Fluminense

É mentira

A diferença está grande. Para o torcedor num bar é fácil repetir o que o dirigente covarde propaga, mas é preciso amadurecer essa discussão. O Flamengo está sobrando no Rio e isso não é bom nem pra ele.

“Ah mas a Tv…”.

Mentira. Estão enganando você.

A Globo paga o que cobram dela e ela entende precisar pagar. Como você quando vai na padaria, compra o que precisa pelo que acha justo pagar. Se você quiser um pão frances e te pedirem 3 reais você não vai pagar. Simplesmente porque ele não vale. Se te oferecerem por 0,01 centavo você paga, mesmo sabendo que está bem abaixo do que vale.

A receita do Flamengo hoje se deve muito mais a boa gestão dos últimos anos do que a cota de TV. E sim, ele deve ganhar mais do que os outros da TV. Esse tanto a mais? Não sei. Mas o problema seguramente está em quem está vendendo por menos e não nele.

Se o Flamengo ganhar 200 da TV você, tricolor, deveria ficar feliz.  Passa a ter argumento pra ir lá e cobrar 150. Se ele ganhar 100, você vai ganhar 70.

Aí seu dirigente vai lá e vende por 30. E você fica puto com… a Globo?! Ela é compradora, quem vendeu mal foi você.

Essa idéia idiota de que a TV é uma ONG que está lá pra dividir igualmente alguma coisa não faz nenhum sentido em nenhum lugar. Ela compra. Quem vende determina o seu valor e se não concordar, não venda. Mas se ninguém pagar o que você pede, é porque de fato não vale.

Mercado. Só isso.

O que o torcedor precisa entender é que há um socio torcedor funcionando, uma diretoria pagando dívida e fazendo gestão profissional e que isso sim atrai marcas, aumenta público, contrata ídolos e coloca o time como protagonista. Não é a Globo que está fazendo esse abismo. É a administração.

Foi o tempo em que os 4 eram uma zona e o Flamengo era só mais popular. Hoje 3 são uma zona, o Flamengo não é mais.

A burrice está em não notar que choro individual não vai gerar nenhum efeito. Mas se os 3 forem na Globo e falarem: Vendo por 170 se o Fla vendeu por 200 e bater o pé, a TV paga ou fica passando treino do Flamengo.

Estão enganando você.  São eles que não conseguem uma gestão profissional e nem um posicionamento firme para se impor no mercado. O problema é que quando você tem salário atrasado, dirigente vagabundo, dívidas pra todo lado e nenhum plano profissional de mudança, a TV te dá qualquer merda e você pega pra não passar fome.

O problema não está na Globo, nem no Flamengo. É o seu time que não faz direito.

RicaPerrone

#TBT: Djair

O uniforme no futebol é uma obrigatoriedade que atrapalhou alguns jogadores. Digo isso porque se pudesse estar de acordo com o jogador e não o clube o traje de Djair seria um smoking.

Calmo, lento, elegante. Irritante até.

Djair passou por 8 dos 12 grandes, e embora tenha sido um jogador de altíssima técnica nunca vingou em seleção, europa ou mesmo conquistou títulos grandiosos.

Toda vez que alguém queria um “volante” que soubesse jogar havia um nome na cabeça: “Djair”. A dúvida vinha junto. “Será que ele vai render?”.

Jogador raro.  Hoje nem sei dizer se jogaria ou se seria um fenômeno.

Djair foi um volante moderno com características de meia antigo. Fosse hoje ele não seria nem um volante, nem um meia. Não há mais Djair no futebol.

Aquele trote cansado ainda no primeiro tempo irritava o torcedor minutos antes do lançamento genial de quem jogava sem olhar pro chão.

Andarilho, saiu sem um clube de identificação forte, mas com vários de boas memórias.

Quem se parece com Djair hoje? Ninguém. Tem que ser muito bom de bola pra jogar “feito o Djair” hoje em dia.

RicaPerrone

Um irrelevante clássico memorável

Um Fla-Flu maravilhoso desses precisa terminar com discussão sobre arbitragem. Não há clássico sem empurra-empurra e pelo menos um dos lados reclamando do juiz.

E desde já lhes digo que, com ajuda do VAR, o arbitro acertou em todos os principais lances do jogo.

O primeiro gol do Fluminense estava impedido sim, e o lance do Renê não é um novo lance. Ele está reagindo a bicicleta e não dominando facilmente pra sair jogando.

