Botafogo

Eu queria ser botafoguense

Eu pensei em 200 temas pra esse texto. É minha primeira vez, tô um pouco nervoso. São 27 anos de carreira, 46 de amor absoluto e descontrolado por futebol. E nesse tempo todo eu só não escrevi ou falei sobre um grande título seu.

Eu me acostumei com seu pessimismo, com suas derrotas e sua frustração. Me adaptei a ter que te compreender quando não estava presente ou quando duvidava do impossível sem notar que o que chamo de “absurdo” você chama de rotina.

Eu senti, algum dia, pena de você, botafoguense.

E nessas últimas semanas eu entendi que não era pena, mas sim respeito por nunca ter sido testado como você. Meu amor é fácil, sempre foi. Nunca foi colocado a prova.

E depois de tudo que esses 130 anos registraram criando frases como “as coisas que só acontecem com você”, você me surpreendeu.

Porque eu esperava tudo do Botafogo, até mesmo o título. Mas eu não esperava que vocês fossem busca-lo. Achei que era um estágio da relação onde, talvez, se te trouxessem na porta de casa, vocês considerariam repensar.

E quando foi colocado a venda os ingressos eu fui um dos que não entendi muito bem o que estava sendo dito. Esgotados? O Botafogo? Porque? Como? Não é racional e nem instintivo investir de novo com tanta perda e tanta dor.

Os dias foram passando, os botafoguenses foram surgindo de bueiros e tomando a América, literalmente. Caceta, eles vão se expor de novo? E dessa vez em maioria? Porque?

Me senti entre o bom senso e a inveja. Por bom senso eu não faria loucuras por um clube que me frustrou tanto. Mas eu invejo imensamente quem agora está abraçado ao seu pai comemorando o que os dois acharam que não veriam juntos. Porra, tua Libertadores foi mais comemorada que as minhas.

Você tem duas formas de “vencer” uma briga. Ou você bate ou você apanha até o limite e se levanta pedindo mais um round. Os dois impressionam.

A toalha já foi jogada no ringue e você sempre chutou ela de volta. Já acabou, sai daí! Você vai se machucar, porra.

E você ficou. Burro, louco, masoquista, sei lá eu que porra é essa.

De onde vocês tiraram fé pra tomar a Libertadores de assalto? Porque foi isso. Vocês ganharam há 20 dias quando deixaram claro quem era o favorito e quem era o azarão. Vocês invadiram outro país, ignoraram os fatos e foram otimistas, sortudos, maioria…

Cadê meu Botafogo?

E agora eu não encontro palavras porque nunca as treinei. Passei 90 minutos olhando pra TV procurando o herói do jogo, o lance, a história pra contar. E nada, nem mesmo o monstruoso Luiz Henrique, me impressionou mais do que você.

A covardia me revolta. O que a vida faz com o botafoguense é covardia.

Precisava expulsar aos 30 segundos? Precisava. Porque você tinha que exorcizar o fantasma do “vai perder de novo”.

Precisava o gol do Galo no tranquilo 2×0? Precisava. Pra você confirmar que nem todo contratempo vai virar uma derrota sempre.

Precisava do gol no final? Sim, pra você ver que nem sempre será com o seu goleiro no chão.

O título do Botafogo teve vinte e poucos coadjuvantes e milhões de protagonistas.

Tendo a procurar quem te deu o título da Libertadores. Mas pra ser justo de verdade, “jogadores vem e vão”, e quem ficou foi você.

Cara, eu nem te conheço. Nem sei como você veio parar aqui nesse blog hoje. Mas saiba que te admiro, te respeito e de certa forma te invejo. Meu amor é frágil perto do seu embora seja também incondicional.

Mas nunca me deram condições pra testa-lo. Você teve todas, as mais dificeis, e agora “vai festejar”. Nao o meu sofrer ou penar, mas a sua impressionante capacidade de suportar o que talvez outros também suportariam. Mas que ninguém pode afirmar, só você.

Hoje eu queria ser botafoguense.

Parabéns. Vivam o melhor e mais justo dia de vossas vidas.

Rica Perrone

Negar os fatos não os altera

Vitória enorme do Fogão ontem e com ela a volta da euforia e confiança. Normal, justo, qualquer um reagiria assim.

Mas negar fatos pra comprar discurso de “contra tudo e todos” usado por 100% dos clubes envolvendo torcedores na narrativa mais fácil e vazia do mundo é um tanto quanto perigoso as vésperas de novos fatos.

