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Num país sério ela estaria rica

Tatiana, eu acho que não te conheço. Acho porque você sabe que o Rio de Janeiro tem 100 mil moradores o resto é figurante e a chance de em algum momento você ter conhecido alguém é enorme.

Mas acho que nunca tive o prazer, que hoje chamaria de honra. Eu não entendo muito tecnicamente o que você fez. Mas minha mulher é médica e ela te olha como eu olho pro Ronaldo. Então você deve ter feito algo pra medicina muito grande.

Já sei que o Brasil não ficará com os lucros porque cortaram verbas da saúde e perdemos a patente, não é isso? Mas eu tava aqui pensando.

Porque um presidente da republica não chama essa mulher e entrega um cheque de 20 milhões pra ela pra garantir que ela seja eternamente rica pela sua enorme contribuição? Seria injusto? Seria motivo de discussão? Tanto dinheiro jogado pra todo lado nesse país, tanto gasto com merda, tanta gente rica com sacanagem.

Essa mulher corre o risco de ganhar 6 meses de tapinha nas costas e aplausos por aí e … mais nada.

Pode ganhar fora. Mas aqui, sabemos, só se tiver no lugar certo com as pessoas certas.

Tô aqui nos EUA. E aqui se você vai pra guerra você volta e é tratado como herói pra sempre por todo americano que te encontrar. Eu amo isso neles. Respeito, gratidão, zero tentativa de diminuir o feito alheio e sim vontade de perpetua-lo e exalta-lo.

É óbvio que você ganhará muito com o seu novo status. Mas eu queria que o Brasil te desse, não só o mercado. Queria que saisse do meu imposto. Queria saber que meu dinheiro paga show de artista que eu não gosto mas também premia médicos que fazem algo realmente FODA por nós.

Me sentiria menos otário do que normalmente.

Alguém acharia uma injustiça social essa mulher ficar rica pelo que fez? Ou vai aparecer algum alucinadinho dizendo que é acumulo de capital só porque ela pode abrir caminho pra tirar milhares de pessoas de uma cama?

A real é que no Brasil se você fizer esquema, sacanagem e bons contatos você fica rico. Mas acho que seria uma puta mensagem que o povo visse que, se, talvez, um dia, você fizer algo relevante pra todos, você também pode ser premiado por isso sem ser uma placa de um deputado de merda querendo aparecer em cima de você.

Obrigado, Tatiana! Se eu pudesse escolher meus impostos iriam pra premiar pessoas como você. Mas eu não posso.

Preciso pagar algum show de artista sem público engajado politicamente então esse mes não vou poder ajudar. Desculpa. Prioridades.

Rica Perrone

Porque, Neymar?

Eu ouvi muitas vezes uma pergunta. “Porque você gosta tanto do Neymar? Ele nunca te deu nem entrevista!”. E hoje, nesse momento, consigo responder isso como nunca antes.

Primeiro porque ele é um monstro jogando futebol. Isso me basta, já que não sou fofoqueiro e sim apaixonado por futebol. Eu tenho o que fazer e portanto estou cagando pra quem ele come, onde ele vai e o que ele faz da vida dele. Só torço pra que seja feliz.

Há mais de um mês eu sai do Brasil por um tempo. E no meio desse monte de novidade, de surpresas desagradaveis diárias ao constatar nossa distância do óbvio, a mais clara lição é a da importancia dos amigos.

Você sente falta a cada minuto. Até dos que não via sempre. Parece que eles vão se desconectando de você pela distância, pela falta do dia-a-dia e você vai ficando sozinho, mesmo conhecendo outros novos amigos.

Quando eu olho pro Neymar eu vejo um garoto. O tal do “menino Ney”. Ele sorri como um garoto porque não tem problemas com isso. Eu também odeio o conceito de “parecer maduro” ou adotar um estilo conforme a idade.

E muito do que ele faz eu tenho certeza que também faria se tivesse na condição dele. Mas a coisa mais importante que ele fez na vida pra me convencer de que trata-se de um sujeito ponta firme e de valores foi ter levado os amigos de infância com ele.

E veja, não foi hoje. Nem duas vezes. Ele levou os caras pra VIDA com ele. Abriu mão de muita coisa, mas não dos amigos.

Ah mas os parças! Calma aí. É um ponto de crítica alguém carregar seus amigos de infância consigo mesmo tendo se tornado amigo das maiores celebridades do planeta? Quem te educou, irmão? Quais valores te deram?

Eu hoje aqui longe dos meus consigo dimensionar o tamanho da decisão que ele tomou quando se cercou de quem estava ali quando ele ainda não era o Neymar.