Os pênaltis, pênaltis!

As expulsões indiscutíveis.

O que se discute, então?

O Flamengo fazendo gracinha com 10 do segundo tempo e um a menos? Sim. Pediu pra tomar.

Mas aí se classificando, com o contra ataque aberto, o Flu não usa e recua até o Flamengo sufoca-lo no fim.

Roteiro fácil. Previsível.

Um Fla-Flu pra história. Um jogo que consegue se sobrepor a falta de importância que o regulamento tosco conseguiu criar.

Por mais força que façam os dirigentes, um Fla-Flu nunca será “só um Fla-Flu”.

RicaPerrone

O Maraca é… nosso?

São três assuntos numa só canetada.

O Maracanã volta pro Governo num “me dá aqui!” e foda-se? É tão fácil assim contratualmente se romper algo que está acordado e em vigor?

Se sim, e parece que sim, quem vai gerenciar é o governo. Porque a gente acha que justo o governo fará algo melhor que uma empresa privada, embora seja ela uma das mais sujas deste país?

E os clubes, por sua vez, continuarão pagando o alto preço de um estádio desnecessário. Pode colocar o Bill Gates pra administrar o Maracanã, ele ainda será caro.

Parem de repetir os erros do passado. O Maracanã do povo não existe mais. Isso é um ginásio gigante, caro, apenas construído sobre as ruinas do nosso Maraca.

Esse negócio não vai dar a clube nenhum do Rio o dinheiro que deveria.  Assim sendo, ele é uma morte anunciada.

Para 4 anos e uma reeleição talvez dê. Mas para 10, 15, não vai dar. Uma hora os clubes vão ter a certeza absoluta de que o Maracanã não poderá jamais render a um clube o que as arenas de Grêmio, Inter, Palmeiras e Corinthians rendem ou renderão em breve.

Porque?

Porque ele é um meio de sustento a terceiros. Não presta serviço ao futebol, mas sim é usado pelo futebol para que diversos setores ganhem dinheiro sobre sua operação.

O Maracanã vai mudar de culpado. Não vai parar de ser uma merda pros clubes.

RicaPerrone

O contrato sem contrato

Após postar sobre o contrato obviamente recebi ligação de todos os lados. Vou resumir da forma mais “rica perrone” do mundo.

Esquece o contrato. Ele parte do bom senso e não houve.  Parti do mesmo princípio, e não é nada disso.

O que está acontecendo é uma briga política com interesses comerciais não divulgados que teve o óbvio final da corda estourando pro lado mais fraco. E mais fraco neste caso foi o Flu não por ser um clube menor, mas por estar devendo ao Maracanã.

O que o estádio quer é o Vasco. O Fluminense é ruim pro Maracanã e sendo devedor se torna péssimo. A “namorada nova” se aproveitou de uma “clausula” que sequer em tese ele poderia conhecer por sigilo para “peitar” o lado do Flu com uso do mando.

Na prática o Vasco deve ter dito: “mando é meu? São Januário. Não pode? Então lado direito”.

O contrato dizia que era a hora do Maracanã chamar o Flu e dizer “fudeu, eles tão engrossando. Tem acordo?”.

E aí o Flu poderia sentar na mesa e dizer “to devendo, alivia pra mim e eu libero o setor nessa final”, ou poderia dizer “nem a pau!”.

Não houve. Os ingressos foram vendidos e o Maracanã não deveria ter liberado a carga pro Vasco antes disso ser resolvido, embora ele tenha a barganha de ter no Flu um parceiro devedor e que ele não quer mais.

Política.

Mas aí o Fluminense passou a ter razão legal, mesmo tendo iniciado a polêmica sendo o lado “devedor” da história.

O Vasco não fez nada ilegal. Quem cometeu um erro foi o Maracanã ao confiar na “paz” com o Fluminense em virtude da dívida. Na base do “ele me deve, vou me aproximar do Vasco e ele vai me entender”.

Não entendeu. Até porque está saindo e vai sair macho pra torcida. Falou um monte de absurdo na tv, mas falou respaldado num contrato. Contrato que ele mesmo não respeita. Mas ainda é um contrato.

Se o Maracanã não quis processar o Flu pelas dívidas, problema dele. Legalmente o Fluminense tem respaldo, embora não tenha moral pra peitar. Nem precisou.

O Maracanã não deu ao Flu o direito de ser “humilde” e negociar como devedor. E aí perdeu a razão.

