copa 2014

Willkommen, Michael! (Alemanha 4×0 Portugal)

Seja bem vindo de volta, Michael!

Para celebrar sua chegada, a seleção alemã resolveu te homenagear e usar o futebol, sua segunda paixão, para tirar um sorriso deste rosto que já fez tanta gente sorrir.

E assim, de ponta a ponta, venceu sem ser ameaçada.  Daquele seu jeito, lembra?

Com jogo de equipe, sem dar espaços, sem cometer erros, parecendo pragmático quando na verdade é brilhante. Imponente, favorita de véspera, confirmando as expectativas como sempre, por mais exageradas que elas fossem.

Fria, calculista, sólida e consciente.

Vencedora. E de goleada.

Não há contestação para tal massacre. É como um título de Schumacher. Do começo ao fim, sem espaço para dúvidas.

A Alemanha é sim uma das 3 grandes favoritas à Copa. Não porque venceu Portugal, mas porque como Schumacher, trabalha sério há muito tempo pra chegar no nível que chegou.

Como ele, está de volta. E talvez, para repeti-lo, termine a competição com a taça nas mãos.

Torço pra que não. Mas numa frase de também muita ligação entre eles, pela volta, pela data, pelo ídolo…

“Hoje sim!”

abs,
RicaPerrone

A Copa no Metrô

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Rio de Janeiro, 15 de junho de 2014. Por volta das 14h estou a caminho do Maracanã na estação Del Castilho quando vejo uma família de argentinos tentando entender o que fazer e pra onde ir.

Antes que pudesse me aproximar e oferecer ajuda, um australiano o fez. E numa tentativa meio ridícula e maravilhosa de se comunicar em mais de 3 línguas ao mesmo tempo, conseguiram concluir que era melhor perguntar.

A alguns metros estava um voluntário para lhes indicar o caminho. Ao chegar nele tiveram a informação que tanto queriam. “Sentido Botafogo”.

Entraram no metrô, sentaram perto um do outro e foram comentando sobre a cidade e a Copa. Eu, do lado, sem participar, apenas ouvia o papo meio sem língua definida deles. Mas entendia.

– País bonito o Brasil.
– Sim, belíssimo. Mas o que gosto mesmo são das pessoas.
– Muito gentis e sorridentes.
– Deve ser maravilhoso morar aqui.

E então eu sorri. Eles perceberam que eu os ouvia e que gostei do elogio. Lhes disse que “temos problemas, mas é maravilhoso sim. Como era bom recebe-los”.

O argentino então completou: “É a casa do futebol. Mas nós é que vamos ganhar”, provocou.

E uma de suas filhas encerrou a discussão quando interrompeu e perguntou: “Papai, mas você disse que não podiamos ganhar do Brasil…”.

– Quieta, menina! Quieta!

abs,
RicaPerrone

Messi em 90 minutos

Em parceria exclusiva no Brasil com a OptaSports, trago pra vocês todos os passes de Lionel Messi no jogo de estréia da Argentina na Copa.

O argentino jogou até mal. Mas foi o segundo mais acionado no time, tocando na bola 97 vezes. 15 a menos que Mascherano. Destas 97 vezes 70 foram passes. Destes, 80% certo, o que não é um número incomum pela sua posição em campo.

Em verde, os passes certos. Em amarelo, os passes pra conclusão a gol. Em vermelho, os errados.

Mais de Messi no jogo?

Teve 19 divididas, ganhou metade apenas. Deu 7 dribles no jogo.

Chutou 4 bolas no gol. Fez um.

E venceu o jogo, por 2×1, mesmo numa atuação ruim do time argentino.

abs,
RicaPerrone

10 minutos

Vou me dar 10 minutos e nada mais. É o tempo que me permitirei não enxergar argentinos como “inimigos” para falar algo mais interessante do que futebol.

Eu acho o futebol deles uma farsa. Acho o racismo deles tosco, o país atrasado e realmente acredito que eles não sejam melhor do que nós em nada.  Inclusive no doce de leite, que o mineiro é melhor.

Mas hoje, enquanto eu aprendia  a conviver com a paixão deles a 2 metros de mim  no Maracanã, eu senti uma ponta de inveja.

Explico.

Enquanto nós estamos o tempo todo procurando motivos para nos desmerecermos, odiar nosso país e acreditar que temos tudo de ruim que o mundo possa oferecer, eles tentam fazer exatamente o contrário.