Se um raio cair 10 vezes no mesmo lugar é tolo alguém dizer, numa chuva qualquer, que “chupa! Hoje não caiu”.

Nunca ninguém vai achar que todo raio vai cair ali, mas sim que cai mais do que na média. O que é fato. Brigar com fatos costuma dar errado. E os fatos dizem que sim, o Botafogo tem um fantasma histórico em decidir grandes jogos. Qualquer pessoa que tente desmentir isso ou dizer que é criação da imprensa pra perseguir o clube é um tremendo maluco.

Não se briga com fatos. Se trabalha pra mudar os próximos quando eles são desagradáveis. Ignorar os problemas não os resolve. A chuva de revolta contra a verdade absoluta da falta de poder de decisão histórica do Botafogo ontem nas redes sociais é um misto de paixão, overdose pós jogo e burrice.

Respeito as 3. São involuntárias. Mas por não sofrer da última preciso refuta-la.

Sim, o Botafogo perdeu 6 pontos que não deveria ter perdido nas partidas contra Criciuma, Vitoria e Cuiabá em casa. Sim, o Botafogo toma gols no fim que os levam a situações incomuns, mesmo quando consegue vencer. Sim, o Botafogo está há decadas sem ganhar nada e parte disso está na falta de capacidade de decisão.

Todos os fatos citados acima são indiscutíveis. Como bem disse, são fatos e não ideias.

Você pode brigar contra eles, mas nega-los é uma loucura e, pior, um passo para mante-los. Ontem o Fogão conquistou uma vitória grandiosa. A “burrice” entra aí. Na hora que você dobra a aposta e cria um cenário de vida ou morte.

Porque, veja, seria uma pipocada perder pro Inter no Beira Rio ou uma final de Libertadores? Não, nunca. Pro Botafogo, será. Porque? Porque o torcedor vai do inferno de assumir as “pipocadas” num dia pra euforia de peitar o mundo com os “cade a pipoca filhas da puta” do dia seguinte.

Todo botafoguense sabe e convive com o fato do clube ser, historicamente, um perdedor de jogos improváveis. Toda vez que o Botafogo vence um jogo difícil ao invés de seguir o ritmo pra conquista parte da torcida joga um “all in” na base da teoria fácil, pobre e vazia do “contra tudo e todos” e pressiona o próprio time a não repetir a história.

Adivinha quem fica mais vulnerável e pressionado? O proprio Botafogo.

O pessimismo não é menos impactante no clube do que a obrigação de ganhar ou ser um vexame. E toda vez que essa briga vem a tona o botafoguense coloca o clube entre a glória e o vexame, sem a naturalidade da derrota que cabe a todos.

A briga do Botafogo é contra ele mesmo. Toda vez que ele joga essa briga pra fora ele perde porque torna uma decisão num risco de vexame e não de derrota.

Embora não seja o caso, o botafoguense já conseguiu elevar as duas decisões para caso de glória ou vexame tamanha insistência em criar uma narrativa de perseguição global que por obviedade não existe. Ao contrário, existem até rivais torcendo a favor tamanho o periodo sem competitividade.

Se “contra tudo e contra todos” é uma frase feita que os agrada, que tal incluir-se no todos? O Botafogo joga contra um adversário, a história, os rótulos adquiridos por ele mesmo e também contra o céu e inferno que a própria torcida o coloca toda vez que a bola entra.

Se sábado não der certo, embora qualquer análise honesta leve a um resultado normal, será taxado como “pipoca” e “vexame”. E muito disso é sustentado por essa briga burra contra “tudo e todos” quando na verdade o maior adversário do Botafogo sempre foi ele mesmo.

Se os fatos e a história o pressiona, não crie mais um empecilho pra essa decisão. É o melhor Botafogo de décadas. Mas ainda assim é um jogo, tem 11 do outro lado e a bola é teimosa e cheia de vontade própria.

Não haverá “vexame”. É contra o Galo em jogo único e o Inter lá. Pode haver glória, isso sim. O que não faz dos fatos anteriores mentira. Apenas história.

RicaPerrone

Só Nelson

Eu posso tentar mas falharei miseravelmente. Não há palavras pra descrever o que sente um não botafoguense ao tentar entender o que eles passam.

Talvez, fosse eu um torcedor que pouco ligo pra futebol, sugeriria abandonar o barco. Sabendo da impossibilidade natural do ser humano em trocar de time, tento compreender o que eles vivem, como absorvem, do que se alimentam e o quanto mereciam um título grandioso.

