Flamengo

Reinier e o nosso futebol

É o momento mais emblemático de todos. Um jogador que sonhou a vida toda em chegar na seleção e ser titular do Flamengo. É evidente, embora não aceitem os fanáticos pouco informados sobre mercado, que estar na seleção o valoriza mais.

Mas é a sub-17! Sim, é assim que os europeus gostam. Mais novo, ainda sem estourar. É mais barato.

O campeonato é em Brasília, terra dele. O garoto vai jogar um mundial na terra de seus amigos, parentes, etc. Ele quer muito, é óbvio.

Mas ser titular num Fla-Flu também é algo que esse garoto sonhou. E a CBF não tem duas opções pra ele.

O clube se banca e diz que ele fica. A CBF não aceita. O clima pro menino fica ruim na entidade que comanda a seleção e, sim, ele tem voz. Mas se usa-la ficará queimado.

Que cenário devastador pra honra do nosso futebol. Uma jóia que alcança dois objetivos e tem que odiar ter feito isso porque graças a seu bom desempenho ele desagradará seu clube ou sua seleção. Sabendo que  no futebol ninguém é muito correto e portanto qualquer posição que tome acarretará em represálias.

Mudo, ele assiste amargurado sua vida ser decidida por politica. E seus sonhos de garoto serem disputados como se pertencessem a terceiros.

Veja você, torcedor. Nosso futebol chegou ao dia que o garoto não sabe se preferia não ter sido convocado ou estar no banco sem ser utilizado pra que possa realizar um sonho.

RicaPerrone

O que ninguém fala

Beirando virar o Papa dos treinadores do Brasil em 3 meses, Jesus tem números assustadores, um futebol bonito de se ver e competente até mesmo desfalcado.

As vitórias não param, os elogios idem. Mas os “porques” me parecem ainda um tanto quanto rasos nessa discussão.

Jesus tem diversos fatores que o diferenciam. Vamos a alguns deles.

É um tecnico europeu que por natureza precisa quase sempre tirar mais do coletivo do que do individual. Somado o individual a este coletivo mais forte que o sulamericano, dá o que estamos vendo. Mas porque funcionou tão rápido?

Porque o método Jesus de comando seria pouco aceito em qualquer clube brasileiro. Com um porém.

Ele pegou um time com 7 titulares que já aturam na Europa.  O processo de adaptação natural praticamente não existiu.

Outro fator pouco falado e que é mérito dele é a simplicidade. O time dele não tem nenhuma configuração tática nova, pelo contrário. É o único time do Brasil que ousou sair do insuportável padrão de 2 abertos, 1 centroavante na frente.

Jesus joga no 442. Simples assim.

Só que seus “volantes” jogam futebol. Seus meias jogam abertos. E lá na frente ele não tem um cara encaixotado entre zagueiros, mas sim dois pra abrir espaços.

Coragem de se expor e propor o jogo. Coragem que obviamente só funciona por ter de fato um material muito melhor que o dos outros. Com Renê e Pará, garanto, ele não jogaria com Arão e Gerson.

O problema é que 90% dos treinadores brasileiros se tivessem os laterais que ele tem fariam deles pontas e viveriam de cruzamentos.

Os dele mal vão a linha de fundo.  Futebol simples. Prioridades. Intensidade.

Não poupa jogador, o que será julgado nas próximas semanas. Eu acho exagero, tem que poupar e priorizar nesse calendário estúpido que temos. Ele ganhara os jogos do Brasileirão da mesma forma sem 3 titulares, por exemplo.

Já os da Libertadores, sem 2, não é bem assim.

Enfim. Jesus é o “novo”  que joga como jogávamos antes dessa onda de imitar o Barcelona. Mas é inteligente o suficiente pra unir a intensidade de jogo coletivo deles com o individual nosso. E aí, amigo…

Futebol é simples, a gente é que complica.

RicaPerrone

Jesus não está sozinho

Eu sei que todo rubro negro está enlouquecido porque nunca viram o Flamengo como hoje. É natural e justo, diante de tantos anos ridículos incompatíveis com a grandeza do clube, enfim ver o que de fato merecem.

Vejo no Jesus uma figura fundamental na melhora. Mas vejo alguns exageros que podem se tornar inconvenientes.

Explico.

Jesus é ótimo. Ta fazendo um trabalho incrível no Flamengo! Deve e merece ser campeão, se tornar ídolo, e referência no que faz. Ponto.

