2×0

Na dúvida, olhe pro cometa

As vezes a gente passa tempo demais discutindo o que não precisa ser discutido.  Entre observar um cometa e passar os raros minutos possíveis em vê-lo teimando se “é ou não é”, não vacile: olhe pro cometa.

Eu não sei o que esse Flamengo vai ganhar. Mas sei que isso também não é nem perto de ser “tudo”. Tolo é quem acha que futebol se basta num resultado, numa relevância de um torneio. Pouco entendido até, eu diria.

Basta ver que o coração de tricampeões da América pararam por uma “batalha” na série B.  Que o time campeão do mundo ajoelha até hoje diante de um gol na final do estadual contra um pequeno.

Outro tetracampeão brasileiro chora ao falar do milagre do não rebaixamento. E os maiores campeões do Brasil se apaixonaram por um time que só levou um estadual.

Talvez o Flamengo não ganhe a Libertadores, o que na cabeça megalomaníaca e arrogante de muitos será um absurdo. Talvez ele seja campeão. O Brasileiro é protocolo. Só um absurdo sem precedentes tira o título do Flamengo e me arrisco dizer que bem antes da última rodada.

O que importa neste momento não é exatamente saber até onde vai o cometa, quem o criou, porque está ali e nem quando volta. Mas sim olhar pro céu e registrar na mente algo raro que acontece de tempos em tempos e que levamos os intervalos relembrando.

Quer ouvir contarem ou assistir?

O Flamengo jogando futebol hoje é um cometa. Um time que encaixou como aqueles que citamos no nosso saudosismo diário. Ganhando ou não, falaremos dele um dia.

É competitivo. É inteligente. Parece emocionalmente forte. E é bonito demais de assistir.

Pare de discutir o cometa. Assista-o. Ele demora a passar de novo.

RicaPerrone

Saiu barato e pode custar caro

O resultado é muito bom e o River está bem perto da final. Diria que está, não fosse o Boca do outro lado.

A diferença entre os dois times é muito grande. E essa diferença só se iguala em fatores não tão atuais, mas sim históricos.

O Boca é um time que você tem que matar quando pode. O Palmeiras que o diga em 2018. Se não matar, ele dá um jeito e te elimina. Em campo estão seguramente os dois times mais ajudados pela arbitragem da Conmebol em todos os tempos. E portanto nada me espantaria.

Ontem foi jogo pro River sair com 4 ou 5. Saiu com 2.

Acho bem improvável a virada, já que o time do River é consideravelmente melhor. Mas é o Boca, e a Libertadores já me ensinou que ela não leva isso tão a sério.

RicaPerrone

Hoje, não

O Grêmio é copeiro, tem um histórico absurdo em mata-mata e sim, joga um belo futebol há alguns anos. Mas hoje, não.

Embora tenha sido prejudicado pela arbitragem no começo do jogo com um pênalti escandaloso não marcado, a atuação do Grêmio nesta noite foi de quem queria ser eliminado.

Abriu mão do jogo. Fez cera quando pode. Deu o campo e a bola ao CAP e perdeu com justiça.

Nos pênaltis, é verdade. Se tivesse vencido eu estaria falando da mística, também é verdade. Mas como atuação, hoje não.

Pior jogo de mata-mata do Grêmio nos últimos anos. Fraco, covarde e praticando anti-jogo.

Politicamente correto as favas, o CAP mereceu, mas frustrou a Copa do Brasil. Esperava uma final entre dois gigantes, especialmente o maior grenal do século.

Teremos uma final onde um time é absolutamente favorito e o outro o azarão.

Mas repito: com merecimento. O CAP foi muito melhor que o Grêmio hoje e quis jogar. O Grêmio simplesmente não foi ao segundo jogo da semifinal.

RicaPerrone

O óbvio improvável

O Flamengo é o único caso no planeta onde todo mundo sabe que é óbvio um comportamento desde que ele não não seja o mais provável.

Explico.

Ao viajar pro Equador era certo o favoritismo. O bom rubro-negro sabia: “vai dar merda”.

Ao perder por 2×0 lá, perder Diego e não ter Arrascaeta e Everton 100% a óbvia eliminação precoce da Libertadores causada por favoritismo agudo se tornaria, portanto, uma óbvia virada “contra tudo e todos”  com final épico no Maracanã.

Precisava fazer 2. Era difícil. Tão difícil que fariam. E em 20 minutos, porque é óbvio que seria difícil. E portanto, o fizeram.

Agora faltam 70 pra fazer só mais um. É provável que saia.

Óbvio que não saiu.

Diego Alves foi vaiado outro dia. Adivinha quem vai ser o herói nos pênaltis?

Óbvio. De tão improvável.

