ingressos

Os “especialistas”

Dinheiro e futebol sempre foram inimigos íntimos. Cada mais especialistas em dinheiro dominam o futebol sem entender que não se trata de um produto simples e de uma matemática convencional onde se ganha mais do que se gasta e portanto há sucesso.

Futebol é algo absolutamente impossível de explicar pra quem fez uma faculdade de exatas qualquer e quer aplica-la nele. Simplesmente porque se o entendesse minimamente saberia que está tentando fazer algo sem sentido.

Renda de milhões! Recordes. Cofres cheios. Sucesso? Não. A Copa América é um enorme fracasso.

Mas como?!

Simples. Não é matemática. É futebol. De matemática muita gente entende, de futebol, pouquíssimas. Inclusive os péssimos gestores da péssima Conmebol, que é pra mim a suprema exemplificação do não entendimento do esporte no mundo.

Ingressos a 400 reais pra ver jogos menos interessantes que os já caros jogos do Brasileirão que custam 60. Vai vender? 20 mil. Dá renda? Claro, é 5 vezes o valor normal. Fez sucesso? Não. Passou vergonha.

Essa matemática deve estar matando os engravatados do futebol.  Eles aprenderam na faculdade como gerenciar um esporte que não tem como ser ensinado e portanto estão quase sempre fora do contexto.

Primeira rodada da Copa América gerou recordes de receita para a Conmebol e as maiores rendas da história do Brasil. E junto disso um fracasso internacional com manchas irreparáveis pro torneio, indicando desinteresse popular e o desvalorizando.

E então? Que horas vão procurar entender o futebol antes de tentar vende-lo?

RicaPerrone

O(s) segredo(s)

Qual o mistério que faz Cruzeiro e Palmeiras levarem gente ao estádio enquanto todos os demais clubes tem suas torcidas ignorando os estaduais?

Aliás, seriam os estaduais?

Não. Claro que não.  Palmeirenses e cruzeirenses estão indo ao estádio ver seus times, viver expectativa de um grande ano e curtir a boa fase. Não tem absolutamente nada a ver com o jogo.

Não há um palmeirense no mundo que acordou domingo e disse: “Opa! Contra o Novorizontino? Não posso perder!”.

Os dois tem em comum cerca de 60% do público formado por Sócios torcedores.  Isso indica competência do clube ao criar os planos. O sócio que vai no jogo passa a achar util ser sócio.

Não são duas torcidas que compram crise. Palmeirenses e cruzeirenses são chatos, extremamente exigentes e acostumados com timaços. Eles não “curtem” o drama. Curtem a vitória, o show de bola.  São perfis diferentes que raramente um torcedor de um clube nota, pois só enxerga o dele.

O Cruzeiro baixou o preço pra algo justo num estadual horrível. O Palmeiras segue usando o fenômeno que é o interesse de sua torcida na nova casa.  Aliás, paulista que sou, até encontro uma justificativa a mais: paulista adora coisa “premium”, “gourmet”.

Mete um “gourmet” na porta do podrão e eles lotam. É um perfil comum em São Paulo pagar mais por coisas mais novas e modernas.  Diferente de Bh, RJ, por exemplo, que são mais “butequeiros”  do que degustadores de cervejas artesanais.

Mas o caminho é simples: Interesse.

Quando seu time joga bem e tem ídolos, destaques, jogadores capazes de te gerar a dúvida do que você irá ver, vale a pena.  Ninguém paga pra ver 11 caras que você sabe que vão se esforçar pra ficar no óbvio.  Você paga pelo ídolo, pelo inacreditável, tal qual o gol de Arrascaeta.

Futebol é simples. Quando marketing e clube entendem o que estão fazendo, a torcida responde. Ou você acha que eu não sairia da minha casa se pudesse ir ver Fred, Thiago Neves, Arrascaeta… ?  Ou ver Lucas Lima, Borja, Felipe Mello?  Espetáculo se faz pelas atrações. E o jogo em si, no Brasil e no mundo, hoje não é mais um espetáculo por si só.