O que não é discutível e deturpável: Jesus não é um treinador consagrado. E quando alguém fala de seu curriculo não está desmerecendo, nem mentindo. Só constatando que não é um cara que aos 65 anos chegou aqui como um treinador fora de série.

E de fato, tendo conquistado títulos em Portugal, ele é um treinador de alto nível. Mas não tem um currículo incrível. Ganhar título em Portugal é como ganhar num estadual de 2 times. Você tem 2 opções.

Simples de explicar: Você nunca ouviu falar de Jesualdo, nem de Rui Vitória. Ambos são os recentes campeões de Portugal como Jesus. Nenhum deles está na Europa em times competitivos.

Isso desmerece Jesus? Não! Claro que não. Ele é de Portugal. Queria que ele tivesse títulos onde? Na Zâmbia? Mas daí a dar-lhe um currículo imaginário são outros 500.

Agora vamos a dose interna do exagero que considero injusta e perigosa.  Dar os créditos é uma coisa. Dar TODOS os créditos, um erro.

Porque?

Porque gera ciúmes. Ali tem um clube que ha 6 anos trabalha duro e sério sob vaias para chegar ao patamar de contratar esse time que tem hoje. Ali tem uma diretoria, 15 jogadores renomados, 4 reforços de peso que vieram com ele, e portanto uma série de responsáveis por isso.

Jesus é o maior responsável? Pode ser. Deve ser. Mas não é um jogo de FIFA. Ele não tem um controle remoto e comanda 11 bonecos. São profissionais que também querem os créditos por todos os lados.

Do roupeiro ao presidente, o Flamengo foi competente. É um pouco injusto mirar tudo num cara como se ele fosse, de fato, Jesus. Só que Cristo.

Amanhã, na hora da crise, que uma hora virá porque isso é futebol, vai ter o efeito contrário. Então não me parece uma fórmula de sucesso comum dar a um enorme trabalho coletivo os méritos todos a um só.

Jesus é fundamental. Eu adoraria tê-lo no meu time. Mas há bem mais do que ele no Flamengo que hoje faz o torcedor suspirar.

Enfim. Dividam os aplausos. Tem mais gente ali por trás que também os merece. E dizer isso não diminui em nada os méritos do Jesus. Apenas sugere que outros aplausos não sejam esquecidos.

RicaPerrone

Dívidas: A proporção

Na real toda dívida é relativa. Se você deve 40 mil e ganha 30 por mes não é um absurdo impagável a médio prazo. Se você ganha 2 por mes os mesmos 40 se tornam um enorme problema.

Por isso fiz uma comparação com a dívida de 2018 e as receitas de 2018. Obviamente considerando que é apenas um cenário de um ano, que pode mudar com uma venda mais cara ou outra. Enfim.

O importante é notar a discrepância entre a receita do clube e a dívida. Assim saberemos se a dívida, mesmo alta, é realmente tão preocupante assim ou se é algo controlável se bem administrada.

O que esse quadro mostra?

Que o Botafogo e o Galo tem receitas bem mais comprometidas com dívidas. Que esses dois clubes tendem a ter mais dificuldade em paga-las, se enrolar com juros e outros fatores que deixam as dívidas ainda maiores com o passar dos anos.

O Flamengo e o Palmeiras, por exemplo, com 10% da sua receita anual pagam a dívida em 7 anos.

Enfim. Há diferença entre dever 500 ganhando 500 e dever 500 ganhando 100. E essa diferença é uma ponderação após o post de ontem mostrando apenas o valor bruto das dívidas.

RicaPerrone

Dívidas: Dos 12, só Flamengo, São Paulo e Grêmio respiram

 

As dívidas dos clubes brasileiros são assunto desde o começo da década de 2000, quando isso se tornou público de forma mais clara. Se comparada a receita, algumas dívidas que parecem aumentar apenas se sustentaram. Mas a grosso modo, todo mundo subiu o que deve.

Dos 12 grandes, Flamengo, São Paulo e Grêmio tem situação menos desconfortável com dívidas.

Não por acaso são os 3 que nos últimos anos estão quitando as dívidas e não aumentando.

Os dados são do ITAU BBA e do SportsValue.

RicaPerrone

Irreconhecíveis

Um Flamengo que joga Libertadores com tranquilidade fora de casa. Um Grêmio que superestima o adversário mesmo diante de sua torcida. Incomum, mas recente. Foi a noite de ontem na Arena.