O Flamengo virou hoje porque “virou” o improvável”. Fosse o time completo, com 1×1 lá, teria sido eliminado.

Duvida? Olha a postura do time buscando o 2×0 e o mesmo time segurando o 2×0.  O Flamengo respira desafio, tem pavor de ter obrigação e verdadeira fobia de favoritismo.

“Isso é Flamengo”.

Pode comprar, ficar rico, tanto faz.  Flamenguista não tem vocação pra assistir títulos. Ou ele os conquista junto, ou nem valeu a pena.

E pra que ele faça parte é preciso motivo pra empurrar mais do que pra cobrar.

Se o clube as vezes vai na contra-mão da sua vocação, a vida corrige. Hoje, completo, tendo empatado lá, o Flamengo teria perdido o jogo.

Como eu sei?

Você também sabe. Todo mundo sabe.

Era óbvio. De tão improvável.

RicaPerrone

Enfim, sem “poréns”

O Inter tem um bom time. Ao contrário do que muita gente diz, dá pra jogar bem e vencer. Não é um ou outro. Prova disso são jogos como o desta noite.

Não satisfeito em vencer, o Inter estava disposto a convencer. Sair de campo aplaudido em pé e sem “poréns”.

“Ganhou mas não jogou bem”. “Ganhou mas recuou”. “Ganhou mas…”.

Não tem “mas”. O Inter venceu lá como dava, aqui como quis.

Contra-ataques, chances de gol, movimentação, sintonia com a torcida. Noite de gala no Beira-Rio. Daquelas que faz a gente acreditar.

Se Flamengo ou Emelec, ainda não sei. Mas quem vier enfrentará o melhor Inter dos últimos anos.

Noites irretocáveis não se comenta, só aplaude.

RicaPerrone

Como a banda toca

Jesus foi puramente treinador. Ignorou o campeonato, o clube, o histórico e a relação de confiança com o torcedor. Resolveu por conta e risco que trataria o jogo da Libertadores como um jogo qualquer.

Se vence com Rafinha na frente, é gênio. Perdeu, que aguente. Não pelo Rafinha. Pelo conjunto da obra. O erro? Tentar fazer com que o Flamengo se adapte a ele e não o contrário.

Isso é jogo pra fechar a casinha e ganhar de meio a zero. Não porque prefiro, mas porque é Flamengo numa Libertadores. Na menor chance de dar merda, vai dar. É isso que ele parece ignorar e não saber.

Vilão? Não. Eu compreendo o Rafinha na frente. Não compreendo o Cuellar fora jogando lá. Aqui, semana que vem, é bem razoável. Mas aí é capaz dele escala-lo.

O Flamengo tem, entre vários erros, uma dose escandalosa de azar na Libertadores.

Perde Everton, Arrascaeta, toma um gol no começo e tem um a mais. Diego se machuca. A bola do segundo gol é sacanagem. Desvia no único lugar que podia pra entrar no único espaço possível.

Lá vem vocês com o papo do investimento. E eu insisto no meu papo de que investimento pesado em reforço caro, na América do Sul, é papo furado. A gente faz, quem compra é europeu. E normalmente ganha quem faz, não quem compra.

Dá pra virar? Claro que dá! Sem Arrascaeta, Diego e Everton? Mais difícil. Mas dá.

Semana que vem o Flamengo opta entre dois cenários comuns a sua história. Ou enche o estádio pra cobrar e sai dali sob pedras e em crise, ou entra pelo “milagre” e sai dali santificado.

Aguardemos. Mas que dá, dá.

RicaPerrone

Pela dignidade e pelo hepta

Claro que o objetivo era a vaga. Mas mais do que o “milagre” que seria reverter o placar, era também pela dignidade perdida no Mineirão, onde passivamente o Atlético viu o seu maior rival fazer 3×0 sem sequer esboçar brigar por algo mais.

Hoje, no estádio lotado e com apoio improvável de sua torcida, o Galo tinha que correr, brigar, lutar e sair aplaudido. Com a vaga ou não, era dia de trazer de volta a torcida pelo resto da temporada.

Feito.

Grande jogo, uma quase virada histórica, muita correria e a dignidade de volta.

Do outro lado, a vaga. O Cruzeiro do Mano é um time que joga consideravelmente menos do que pode, mas que atinge os resultados. Ele é um técnico de resultado.

Está classificado na Libertadores e na Copa do Brasil. Aí está o resultado.

Hoje, mal. Mas depois do baile do Mineirão nem precisava.  Fez o suficiente e fica com justiça com a vaga.

Um dos raros Cruzeiro x Galo onde os dois sairam do  campo satisfeitos. Mas dessa vez o Cruzeiro precisava mais, fez mais, e vai pra semifinal (pra variar) em busca do hepta.