Que Palmeiras e Cruzeiros se multipliquem em 2018.

abs,
RicaPerrone

O menor perigo é a violência

Não costumo ter esse medo da violência em estádios que outros tantos tem. Em 99% dos casos as brigas acontecem no metrô, nas sedes, bem longe de onde está cheio de cameras e policiais.

Em São Januário ou no Maracanã, as brigas dos marginais organizados devem acontecer a consideráveis metros dali.

Não, não devemos deixar de fazer nada porque alguns marginais não se comportam. Devemos cobrar que estes sejam punidos, não que todos sejam previamente censurados a algo.

Não gosto de clássicos em São Januário porque acho que o que resta de futebol no Brasil está no fato do Rio ainda jogar clássicos meio a meio no Maracanã.

Tem Maracanã? Não tem. Tem Engenhão? Não tem. Então, São Januário deixa de ser um “absurdo” e se torna a melhor opção viável.

Os 90/10 na arquibancada, discordo. Acho que podia ser algo mais próximo do meio a meio por respeito a tradição do futebol do Rio. E então o vascaíno dirá: “Mas a casa é minha!”.  E eu te direi que graças a uma atitude dessas o futebol em São Paulo acabou com o direito do torcedor ir a um clássico com seu amigo torcedor rival.

É o que querem pro Rio? Um futebol 90/10, com mandantes em clássicos, dirigentes birrentos e consequencias irremediáveis?

Ou alguém duvida que o Flamengo fará 90/10 no Maracanã  a próxima como vingancinha e a partir de então todo Flamengo x Vasco será assim?

Quem ganha com isso? Ninguém.

Não passa pela minha cabeça que dirigentes de Flamengo e Vasco pensem num futebol melhor nem por um minuto. Mas acho que até o egoismo e a burrice devem ter limites.

A divisão do estádio de São Januário não vai gerar nenhum problema domingo. Vai gerar um problema pros próximos 200 domingos.

abs,
RicaPerrone

Ao Vasco, vascaínos

Quais são suas escolhas, vascaíno? Fingir que não se importa a distância, tentar que aprendam a jogar sob vaias ou dizer “eu já sabia” em dezembro para que a razão tente amenizar sua paixão?

Quando acabou Vasco 1×4 Palmeiras o Rodrigo deu declarações sobre o jogo e deixou um recado bem claro a todo vascaíno:  Eles não tem idéia de onde estão jogando.

Eles chegaram a um Vasco menor, quebrado, machucado e talvez por preguiça ou mera falta de capacidade nunca tenham se informado sobre o que estão de fato representando.

Eu não vejo o jogo de domingo como um duelo por 3 pontos, muito menos como algo interessante pra que você compre seu ingresso. É o pior jogo tecnicamente possível. O Vasco contra o pior adversário. O mais fácil.

Domingo o que está em jogo é uma oportunidade.  Uma chance que o vascaíno tem de remeter o Vasco a ele mesmo. De explicar para os jogadores que ainda não tenham entendido, o que é jogar no Vasco.

Descolorir o Maracanã em preto e branco num jogo sem apelo seria o maior protesto e o maior incentivo a ser feito. Um lembrete de quem são, de com quem podem contar e do que terão se estiverem mesmo dispostos a evitar a queda novamente.

Eles ainda não entenderam nada. Expliquem!

abs,
RicaPerrone

Roda presa

Um sujeito entra num restaurante que ele gosta muito e frequenta ha anos. O garçom então lhe comunica que os preços subiram 80%.

Assustado, questiona o motivo. Se a comida melhorou tanto assim? Na verdade, não. O garçom lhe explica que o restaurante está sem grana e por isso a comida até deu uma piorada, mas que pra melhorar no futuro ele precisa pagar agora mais caro.

Você acha que alguém continuaria ali sentado ou qualquer pessoa de bom senso levantaria e iria embora?

Essa é a lógica do futebol brasileiro.

Eu contesto. E explico.

Um estádio cheio interfere muito mais no jogo do que um jogo na ida ou não do torcedor ao estádio.

E se o jogo melhorar, as pessoas vão querer ir. Indo, se apaixonam, fidelizam, viram sócios, encontram vantagens nisso e o espetáculo melhora pra quem foi, pra quem viu na tv, pra quem anunciou na tv, pra quem patrocina o time, pros jogadores, pro futebol.

