2×0

Sem comparação

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O Galo não tem o melhor time do mundo, mas tem um time capaz de competir. Acima até mesmo do que eu imaginava em maio, quando a bola rolou pela primeira vez no Brasileirão.

O Flamengo tem um time mediocre e que mesmo se reforçando segue com seu maior problema: Ninguém pensa.

Vamos começar a avaliar o jogo de hoje pelo gráfico abaixo. Ele mostra o posicionamento médio do time do Flamengo no primeiro tempo. Ou seja, a formação original.

Um bocadinho pra lá, pra cá, você enxerga ali o Sheik mais perto da área, um Everton aberto na esquerda, o Gabriel na direita, Eduardo no meio e quem arma? Os volantes.

Captura de Tela 2015-06-20 às 18.55.25Isso não costuma dar certo quando Marcio Araujo é seu volante. Eles podem apoiar a criação, não ser os criadores.

Aí você cai numa questão óbvia. Se pelo meio não chega, o que o Flamengo vai fazer? Abrir o jogo e tentar enfiar a bola diretamente num dos jogadores abertos pra cruzar.

O que acontece? Esse painel do lado com os passes errados do Flamengo. Olha a distância dos passes. Quase sempre tentando achar uma bola que resolva sem trabalhar a jogada.

Olha a quantidade de bolas que o Luiz Antonio (que nao é lateral) e o Wallace enfiam diretamente pro Gabriel. Talvez o Gérson em 1970 pudesse ser este cara. Talvez.

Mas aí vamos pro outro lado. Uma linha de 4, um volante que não sai dali, e liberdade pro resto do time ir e voltar.

O Patric ta mais adiantado no gráfico de posicionamento médio, mas eles faz parte da linha defensiva. Na frente você tem corredor, driblador, passador, prendedor de bola e um centroavante.

Não é um timaço de sonhos, mas é um time que sabe o que vai fazer e quais são as possibilidades que tem. Você marca quem? As alas? O meio com Dátolo? A entrada do Thiago? É dificil.

É um time. Sem entrar no mérito individual, o Atlético MG tem um time postado em campo com funções claras e definidas. O Flamengo não tem.

Porque o Luiz não é lateral direito, e o Pará não é esquerdo. Pra ajeitar um lado você improvisou 2.

A vitória do Galo hoje diz muito mais do que um sonoro 2×0 em pleno Maracanã. Mostra o quanto o Flamengo é óbvio, previsível e portanto, “marcavel”.

abs,
RicaPerrone

3 pontos

As vezes a escalação de um time nos faz acreditar que veremos uma coisa e acabamos encontrando outra, embora o resultado final acabe sendo parecido.

Quando vi Vinicius, Wagner e Gerson no mesmo time titular, ainda com dois volantes técnicos e que sabem jogar futebol, só consegui imaginar um Fluminense tocando a bola pelo chão  e agredindo o Coxa.

O resultado é justo, o Tricolor foi melhor.  Mas a proposta de jogo do time me deixou bem confuso.

50 bolas longas. Claro, a maioria delas deu errado.

Mas porque as bolas longas?

Não é um time veloz, ao contrário, é um time técnico. Um time que corre pouco e “trota” muito em campo. Mas que tem qualidade técnica. Então, porque o chutão? Porque a bola longa?

Pois então. Como venceu, tanto faz. Mas me preocupou hoje como o time do Fluminense leu errado o jogo. Podia ter sido bem mais fácil.

E se ainda assim deu certo, ótimo sinal. Tem time pra mais do que esperavam os profetas do apocalipse.

abs,
RicaPerrone

Renê, o melhor do Bota

Eu não gosto do Rene Simões. Toda vez que ele chega num clube eu critico e quando sai faço piada, até porque invariavelmente ele sai dizendo que o clube não era suficientemente estruturado para seu talento.

Mas neste Botafogo de elenco bastante contestável, ainda que na série B, Renê tem me surpreendido.

E pra não ser covarde e nem injusto, devo fazer no mesmo blog que já o critiquei os elogios pelo padrão do Botafogo, talvez um dos times que mais saibam o que fazer em campo no Brasil hoje.

É ruim de doer.  Algumas peças no elenco não tem condições de usar aquela camisa. Mas é o que tem. Renê, que não pode ensinar ninguém a jogar bola, pode ajeita-los da melhor forma.

E fez.

O time é consistente, equilibrado, bem organizado e até mesmo a falta de técnica dele foi compensada com o Daniel no meio.

É hora de fazer um elogio ao trabalho do Renê. O “melhor em campo” deste Botafogo 2015, ao lado de William Arão e do incrível Jefferson.

abs,
RicaPerrone

Se todos fossem iguais a você…

Não minta pra mim. Aliás, vou além: Não minta pra você mesmo!

