim não pode tornar 30 anos de incontestável capacidade numa porcaria.

Se é assim que tratamos nosso futebol e seus protagonistas, de que estamos reclamando afinal?

Que saia, que se aposente, que assuma um clube ou que vá vender cachorro quente na praça em Porto Alegre. Mas que seja sempre lembrado e tratado, no mínimo, como um ídolo respeitável.

Porque se realmente passa pela cabeça de alguém que sentado numa mesa com um microfone ou um computador na frente sabe mais que o Felipão, é oficial:  Há um burro em pauta.

abs,
RicaPerrone

Nós, eles, todo o resto

Eu fui a muitos jogos. Eu andei em várias sedes e conheci muita gente. Eu não vi um turista sequer disposto a causar algum tipo de problema conosco ou querer provocar. Todos eles queriam ver a Copa, ganhar e serem bem recebidos.

Foram. Todos. Menos um.

É inacreditável o que presenciei nos jogos que fui da Argentina.

Você talvez não tenha idéia do que foi aquilo e ai do seu pc diga: “Não, são só alguns… Tá exagerando”.  Mas pergunte a quem foi.  É impressionante. Fora do aceitável.

E não, eu não estou falando do argentino maloqueiro da organizada. Eu estou falando de pessoas de classe média alta com filhos, roupas caras, gente que em tese deveria ter ao menos educação.

Eu cai no chão na saída do estádio porque 20 deles desceram derrubando a mim a mais 2 senhoras que estavam do meu lado.  Eu vi um grupo de argentinos cuspir na camisa de um garoto de 11 anos que se vestia de brasileiro. O pai, quando foi tomar satisfação por ter seu filho cuspido, encontrou 20 deles em bando protegendo o agressor.

Eles não tem o senso do “Isso não!”.  Quando um deles faz besteira, os outros fecham com o cara esteja ele certo ou errado. E portanto quando um mais exaltado agride alguém, os demais o protegem e não separam.

É um ambiente de vandalismo e ignorancia que jamais presenciei em mais de 900 jogos assistidos em estádios na vida. E só conto os de arquibancada, que fique claro.

Vi cusparadas, ofensas, racismo, coisas que jamais imaginei sair daquele mundinho de organizadas onde provocar e sair na porrada é mais importante que o futebol. Enquanto todos confraternizaram, eles vieram aqui pra conseguir confusão.

Queimaram nossa bandeira diversas vezes ontem em Copacabana. Humilharam nossos negros, agrediram pessoas e se postaram como invasores, não visitantes.

“Não são todos”.  Claro que não, porra. Mas quando dizem que “brasileiro é alegre” também não são todos e ninguém reclama. Então aceite a generalização como uma facilidade de expressão.

Eu nunca gostei de argentinos. Por causa do futebol, é claro. Após conhecer pessoas de outras 31 nacionalidades eu posso afirmar que só uma delas não veio de férias.

A quantidade de relatos de problemas causados por eles é incontável. Eu, só eu, ontem assisti a mais de 10 agressões de argentinos a brasileiros a troco de absolutamente nada. No máximo um grito de “pentacampeão”.

“Ha mas os brasileiros também são assim”.

Não são. Se fossem, porque não houve problema em nehum dos jogos sem ser os da argentina?

Comecei a Copa com um “ódio” esportivo. Terminei com raiva de um povo.  E lamento. Pensei que ia reconsiderar muita coisa por aqui. Piorou.

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

Era domingo, dia da final. Por volta das 13h o metrô já recebia aquela multidão que partia em direção ao estádio especialmente de azul e branco.

Embarcamos na Del Castilho e os argentinos começaram a cantar e provocar brasileiros nos vagões.  Pulavam, batiam nas paredes, tentavam de qualquer forma nos tirar do sério.

Até que na estação seguinte entra um negro de cabelos longos com um violão nas mãos. Ele pára, diz que vai cantar pra nós, e começa a tocar Milton Nascimento.

Num épico momento inimaginável em qualquer outro ambiente ou momento deste país, os brasileiros começaram a cantar com ele e o tom da música dos argentinos foi baixando, baixando, até se calar.

Em menos de 1 minuto Milton Nascimento calava um enorme grupo de argentinos que até chegaram a acompanhar o ritmo batendo nas cadeiras.

Era nosso jeitinho simpático de quebrar até a marra de quem nos provoca.

E assim fomos, ao som de Milton, Gil, Caetano e Djavan até o Maracanã.