Entender um botafoguense é uma missão pra Nelson Rodrigues. Só ele seria capaz de explicar em palavras dignas o que nós, não botafoguenses, entendemos ao olhar aquela gente.

É um misto de “coitadinho” com “esse eu respeito”. Coitado porque sofre mais do que todo mundo, indiscutivelmente. E “respeito” porque tem que ser muito ponta firme pra estar ali ano após ano com tantas frustrações.

E não, eu não acho que já era ou sequer que vá gerar problemas o jogo de hoje. O Botafogo jogou bem. Mas pelas minhas contas em um ano, contando apenas Brasileirão, o Botafogo perdeu ou sofreu empate em 8 jogos após os 85 minutos.

Nenhum clube do mundo proporciona isso a sua gente. E se for proporcional na hora de vencer, em breve veremos a maior conquista de todas porque pra pagar tudo que eles sofrem só mesmo com um Mundial com 3×0 na final dando olé no Real Madrid.

Parece um deboche. Como se pudesse ser pensado e calculado a interrupção da alegria com a mais frustrante bola na área que ninguém sabe de onde veio mas pode apostar pra onde ela vai. Se for contra o Botafogo, no finalzinho, vai lá dentro.

Eu gosto do Botafogo. Não sei se porque consigo sentir de longe a necessidade dessa gente em revê-lo gigantesco ou se por mera gratidão desportiva pelo que somos hoje como “futebol brasileiro”. Talvez um pouco dos dois.

No final das contas o botafoguense deve ser aquele cara que aposta tudo em algo que ele mesmo é capaz de apostar que não vai dar certo. Ou seja, “louco”.

Hoje foi mais um “Botafogo day”. Daqueles amargos, inacreditáveis, broxantes, aterrorizantes que trazem o passado a tona.

Mas a fé dessa gente é tão inexplicável, tão sem sentido, justificativa ou conserto que eu sou capaz de apostar, ainda que eu mesmo duvide, que o título do Fogão virá em breve e com um gol no final, assim como os tantos que ele perdeu dessa forma.

Só de sacanagem.

Rica Perrone

Deixem o Botafogo em paz

Quando falido, cheio de dívidas e nas mãos de quem não responderia por nenhum roubo, pouco se falava.

Um dia o Botafogo faz o que parte da imprensa tem pavor por ideal: privatiza. Vira capitalista malvadão, deixa o controle nas mãos de um rico e não mais de uma fofa turma de apaixonados que não sabe o que fazer.

Pronto. Como assim? Que putaria é essa?

Será que o dinheiro vai dar? E se acabar? É responsável? Ai, ai ai! Qual será o passado do Textor?

Logo você, imprensa? Logo você que ignorou o passado mais abominável de todos por ideologia?

É um pavor de liberdade que me dá medo. É uma mania de cuidar do dinheiro dos outros que me dá nervoso. E pior: uma mania de discutir o que não sabe que dá raiva.

Qual jornalista aí tem empresa? Geriu alguma

coisa? Do que cêis tão falando, nego?

O dinheiro é do cara, o clube é do cara. Agora, pela primeira vez, se ele quebrar, alguém paga por isso.

Paixão estranha por estatais. Nunca vi gostar tanto de esquema, cabide de emprego e dinheiro público.

Agora tem um dono. Como a empresa que você trabalha. E se você não receber, sabe como cobrar. Não acha bom isso?

Um “novo bicheiro”, voces tão de sacanagem. Enquanto o UOL e outros procuram algo pra justificar que um homem rico não pode ter ficado rico e ser honesto, segue o Botafogo entre erros e acertos subindo a ladeira e comprando quem ele quer.

Não é só pelo conceito, também é pela razão. Ninguém quer ter que engolir um clube que foi dado como falido por muita gente que só olha resultado e planilha como protagonista do dia pra noite.

Mas é isso. Aceita, curte, ou morre atirando pra

tentar atrasar os caras.

O futebol brasileiro é tão burro que quando surge um modelo eficiente que começa a dar uma idéia de caminho pra sairmos do mar de mediocridade que navegamos ele é mais questionado do que os meios comuns de corrupção na nossa cara dentro do esporte.

Eu lá quero saber se o Textor é fofo ou um escroto? Ele não vai ser meu genro, vai gerir um clube. Se ele está legal, comprou com dinheiro dele, ele que brinque de Elifoot quanto quiser, desde que esteja ganhando.