O Flamengo beirou o ideal no primeiro tempo. Se aproveitou muito bem dos desfalques do Grêmio, usou o setor e com muita calma jogou uma decisão como quem joga uma partida da sexta rodada do Brasileirão.

Podia ter matado. Não matou.

O gol anulado? Na imagem parece mesma linha. Mas eles tem uma tecnologia lá pra isso. Imagino que tenha sido coisa de 5 cm o impedimento. Mas confiemos na tecnologia. Ou vamos agora criar a nova tese da semana “o Flamengo é perseguido pela arbitragem”?

Lance do Michel. Identico ao do Gabigol contra o SPFC. Não foi pra quebrar, foi pra dividir e o adversário tirou a bola antes. Ação temerária, não atitude violenta. Amarelo. Concordo com o juiz.

Enfim, arbitragem não teve interferência no resultado pra mim.

O que teve foi um Grêmio assustado, emocionalmente perdido. Geromel e Maicon são os pilares emocionais do time. Sem eles parecia um bando de garotos olhando pro Real Madrid do outro lado. E não, não tem Real Madrid.

O Grêmio é absolutamente capaz de jogar contra o Flamengo, tanto que quando voltou e resolveu fazer isso, jogou e equilibrou as coisas. Sentiu demais os desfalques, a postura fria do Flamengo e foi covarde no primeiro tempo.

Saiu barato? O primeiro tempo sim. Foi um baile.

E agora?

Agora o Grêmio tem que recuperar o Jean Pyerri e o Geromel e ir pro Maracanã como um time que está sendo tirado do posto e não o desafiante.

O Flamengo se posta neste momento em todos os campeonatos, na padaria, nas coletivas, na arquibancada e na internet como o clube que vem de 5 anos gloriosos e que deve ser batido pelos demais.

Não é real. O Grêmio esqueceu que o papel é o contrário. O Flamengo quer o lugar que, até agora, é do Grêmio. Que é o de campeão.  Convencido pelo grito? Pela postura? Não sei. Sei que o Flamengo fez tudo certo e saiu de lá com um resultado muito bom, que inclusive o classifica quando começar o jogo no Maracanã. 0x0 é dele.

O irreconhecível Flamengo se classificaria com tranquilidade na volta. O Flamengo que conhecemos faria da vantagem um problema na volta. O Grêmio que conhecemos jogaria friamente a volta. O de ontem pediria autógrafos pro Flamengo assistindo ao jogo.

Qual Grêmio e qual Flamengo decidem dia 23? Não faço idéia. Mas hoje sabemos que ambos podem ser irreconhecíveis pra melhor ou pior.

RicaPerrone

Quem é melhor?

Sem fugir da polêmica de avaliar os elencos, dei minhas “notas”.

Nem considerei apenas momento mas sim o pontencial do jogador pelo que dele conhecemos.

Enfim. O Flamengo é mais forte. Especialmente pelos desfalques do Grêmio que são pesados: Leonardo, Jean Pyerri e Geromel.

Mas o melhor jogador em campo e mais decisivo é do Grêmio. E no banco o tricolor tem pouca opção pra mudar o jogo.

Sim, é pra comemorar

O rubro-negro estranha. “Tão comemorando empate?”. O tricolor sorri, porque sim, estamos.

O melhor time do país com alguma sobra técnica para os demais contra um time que teve um dia com o novo treinador em crise. Se perdesse de 1×0, 2×1 eu já estaria aliviado. Empate? Porra…

É o que dá. Mas não acostuma. O SPFC contratou um treinador que gosta de futebol, portanto a tendência é que em breve a última coisa que esse time vá fazer é se acovardar.

Hoje podia. Tinha alvará.  Há anos o SPFC não preza por futebol. Tal qual o Flamengo em diversos momentos da sua história conturbada onde um empate poderia render até um não rebaixamento. Faz parte.

Hoje no alto, mas ainda sem a coroa, o Flamengo é o time a ser batido.  E a soma disso com uma reprimida demanda megalomaniaca de décadas esperando por esse momento causa certa euforia perigosa.  O adversário do Flamengo, hoje, é a ejaculação precoce. Fora isso, nada vai detê-lo.

Ao SPFC cabe reerguer. E sim, eu sei o que você pensou com essa frase após ler sobre ejaculação precoce.