Na saída, sugeri mais Milton  Nascimento. Mas acharam que seria provocativo se puxassemos:

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar”.

abs,
RicaPerrone

Os donos da festa

Captura de Tela 2014-07-13 às 20.36.16

Que prazer te coroar, Alemanha.  Não porque desejei, é claro que não. Queria estar de verde e amarelo bebado nas ruas gritando até me acabar. Mas não tendo sido nossa, que seja então de quem joga futebol e merece.

A simpatia, a camisa, os twittes em portugues. O maior cavalo de Tróia da história do futebol deu certo.  Te recebemos como amigos e não como rivais. E vocês saem daqui com a taça.

Mas não porque de dentro do cavalo sairam gladiadores, mas sim um futebol bem jogado, frio, fácil, mas muito acima da média mundial.

Eu sei que vão tentar achar mil formas de justificar tudo isso em cima de projetos que talvez nem tenham existido. Aqui é assim. Se o Itaperuna ganhar a série C nego vai dizer: “Puta trabalho” sem nem saber quem é o tecnico.

Se perder, “trabalho fraco e ultrapassado”.

Enfim. Vocês merecem a taça, nossa simpatia, nosso respeito e nosso carinho.

Acho que poucas vezes uma Copa esteve tão em boas mãos como esta. Num time sem craque, sem gênio, coletivo, no chão, quase um “não” ao futebol alemão do passado.  Mas de alguma forma, olhando com bons olhos, uma evolução a quem sempre nos respeitou como referência e agora inverteu a situação.

Parabéns! E voltem sempre.

Fizeram história, gols e muitos amigos. Até já, em 2018, na Russia.  E vê se não espalha o 7×1, pô…

abs,
RicaPerrone

Te amo, Argentina!

Futebol se avalia de várias formas.  Há quem passe horas desenhando quadros táticos, há quem fale em emocional, há quem vá buscar na história um motivo para tudo e até quem fale em macumba.

Mas existem coisas que ninguém sequer perde tempo em contestar.

Quando perdemos de 7 eu fiquei realmente magoado. Nunca havia tido um vexame brasileiro numa Copa. Era disparado nosso pior momento.  Paralelo a isso nossos rivais na final contra o mesmo time que nos humilhou.

Será que há no mundo uma força oculta tão cafajeste pra terminar nossa festa assim?   Se “Tá escrito”, então quem foi o filho da puta que escreveu?

Tem coisas que não mudam.

Se tem algo que sabemos de véspera que podemos contar é com a deliciosa eliminação da Argentina e aquele mar de arrogância injustificada se transformar em lágrimas.

Eu sabia, desde a dor do Mineirão, que alguma coisa estava guardada para nos divertir.

Vocês, argentinos, são os melhores rivais que alguém pode ter. Destemperados, marrentos, folgados e invariavelmente derrotados.

Eu posso perder de 7 hoje mas fatalmente serei o favorito em 2018. Você, nem quando tudo parece perfeito e a vida lhe dá a possibilidade de não encontrar pedras no caminho, consegue ir adiante.

Jogou mais 2 vezes contra grandes. Não ganhou nenhuma. São, agora, 32 anos sem ganhar de um time grande em Copas.  É quase uma seleção de Camarões.

Vem aí a Copa América do Chile. Vamos nos encontrar, e eu vou morrer de rir.

Como disse. As vezes a nossa seleção nos decepciona. A de vocês, nunca!

Boa volta. E tentem não quebrar nada.

abs,
RicaPerrone

“Eu não sabia!”

Não que eu realmente acredite que alguém soubesse. Mas eu confesso, “não sabia”.

Eu nunca imaginei que o time de 2013 pudesse não conseguir repetir o que já provaram ser possível fazer juntos. Eu não acho que o técnico que era unanimidade em 12 de junho de 2014 possa ser um completo imbecil no dia 12 de julho de 2014.

Eu não sabia.

Nem no meu pior pesadelo imaginei o time jogar tão mal, sem meio campo e sem “brasil” em seu toque de bola.

Um time que não sorri. Só tentava evitar perder, bem diferente daquele que em 2013 tentou calar a boca de todos, e calou.

Talvez a seleção tenha mesmo um problema eterno com o favoritismo. Diz a história que sim, e no momento de maior favoritismo de sua história, também o mais trágico final.

Eu nunca atrelei a seleção ao momento do futebol brasileiro. Estamos com problemas no futebol brasileiro há décadas, e a seleção vai muito bem, obrigado. Portanto, coerentemente, não posso querer dar a este final de Copa o rótulo de “a verdade absoluta”.

Nem ignora-lo.

Mas podemos fazer dele um marco, como em 1950.

Podemos talvez lembrar que isso tudo é responsabilidade nossa. Que quem levou o futebol brasileiro ao patamar mediocre de entrar em busca de 3 pontos custe o que custar fomos nós após 82/86, especialmente nos últimos anos quando os comentaristas que hoje detonam o futebol da seleção babavam pelos títulos do Muricy.