Um dia me levaram no Instituto Neymar. Eu jurava que era em Santos, não sei porque. E já simpatizando com ele fui seguindo o waze até chegar no mesmo bairro que eu cresci na Praia Grande. Era ali. Ele cresceu no mesmo lugar que eu, só que anos mais tarde. De qualquer forma, ele atingiu exatamente o mesmo ponto do mapa que eu gostaria de ajudar se pudesse por gratidão a tudo que vivi ali.

Neymar é um “colega distante” com quem falo as vezes. Nos damos bem. Mas não somos amigos. Mas acho que ficou fácil entender a relação que tenho com esse “moleque”.

Ele carrega demais a bola e também os mesmos valores que eu. É instintivo pra mim protege-lo porque estou defendendo os meus valores, não os dele.

Se isso me faz um “neymarzete”? Sem problemas. Eu nunca “pedi nada” pros meus idolos. E me sinto tendo feito a escolha certa em notar que nenhum deles também nunca usou da minha admiração pra pedir nada em troca.

Como ele mesmo repostou na sua chegada ao PSG, um dia eu disse: “carregue por toda parte o que for mais importante pra você”.

RicaPerrone

Nada sobre as eleições?

Essa é a pergunta que entope meu e-mail e direct hoje cedo. E a resposta é “nada”. No máximo um comentário ou outro como eleitor e nada além disso.

Porque?

Em 2022 eu entrevistei e me aproximei dos mais influentes pilares do Brasil. O suficiente pra fortalecer minha idéia de que o Brasil teve morte cerebral e só respira por aparelhos. Não há nada o que fazer, ao menos não com o que tem hoje.

É um enorme mecanismo, como brilhantemente citado no “O Mecanismo” do Netflix. Tudo está ligado, tudo é feito pensando em interesses políticos maiores e quem entra com boa fé é queimado ou desiste. O Brasil não tem chances.

E não tem não porque o político é bandido. Mas porque todo o resto é ainda pior. Em todas as esferas que você imaginar, e volto a citar “O Mecanismo”, o brasileiro tende a lutar por atalhos.

Atalho, em portugues claro, quer dizer “esquema pra ter mais beneficios do que o normal”.

Posso voltar a entrevistar políticos, é meu trabalho. Mas não vou mais permitir que isso seja meu lado opinativo forte simplesmente porque eu não acredito mais em nada. E dito isso eu estaria sendo idiota ao brigar fortemente pelo que não acredito.

Um Brasil melhor? Meu sonho. Mas é que estamos tão abaixo do inaceitável e convivemos com isso que não dá tempo. Eu vou morrer e não vou ver. Estamos numa briga acéfala entre lados que nem sabem mais o que defendem. Mas defendem como nunca antes.

A gente acha normal ter presidente preso. Governadores e candidatos condenados. Justiça corrompida e com decisões surreais. E não, não tô pensando no STF. Ele é a ponta. O iceberg é enorme e existe muito gelo embaixo da água.

Nós comemoramos quem devolve troco errado na padaria como se fosse algo especial. É o mínimo. E viajando o mundo eu vi que infelizmente o país que eu amo não está atrasado. Está 50 voltas atrás de sequer ter alguma lógica. Os que se parecem conosco são países absolutamente sub-desenvolvidos que nós temos como chacota.

Ou você acha razoável que algumas das pessoas mais ricas do país sejam profissionais de porra nenhuma? Pessoas que vendem a vida pra você e você compra dando milhões por mes em faturamento a troco de conteúdo zero e assumidamente manipulado, que é o que alguém diz a grosso modo quando se assume “influenciador” como profissão.

Quem são as pessoas na área de famosos da Globo.com? Me explica como fomos parar nisso. Pessoas que não fazem nada e movimentam a imprensa, que deveria, em tese, num país destroçado por corrupção, ter mais o que fazer.

Mas ela não faz. Porque ela é parte do sistema. Parte enorme, diga-se. Um bando de jornalistas lutando contra o capitalismo sendo usados pelo chefe multi milionário que brinca de ganhar dinheiro com o capitalismo em cima da causa desses otários de microfone na lapela.

Seu problema midiático hoje não é o esquema do partido X que desviou 340x da saúde. É o casamento do Belo, que qualquer idiota imagina que a mídia não tem acesso a 10% do que de fato acontece na casa de alguém e, portanto, é mentira. Blefe. Manchete. Um jogo.

Jogo que muita gente joga. Muitas vezes a vítima planta a notícia pra se vitimizar e ganhar mais em cima. Porque num país onde filho de traficante é celebridade ou vereador, meus caros, vamos nos indignar com o que?