Se defendem. São orgulhosos do país deles e nem tem tantos motivos assim. A coisa vai mal, muito mal.  Mas eles não viram as costas pra bandeira deles.

Eu odeio ve-los cantando e pulando na minha cara, mas eu adoraria que tivesse mais gente pulando e cantando na cara deles aqui.

Essa parte do orgulho de ser quem são é realmente impressionante. E talvez nisso, e apenas nisso, eles sejam mesmo melhores do que nós. Tem a personalidade de ser quem são sem morrer de vergonha disso, enquanto nós procuramos defeitos em qualquer canto para poder dizer: “Tinha que ser Brasil…”.

A rivalidade com a Argentina é fundamental para a existência da seleção. A nossa e a deles.  A burrice de algumas pessoas faz essa rivalidade ser contestada, como se fosse uma questão de argumentos o “ódio” entre gremistas e colorados, por exemplo.

Precisamos nos odiar.

E agora chega. Já deu 10 minutos, eu nem acho que eles sejam orgulhosos mas sim metidos a besta.

abs,
RicaPerrone

Una mierda (Argentina 2×1 Bósnia)

Fifa.com

Com a Copa tive a oportunidade de estar pela primeira vez na vida diante dos meus maiores rivais. E acredito que isso seja novidade para 95% de brasileiros e argentinos, já que nos “odiamos” a distância quase que o tempo todo.

Tão longe que até surgem pequenos surtos de “até gosto deles” de ambos os lados em períodos sem confronto. Até que eles vieram ao Brasil participar da nossa Copa do Mundo.

Atuaram num Maracanã mais deles do que nosso, com uma vitória contestável, uma atuação muito fraca e um adversário que estreava em Copas.  Se foram pra ver um show ou um time favorito, viram apenas um covarde time com 5 zagueiros, 3 volantes e bico pro Messi resolver.

Taticamente a Bósnia é muito melhor treinada que a Argentina. Mas tecnicamente, não dá pra comparar.

O jogo era pano de fundo. Na verdade o que todos queriam ver naquele Maracanã era como seria um jogo de futebol com brasileiros e argentinos lado a lado, mesmo que só um deles estivesse em campo.

E sim, deu muita confusão. Todas bem resolvidas pelos seguranças, mas deu. E se o jogo fosse entre Brasil e Argentina uma tragédia teria acontecido no Maracanã. Numa visão otimista, que tento levar sempre comigo, o jogo desta tarde serviu para dizer à Fifa que existem jogos de futebol e “Brasil x Argentina”.

Se tratar um possível confronto desses como um simples jogo, terá sido co-autora de qualquer tragédia anunciada.

São fanáticos, são orgulhosos do país deles e fora do estádio até gentis. Mas quando a bola rola não se comportam como quem vê futebol, mas sim como quem disputa os limites de um continente com o vizinho.

Provocam, tentam ir no seu limite e não agem em momento algum como visitantes. Querem tomar sua casa e fazer dela o que bem entenderem.

Não. Não é assim.

É um delírio sem igual achar que podemos misturar os dois numa mesma arquibancada e ver argentinos chamando negros de “macacos”  e “putos” quando fazem um gol sem que isso cause reação. As pessoas aqui, mesmo as mal educadas, estão em sua casa e devem receber visitas, não se adaptar a elas.

Há uma lei na arquibancada que quem frequenta conhece bem. Quem vive de Chelsea na TV não sabe o que é futebol, tem apenas uma idéia.  Você não pisa no território inimigo passando dos limites. Um dia eles virão no seu e essa relação é muito complicada.

É o jeito deles. Honestamente, por mais que eu os odeie quando o tema é esporte, eu nem acho que seja madoso. Mas é muito irritante.  É um convite a uma confusão e ela vai acontecer, como várias vezes aconteceu isoladamente no Maracanã hoje a tarde.

Curioso ver o número de brasileiros que foram lá torcer pra argentina e mudaram de idéia durante o jogo. Ou a simpática relação de “vamos ver o Messi” que aos 30 do primeiro tempo já era um sonoro “Messi vai tomar no cu”.

Eu nunca tive qualquer pudor em dizer que precisamos odiar a Argentina e vice-versa para que exista paixão pelas seleções. Sem rivais não há sentido, mas tem um preço.

