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Onze perguntas sobre a seleção

Onze perguntas sobre a seleção 1Domingo, 18h. O Brasil se rende ao ótimo futebol de contra-ataque “deles”, sem que tenha acontecido sequer uma jogada ofensiva trabalhada em todo jogo. No mesmo dia, um show de elogios a ótima vitória alemã sobre a forte Inglaterra, que  assim como “eles”, jogaram no contra-ataque e venceram desta forma.

Segunda-feira, 13h. A seleção brasileira é uma merda e até aqui não jogou nada. Mesmo dia, horas depois, é “rumo ao hexa” e a fantástica Holanda que joga solta e não perde há 2 anos vira “obrigação”.

É impossível exigir algo racional nessas horas, naturalmente. Até o mais hipocrita corneteiro que se diz “torcendo contra” é mentiroso, pois no fundo torce a favor.

É como política. Infelizmente tem gente que prefere ter razão do que ser feliz. Eu não votei no Lula, não votaria jamais. Mas eu estou adorando terminar o governo dele sem precisar sair reclamando da situação do país. Agradeço todo dia por estar enganado. E assim acho que deveria ser qualquer palpite negativo que envolva nosso país.

Mas, isso sou eu. Você é você. Se prefere o gostinho do “eu avisei”, então durma com ele.

Onze perguntas que não tem resposta. Mas que eu vou tentar.

A seleção é favorita?
Como todo grande time, ela é favorita até em par ou impar. O que não implica em ter obrigação de vencer. Isso, pra mim, não existe. Obrigação existe de correr e tentar o seu melhor. Futebol é um jogo imprevisivel, cheio de detalhes e que o resultado não reflete fielmente o que foi feito em campo.

Você prefere a seleção jogando futebol de resultado ou bonito?
Eu prefiro o futebol a nossa moda. Mas não é isso que cobram do nosso time, portanto, vamos aprender a engolir o que nós mesmos pregamos. Nós somos de uma geração de almanaque. Ninguém vê o jogo, ninguém analisa picas. Ganhou, ótimo. Perdeu, bosta. E assim sendo, ou muda-se a cobrança, ou não existe outra alternativa. Se pedem vitória, se entendem que a derrota é um fracasso e não um acaso do jogo, joga-se pela vitória da forma mais segura.

Você acha que a seleção joga um futebol de resultado?
Não. Acho que o time brasileiro joga um futebol inteligente e focado em ganhar. Mas não acho seu jogo feio, nem retranqueiro. Acho que a cobrança em cima do time é absurda e por isso eles preferem garantir os pontos ao invés de ousar um show. Isso é, como acima, reflexo do que pedimos, não do que eles escolheram.

Porque a nossa seleção não se comporta mais como nossas tradições?
Porque seu time se comporta? Seu treinador pede isso ao time dele? A base do seu time forma Julios Batistas ou Robinhos? Você vai na arquibancada pedir show ou 1×0? Então, meus caros, a coisa é bem simples: Seleção é reflexo do futebol nacional. Na Itália, não se renova. O time apanhou e não mostrou novidades. No Brasil, hoje, não existe mais cobrança por futebol. Só por resultado. Você quer que a seleção seja formada pelo que? Ela é reflexo, só. Mude a cobrança, mudarão os objetivos.

Porque você critica o jogo defensivo nos clubes e na seleção não?
Porque um clube treina 11 meses no ano, joga 70 partidas e não pode fazer do seu estilo de jogo uma coisa mediocre. A seleção não treina, se encontra 5 vezes por ano, cada vez com jogadores diferentes, e neste futebol tático e feio que vemos hoje, não dá pra subir no salto e ignorar estes fatores. Se perder, nego reclama. Se ganhar sem dar show, reclama menos. A alternativa é simples. E outra: Toda vez que o Brasil pegou um time grande ou “não covarde” na sua frente nos últimos 4 anos, ganhou jogando BEM.