O Internacional tem sido protagonista desde 2005, tendo conquistado 13 títulos desde então.

Tem um dos mais belos estádios do Brasil, hoje disparado o melhor elenco do país, um dos grandes que menos “deve” e ainda por cima um dos que mais revela jogador.

É o clube de maior engajamento de seu torcedor com mais de 100 mil sócios.

A maior folha salarial do país. O melhor brasileiro na Libertadores de 2015, o campeão gaúcho, o time que dos últimos 10 Brasileiros terminou metade entre os 5 primeiros. O time que esteve em 6 Libertadores das últimas 10. E também o único que disputou a decisão de todos os torneios possíveis na última década.

O Inter hoje vê Valdívia no banco, Vitinho e Anderson pedindo vaga.  Vê um mar vermelho no Beira-Rio repetir história e coroar como em 2006 o “perseguido” da sua própria torcida.

No Inter de He-Mans e Gabirus sobram motivos para sorrir.

Se todos fossem iguais a você, como seria fácil torcer.

Não são. E você destoa. Não a toa.

Sem os elogios que merece, pois aqui o que dá certo a gente esquece.

Mas você, Inter, nesse futebol que padece, é o exemplo prático que time grande também cresce.

abs,
RicaPerrone

Ressurreição

Verdade que com diversos “poréns”, mas nada tão relevante quanto rever o Tricolor jogar uma partida de Libertadores como se deve.

Com um Morumbi “meio cheio”, uma noite incomum e um jogo cheio de particularidades, houve entrega. Sangue nos olhos, faca nos dentes e cara feia. Enfim, um time que compete.

Caberá ao Corinthians a “crise” imposta pela imprensa desesperada o assunto do dia seguinte. Mas é injusto. Porque a sequencia é dura, porque com 2×0 não era vantagem tentar diminuir e especialmente porque o arbitro “estragou” o jogo no começo.

Sheik não “agride” ninguém. Ele dá um toquinho, Tolói faz um teatro e sem ter visto nada o juiz imagina e dá o vermelho. Tolói havia pisado na perna do Sheik 10 segundos antes, algo inclusive mais violento do que dar um toquinho que quase nem encosta no adversário.

Exagero. Dá um amarelo pra cada e pronto. Ou, melhor ainda, segue em frente porque o juiz não viu o lance. E não tendo visto não tem como decidir o que aconteceu.

Prejudicou o jogo e o Corinthians. Mas ainda assim o São Paulo era merecedor da vitória pelo empenho e o volume de jogo.

Luis Fabiano faz 1×0, marcando num jogo decisivo. Ó meu Deus, quem diria?!

O tempo. Questão de tempo.

Antes do jogo se acalmar Michel Bastos faz um golaço do meio da rua e resolve a parada.  O Corinthians adora o resultado, o SPFC idem. O jogo morre.

Mesmo morto, Luis Fabiano consegue tomar 2 amarelos em seguida e é expulso. O colombiano do Corinthians que acabara de entrar vai junto, por uma “porrada que não pegou”.

É meio complicado achar uma forma do “atingido” ser expulso por simulação e o agressor por ter agredido. Porque ou ele simulou ou foi agredido. Neste caso, mesmo tendo virado o braço, o corintiano não deu na cara de ninguém. Só acertou o braço do Luis que, como o tempo diria, continua o mesmo irresponsável com sindrome do pânico em jogos decisivos.

Mas, enfim, temos dois times fortes na competição. Um São Paulo renovado pela vitória e um Corinthians que acho uma tremenda sacanagem colocar como “em crise” ou “caindo de rendimento”.

Agora haverá um tempo para descanso. E então, finalmente, os veremos novamente para avaliarmos se foi um surto, se há uma queda e se a arbitragem interferiu tanto assim na partida.

Por enquanto, bem vindo, Tricolor! Tava com saudades.

abs,
RicaPerrone

O show do Galo

É uma parada meio que imperdível, anunciada, sem roteiro, mas com final feliz. O Atlético jogando um mata-mata/decisão tendo pela frente alguma situação de superação é disparado a coisa mais legal que o futebol brasileiro tem proporcionado nos últimos anos.

O clichê “Eu acredito!”  é a mais verdadeira e contagiante sensação de um jogo desses.  Eles acreditam. E se você duvidar, te convencem.

Chegou o ponto de que aos 30 do segundo tempo, sendo eliminado, você olha pra TV não para saber se vai dar. Mas quando e como vai acabar dando certo.

Hoje foi com pau da bandeirinha e um gol antologico. Quarta que vem, sabe-se lá como vai será.

Mas será. Isso é quase uma certeza.

Em Minas, domingo é dia de missa. Quarta-feira de milagre.

abs,
RicaPerrone

Incontestável

O Corinthians é um time mais pronto que o São Paulo. Da forma de se posicionar a forma que trabalha quando tem a bola, é inegável a diferença entre eles.