A democracia é maravilhosa, desde que haja uma maioria pensante. Longe de ser o caso vamos seguir andando em circulos trocando o poder entre os mesmos caras que jamais quiseram ou vão querer nos educar pra tira-los de lá. É o óbvio.

O que não é óbvio é precisar ter um fuzil na cara de um influencer pra ser notícia e na sua ser só mais um dia qualquer.

O futebol é sujo. Perto da política é quase um berçário. Perto do que fazem com o seu dinheiro na sua cara beira o ridículo se preocupar com ele. Mas ainda que assim seja, é uma das poucas coisas que a gente conseguiu fazer dar certo. Então viva o futebol!

Estou pregando pra convertido ou oposiçao, eu sei. Nada vai mudar. E por isso mesmo não vou pregar. Enquanto tiver gente achando que por ser evangelico é de direita ou ser preto é de esquerda, estamos fadados ao fracasso.

Dito isso, Dorival vai de 2 meias ou abre alguém na esquerda quinta-feira?

RicaPerrone

Saldo de compra e venda dos últimos 10 anos

Nos últimos 10 anos os grandes clubes do Brasil alternaram momentos. Alguns em profunda crise, outros nadando em ouro, mas todos ainda tendo nas receitas de jovens uma grande parte do seu faturamento.

E portanto, considerando as temporadas 14/15 até a 23/24, fizemos um balanço de acordo com os dados do Transfermark sobre o fluxo de compra e venda de jogadores de cada um dos 12 grandes.

Claro que existem salários, luvas, “compras” sem repasse ao ex-clube por fim de contrato. Mas aqui consta apenas o que é valor final e oficial.

Quanto seu clube comprou e vendeu nos últimos 10 anos?

Algumas curiosidades sobre:

  • O Fluxo de compra e venda do Grêmio, somado a resultados, nos últimos 10 anos é muito bom.
  • O Fluminense segue vendendo suas jóias e comprando pouco tendo recentemente conquistado títulos em 2023.
  • O Flamengo é uma máquina de ganhar e gastar.
  • O Botafogo tem uma divisão de base terrível. Não gera quase nada ao clube.
  • O investimento do Vasco foi quase todo feito em 22/23.
  • A temporada de maior gasto foi a do Flamengo de 19/20, com 250 milhões em contratações.
  • A maior janela de vendas também foi do Flamengo em 18/19 com 483 milhões de reais.
  • Nenhum dos 12 grandes comprou mais do que vendeu no saldo dos últimos 10 anos.

Rica Perrone

Oi, vô!

Oi vô! Tudo bem? Saudades. Faz tempo que não te escrevo. Acho que a última vez foi pra contar que seu Palmeiras havia sido campeão. O que, aliás, continua sendo. Você adoraria estar aqui. 

Eu também. Poderia te levar no estádio de camarote, te apresentar os jogadores e até os ex-jogadores quem sabe. Ia ser divertido, mas você não me esperou. 

Aqui as coisas estão terríveis, vô. Na família tem gente sem se falar por causa de política. Acredita? Nem eu. 

Esse ano teve eleição. Dois candidatos muito complicados. Todo voto era justificável, embora a justificativa pro que venceu tenha sido a maior farsa da história.  “Amor”. Porra, vô! Já viu amor em assalto? Eu nunca. 

Lembra que quando eu era moleque você dizia pra mim a frase “ser homem é dizer não”? Eu demorei pra entender. Mas entendi. 

Ser homem é caro, vô.  Dá muito trabalho dizer não pra onde todo mundo quer te levar. Mas foi assim que nunca enfiei pó no nariz e nem cometi qualquer crime na vida. Falando não. Então, agradeço. Foi o melhor conselho que ouvi na vida.

Mandei um pessoal tomar no cu também, vô. Mas eu nunca fui a pessoa que o senhor conseguia ser. Então me desculpa. 

Aliás, entrevistei 120 pessoas esse ano. Foram vários ministros, chefes de polícias, artistas, músicos. Foi bem legal, vô. Eu falei com o Romário, sabia? 

Vô, o Zico me chama de “amigo”.  É muito louco isso. Mas é muito bom. 

Ah velho, tu faz muita falta. Ao ponto da minha última coluna do ano não ter tema, direção, nada. Só ser o papo que eu adoraria poder ter contigo e não dá mais. Queria que você visse minhas vitórias, me puxasse orelha pelas cagadas e me ligasse tirando sarro porque o Palmeiras ganhou.

Aliás, tem uma neta sua que virou palmeirense. Mas não vou falar o nome dela porque embora eu a adore, quero agredi-la por isso. Mas me controlarei. 