Brasileiros e Argentinos não podem assistir um jogo de futebol sentados lado a lado.

É o que acho. E pelo que vi hoje, vamos continuar achando sem saber a resposta.  Esse time deles não chega na final pra descobrir.

abs,
RicaPerrone

5 minutos do Rei (Costa do Marfim 2×1 Japão)

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Sabri Lamouchi.  Este francês de 42 anos e nenhuma representatividade no que faz, estreante em Copas, e ainda em seu primeiro emprego como treinador, se aproximou das trevas neste sábado a noite.

Ao escalar a Costa do Marfim sem Drogba, foi autor do primeiro atentado terrorista em terras brasileiras. Foi além de todas as aceitáveis possibilidades táticas que o futebol já criou para barrar não apenas o melhor jogador do time e da história do seu país, como também o dono do time.

Drogba é uma lenda.

O sujeito que deu volta olímpica antes de classificar o time pra Copa, perdeu o jogo, saiu prometendo que voltaria com a vaga do jogo impossível contra Camarões lá e o fez.

Ele não é o Pelé da Costa do Marfim. É muito mais do que isso.

Se Sabri desconfiou que poderia comandar a seleção dos Elefantes, se enganou. Entendeu por mal que só quem pode conduzir a manada é seu líder Drogba.

Ele não fez os gols. Mas entrou e em 5 minutos o time virou o jogo. Porque se movimenta, lidera, passa confiança e marra. Algo fundamental a qualquer grupo vencedor.

O Japão promete um futebol mais competitivo desde 1994. Cansei de ouvir, é sempre a mesma coisa. Tem 2 ou 3 acima da média e um time disciplinado ao ponto de ser acéfalo.  Treinados para não errar, mas que não ousam para acertar.

Tinha que dar Costa do Marfim. Mas tinha que ser com Drogba.

abs,
RicaPerrone

 

Buuu! (Costa Rica 3×1 Uruguai)

Na Copa passada o Uruguai foi a sensação. Mais pelo drama do gol tirado com a mão do que pela bola em si, mas aquele ato heróico/cafajeste do Suarez os colocou novamente na lista de favoritos, onde não figurava há muito tempo.

Com um bom time, uma safra enfim aceitável, vieram ao Brasil falar em  “fantasma”.

Natural. Se alguém pode dizer que “joga em casa” além de nós, são eles. Os responsáveis pela maior dor da história de um país.

Fantasminha pra lá, pra cá, e vamos focar em Inglaterra e Uruguai. Os legítimos candidatos a duas das três vagas na próxima fase.  A Costa Rica? Esquece.

Em 1950 o Brasil esqueceu de jogar com o Uruguai e comemorou o título antes do jogo. Jornais, politicos, torcedores. Era apenas protocolo a partida. E aconteceu o que aconteceu.

Lá se vão 64 anos e o cara que não se achou nas figurinhas da Copa e virou piada mundial virou protagonista. A figura da Copa até aqui.

Viraram um jogo épico e sem perspectiva alguma. A Costa Rica é um time fraco, que dificilmente será a zebra da Copa.

Sua vitória de hoje deve ser confirmada como algo isolado e que nem mesmo elimina o Uruguai. Mas seu feito heróico de 1990, quando foi as oitavas perder de 4 para a Tchecoslováquia acaba de ser ameaçado.

Temos sim um fantasma no Brasil!

Atende pelo nome de Costa Rica e sua maior ameaça é a sua própria história. E agora, também, a história do já capenga fantasma uruguaio que há muito não assusta mais ninguém.

abs,
RicaPerrone

Armeration (Colômbia 3×0 Grécia)

Quando colocaram a Colômbia na lista de favoritos ao título, achei exagero.  Quando a vi jogando nos amistosos pré-copa, mantive a opinião.  Sem Falcão, estava bem seguro dela.

Até entrarem em campo no Mineirão e aquele mar amarelo e azul cantar e pular como se jogassem uma Libertadores em Bogotá.

Enquanto quebravam protocolos nas arquibancadas, Armero fazia 1×0 rapidamente na covarde Grécia e mudava o rumo de um jogo com vocação pra insuportável.

Dancinha, cadeiras para os pés e não mais para as nádegas. O Mineirão pulsando em jogo “neutro” na Copa do Mundo.

