3×0

Céu

Flamengo e goleiro só se elogia quando acaba. Os dois podem nos fazer quebrar a cara com algum “frango” improvável. Mas, na teimosia que me acompanha, vamos aos elogios ao futebol rubro-negro.

Bem jogado, controlando jogo, assumindo protagonismo. É a mesma tese do Sampaoli, só que com time pra fazer isso.

Ele costuma dizer que não importa como, mas time grande tem que assumir protagonismo. Tem que ter a bola, tomar iniciativa e buscar o gol.

Jesus pensa igual, pelo jeito.

Claro que não farei comparação. Um está ali porque disputa só aquilo, mas com os méritos de não ter um grande time. O outro tem um time que obriga qualquer um a disputar o campeonato. O que encanta é o protagonismo em campo. O prazer pelo gol.

“Futebol é resultado” é uma frase comum, verdadeira e um tanto quanto rasa.

Futebol é ídolo, paixão, pretexto, resultado e expectativa.

O Flamengo tem ídolo, uma torcida apaixonada, “resultados”, gera expectativa de algo ainda maior e pretexto pra toda e qualquer roda de bar nesse Rio de Janeiro.

O céu e inferno, lembram? Então. Se o inferno queima, o céu lá também merece ser muito mais azul.

RicaPerrone

“Ela” merece

Essa semana em algum momento navegando pelo twitter li um flamenguista postar a escalação e dizer “nem no meu sonho mais otimista imaginei ter um time desses”. Isso antes de fazer 2×0 no Inter e se aproximar de uma semifinal de Libertadores.

O rubro-negro vive entre dois cenários distantes e curiosos. O sonho de ter um time muito bom, a expectativa do que obviamente pode estar por vir e o pânico disso tudo se tornar uma frustração sem precedentes.

O título desejado e cobiçado é também fator de alívio. Como se o Flamengo precisasse de um para poder seguir em paz e colher os demais que tem plantado.

A vitória contra o Ceará é normal. Tudo planejado. O gol no final é arrebatador. Aquele momento em que o torcedor pararia o mundo se pudesse e ficaria vivendo ali por meses.

Bem na Libertadores, um timaço, jogando bem, ganhando bem, virando líder do Brasileirão e tendo seu maior prazer. “Ve-lo brilhar”… Na terra, no caso.

Hoje o rubro-negro dorme sem nem saber do que reclamar.

O Flamengo é um ex-bêbado que virou evangélico.

O rubro-negro é a mulher do bêbado que aguentou uma vida dele chegando tarde, pisando no cachorro, derrubando vaso, mijando na tampa e dormindo sujo, esperando a sua vez de ser feliz em paz.

Hoje ele chegou de barba feita, sóbrio, com flores nas mãos e dizendo “amor, fui promovido. Vamos jantar com a sua mãe pra comemorar?”.

Não sei se dura, o quanto dura. Mas hoje… “que homem!”.

RicaPerrone

Espera-se muito mais

O ano do Flamengo não é fácil. Ao contratar um timaço e no meio do ano ir buscar um “renomado” treinador portugues caríssimo, espera-se dele o que não se espera de mais ninguém.

A cobrança cresce desproporcionalmente na medida em que isso acontece num time de massa onde o “8 ou 80” é regra. A fase de esperar está no limite. O torcedor do Flamengo quer resultado e com alguma razão em virtude do cenário.

O resultado contra o Emelec lá foi fruto de uma dose de azar. O de cá, nem tanto. Embora não tenha sido pênalti, o time tenha passado o segundo tempo quase todo jogando de igual pra igual.

A eliminação na Copa do Brasil, “a grama”. Não foi só isso, pois houve jogo no Maracanã. O 3×0 do Bahia também não pode ser ignorado, é uma puta derrota.

O problema talvez seja essa mania de ter que estar lá ou cá. Ou você acha Jesus, Jesus. Ou acha ele uma enganação. E não é uma coisa nem outra. Apenas não há revolução alguma no futebol do Flamengo ainda.

Melhorou? Algumas coisas. É uma curva ascendente notável? Ainda não.

Esse Flamengo que optou por comprar um sonho ao invés de construí-lo é uma tentativa ousada de brigar com sua história. E mesmo vivo em dois campeonatos, em momento algum o torcedor se convenceu do que está vendo. E já estamos em agosto…

Tá na hora de firmar um padrão, uma postura e alguma regularidade.

RicaPerrone

Futebol é no campo

Atrapalha, ajuda, é verdade. Mas futebol sempre foi disputado no campo e atrelar resultados a administração, honestidade e transparência nem sempre é muito inteligente.

Basta ver que a maioria dos grandes clubes do mundo tem em seus momentos mais gloriosos algumas de suas diretorias mais corruptas e/ou incompetentes. Tal qual a CBF, hoje muito menos desonesta do que já foi um dia, ganha menos títulos com a seleção do que ganhou um dia.