Fato é que hoje não teve. E se não teve justo no improvável duro encontro com o cabisbaixo São Paulo, há sim que sair do Maracanã feliz.

Tu quer o “mundo de novo”. Nós, hoje, só a vaga na Libertadores.

RicaPerrone

E todos tinham razão

Acho que passei 40 anos da minha vida ouvindo todas as pessoas que conheço dizendo que quando o Flamengo se organizasse seria uma potência.

Diante das administrações absurdas que o clube tinha constantemente era difícil imaginar que um dia isso pudesse acontecer, o que justifica até os rivais usarem essa frase.

Aconteceu.

Ontem eu senti do lado de fora que a coisa é maior do que um time jogando bem e ganhando. Vi rubro-negros que ignoravam futebol indo pro jogo. Vi bandeiras sendo vendidas no sinal na Barra da Tijuca. Fui atrás de ingressos pra Flamengo x Grêmio e descobri que não tem nem camarote mais. Falta 1 mes pro jogo.

Um amigo que jamais falou sobre futebol comigo me encontrou no shopping e disse “Hoje tem gol do Gabigol”. E aí voce vai me dizer que isso nem é torcedor, é fase.

Concordo. Mas voce sabia que a filosofia do Barcelona, por exemplo, é buscar fãs e não torcida? Curioso. Mas a fórmula é essa. Preferem 10 milhoes de chineses que compram a camisa e não enchem o saco do que 1 milhão de torcedores espanhóis que vao reclamar, cobrar e estar ali todo jogo.

Trazer o pouco interessado é o mais promissor dos negócios. A maior torcida do Brasil é “nao tenho time”. Logo, é pra onde você pode crescer.

O Flamengo hoje atrai pessoas que nem se importavam. Pelo ídolo, pela brincadeira, pelas vitórias, pelo bom futebol. E também pela situação dos seus rivais no Rio, óbvio. Qualquer criança com pai meio ausente hoje opta pelo Flamengo se o pai deixar solto.

Sim, eu acho que pai que deixa solto é frouxo. Time é sobrenome. Se teu filho não levar o seu você é “corno”.

Ah mas torcida aumenta porque torcedores do time X mudaram de time. Não querido. Diria sem medo de errar. Nunca um torcedor de futebol mudou de time em todos os tempos. Se mudou, não era torcedor.

O Flamengo hoje conquista os não torcedores. O de ontem afastava quem torcia. Se há dúvida sobre o caminho a seguir, nem vá nas próximas eleições do seu clube.

RicaPerrone

Contra tudo e contra todos

Essa deve ser a frase feita mais fácil de vender pra um torcedor de futebol. Nos 23 anos que trabalho com isso notei que pra todo torcedor, em qualquer conquista, em qualquer campeonato, você pode vender pra ele essa idéia que ele compra em 10 segundos.

A mídia é contra, o juiz só rouba contra nós, a cbf quer dar o título pra não sei quem e, apesar disso tudo, eu ganhei. Viu como meu time é foda?

Semana passada o Flamengo se via massacrado pela CBF. Hoje colorados juram que o Flamengo é o protegido da entidade. Amanhã será o Palmeiras, o Vasco, tanto faz.

Mudam os anos, os torneios, e a incompetência brutal administrativa do futebol brasileiro – que passa pelo seu clube seja ele qual for – consegue validar sua idoneidade com erros distribuídos em cotas.

O penalti pro Flamengo? Eu não daria. Achei que ele deu vantagem e o Gabigol usou a vantagem pra finalizar. Mas aceito tranquilamente a idéia de que o lance num todo foi faltoso.

O colorado, óbvio, acha que foi um assalto. O rubro-negro acha que devia expulsar mais um.

Guerrero, o novo Dalessandro, resolveu surtar após um penalti não marcado. E foi.

O problema é que toda semana o jogo inverte. O palmeirense se achava injustiçado, convocaram vários rubro-negros.

Semana que vem será outra reação em massa da vitima da vez.

Todo torcedor no Brasil jura que seu time é perseguido, que a mídia prefere o rival, que a CBF quer te prejudicar e que vivem lutando contra tudo e todos, o que o faz diferente.

Diferença são as cores. O resto, muda só a data e os argumentos pra sustentar o combustivel mais velho do futebol.

Na falta de inimigos vencíveis, criamos os nossos.

RicaPerrone