Quando eu cobro 60 reais num ingresso de um jogo ruim, eu estou dizendo a você que é muito mais negócio dar estes mesmos 60 pra NET e ter todos os jogos do campeonato naquele mês no seu sofá.

Eu não te apaixono, não te aproximo, desmotivo meu time, jogo menos concentrado, arrasto jogos ruins e ainda passo pro mercado e pro torcedor aquela imagem melancólica de um estádio vazio.

E assim, SE um dia a grana voltar, eu posso ganhar muito com bilheteria. Enquanto não acontece, eu perco vocês pro Manchester City, não ganho por outras vias e ainda amargo o insucesso do sócio torcedor.

Preço, pra mim, é simples. Quanto custa pra que as pessoas comprem? Custa 10? Então é 10.
Se com 20, metade das pessoas compram, é caro. Se com 30 vai encher 30% do estádio, é bem caro.

Não é uma discussão se vale 10 ou 60. É uma filosofia. Se cobra desde já os 60, ou se cobra 10, enche estádio e vai aumentando na medida em que se tem demanda, desde que sempre esteja cheio?

Eu não vejo um clube brasileiro fazer essa conta ao contrário. E então, remeto ao adorado modelo de gestão alemão e pergunto:

O ingresso pra ver o Borussia na Alemanha custa entre 10 e 50 euros. O salário mínimo deles é de 1500 euros. O nosso, 788 reais.

Sabe quantos jogos do Borussia um cara pode ver com seu salário mínimo? 150.

O torcedor, por exemplo, do Botafogo, pode ver 13 jogos com seu salário mínimo.

Estamos ou não tratando um conceito que tanto adoramos com burrice?

O futebol vale quanto o torcedor pagar pra ir. E quando forem sempre, com casa cheia toda semana, que seja a 5 reais, haverá um processo de fidelização pelos jogos grandes.

Então, o ST ganha vida. O torcedor que ontem só via pela tv vai ao jogo, descobre o que é torcer, esquece o Chelsea e compra a sua camisa.

A roda gira pros dois lados. Mas eu acho bem mais fácil e rápida pro lado contrário do que forçamos hoje.

Ingressos a preços que lotem o estádio. Não importa se vai ser 10, 20, 50 ou 5 reais. Mas lota-lo é fundamental.

abs,
RicaPerrone

A prova da burrice

 

Vasco e Flamengo jogam domingo a preços não populares valendo porra nenhuma pelo falido estadual.  Essa frase é repetida pela mídia todo santo dia, tal qual qualquer posição contra ou negativa sobre o nosso futebol.

Quando trata-se de um evento, seja ele qual for, diz a lógica que você deve promovê-lo, ainda mais se sobreviver de seu sucesso.

Eurico Miranda voltou ao futebol e a sua moda, antiga, forçada, até equivocada, conseguiu dar uma aula de marketing para todos esses novos dirigentes de terno e MBA na casa do caralho, e mais ainda pra essa imprensa tosca que incentiva dia após dia o torcedor a não consumir mais o produto que ela mesmo vende.

Vasco e Flamengo se tornou um grande jogo pela promoção dele. Se voluntária ou não, tanto faz. Mas Eurico conseguiu, com a boca, sem MBA, fazer o que qualquer Chael Sonnen sabe fazer no esporte: promoveu o espetáculo.

Haverá 50 mil pessoas no Maracanã. Hoje a tarde venderam 15 mil. Filas e mais filas. E ninguém quer necessariamente avaliar o nível técnico, o que vale o jogo ou os preços do ingresso.

Querem ver porque o jogo foi vendido como “algo imperdível”.

E então, aos duzentos anos e no alto de seu retrocesso, Eurico Miranda consegue ser melhor promotor de eventos que todos os novos dirigentes e a péssima mídia esportiva que ainda não sacou sua real função no processo.

E não, não quero exaltar o Eurico Miranda por isso. Quero mostrar o quanto somos estúpidos ao enfiar porrada no que é nosso o tempo todo.