Ajuda, atrapalha. Mas não é determinante.

O Cruzeiro entrou em campo atolado em uma crise que envergonha seu torcedor. Ao deixar o Mineirão o cruzeirense sentia orgulho. Foram 90 minutos, nada mais.

Um baile? Não chega a isso. Mas uma paulada muito bem dada. Com golaços, raros sustos e um cenário de deixar atleticano assustado.

Nem a dignidade de um destempero o time do Galo teve. O que pra muitos é virtude pra mim é sintoma de fragilidade. Ninguém perde clássico, toma olé e sai de campo sem nem fazer uma falta mais dura, perder a cabeça com um companheiro ou algo assim.

Uma noite de “tanto faz”. Outra de “faz de conta”.

O Atlético não teve vergonha de aceitar a derrota. O Cruzeiro teve vergonha do que falam dele. Entrou pra rasgar, pra mostrar que ali, em campo, ninguém tem nada com isso.

E o Galo, idem. Porque era isso que parecia. Que ninguém ali tinha nada com isso…

RicaPerrone

Quem diria? Eles.

O Flamengo foi eliminado de dois torneios, vendeu seu principal jogador e vive uma crise política. Em qualquer clube do mundo isso seria um sintoma ruim.  Mas não no Flamengo.

Iludidos com título quando no Z4, imagine próximo a ele.  Rubro-negro sofre da ausência crônica de bom senso esportivo e por isso é tão fascinante.

As últimas duas atuações do rubro-negro são pra iludir qualquer um, imagina eles.

Bom volume de jogo, muitos gols, nenhum sofrido, domínio completo da partida. E tudo isso porque o treinador novo, que tem um processo contra seu novo antigo empregador, colocou um volante.

O que é o futebol. Todo mundo briga com treinador pra ir pra cima. O Flamengo queria recuar um pouco pra dar certo. E deu.  Com todo respeito ao Barbieri, me parecia óbvio.

Faltam 9 jogos, há um tom meio imbecil de parte da imprensa que noticia que “O Flamengo ainda sonha com o título”.  Porra, e quando é que ele não sonha?

Se estivesse a 12 pontos do líder teria flamenguista fazendo conta no simulador pra achar uma forma de ser campeão. Imagine a 2 pontos do líder.

“Sonha”?

Esse sonho é tão real. Especialmente pelo enredo.

Se eu acredito? Não é esse o ponto.  Como sempre digo, o Flamengo não é um time para se acreditar. É apenas um time para nunca se duvidar dele.

abs,
RicaPerrone

Flamengo lutou com Mike Tyson

Tudo que você pode avaliar de um jogo de futebol vem em 90 minutos. Você se prepara para eles, treina e se baseia em tudo que viu para que tenha sucesso.

Me lembro das lutas de Mike Tyson.

O adversário estudava tudo, treinava meses e pensava em como agir no round 5, como segurar até o round 10, o que fazer para cansa-lo, etc, etc, etc.

Quando chegava no ringue ele acertava um golpe em 10 segundos e acabava a luta. Tudo que você preparou sequer foi usado. E assim as vezes acontece no futebol.

Eu não faço idéia de como jogaria o Flamengo hoje. Nem ninguém faz.  Simplesmente porque o Atlético acabou com o jogo antes dele começar.

Em 5 minutos 1×0, em 21 era evitar goleada.

Um soco no queixo, um nocaute sem dó.  Ainda que muito bem cotado, hoje nas cordas atordoado o Flamengo só não jogou a toalha porque no futebol não pode.

Mas não se apavorem. Campeões invictos são coisas do boxe, não do futebol.

abs,
RicaPerrone

Argentina 0x3 Croácia

Poderia fazer uso de tal momento para deboche? Poderia.

Deveria eu ironizar a mediocridade da quebra da rixa em troca de lacrar e se fazer cidadão do bem abraçador de árvore em rede social? Deveria.

Pensei em menosprezar a capacidade de decisão de Messi, algumas vezes rotulado aqui com enorme profissionalismo e imparcialidade de “Iranildo com grife”?  Pensei.

Vibrei com cada gol croata? Muito.

Acho que eles estão fora? Não. Barata não morre na primeira chinelada. Eles vão dar uma tonteada, fingir que vão voar, abrir asas, tomar uma segunda bem dada e aí sim, morrem.

Eu odeio baratas.

E note que as odeio, não que tenho “medo” delas. São coisas diferentes.

A Croácia era favorita pelo simples fato de que toda vez que a Argentina joga um torneio oficial de forma honesta ela perde.

Mas sim, acho que eles se classificam. A Nigéria é muito ruim, a Islândia idem.  E por pior que seja a Argentina, ainda é cedo para rir de vosso fracasso iminente.