Sejamos coerentes, honestos, menos debochados de nós mesmos.

Ninguém sabia.

Nosso problema era o Fred, nunca o David Luiz, autor das falhas mais determinantes nas duas goleadas finais.

Nós nunca olhamos pra defesa com medo dela ser vilã, e veja você, quem mais errou no fim foi ela.  Nós não temos na memória um gol perdido do Fred na Copa. Mas ainda assim passamos 30 dias dizendo que ele não prestava.

Nós não temos critério pra avaliar futebol quando a seleção está em campo. Queremos que ela nos devolva todo jogo algo que nós mesmos obrigamos nosso futebol a perder: magia, alegria e comprometimento com sua história.

Nós vendemos nossa história por qualquer um a zero de pênalti roubado. Essa é a real. Em nossos clubes, se a bola entrar, foda-se como entrou. E é assim que tratamos futebol.

Por favor, não me diga que os últimos dois jogos do Brasil refletem agora, no fim de julho, um processo de mais de 30 anos onde ignoramos o que somos em troca de não perder.

A Holanda joga o mesmo futebol há 100 anos e nunca ganhou uma Copa. Sai de cabeca erguida. Nós, que ganhamos 5, fomos a 7 finais, somos os donos do mundo quando se fala em futebol, saímos humilhados.

Não pela Alemanha, que nem deu “olé” na gente. Mas pela nossa mentalidade de acreditar que só quando chegamos no fundo do poço paramos pra pensar onde estamos indo.

Que vire um marco. Um momento para menos idiotas gritando “eu avisei” e mais sábios e bons brasileiros repensando os aplausos após o próximo 1×0 mediocre do seu time no Brasileirão.

Meus sentimentos a todos que torceram e sofreram com a seleção nessa Copa. E aos que acham graça, especialmente.

Fomos nós que perdemos de 7 pra Alemanha, nós que perdemos de 3 pra Holanda.

Somos nós os culpados. Eles, a conseqüência.

abs,
RicaPerrone

Ingressos pra final!

Só Deus sabe o quanto eu queria estar falando de uma final com a nossa seleção lá. Infelizmente não aconteceu, e quem vai pra decisão é a Argentina.

Diria um famoso locutor, “Amigo o que era pra ser uma festa vira um drama…”.

Mas mesmo assim, quem não quer estar nessa final? Pois é. A Coca-Cola me deu 2 ingressos para sortear entre meus leitores. Um par, na verdade, já que haverá só um vencedor.

E eu vou escolher este vencedor da seguinte forma:

Me convença pelo twitter com um vídeo, foto, mensagem, o que você criar! Seja o mais criativo que puder!  Porque você merece esse par de ingressos? 

Se você for meio espertinho, sabe que não vou querer meter mais 2 argentinos lá dentro, né? Convenhamos.  Mas… tenta a sorte. 

É um twitte com menção a @ricaperrone e a hastag #TodoMundo .  O que você criar, o que você achar que vale pra tentar o par de ingressos!

E tem que ser meu seguidor, hein?

Bola rolando! Até amanhã, sábado, as 16h. 

abs,
RicaPerrone

A verdade jornalística

Quem diria? O momento que mais gostei nesta Copa do Mundo veio da imprensa argentina e seu super herói.

Acima você vê a imprensa argentina encontrando Diego após a vaga pra final. Juntos eles cantam e debocham do Brasil, no papel deles, que é de rivalizar conosco, e de fazer o tal “jornalismo”.

E ai eu te pergunto.  É mais jornalismo a Fernanda Gentil chorar no ar, os argentinos cantarem e explodirem de alegria por uma vaga ou um bando de babaca de terno e gravata se fazendo de imune as paixões do futebol detonando tudo que é nosso?

Qual a “verdade” que você quer no jornalismo?

A que finge ser superior a tudo isso ou a que se coloca ao lado como seres humanos iguais a você?

Porque acharam “do caralho” o Loco vibrando e falando palavrão pelo país dele? Porque é lindo o Barcos na arquibancada vendo seu país?  Porque somos tão cafajestes com as nossas coisas?  Porque treinam jornalistas para serem sexólogos frígidos?

Se o Pelé viesse na direção dos jornalistas brasileiros após a vaga pra final, metade sairia de perto, a outra metade colocaria o microfone nele pra captar e dizer: “Que ridiculo! Nao reconhece a filha e canta com a seleção”.

Sim! Sou um jornalista muito mais “argentino” do que brasileiro. E por isso mesmo, os odeio!  Afinal, a idéia é essa.

abs,
RicaPerrone