semifinal

Saiu barato e pode custar caro

O resultado é muito bom e o River está bem perto da final. Diria que está, não fosse o Boca do outro lado.

A diferença entre os dois times é muito grande. E essa diferença só se iguala em fatores não tão atuais, mas sim históricos.

O Boca é um time que você tem que matar quando pode. O Palmeiras que o diga em 2018. Se não matar, ele dá um jeito e te elimina. Em campo estão seguramente os dois times mais ajudados pela arbitragem da Conmebol em todos os tempos. E portanto nada me espantaria.

Ontem foi jogo pro River sair com 4 ou 5. Saiu com 2.

Acho bem improvável a virada, já que o time do River é consideravelmente melhor. Mas é o Boca, e a Libertadores já me ensinou que ela não leva isso tão a sério.

RicaPerrone

E não acabou

O Grêmio faz um time sem estrelas, ganha a Copa do Brasil e muita gente chama de lampejo.

Vem a Libertadores, o Grêmio ganha sem dó nem contestação. É semifinalista da Copa do Brasil e quarto no Brasileirão. Agora sim, acaba.

E não acaba.

Vem 2018, o time ganha o estadual, a Recopa, termina o Brasileiro em quarto e vai a outra semifinal de Libertadores.

Vende peças nesse período e repõe a maioria sem gastos. Aliás, tem gastos. Os únicos caros foram André, Bolanos e Marinho. Nenhum acima de 10 milhões de reais. Os três não deram certo.

Curioso. Mas agora acaba.

O ciclo do Renato está no fim. O Flamengo fez proposta, o Luan está mal, não tem como. Agora acaba!

E ganha o gaúcho,  aparece em seu time, feito em casa, o melhor jogador do país e também da seleção na Copa América que ganhamos.

Renato fica. Everton também.

E vem a semifinal da Libertadores, a da Copa do Brasil, o jogador mais caro do país fica, e ainda faltam 4 meses pra acabar o ano.

Agora acaba?

Não acaba. O que deveria acabar é a busca doentia por dinheiro num país onde bem administrado você tem TODAS as soluções dentro de casa.

Deveria acabar a justificativa de que “ganhando menos do que aquele eu não posso competir”.

Ou melhor, a de que sem muito dinheiro hoje em dia só por milagre.

Pois que canonizem o Grêmio então. Porque ele é a prova de que todas as “verdades” de quem perde não passam de grandes desculpas.

RicaPerrone

É muito melhor

O Galvão tem razão. É muito melhor contra eles. É diferente. Temos apenas nesse jogo a sensação de ganhar de um rival com a seleção.

Por mais que Itália e Alemanha sejam consideravelmente maiores que a Argentina, a gente não se odeia. A gente se respeita.

Por mais que seja o Uruguai que nos calou em 50, a gente não se odeia. É uma vontade de ganhar desportiva.

Contra eles parece que mesmo quem “pouco se importa”, se importa.

Jogando bem, jogando mal, de 1×0 ou goleada. Não tem a menor importância. É um raro momento onde o clubista assume a camisa da seleção, ignora análises e quer apenas vencer. Basta.

Aquele “meio a zero tá ótimo” que nunca serviu pra seleção e é mantra no clube, enfim, pode ser unificado. E é só neste jogo, porque domingo é preciso ganhar e jogar bem.

Hoje, não. Bastava ganhar “deles”.

Feito, como sempre. Quando não há nada de “estranho”, o resultado é quase sempre o mesmo.

Lá se vão 26 anos de fila, uma insistência tosca de boa parte da imprensa brasileira em querer coloca-los onde não merecem e, pasmem, até virar casaca.

Nada muda.

Nós na final, eles em casa. Nós discutindo se poderíamos jogar mais, eles explicando como podem não jogar nada.

Se domingo formos campeões, será bom. Mas nem mesmo o título será melhor do que hoje.

Como diria o Galvão, ganhar é bom. Ganhar da Argentina é muito melhor.

E é mesmo.

RicaPerrone

Agora é sério, “meninos”


O Brasil tem diversos jogos importantes em sua temporada. Existem vários bons adversários e especialmente Itália e Alemanha, que juntamente com o Brasil formam o trio de ferro das seleções.

Mas de todos os jogos possíveis há apenas um “grenal” pra seleção. Aquele jogo onde não se trata de futebol apenas. Se trata de honra, de força, de equilíbrio e postura. É o jogo onde a única coisa que importa é o resultado. E este jogo vai acontecer na terça-feira.