Torcedor quer motivos pra CONSUMIR futebol. E a mídia faz de tudo pra afasta-lo dele.

Burrice. Esse é o nome.

Algo que, com todos os defeitos do mundo, Eurico não é.

E teremos o Flamengo x Vasco que merecemos. Em meio a um torneio tosco, sem valor, sem qualquer motivo se não a simples vontade de vencer o rival.

abs,
RicaPerrone

O Grenal sem derrotado

Estádios novos e próprios. O maior número de sócios torcedores do país, o Inter com um time invejável sem ganhar os 200 milhões da Globo, e o Grêmio se reerguendo aos poucos após anos de má administração.

O clássico que mais envolve “ódio” no país, disparado. Porque tem política, peso social, e mais uma duzia de motivos que fazem do Grenal muito mais do que um jogo de futebol. Mas no fundo, pro que importa, ele deve ser tratado desta forma.

Apenas um jogo de futebol.

E como entretenimento, em pleno 2015, é fundamental que seja direcionado a seres humanos e não a pessoas desequilibradas incapazes de viver em sociedade.

O futebol nos tira do eixo. Mas não pode nos mudar a índole. Se você é um sujeito de bem que sabe rir num bar com amigos rivais num fim de tarde qualquer, não vai se transformar num marginal que quer matá-los domingo. No máximo quer ganhar deles.

Haverá 2 mil ingressos para torcida mista no Grenal. Um passo a frente na mesma hora em que todos andam para trás. Uma atitude de 2 clubes que conseguiram conversar como gente grande e não colocar suas pequenas necessidades acima do futebol.

Não há Grêmio sem Inter. Não há Inter sem Grêmio. E se houver, nenhum deles será grande. Pois a grandeza de um clube está diretamente ligada a grandeza de seu grande rival.

A mídia, que adorou pisotear em Porto Alegre quando Aranha foi alvo de uma duzia, hoje ignora o contraponto ao clássico paulista onde tentaram impedir pessoas de se cruzarem nas ruas por futebol. Os times do Sul hoje buscam o que todos deveriam buscar.

Sócios, bons times, união, inteligência e colocar o futebol acima do clube.

É o primeiro Grenal da história que tem dois vencedores.

abs,
RicaPerrone

A lógica brazuca dos ingressos

Torcida-Flamengo-comprar-ingressos-Goias_LANIMA20131104_0044_1Imagine você que tenho um restaurante. Ele é antigo, já bem tradicional na cidade, mas anda meio caidão. A comida tá meia boca, faltam opções, o refrigerante nunca tá gelado. Os clientes estão sumindo aos poucos, migrando pra outros restaurantes.

Mas reformei a casa. Então, como ela anda vazia e preciso que ela volte a lucrar, resolvi colocar os pratos com o dobro do preço. Assim, vendo mais caro, pego mais dinheiro e só depois faço de fato uma comida melhor.

Mas obviamente com os preços mais caros e a comida ainda ruim, posso perder mais e mais clientes, indo a falência.

Ainda assim, contrariando a lógica de qualquer mercado, eu vou tentar apelar pra “fidelidade” dos meus clientes e dizer a eles que, pagando o dobro hoje para comer mal, amanhã poderão voltar e comer bem pelo mesmo valor.

Não me parece justo. Nem sequer razoável. Mas acredite: tem quem queira ir por este caminho.

O nosso futebol é um restaurante antigo indo a falência. O reformaram, investiram nas cadeiras, mesas, até na propaganda. Mas não adianta, o prato continua “comum” e pra piorar os preços são de restaurantes de primeira linha.

Não há cliente no mundo que pague um Porcão pra comer no Bob’s. E se ele fizer isso, não é você um grande negociador, mas sim ele um grande idiota.

O valor praticado nos ingressos do futebol hoje em dia são tão estúpidos e injustos que o valor de uma arquibancada equivale a um mês de PPV, onde você assiste a TODOS os jogos daquele período (cerca de 50) ao vivo na sua sala, de chinelo, tomando cerveja a 3 reais e não a 12.

O apelo do Sócio Torcedor é quase tosco. Mas ainda assim, é aceitável que se venda uma promessa e não um produto. Você pede ajuda para amanhã devolver em resultados. É um investimento.