Mamãe ta bem, meu pai também. Só o Brasil que não, vô. As pessoas se odeiam, não se falam, brigam por política, destroem os outros por pensar diferente. Acho que na sua época não era tão ruim, né? 

Nem queira saber o que é isso. 

Vô, eu sei que você não vai gostar mas eu caso e separo muito. Mas eu trato elas como você ensinou, prometo. Pago a conta, faço o “carinho no rostinho” como você me disse que tinha que fazer. Apesar que hoje em dia tem umas que se você tratar bem demais elas acham que é machismo, acredita? 

Ah! To morando no Rio! Já faz 10 anos.  Não, nem começa. Não é tão perigoso assim. É bonito, gente maneira, feliz. Eu adoro aqui.  Não tem muita cantina italiana, o que é ruim. Mas tirando isso, é bem legal. 

Só é longe da Praia Grande. 

Teve Copa esse ano. Aqueles filhos da mãe ganharam.  Tem um tal de Messi, baixinho, joga parecido com o Zico. Ele é muito bom, mas nasceu lá na Argentina. E ele ganhou a Copa pros caras. Tô puto, vô! A Itália? Nem foi! Duas Copas que não vai. Acho que você ia ficar meio puto. 

Mais um ano, vô. Tô com 44 agora. Sem filhos, mas viajei muito tá? Se você tivesse aqui juro que te daria um bisneto. Só pra você ensinar os seus valores pra ele como fez comigo. 

Uma última coisa. Tão falando aqui que pode ser que você receba um cara muito especial em breve. A gente torce pra ele ficar, mas também pra ele não sofrer. Você vai reconhecer rápido se encontrar.  Não esquece de agradecer ele por tudo, porque aqui a gente não fez isso como deveria. 

Beijo, vô. Até qualquer dia. 

O VAR nos conforta


Se no imaginário do torcedor toda vez que o adversário vencia podia ser um roubo, pra todos os demais era apenas um erro. A diferença brutal entre quem joga e quem apita é que quem joga é profissional, quem apita está fazendo um bico.

Surreal. Mas acredite.

Sempre acreditei que eram ruins. O VAR surgiu e começamos a ver a quantidade de lances fáceis corrigidos pelo vídeo.

Então começamos a ver a pior parte. A logística.

Erros vendo na tela, erros em camera lenta, erros em 22 cameras.  Confirmações de erros. Reversão de acertos pra erros. E então concluímos: eles são realmente muito ruins.

A cena clássica e emblemática da incompetência é o juiz colocar a mão na orelha, estender a outra pedindo que se afastem e ficar 2 minutos esperando o juiz de vídeo dizer o que houve.

Após 2 minutos ele ouve: “vai olhar”. Aí então começa o show midiático de correr até lá, a torcida esperar em pé, os treinadores pressionam, ele olha, volta, revê, discute, passa 3 minutos vendo o que o comentarista de tv, eu e você já vimos em 20 segundos.

E erra.

Filho da puta!

Porque os 2 minutos esperando pra depois ir olhar? Vai logo, ué!

Porque 3 minutos discutindo o lance?

Você tinha 0,2 segundos. Agora tem 30, com replay. Não basta? Precisa rever em hd, 12 angulos e… errar?

O VAR é bom. Precisa adaptar, ajeitar, adicionar limites e regras, mas o problema é a incompetência da arbitragem brasileira. E por favor, não me refiro a parte técnica apenas.

Boa dose do mau uso do VAR é burrice, não desconhecimento de regra.

A boa notícia é que com o tempo melhora. A má é que é porque a gente acostuma, não porque eles deixarão de ser incompetentes enquanto forem amadores.

Aliás, a quem interessa o amadorismo dos árbitros?

RicaPerrone

Pelo que, Ney?

Neymar não se apresentou ao PSG. Diz o clube que não sabia, ele que tinha avisado. Honestamente, tanto faz. Nos dois casos a probabilidade dele deixar seu terceiro cube pela porta dos fundos é real, e por mais que ele tenha seus argumentos e motivos, a história costuma omitir todos eles.

Aos 27 anos Neymar tem a extrema capacidade de ser disparado o melhor jogador do país. A capacidade de jogar bem a maioria dos jogos em que atua, ser considerado um “jogador problema” mesmo que sua vida extra-campo não interfira em suas atuações e, artilheiro de Libertadores e Champions, campeão todo ano desde que entrou em campo pela primeira vez, não é ídolo de clube nenhum.

Pior: quando sai, sai batendo a porta.