O Vasco não é o vilão. Quis fazer o que todo clube faz todo santo dia: média com torcedor. Ganhar o lado só pelo “chupa”.  E viu o Maracanã balançado pelo flerte e se rendeu.

Vou ser mais prático:

O Maracanã é casado com o Fluminense. Mas ele quer dormir com o Vasco. O Vasco precisou do Maracanã e meteu um nude pra ele. Até ali não havia traição.

Quando o Maracanã abre a guarda e sai com o Vasco ele traiu. O Fluminense podia ser um péssimo marido, mas agora é corno. E o corno tem sempre razão.

Futebol não tem dono. E nada que não tem dono funciona. Estamos discutindo lei quando na verdade trata-se de um grande e escondido jogo de interesses que não serão claros e abertos ao público.

RicaPerrone

Preto no branco

Se fora do campo tudo ficou confuso, dentro dele foi bastante claro.

O Fluminense tem a bola e, como disse desde o jogo contra o Flamengo, terá quase sempre. Seu objetivo é a posse. Sua forma de não ser pressionado é essa. E se você eventualmente entender a posse de bola do Flu como uma arma ofensiva, entendeu errado.

Quanto mais você tem a bola mais você tem obrigação de criar. E se mesmo assim cria muito pouco, maior a sua inoperância ofensiva. O Fluminense joga mais do que se esperava dele no papel, muito menos do que se faz dele a cada partida do estadual.

Contra os fracos ter a posse significa criar. Contra time grande significa ser pouco pressionado.

O Vasco fez um turno muito bom e venceu merecidamente. Não porque chuta mais ou menos que o Flu, mas porque precisa de 10 minutos de posse pra fazer o que o adversário faz em 40. Isso é diferencial.

E entenda que não acho ruim o que o Diniz propõe, apenas não me iludo com a posse.

Entre contratos, dados, argumentos e entrevistas desnecessárias, o Vasco teve mais do que razão: teve o título.

E embora ele não valha mais nada porque a FERJ é tão estúpida que conseguiu desvalorizar o formato mais simples e antigo do Brasil, ainda é evidentemente melhor do que não ganhar.

De quinta-feira até o apito final do jogo o Fluminense falou, discutiu, prorrogou, analisou, argumentou… o Vasco vendeu ingresso e venceu o jogo.

Serei prático  já que qualquer letra que eu postar vai gerar ataques de clubismo dos dois lados.  Acho que tendo mando o lado era do Vasco. Não tendo, do Flu. Havia.

E em campo, o Vasco jogou pra ganhar o campeonato enquanto o Fluminense joga pra ter a bola.

Futebol se joga pra levar a bola a algum lugar. Não para tê-la apenas.

RicaPerrone

O problema sempre foi o lado


E você de que lado quer ficar? Do Vasco, do Fluminense, do sul, do norte, do contrato, da tradição ou da clara insuficiência intelectual que leva dois clubes perderem milhares de reais, credibilidade e foco positivo num espetáculo decisivo por conta de suas mentes mediocres?

Dias após o Vasco colocar a bandeira do Flamengo na camisa mostrando grandeza, seu conselho entrega uma carta a diretoria mostrando burrice. Em seguida Vasco e Fluminense não conseguem sentar numa mesa e resolver uma briga de 60 anos e levam isso ao torcedor, descredibilizando ainda mais o tosco campeonato estadual.

Custo a crer que haja tanta burrice e vaidade ainda no futebol. Que dois clubes em crise financeira não consigam chegar a um acordo que ambos possam lucrar. Que seja mais valioso pro vascaíno e pro tricolor a porra do lado no estádio do que o jogo em si.

“Ah mas foi combinado”, ok, ok! Eu concordo. Mas o Maracanã não é mais um estádio de uso do estado. É de uma empresa, o Vasco não é parceiro dessa empresa e portanto os contratos “tradicionais” perdem valor para os de fato.

“O mando é do Vasco”. Ok, aí temos um belíssimo impasse. Pois se o Vasco não pode mandar o jogo em seu estádio, então deveria ter a condição de mandante no Maracanã.

Mas quem assinou o regulamento dando a FERJ toda esse poder de determinar onde, quando e como? O Vasco.

Entende?

Os clubes são reféns de suas próprias idiotices. Brigam por fatias de um bolo pequeno ao invés de aumentar o bolo.  É de uma falta de bom senso inacreditável!