Um time treinado pra fazer tal coisa, o outro pra evitar que alguém faça com ele.

Com a bola nos pés o São Paulo não tem idéia do que fazer. É talento individual puro e/ou bola parada. O Corinthians sabe exatamente o que vai tentar fazer quando tem a bola. Troca passes, se movimenta, faz lindos gols como o primeiro desta noite.

A diferença entre os dois times não é técnica. É treinamento e mentalidade.

Este foi o ataque do SPFC  hoje sem Michael Bastos, dependendo unicamente de Ganso para enfiar uma bola para dois centroavantes de área. É difícil marcar?

Porque Michael, um dos melhores meias do país, voltou a ser lateral num jogo desses? Pra tentar evitar perder. E toda vez que um time grande entrar em campo pra evitar perder, eu espero que perca.

Sem inspiração, pouca intensidade, quase sem chutar ao gol adversário, o São Paulo foi facilmente anulado pelo Corinthians que, este sim, quando tinha a bola sabia pra que lado correr.

Com a pintura de Elias no primeiro gol, chamou o São Paulo pra ganhar o contra-ataque. O São Paulo só sabe contra-atacar. Ele com a bola nos pés contra uma defesa postada é muito mal treinado. Não tem jogada nenhuma. É bola no Ganso e ele que se vire.

Não se virou. Sem Michael ali, menor ainda a chance de buscar o gol.

E num contra-ataque – que sim, foi falta – o Corinthians matou um jogo que esteve em suas mãos mesmo quando a bola não era sua.

Talvez seja cômodo focar na falta e no gol irregular. Talvez seja mais inteligente perceber que a jogada do gol do Corinthians, por exemplo, é treinamento. E que a ausência de opções ofensivas do São Paulo durante 90 minutos é falta dele.

Resultado incontestável.

abs,
RicaPerrone

Ainda não!

Por mais teimosa que seja a matemática, neste caso ela ainda sobrevive sobre a praticidade dos fatos.

O São Paulo venceu o Palmeiras e negou ao Cruzeiro o título, ao Verdão o alívio.

Uma atuação de força e oportunismo. Sendo pressionado no segundo tempo mas com uma diferença de qualidade técnica entre os dois times que chega a ficar desagradável chamar de “clássico”.

Mas era. E com o 2×0 o São Paulo mantém 4 pontos atrás do Cruzeiro, que joga quinta contra o Grêmio lá, jogo que considero o mais difícil do returno pra eles. Em seguida, o São Paulo decide contra dois times de férias. O Cruzeiro, contra apenas um.

A tendência natural é que seja mais complicado pro time mineiro, mas ainda assim são 4 pontos e mais do que isso, o saldo, o número de vitórias, e portanto uma diferença que obrigatoriamente tem que ser de 5 pontos. Se tirar os 4 o São Paulo não ganha o campeonato.

O Palmeiras, com 39, volta a rezar. Mas relaxa, das 4 restantes, 2 de férias. Se não fizer os 6 pontos contra time que joga pra cumprir tabela é brincadeira.

É iminente o não rebaixamento do Palmeiras, tal qual o título do Cruzeiro. Mas ainda não foi dessa vez que deu pra confirmar.

abs,
RicaPerrone

Um domingo especial

Não é pelo Goiás, pela liderança ou por uma promoção de ingressos. Era pelo futebol apresentado, pela perspectiva e pela noite de homenagens.

Era dia de Assis, Washington e Fred. Três dos maiores ídolos que o Flu teve em sua história.  Dois já se foram, um voltou.

E num Maracanã com 40 mil torcedores prontos para aplaudir, as homenagens antes do jogo os levaram as lágrimas.  No telão, gols do passado glorioso com o casal 20 de uma história já escrita.  Em campo, as famílias. E no vestiário, a história que ainda se escreve.

O Fluminense precisou de pouco pra mostrar, de novo, um grande futebol e resolver o jogo.   Podia ter sido três ou quatro a zero. Mas não foi, pois o placar de hoje tinha que ter “20”.

E veja você que destino caprichoso.  Enquanto choravam a perda de 2 ídolos, aplaudiam outra partida brilhante de Conca e a volta de Fred, dois ídolos muito mais “tricolores” do que brasileiros. Tal qual Assis e Washington.

O Flu, o Maracanã, os ídolos juntos e “só deles”.

Parecia uma substituição qualquer quando Fred entrou em campo. Mas não era só isso. Saiam Washington e Assis, não o Sóbis. E entrava Fred.

O 2×0 no Goiás foi a coisa menos importante da noite.  Até mesmo do que  recado bem dado ao Cruzeiro: “Não é só você que sabe jogar bola”.

abs,
RicaPerrone