Nada que a Grécia pudesse fazer seria suficiente.  Suas chances são pragmáticas, diante de platéias frias e que aplaudem lateral. Não estão acostumados a ver algo tão participativo e quando encontram fatalmente se assustam.

Tem sido assim desde o jogo de abertura, continuará sendo.

Em casa, a Colômbia é um time consideravelmente forte.  Não para ser campeã, mas para levar a essa multidão que veio nos visitar a mais do que quatro partidas, talvez.

Em parceria com a Opta, com exclusividade, o gráfico de posicionamento estatístico do time colombiano e o mapa de calor.

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Capenga. Sem novidades táticas, sem o rigor do futebol moderno, mas com a alegria do futebol de verdade.

abs,
RicaPerrone

Porque você? (Chile 3×1 Austrália)

Porque torcer por Chile ou Austrália?

Quando a bola estava perto de rolar na Arena Pantanal fiz uma rápida viagem pela história e descobri que ambas não dizem quase nada ao futebol mundial.  Mas que o Chile diz um pouco mais.

Lembrei que a Austrália é uma representante do mais fraco e que adoramos ver zebras no futebol. Mas na verdade um empate ou mesmo a vitória australiana representaria o fim das chances de uma “zebra”.

É no Chile que depositamos aquela vontade muda de ver a Espanha, ex-melhor do mundo, de volta ao seu mediocre lugar.  É o fim do insuportável tic tac, é o golpe final que sacramenta a morte daquele que a Holanda já atropelou.

Não, a Austrália não pode fazer isso.

O Chile, com essa torcida que vimos hoje, com nossa ajuda em terras cariocas… porque não?

Quando ouvi o hino do Chile, não tive mais dúvidas.  O melhor pro futebol nesta noite era ver Valdívia e seus colegas “quase craques” levando o Chile, “quase zebra”, a uma possível decisão contra a Espanha, a “quase ex protagonista”.

E pelo espetáculo daqueles que viajaram para acreditar no inacreditável, pela impotência australiana e  também pela fila no Outback, resolvi: Serei Chile!

E mesmo não acreditando no ímpeto dos 15 minutos iniciais, por um segundo repensei a vontade de enfrentá-los.

Mas passou. Junto com as bolas que não entraram da Austrália, que sim, jogou o suficiente para um empate que não veio.

Mas, chileno que fui, fiquei feliz.

Porque temos um grupo cheio de alternativas onde se previa óbvio.  Óbvio é o toque de lado quase insuportável que camufla um esquema defensivo numa mentira bem contada sobre “posse de bola”.

Viva quem arrisca. Viva Chile!

abs,
RicaPerrone

Uma Copa brasileira (México 1×0 Camarões)

As últimas duas Copas do Mundo foram marcadas por uma série de jogos ruins e truncados no seu começo. Ainda é cedo pra dizer que será diferente, mas já é justo reconhecer que tem sido, e que tem nosso dedo nessa história.

Ao contrário dos estádios africanos e alemães, nossos torcedores não sabem curtir um esporte. Eles tem a necessidade cultural de tomar partido e, portanto, não assistem ao jogo sem empurrar um dos lados.

O futebol com torcida é absolutamente outro se comparado ao futebol com platéia.

Queremos mais! Eles sentem. Não é só um esporte, é uma questão de que lado estamos. E se de adotamos, corram por nós. Sabendo quem somos, arrisquem! Não vão nos conquistar burocraticamente.  Queremos ousadia, dribles desconsertantes e lances mágicos.

Somos brasileiros, oras!

Eles sabem que não podem nos encantar com carrinhos e laterais.

Diante dos Reis todo plebeu tenta algo mais. E não será diferente na Copa.  Se querem nossos aplausos, nos deem mais do que tática, correria e marcação.

Mexicanos e camaroneses entenderam isso e foram pra cima. Um pra surpreender após ameaça de greve e total descrédito. O outro para comprovar que pode vencer alguém no mundo além do Brasil.

Com erros de arbitragem que pra muitos coerentes plantadores de complôs insinuam a compra da Copa por parte de Camarões, o jogo foi bastante aberto, corajoso e bem jogado.

Aprovado! Padrão “Brazilian Art Football”.

Até aqui, dentro e fora, que puta Copa!

#TaTendoCopa

abs,
RicaPerrone