Nunca se fez 10% do malabarismo pra questiona-lo quando clubes de massa absolutamente quebrados e devendo salário pra jogador de 10 anos atrás comprava um craque que não podia pagar.

Porque o Botafogo, com dinheiro que não é do sócio, não pode?

“Veja bem, o ponto é o passado do Textor”, disse Joel, editor do UOL que fez campanha pro Lula.

RicaPerrone

Saldo de compra e venda dos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos os grandes clubes do Brasil alternaram momentos. Alguns em profunda crise, outros nadando em ouro, mas todos ainda tendo nas receitas de jovens uma grande parte do seu faturamento.

E portanto, considerando as temporadas 14/15 até a 23/24, fizemos um balanço de acordo com os dados do Transfermark sobre o fluxo de compra e venda de jogadores de cada um dos 12 grandes.

Claro que existem salários, luvas, “compras” sem repasse ao ex-clube por fim de contrato. Mas aqui consta apenas o que é valor final e oficial.

Quanto seu clube comprou e vendeu nos últimos 10 anos?

Algumas curiosidades sobre:

  • O Fluxo de compra e venda do Grêmio, somado a resultados, nos últimos 10 anos é muito bom.
  • O Fluminense segue vendendo suas jóias e comprando pouco tendo recentemente conquistado títulos em 2023.
  • O Flamengo é uma máquina de ganhar e gastar.
  • O Botafogo tem uma divisão de base terrível. Não gera quase nada ao clube.
  • O investimento do Vasco foi quase todo feito em 22/23.
  • A temporada de maior gasto foi a do Flamengo de 19/20, com 250 milhões em contratações.
  • A maior janela de vendas também foi do Flamengo em 18/19 com 483 milhões de reais.
  • Nenhum dos 12 grandes comprou mais do que vendeu no saldo dos últimos 10 anos.

Rica Perrone

O botafoguense é um herói

Eu já tive pena de torcidas pelos mais diversos motivos. As vezes eles fazem festas lindas, viajam pra longe, apoiam o inacreditável e perdem.

Já fui parte disso em alguns momentos que meu time não mereceu perder. Mas eu nunca tinha visto em 45 anos um clube fazer com seu torcedor o que o Botafogo está fazendo com o botafoguense.

Fosse rebaixado seria menos doloroso. Ao menos seria por etapas. Hoje ele estaria apenas rezando como diversas vezes o fez esperando pelo pior.

Mas não. Não satisfeito com anos sem trégua de sofrimento eles deram ao torcedor o sonho impossível de ganhar o Brasileirão. E não era mais um sonho. Em determinado momento era um fato.

E aí, embora houvesse como perder, nem o mais pessimista de todos eles assinaria tal roteiro.

Não há flamenguista no mundo que pudesse ser tão cruel quanto os fatos. O que o botafoguense vive hoje é uma espécie de experimento social inédito para conhecer os limites do amor.

O termo “incondicional” vai ser rebatizado. Você me ama? Sim? Muito? Sim. Tipo um botafoguense?

Namoradas terão esse diálogo com seus dignissimos. Porque de fato não há amor que suporte relacionamento tão tóxico, pra usar termos modernos lacrantes.

Nunca vou ter pena do Botafogo. É um dos maiores clubes da história do futebol e não merece a pena de ninguém. Mas o que o botafoguense está vivendo desde o intervalo contra o Palmeiras é o mais cinematográfico processo de tortura psicologica que o futebol já proporcionou a alguem.

Sempre no fim. Sempre com tudo nas mãos. Sempre quando a esperança volta.

Parece sacanagem. E as vezes é tão absurdo, mas tão absurdo, que ainda acho que o Botafogo será campeão pra compensar tudo isso.

Mas não vai. Embora tivesse a obrigação de ser.

Se um dia a vida quiser devolver a altura pro botafoguense toda sua devoção terá que lhe entregar o maior título da história de um clube brasileiro em todos os tempos. E ainda assim ficará devendo.

Eu sinto pena do botafoguense hoje. E uma admiração absurda por aqueles que não vão abandonar e viver tudo de novo em 2024.

RicaPerrone

Vocês não tem o direito de desistir

“Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe.” 

Se você não disse isso ainda pra alguém, um dia dirá. E se disser, não vai cumprir. Casamentos acabam, amizades acabam, carreiras são trocadas, até mesmo de sexo se muda. Mas o time de futebol não é uma alternativa aceitável pra trocas. Homens não mudam de time. E se mudam, não são homens.

É seu único casamento que com certeza será pra sempre. E assim sendo, cumpra o prometido.