Isso não tem sentido quando falamos da compra simples de um evento.

Não custa mais do que um cinema de quarta-feira (20 reais) uma partida de futebol as 22h entre um time grande sem nenhuma estrela e um time de série C.

Não pode custar 60 reais, o valor de um teatro confortável com grandes atores, um jogo entre o misto desinteressado do São Paulo e o time do Mogi Mirim.

Não há argumento pra isso. Nem mesmo a “logística do Sócio Torcedor”, pois trata-se da venda de um produto e não de um ideal.

O ideal você vende pelo Sócio Torcedor. O espetáculo você vende pelo espetáculo. E não é espetacular o que estamos vendendo hoje. É bom, o terceiro melhor nacional do mundo, mas não pode custar o que eles mesmos entendem ser o valor cheio de 50 jogos na televisão.

“Ah mas todo mundo paga meia”. Foda-se. Está errado. A meia, que nem deveria existir, já que estudante não é doente, é uma condição e não um valor.

Valor é o total cobrado por uma entrada convencional a um evento. E não, não tem como cobrar mais do que 20 reais (a mais barata) num jogo comum de Brasileirão, quanto mais de um falido estadual.

O torcedor é apaixonado, cego, mas também sabe fazer contas. Entre o boteco da esquina passando o jogo pra 10 amigos com cerveja a 5 reais e o estádio, com mais um ou outro, a 60 paus, com cerveja a 12 (sem álcool), a escolha é óbvia.

Só que além da idéia de “ir ao estádio” deveria ter um conceito de que é lá dentro que se descobre futebol e paixão. Pela tv se tem alguma idéia, mas não tem 30% do que você sente dentro do campo.

É ali que se fideliza gerações, que se gera paixão e que se planta pra colher sempre.

Não faça biquinho porque você “ama seu time mesmo não indo no jogo”, pois você sabe tanto quanto qualquer um que adoraria poder ir. Pois fatalmente um atleticano que estava no Independência no dia do Tijuana amará mais o Galo do que um que não frequenta.

Fatalmente quem viu o gol do Pet do Maracanã tem muito mais idéia do que é Flamengo do que aquele que vê pela Tv.

Paixão não se mede. Mas o estádio é parte fundamental do futebol. Estar nele, poder tentar comprar seu ingresso, se sentir parte do resultado e viver aquele drama por 90 minutos é a essência do jogo.

E se te entregar isso por 90 minutos e ter você por uma vida como cliente fiel é menos negócio do que ganhar 60 paus pra te fazer ver a bosta do Fluminense x Madureira, eu lamento. Merecemos mesmo a CBF.

Pensamos como ela.

abs,
RicaPerrone

O acerto sobre os erros

Eurico-Miranda-Home-Cleber-MendesLANCEPress_LANIMA20141203_0190_25

É fácil demais ser dirigente de clube no Brasil.  Primeiro eles assinam calendário, regulamento, acordo com TV e o escambau. Depois passam o ano reclamando pra torcida que é um absurdo.

Então não assina, porra!

Não vamos esperar algo muito inteligente por um futebol melhor. Eles pensam apenas no próprio clube, a CBF inexiste, não há um “dono”  do futebol aqui como há num UFC por exemplo, e não vai mudar nada enquanto não houver. A questão é: o Eurico tá errado ou acertando em cima de 2 erros grotescos?

Primeiro: Num futebol onde paga-se 500 mil a um jogador, cobra-se 60 paus num ingresso para sustentar o conceito do Sócio Torcedor e com estádios que parecem sala de cinema de Shopping, não faz sentido algum que os clubes joguem 4 meses do ano contra times de série C.

Os estaduais acabaram. Não querem entender isso por bem? Vão entender quebrando a cara nas finanças até que alguém tenha a coragem de assumir que não é parte de uma cooperativa que tenta salvar o Itaperuna e sim um clube que busca lucro.

Tendo claro que este é o primeiro erro, vamos ao segundo.

Já que haverá estadual, porque assinam os grandes que o regulamento deve ser por maioria se discordam dele? A maioria, senhores, inclui o interesse de times de série D. E você, campeão de série A, dificilmente terá uma meta parecida com a dele.