Força, Hermanos!

Um abraço fraterno do seu irmão bem sucedido e honesto,
Brasil

Bélgica 3×0 Panamá

Longe de mim tripudiar sobre os profetas que esperam há uns 8 anos que a fantástica geração belga seja campeã do mundo. Eles são primos mais novos dos que achavam que a Colômbia seria campeã, dos que esperavam um time africano na final em no máximo 8 anos (1990) e especialmente dos que juram que o futebol será dominado pelos EUA desde a Copa de 1994.

Pois bem.

Separemos a euforia com dos fatos. O time da Bélgica é mesmo bom. Pode surpreender, especialmente numa Copa sem Itália e Holanda, dois dos mais tradicionais semifinalistas do torneio. É Copa pra chegar uma “zebra”, sem dúvida.

Mas a Bélgica não é favorita. Não é uma seleção representativa na Copa e sofreu, ainda que sem a mesma pressão das grandes, para abrir o placar contra o Panamá.

O curioso é que este mesmo Panamá de forma heroica eliminou os exemplares EUA, que para muitos mandará no futebol em breve desde 1990.

Pra onde você correr cai uma lenda. Então fiquemos com os fatos. É mais prático.

A Bélgica é bom time. O Panamá não existe. Os EUA não estão nem na Copa, as seleções africanas são fracas até hoje, a Colômbia não ganhou porra nenhuma e se a Bélgica chegar é “zebra”.  Não porque é ruim. Mas porque é a Bélgica.

abs,
RicaPerrone

O hexa tá vindo

Eu não queria criar expectativa, mas se eu não fizer isso estou sendo cético e brigando com os fatos. A gente tem o direito de viver uma grande paixão mesmo que o risco de terminar numa grande frustração aumente conforme a entrega.

É proporcional a dor e fé.

Vai doer se não der. Mas o lado bom da vida é exatamente o que passamos acreditando, não o que passamos evitando nos decepcionar.

Eles merecem. Fazem por onde e está diante dos nossos olhos o favoritismo conquistado pelo trabalho e não apenas pela camisa amarela.

Goleamos, jogamos bem, tocamos a bola como brasileiros e temos craque. Somos o que adoramos ser. O tabu diz que somos sempre campeões quando não somos favoritos.

E eu lhes digo que o tabu que se foda.

O hexa pode até não chegar. Mas que ele  está a caminho, está.

abs,
RicaPerrone

“Que homem!”

O rubro-negro quando feliz brinca sobre Diego dizendo “que homem!”.  Afinal, para elas ele é lindo. Para eles, se dedica, é profissional e joga muito.  Para uma dúzia de imbecis dispostos a quebrar patrimonio alheio por causa de futebol, não.

Esses acham o Diego um merda.  Para eles, por ser a personificação do “new Flamengo”, ele deve pagar a conta. Já escrevi sobre isso. E mesmo entendendo que alguns pensem assim, é absolutamente inexplicável o destempero humano que acompanha o Flamengo.

Seu torcedor é o mais fácil do mundo. Ele se convence que o Diego não presta na mesma velocidade que o pede na Copa do Mundo. Hoje, após o episódio do aeroporto, Diego fez o que a imprensa não consegue fazer há 50 anos. Separa-los.

Eu vou me usar de exemplo pra não atingir terceiros. Eu provavelmente no lugar dele mandaria a torcida tomar no cu após o gol. Não porque eu ache certo, mas porque meu nível de vingança e “fala agora seus cuzão!” estaria tão alto que eu seria incapaz de pensar em algo fofo, inteligente e de frutos imediatos.

O cara correu o campo e um destemperado como eu já pensava: “vai manda rola pra torcida…”.

Mas não. Ele foi lá e abraçou os caras. Porque?

Porque ele é assim. Ele pensa, as vezes até demais. Ele calcula, tanto que nem se identifica com a loucura que é ser Flamengo. Ele tem calma, coisa que rubro-negro nenhum no mundo tem.

Ele sabe que bastava um gol, duas vitórias e em 1 semana o Flamengo pode estar líder do Brasileiro, classificado na Libertadores e encaminhado na Copa do Brasil.

E aí é “aeroFla”, cheirinho, hepta, a porra toda.  Porque mais inteligente do que a maioria de nós, ele não quis desabafar. Ele quis ser o marco de qualquer possível conquista deste Flamengo católico de 11 filhos únicos.

Se funcionar, ele será o cara que abraçou a torcida na hora do racha. Se não funcionar, ele será aliviado porque não reagiu, ajoelhou e deu à nação o que ela mais adora: o status de soberana no clube.

Diego é um craque. Se não com a bola, com a cabeça. E não me refiro ao gol.

abs,
RicaPerrone