Independente de quem tem razão, e neste caso desconfio que ambos, mas como pode ser mais inteligente levar isso a público e impedir a venda de ingressos na véspera da decisão do que sentar e resolver logo após definida a data do jogo?

Vasco e Fluminense são dois vizinhos com as casas caindo aos pedaços e querendo gastar e construir um muro ao invés de reformar a calçada.

Pelo amor de deus! Joguem essa merda na moedinha. Ou fiquem sempre se humilhando sem elas.

RicaPerrone

Sessão da tarde

Era pra ser uma linda homenagem, e foi. Mas ainda que fosse um jogo histórico por toda a tragédia que envolvia a partida, ainda era um Fla-Flu.

Apático no primeiro tempo, dramático no segundo. Precisar do empate é um convite a dormir com a derrota. O Flamengo tem mais time, sabia disso, tentou mais, mas existem mais coisas que determinam resultados no futebol brasileiro do que o valor investido.

O Fluminense não equilibrou o jogo, nem dava. Mas fez uso do desconhecido para vencer os notáveis do Flamengo.

Se todo mundo sabe o que vão fazer Diego, Vitinho, Everton e outros consagrados jogadores, ninguém tem idéia do que virá do outro lado.

E mesmo sendo “surpreendente”, tem seu lado “previsível”.

Um grande Fla-Flu, uma partida decisiva, Flamengo favorito, Fluminense em minoria no Maracanã… esse filme é quase a Lagoa Azul.

Vai passar sempre. E de novo, e de novo….

RicaPerrone

Suicídio público

A FERJ é uma entidade política e portanto não dá pra esperar nada muito voltado pro crescimento, lucro e resultado. Como tudo que não tem dono e nem fins lucrativos, a chance de haver um comprometimento com competência e não relacionamentos e favores é mínima, quase zero.

Ela pode errar. Pode fazer uma fórmula absurda como a deste ano. Mas não pode cometer o “suicidio” da credibilidade brigando com uma imagem.

O pênalti no Fluminense é penalti e ponto final. Não tem o que ser analisado.

E aí a FERJ vai na internet e diz que não só não foi pênalti como foi falta pro Vasco, exatamente o que o juiz marcou.

Ela não está defendendo sua arbitragem, mas sim fazendo dela motivo de piada.

Um campeonato organizado por esse tipo de mentalidade não tem a menor possibilidade de dar certo. Fato é que no futebol do Rio de Janeiro tudo que eu conheci até hoje é feito para que muita gente ganhe dinheiro. Menos os clubes.

E nessa de ir empurrando com a barriga, mais um ano onde a tradição, as torcidas e os clássicos vão salvar um campeonato que nasceu morto. E que, na dúvida, ainda se suicidou pelo caminho.

RicaPerrone

A controversa e boa contratação de Ganso

Entendo, não faria, mas sei do valor que tem a contratação do Ganso pro Fluzão.

Entendo porque um time cheio de nomes desconhecidos numa camisa muito conhecida precisa de peso. E esse peso as vezes se dá através de nomes. Ganso é um craque.

Usa? Não. Mas é.

Não faria porque já temos ai longos anos de carreira para saber que trata-se de um jogador em queda livre. Vir ao Fluzão depois de ter chegado ao inexpressivo time francês que chegou é mais do que “uma chance”, é quase um prêmio.

E o valor é grande. Futebol vive de expectativa e sonho. O torcedor que começou o ano esperando uma tragédia viu um treinador abusado com um conceito novo arriscar. Criou uma expectativa em cima de bons jogos até aqui, embora sejam testes ruins.

E quando ouve um nome conhecido para reforçar um time que já surpreende, aumenta sua euforia.

Dizem que euforia e expectativa são ruins. Ruim é não te-las. O futebol vive muito mais da véspera de um jogo do que da partida em si. E isso vale pra temporada.

O Fluminense que não causava interesse algum em janeiro agora é alvo de curiosidade, mídia e expectativa.

Sim, foram dois riscos inteligentes de uma diretoria que erra muito. O treinador diferente é o que dá pra ter quando não se tem um time diferente. E o jogador que sabe jogar mas não consegue é uma expectativa que leva torcida pro jogo, mídia pro treino e engrandece o clube no cenário nacional.

É preciso ter resultado, estrutura, elenco e, principalmente, sonho. O tricolor que ontem bancava o vexame hoje sonha com algo bom. Isso basta pra explicar tudo isso.

Boa sorte a ambos.

RicaPerrone