Brasil x Argentina, aqui, valendo vaga e mandando um pra casa. Casa cheia, com Messi, nós favoritos. Se temos hoje uma desconfiança sobre a força mental dessa seleção, é o grande teste. É o dia de responder a nossa dúvida.

Uma final contra Colômbia? É uma final contra um adversário. Dar a vaga na decisão à Argentina dentro do Brasil e correr o risco de tira-los da fila aqui dentro é algo “divertido” e “curioso” pra nossa imprensa e pra molecadinha fã de futebol. Pra eles, lá, seria o caos. E pra nós, aqui, deveria ser também.

Esse jogo representa mais do que a própria Copa América.

A hora é agora, “meninos”. O que nós queremos de vocês é essa vitória. O resto a gente negocia, se convence, relativiza, culpa o juiz. Foda-se. Mas terça-feira vocês escolhem entra a seleção que passa gel pra entrar em campo ou a que elimina a Argentina e sai sambando.

Não preciso dizer qual o povo ama. Boa sorte.

Deles, não.

RicaPerrone

Não , não pode

Futebol é resultado. Essa frase é antiga, justa, real mas ao mesmo tempo nociva.  A classificação do Corinthians é justa. Foi na bola, dentro da regra, o goleiro é deles, recebe do clube. Logo, não há como distorcer os fatos.

O que dá e deve ser discutido é a forma. E não porque a forma de usar o regulamento seja novidade ou um absurdo, mas porque já é hora de rejeitarmos algumas apresentações.

O que o Corinthians fez ontem lembra o que o Santos fez contra o Barcelona. Foi assistir a uma decisão de dentro do campo sendo surrado e não reagindo nem emocionalmente.

“Saber sofrer”  é o cacete. O Bragantino pode saber sofrer e não disputar uma partida apenas pra se defender. O Corinthians não.

Se revoltar com uma atuação dessas é um sintoma de respeito. A vaga é motivo de festa, a partida em si de preocupação.

Não vamos também meter essa de “justo” ou “injusto” porque o Santos não completou o processo que é fazer o gol. Então sua competência também é discutível.  Mas não jogar é inaceitável.

É o estilo do Carille? Não concordo.  Mas desde o Tite o Corinthians é um time consciente e que controla o jogo. O que vimos ontem é diferente disso. Não houve controle algum. Foi um massacre.

Dizer que chegaram na final os dois “piores” times também não é muito razoável.  O Santos não tem um timaço, o Palmeiras tem outro foco. Os dois foram pelos pênaltis. Eu não vejo esse drama todo.

Mas não. O Corinthians não pode atuar dessa forma. Ainda mais diante de um grande rival.

RicaPerrone

As regras e o brasileiro

Regras existem para encerrar discussões, não para aumenta-las.

Quando um grupo de pessoas sob regras debocha delas e/ou ironiza quem vai em busca de que elas sejam cumpridas, muito se explica sobre o cenário deste grupo.

A Portuguesa não é vítima de ninguém mas sim a grande vilã do Brasileirão que não rebaixou o Flamengo, que por sua vez foi punido corretamente exatamente pelo mesmo motivo: descumprimento de regras.

Outro dia no carnaval um jurado pegou um papel errado, a escola foi prejudicada e então foi cobrar que as coisas fossem justas. O que fez a escola beneficiada? Reclamou, porque quando a regra não nos dá vantagem a gente não se importa com ela.

Somos um país de filhos da puta, num continente tão filho da puta quanto.

A filha da putagem pode estar em nosso DNA, mas nunca no papel. E então, surgem as regras.

O treinador do River debochou de uma punição, riu da cara de todo mundo e ainda assumiu que fez porque era importante pro time. Há discussão agora sobre se era ou não importante, tendo a confissão do descumpridor da regra.

“Na bola”?

Que bola? A que bateu no braço, a que o Dedé não chegou e foi expulso ou a que jogou o Santos pra ser roubado por um sistema que não cumpria as regras?

A do Boca em 2012, a do River em 2005 ou as dezenas de vezes que um time brasileiro viu seu copinho de água atirado no gramado cumprir a regra e as pedras em outros países serem ignoradas?

Que regra é essa que nos diz que para não busca-la sob a “vergonha” de tentarmos ser justos?

Onde estão meus “colegas” jornalistas que não tem vergonha de pedir voto pra bandido em eleição e não tem coragem de botar a camisa dos nossos clubes para brigar pelo que é certo?

Não fosse tão radical contra nós, talvez relevaríamos. Mas sendo a Conmebol o absurdo contra brasileiros que é há tantos anos, não é mais do que óbvio que o Grêmio vá buscar seus direitos, embora saiba que não deva conseguir porque está sozinho como sempre ficou, e como também deixaria seus rivais se precisasse.