Tá doendo? Tá. Tá com cara de tragédia? Tá. Mas e daí? Quando tava ganhando você tava lá. Agora é ele que precisa de você, não você que está gozando com a vitória dele.

Torcedor bom vai quando PRECISA. Torcedor comum vai em jogo bom ou quando está legal fazer parte.

Eles estão em pânico. Tá tudo dando errado. Mas se você não notou o Botafogo ainda é líder e faltam 6 rodadas.

Se não vier da arquibancada o voto de confiança, de onde virá? Se a casa não estiver cheia, mesmo que seja em outro estádio, qual o recado será dado?

Avise-os na prática que vocês estão ali ainda. Porque quando torcidas como Corinthians ou outros rivais lotam um treino ou uma porta de CT pra apoiar todos acham lindo. Então faça.

Bota a cara, usa a camisa, acredita e tente ser parte do processo de reverter isso. Baixar a cabeça e desistir é exatamente o que o Botafogo tenta se livrar há décadas. Comece por você.

Qualquer gesto de confiança ajuda. Numa rede social dos jogadores, agindo na quarta como se estivesse tudo bem, ou que seja usando a camisa na rua. Mas o Botafoguense não pode desistir antes do time.

Eu conheço jogador. Só tem uma coisa que mexe com eles: o estádio.

Jogador é mercenário? Ok, muitos. Não tá nem ai? Alguns. Mas não tem um ali que seja indiferente a vocês. Todo mundo quer a mesma coisa.

Não é pelo terror que eles correm mais. É pelo amor.

Se você abandonar o líder do campeonato faltando 6 rodadas não é exatamente o time que é pipoqueiro. Você não será diferente.

Torcedor que paga ingresso pra cobrar não entendeu nada. Pague ingresso pra jogar. E então você terá a honra de dizer “nós” quando o caneco vier, e não “eles”.

Vocês não tem o direito de desistir. Mesmo que percam, morram atirando e não tomando tiro nas costas por terem corrido da batalha.

Tá ruim. Mas ainda tá ótimo. Olha pra tabela. Agora é simples. Ou você é parte da queda, ou do título.

Escolhe.

RicaPerrone

Eu gosto desse cara

Brasileiro tem um certo nojo de pessoas ricas. Culturalmente nos ensinaram a procurar méritos no fracasso e sorte nos vencedores. Textor é um gringo rico, tinha tudo pra chegar aqui e na primeira fase ruim se render aos pedidos apaixonados de milhões de “azarados” que querem te dizer o que fazer.

A bola entrou. É verdade. Mas antes disso, ele agiu. E agiu de forma decisiva pra que o Botafogo hoje suporte a liderança, pressão e até pontue em jogos ruins.

Nem acredito que ele soubesse disso ou tenha identificado tão rapidamente. Mas seja por ouvir um alerta ou por ter notado sozinho, Textor pegou uma jóia vendida como bijuteria e colocou caixa da Tyffany, preço de Tyffani e recolocou na prateleira.

Maluco? Você, se não entendeu. Ele, não.

O que é essa camisa cheia de marca pequena? Tira todas.

Mas senhor! Precisamos pagar as contas.

Não. A conta não fecha. Se eu vender 10 patrocinadores pra marcas ruins a marca grande não entra no meio de jeito nenhum. Tira tudo.

E a marca de material esportivo? Paga bem?

Não.

Tira. Eu faço a camisa.

Mas senhor, vamos entrar em campo sem nada?

Sim, só com o manto alvinegro. Que se não tiver rendendo merchan vai estar, ao menos, lembrando o adversário contra quem ele vai jogar.

E assim o Botafogo entrou em campo como Botafogo. Com um belo gramado, um estádio preparado pro jogo, uma camisa limpa e um escudo que era ofuscado pela padaria da esquina que anunciava ali.

O que isso muda?

Fala sério. Você sonha em ter uma Ferrari, não em ter um Corsa. Quem vende Corsa vai vender só Corsa. Não existe loja de Corsa e Ferrari. O consumidor da Ferrari não entra nessa loja.

O do Corsa entra em ambas, mas numa delas só pra olhar.

O Botafogo é caro. É grande. É pra marcas famosas e do seu patamar. Ou você acha que entra na loja da Ferrari e compra um carro só com um RG? Não, lamento te informar, mas não. Ela escolhe pra quem vende.

O Botafogo é uma Ferrari? Não. Nem o Corsa vendido há decadas em parcelas sem juros numa loja suja e sem ter onde sentar.