Você concorda com os convocados e o time titular?
Meus convocados seriam diferentes porque minha seleção buscaria algo mais do que resultados. Mas não foi isso que pediram ao Dunga, não é isso que ele tem que devolver. O time titular dele é competente. Eu mudaria um pouco, colocando o Ramires. Mas agora, onde provavelmente ele concorde, perdeu o cara por suspensão. Aí é foda também.  Sobre os 23, sinceramente, mesmo os que eu queria lá, não mudaria muito este time. O Ganso não teria tomado a vaga do Elano, pois ele faz boa Copa. O Neymar idem com Robinho. Estariam no banco. E sim, prefiro o Elano correndo do que o Ronaldinho Gaucho fugindo do jogo como sempre fez na seleção.

O Brasil pode vencer a Holanda?
Claro que pode. Mas a pergunta ideal é outra: O Brasil pode PERDER pra Holanda? Pode também. Lá, daquele lado, com ou sem um caneco em mundiais, há uma seleção de muita tradição, bom futebol e numa fase fantástica há mais de 2 anos. Sempre foi um jogo de gigantes, e assim sendo, o resultado é sempre um detalhe. Podemos perder sim, mesmo jogando bem. E não farei, como nunca fiz, nenhuma avaliação sobre o resultado do jogo. Mas sim sobre o que foi feito nele. Futebol não é basquete, onde o melhor vence quase sempre. A paixão é exatamente essa, o fator imponderável, aquele chute do meio da rua, a falha individual, o 1×0, o gol contra, etc.

Se passar da Holanda, estamos na final?
Jamais! Não existe semifinal de Copa do Mundo mole. Podemos peder para o Uruguai, que é clássico, bicampeão mundial.  Clássico é clássico, não existe essa de fase. E podemos também ter um jogo duríssimo com Gana. Somos favoritos? Somos. Mas não esqueçam que no futebol atual, nivelado e cheio de raça e pouca técnica, ver um time jogar a partida da sua história conta muito. Não existe nenhum jogo fácil a partir de agora.

Como avaliar o trabalho do Dunga?
Pra mim, de forma simples. Alguém pediu ao Dunga um time que dê show? Não. Pediram o que? Resultados, comprometimento e o fim dos titulares cativos que tanto irritaram em 2006. O que ele nos deu? Exatamente isso. Agora, se isso não basta mais, então reclamem ao próximo que o time jogue bola e foda-se o resultado, que é quase o que faz a Holanda ha 200 anos. Tô mentindo?  A mescla disso seria o ideal. Mas no futebol atual, abrir e ir pra cima é uma boa alternativa pra levar 1 gol de bola parada e passar 90 minutos tentando furar 11 homens na defesa adversária. Infelizmente.

A seleção é a melhor da Copa até aqui?
Não. Ela é uma das melhores. Melhor que ela, talvez, só a Alemanha, que tenha jogado algumas boas partidas e tirado um gigante do torneio. Fora isso, não vimos a Espanha jogar grande coisa, vimos Itália e França fora, um Uruguai mais raçudo do que técnico e “eles” mais na base do apito e do individualismo do que por grandes atuações. Nós, de um jeito ou de outro, vencemos o grupo mais dificil da Copa (nao o mais equilibrado, nao confundam) e matamos o Chile nas oitavas sem dó. Jogamos 2 bons jogos, fizemos uma estréia média e um jogo, que valia pouco, sem 3 titulares de armação, ruim. Só. Sem fantasmas, nem tanta euforia.

Você acredita no hexa?
Sim. Acredito por analise e por torcida. Não vi ninguém voando o suficiente pra achar que não temos condições. E como torcedor, óbvio, sempre, torcerei e acreditarei que podemos chegar. Se vier, ótimo! Se não vier, ficarei triste, mas não sentirei raiva desde que continuem correndo e se doando. Obrigação é fazer o melhor, o resultado não é feito por jurados, mas sim por detalhes.

abs,
RicaPerrone

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