Rapidamente penso que é um erro. Ao tentar me recordar de outros “ídolos sem clube” vou a Romário, Ronaldo, Edmundo e logo percebo que a idolatria está ligada ao fim, não ao durante.

Os três casos que citei jogaram em rivais, saíram brigados, voltaram, foram e, no fim, levaram a camisa onde escolheram terminar.

Não se trata mais de dinheiro. Neymar está absolutamente rico. Trata-se de bem estar, de necessidades pessoais e prioridades que vem com a maturidade. Eu nunca vou condenar o Neymar como a maioria faz, simplesmente porque com 40 anos eu faria muito mais merda do que ele faz com 27 se tivesse 20% do dinheiro que ele tem.

Mas vejo um erro se repetir, que é a saída pelos fundos. E uma coisa mudar: não é pelo dinheiro.

E se não é pelo dinheiro e pelos títulos, pois já tem ambos de sobra, é pelo que?

Protagonismo? Voltar pro lado do Messi seria estranho.

Paz? Num clube onde a torcida vai cobra-lo em dobro após a saida?

O que te move hoje, afinal?

RicaPerrone

E olha que eu nem gostava muito de você…

Nunca fui um puta fã do Daniel Alves.  Sempre achei que como defensor ele deixava muito a desejar e, tal qual o Marcelo, era um ótimo jogador mas que acabava dando “trabalho” lá atrás.

Enfim. Tem dias que o processo de analisar futebol deixa de ter importância. Esse dia determina a troca de categoria entre o alvo e a referência.

Um belo dia você olha pro campo e no meio da sua “análise” tem um sujeito de 36 anos, 40 taças, capitão da seleção brasileira, campeão e… não faz mais sentido “achar” nada.

Daniel deixa de ser avaliável. Se torna história, e gostar dele num setor do campo ou não é absolutamente insignificante. Não vou entrar no debate se é ou não o melhor lateral. Vou na verdade é me retirar de qualquer discussão sobre Daniel Alves.

Simplesmente porque tem coisas que não se discutem. Daniel se tornou uma delas.

Parabéns! Que carreira brilhante, cara!

RicaPerrone

É muito melhor

O Galvão tem razão. É muito melhor contra eles. É diferente. Temos apenas nesse jogo a sensação de ganhar de um rival com a seleção.

Por mais que Itália e Alemanha sejam consideravelmente maiores que a Argentina, a gente não se odeia. A gente se respeita.

Por mais que seja o Uruguai que nos calou em 50, a gente não se odeia. É uma vontade de ganhar desportiva.

Contra eles parece que mesmo quem “pouco se importa”, se importa.

Jogando bem, jogando mal, de 1×0 ou goleada. Não tem a menor importância. É um raro momento onde o clubista assume a camisa da seleção, ignora análises e quer apenas vencer. Basta.

Aquele “meio a zero tá ótimo” que nunca serviu pra seleção e é mantra no clube, enfim, pode ser unificado. E é só neste jogo, porque domingo é preciso ganhar e jogar bem.

Hoje, não. Bastava ganhar “deles”.

Feito, como sempre. Quando não há nada de “estranho”, o resultado é quase sempre o mesmo.

Lá se vão 26 anos de fila, uma insistência tosca de boa parte da imprensa brasileira em querer coloca-los onde não merecem e, pasmem, até virar casaca.

Nada muda.

Nós na final, eles em casa. Nós discutindo se poderíamos jogar mais, eles explicando como podem não jogar nada.

Se domingo formos campeões, será bom. Mas nem mesmo o título será melhor do que hoje.

Como diria o Galvão, ganhar é bom. Ganhar da Argentina é muito melhor.

E é mesmo.

RicaPerrone

Representados


Nós não queremos só a vitória. Não queremos ter que ir na rede social fingir que não nos importamos. Nem mesmo fazer o ridículo papel de torcer contra.

Queremos ser representados. É simples.

O que nos representa? Vitórias? Não só isso.

Irreverência, alegria, ousadia. Não somos burocráticos com a bola, não somos a zebra nunca, nem temos medo de fulano ou beltrano do outro lado.

Se aqui se acordou pensando “tem Guerrero e Farfan”, imagine o que eles não acordaram pensando lá?

Zagallo tem razão. Nós somos o problema deles. Quem não dorme são eles, quem fica bolando formas de anular o adversário são eles. Nós somos o time a ser parado.

É assim que somos, é assim que vemos a seleção. Talvez por isso nós adoremos a seleção que perdeu e nem tanto algumas que ganharam.

Representem-nos. Como hoje. E nos terão a seus pés e ao seu lado.

RicaPerrone