Viu como administração e futebol não se confundem tanto quanto insinuam os “entendidos”?

RicaPerrone

É muito melhor

O Galvão tem razão. É muito melhor contra eles. É diferente. Temos apenas nesse jogo a sensação de ganhar de um rival com a seleção.

Por mais que Itália e Alemanha sejam consideravelmente maiores que a Argentina, a gente não se odeia. A gente se respeita.

Por mais que seja o Uruguai que nos calou em 50, a gente não se odeia. É uma vontade de ganhar desportiva.

Contra eles parece que mesmo quem “pouco se importa”, se importa.

Jogando bem, jogando mal, de 1×0 ou goleada. Não tem a menor importância. É um raro momento onde o clubista assume a camisa da seleção, ignora análises e quer apenas vencer. Basta.

Aquele “meio a zero tá ótimo” que nunca serviu pra seleção e é mantra no clube, enfim, pode ser unificado. E é só neste jogo, porque domingo é preciso ganhar e jogar bem.

Hoje, não. Bastava ganhar “deles”.

Feito, como sempre. Quando não há nada de “estranho”, o resultado é quase sempre o mesmo.

Lá se vão 26 anos de fila, uma insistência tosca de boa parte da imprensa brasileira em querer coloca-los onde não merecem e, pasmem, até virar casaca.

Nada muda.

Nós na final, eles em casa. Nós discutindo se poderíamos jogar mais, eles explicando como podem não jogar nada.

Se domingo formos campeões, será bom. Mas nem mesmo o título será melhor do que hoje.

Como diria o Galvão, ganhar é bom. Ganhar da Argentina é muito melhor.

E é mesmo.

RicaPerrone

O gol que não fizemos


A diferença entre Argentina x Venezuela para Brasil x Paraguai foi uma bola. Logo no começo a Argentina fez o gol e não permitiu que o adversário pudesse manter sua proposta de jogo. Desmontou, ganhou espaço e ainda assim não jogou bem.

Mas o gol no começo que nos daria uma goleada ontem saiu pra Argentina hoje. Ao contrário do confronto entre nós, as quartas tratavam-se de jogos onde um dos times não ia jogar. E só um gol mudaria essa idéia.

Messi mal, a Argentina ainda com problemas e sem um plano de jogo muito claro. Mas com uma arma importante: ser uma seleção grande sem obrigação.

Isso é um perigo enorme. Vamos coloca-los na condição de zebra através da nossa mídia pouco brasileira. Faremos um terrorismo do cacete até terça falando do perigo do Messi, do fulano, do beltrano e gerar obrigação pra nossa seleção e nenhuma pra eles.

Os inimigos são fáceis de identificar: a própria imprensa brasileira e a esperta mídia argentina que vai aceitar o papel de zebra exatamente pra tentar fazer uso disso.

A diferença entre nós é que eles querem ganhar, a gente quer ter o que criticar. O perigo é esse. Só esse.

Time por time, bola apresentada até aqui, nós ganharíamos fácil. Mas também ganhariamos fácil do Paraguai… Futebol é futebol.

Não aceitem o favoritismo. É tudo que a Argentina quer e a única chance dela.

RicaPerrone

Difícil até opinar

Existem alguns momentos no futebol onde procuramos explicação com boa fé mesmo contra sua própria fé. O Flamengo que tocou a bola e jogou bem hoje contra o Fortaleza é rigorosamente o mesmo time do Abel, com os mesmos jogadores e formação tática.

Mesmo se o novo treinador fosse de fato Jesus Cristo, não teria feito absolutamente nada em 2 dias que pudesse alterar de forma tão significante a maneira com que o time atuasse.

E se não foi tático, menos ainda técnico… ?

Os caras fizeram manifestação de apoio do treinador ao final do jogo contra o CAP. Não era preciso, bastava ir pro vestiário. Se estavam tão com ele assim, porque bastou ele sair pra que a postura mudasse?

Não, não acreditem que o Abel gritava “toca errado!” na beira do campo.  Você pode até tentar me convencer que o ambiente de pressão estava atrapalhando e aliviou a saída dele.

Ok! Temos um ponto. Ainda assim, difícil contar com um time que não funciona sob pressão. A pressão vai existir. E aí? Faz o que?

Gostei de ver que não houve “revoltinha de parça”, ou seja, ninguém fazendo corpo mole porque queria o treinador anterior. Mas fiquei muito surpreso em ver o quanto se jogou a mais sem qualquer novidade pra isso.

Talvez o Abel tenha saído não só pela diretoria. Talvez você acredite que o “Fera” em 3 treinos e nenhuma mudança tenha feito um milagre.

Talvez. Vai saber…

RicaPerrone