A maioria quer ingressos a 5 reais. Flamengo e Fluminense estão ERRADOS! Porque? Porque assinaram isso. Eu também acho que o clube deveria determinar o valor. Mas o combinado não sai caro. Flamengo e Fluminense assinaram este regulamento e portanto devem cumpri-lo.

Ou aquele papo todo anti-tapetão só serve pra mudanças quando não convém a seu clube?

Note, repito, eu não acho que deveria ser assim. Mas se é, se assim foi acordado, então Eurico foi o mais sensato deles.

Se é fato que vamos gastar 4 meses do ano contra times de merda, estádios vazios, interesse zero e que o acordo é pra que a maioria esteja satisfeita, então que baixe o ingresso e pelo menos dê ao estadual uma conotação popular.

Qualquer jogo de futebol melhora 200% com público no estádio. É como uma peça. Sem platéia, o ator não brilha.

E o sócio torcedor? Isso é problema do Flamengo e do Fluminense. Que ao assinarem um acordo onde a maioria seria respeitada, tem que saber dos riscos que isso determina.

O melhor dos mundos é uma rebelião! “Não jogo mais essa merda!”.  Pronto, estamos livres de 4 meses de sono. Mas eles não farão, pois também não sabem exatamente o que é melhor pro futebol.

Aqui, sem dono, vivem em busca de uma fatia maior de um bolo pequeno. Quando venderem isso pra alguém capitalista de fato terão um bolo maior pra dividir fatias maiores.

Estando determinado 4 meses de estadual, com a “maioria” sendo respeitada, Eurico foi bem demais. Porque Flamengo x Madureira vale 5 reais mesmo. Idem pra Vasco x Friburguense,  Botafogo x Bonsucesso ou Fluminense x Bangu.

abs,
RicaPerrone

Venha buscá-lo, vascaíno!

Em 1989 eu era um garotinho de 11 anos e meu pai me levou ao Morumbi pra “ver o São Paulo ser campeão”. Pela primeira vez na vida chorei por causa de futebol.

Era o Vasco indo ao Morumbi com uma multidão de vascaínos buscar o Brasileirão que tanto queriam e mereciam naquele ano.

Em outras diversas oportunidades o Vasco foi campeão, chegou a cair, subiu, teve crises, glórias, ídolos e perebas.

Dizem que sábado o Vasco disputa uma partida importante pela série B no Maracanã. E a alguns dias de uma eleição que pode mudar a história do clube, ou piorá-la, vejo bem mais do que isso.

Voltar ao Maracanã, também casa do Vasco, é um detalhe. Mas ver o Maracanã lotado de vascaínos e o time vencendo grandiosamente pode ser mais do que um jogo de série b.

Talvez o que mais precisem os candidatos a presidente, jogadores, diretores e até mesmo vocês, torcedores, é um banho de Vasco da Gama. Uma retomada do que de fato são, para que não cometam equívocos na hora de decidir o que serão daqui pra frente.

O jogo no sábado é um detalhe. Você lá, de preto e branco, gritando, cantando, exaltando e se lembrando de um Vasco de Maracanã lotado as vésperas de uma eleição é o maior e mais importante “recado” que pode ser dado.

Um “lembra de mim?”. Aquele Vasco que sempre fui, não o que me fizeram ser.

É nesse que vocês vão votar. Num Vasco que não joga por empate na série B. Num Vasco que paga salários, que causa medo, respeito, admiração.

No Vasco que lota estádio, que entope o setor visitante dos jogos fora. Do Vasco que disputa títulos de série A, não o que briga na série B.

Um Vasco gigante, atordoado com tantas pauladas, mas absolutamente saudável para ainda reassumir seu posto.

Vá ao Maracanã, vascaíno. E não exatamente por causa do jogo, mas por causa do Vasco.

Quantas vezes uma vitória do seu clube foi buscá-lo de um momento triste na vida?

É hora de você ir até lá, com todos os seus, e buscar o Vasco de volta.

Vai virar as costas pro seu “primeiro amigo”?

abs,
RicaPerrone