E veja, porque é relevante: O Botafogo não está se fazendo de grande. Ele está apenas se enxergando como ele sempre deveria ter feito.

E com isso vem confiança, o azar se afasta, a bola entra, a torcida que ontem duvidava acredita.

O jogador que ontem jogava lá porque outro não quis agora está lá porque quer.

Foi preciso um gringo vir aqui pra dizer pro Botafogo que ele era o Botafogo.

Quem diria? Nelson Rodrigues se mataria com tamanha confirmação de nosso complexo de vira-latas. Mas também hoje não reconheceria o clube que ele citava romanticamente e brilhantemente como “azarado” e “pessimista”.

Enfim, Botafogo!

RicaPerrone

Sofrimento desnecessário

Entendo. O Fogão quer um título e a Sulamericana pra ele tem valor na atual circunstancia. Mas também entendo que é um torneio pequeno, que não deveria receber muitos dos titulares do líder do Brasileirão.

Estivesse o Botafogo a 4 pontos do vice líder, ok. Ainda seria um sonho. Mas o sonho é real. E portanto abrir mão do resto pode ser um fator determinante.

E se machuca um? Pra que? Pra ganhar o torneio onde o sétimo do Equador disputa? O décimo terceiro do Brasileirão? O Sexto da Venezuela? Sejamos práticos: é um sub-torneio. Com grana, vaga na Libertadores, mas um glamour só pra times médios e pequenos.

Não é o caso.

Eu usaria os reservas e, se der, quem sabe, numa final, o time titular.

Mas em momento algum colocaria em questão o objetivo gigantesco que seria o clube reconquistar o Brasil no segundo ano de SAF.

Dito isso, quanto ao jogo, embora tenha sido sofrido, o Botafogo fez mais um bom jogo.

O Guarani, por incrível que pareça, tem alguns jogadores de muita qualidade técnica. Mas que destoam do restante e do coletivo.

Mesmo se tivesse empatado, não teria sido um jogo ruim.

Mas teria gerado um desconforto num jogo que não deveria ser priorizado.

Enfim.

Segue o líder.

RicaPerrone

Qual o segredo do Fogão?

Qual a fórmula de um campeão? Reforços, base, sequência, estrutura, um pouco de cada? Enfim, já vimos os mais diversos vencedores com as mais diversas receitas. O que não tinhamos visto ainda é a consistência de um “não favorito” sem qualquer investimento anormal ou fenômenos revelados.

O Botafogo não fez um estádio, nem comprou um timaço caro. Não revelou quase ninguém. Nem contratou o Guardiola.

Virou Saf. Ok, o Vasco também virou. E mesmo que isso seja parte fundamental do sucesso, o que de tão impactante em campo ela pode ter feito em tão pouco tempo?

O Scout do Botafogo é fora de série. Acertou a maior parte dos reforços? Até que não. Mas acertou uns 8. Basta.

A base segue sem entregar nada demais, e o time não perde.

O segredo? Não sei. E acho que eles não vão contar. Mas o Botafogo identificou alguma coisa que mudou o clube, ao ponto de não sucumbir a pressão para demitir o treinador que acabou saindo líder de lá.

A única coisa que salta aos olhos é a postura.

O Botafogo mediocre jogava de abadá. Tinha 20 patrocinadores de merda que ao entrar em campo explicava pro adversário: “to fodido”.

Torcida sem fé. Louca, mas pessimista e com motivos.

Dirigentes que viam no seu diamante um cristal quebrado. Até que alguém comprou e viu a jóia. E jóia não é vendida em saco plastico, portanto, tirem esse monte de marca da minha camisa.

Jóia em casa abandonada ou loja vazia custa menos. Preparem a loja, quero impacto quando entrarem aqui.

Troca o piso. Menos tropeços.

E o Botafogo que entrava pra adivinhar que horas daria azar agora entra em campo sabendo que, mesmo num dia ruim, a vitória pode chegar.

Só salário em dia? Duvido. Deve ser uma soma de coisas. Mas o tatu gostou da árvore, fez casa, casou com uma tatu fêmea e já tem um filhote.

Mas tatu não voa. E talvez por isso ele fique na árvore. Ainda que seja alto, os pés estão em galhos e não no ar.

E nada pode ser melhor pro futebol brasileiro do que coroar um trabalho de custos aceitáveis, com marca valorizada, gestão profissional e visão a longo prazo.

Ganhe por nós, Fogão.

RicaPerrone