Num país onde se discute regras após o jogo começar, nada nunca poderá dar certo.

Regras são regras. E ponto final.

abs,
RicaPerrone

Em pé, gremista!

As vezes a Batalha dos Aflitos tem outro protagonista e nem é nos Aflitos. As vezes a história nos reserva o papel de coadjuvante numa grande vitória alheia.

O Grêmio está fora da final que foi dele por muito tempo.

Bressan é o vilão mais óbvio, mas minutos antes o herói Cebolinha havia perdido um gol tão absurdo quanto o pênalti cometido.

O gol deles bateu na mão. Mas nem a tv viu na hora. E também se tivesse visto não sei se anularia, porque este sim estava num movimento natural próximo ao corpo.

São 2 anos de glórias incontestáveis, baixos investimentos, um time sem estrelas compradas e todas as reposições feitas em casa.

São jogos e mais jogos para a história do clube, abraços e lágrimas para sempre na vida de cada gremista. O que esse time fez foi história.

Quando perdeu foi quase sendo herói, e não entregando o ouro. Sem Leo Moura, Luan, Everton o time já não tão qualificado assim pelos nomes e que não contrata reforços caros eliminava o River contra toda a lógica do mundo.

E então aconteceu.

Poderia ter acontecido aos 15 do primeiro tempo. Mas para ser uma história incrível alguém tem que perder. E hoje o Grêmio é pano de fundo da história que o River escreveu aqui.

Que não façam vilões, que não contestem ou desmereçam esse trabalho memorável de 2 anos que ainda tem pela frente uma disputa de vaga na Libertadores de 2019.

Engole o choro, levanta a cabeça que sábado tem jogo. Esse time não merece que você vire as costas pra ele.

Até porque, até o dia 28 ainda dá pra cantar… “Gremio, Grêmio, nós somos campeões da América!”.

abs,
RicaPerrone

Mais favorito do que antes

Se o empate fora parece um bom resultado, os 90 minutos de Flamengo e Corinthians contrariam essa avaliação.  Como cada vez mais comum no futebol moderno em virtude de sua força física, intensidade e espaços reduzidos, o time que abre mão do jogo consegue anular o que tenta jogar.

Na Copa foi assim, hoje também.

O Flamengo saiu vaiado por parte da torcida que está mais irritada e frustrada pelo empate do que observando o jogo em si. Foi intenso, bem escalado, com alterações que fizeram sentido e o time amassou o Corinthians a maior parte do tempo.

Se eu fosse corintiano comemoraria o empate e ficaria altamente preocupado com o que foi apresentado. Se eu fosse Flamengo estaria bem otimista com a volta mesmo sendo fora de casa.

Os números do jogo são constrangedores. É valido? É. Concordo? Jamais.

Time grande tem que jogar bola. Não me importa se com Juquinha, Messi ou 11 mancos. Sentar dentro da área e impedir um jogo não é condizente com o Corinthians.

Compreendo? Até que sim. Treinador novo, time fraco, etc.  Mas ainda assim, não concordo com o que foi proposto hoje.

Se havia um favorito antes do primeiro jogo era o Flamengo pelo time que tem. Agora pelo time  e pela covardia do adversário.  O Corinthians tem sua camisa e casa para acreditar. Porque futebol…

abs,
RicaPerrone

E o destino?

“Destino, porque fazes assim? Tenha pena de mim, veja bem não mereço sofrer…”

Aos 31 anos, após amassar a bola em boa parte da carreira de empréstimos, o pra muitos “imprestável” viveu o dia em que tudo valeu a pena.

O futebol pode ser cruel por uma vida com você, mas um dia, pelo menos uma vez, ele te devolverá com juros e correção tudo que você passou numa emoção sem igual.

Hoje foi o dia do Fabrício entender a lógica que havia nisso tudo. O Fluminense virou, teve o contra-ataque aberto e é sua melhor arma. O Vasco tinha que fazer dois. O Maracanã assistia a uma contundente classificação tricolor em mais uma má atuação do lateral.

Paulinho e seu talento raro empatam o jogo. E aos 50, num acréscimo justo mas que será o “porem” do lado de lá do dia seguinte, a bola sobra pra ele fazer o gol da sua vida.

O campeonato carioca está uma merda. Vide o público de um jogão desses. Mas ainda que mal organizado, estupido e sem credibilidade pelos seus dirigentes, quando duas camisas dessas se enfrentam valendo uma vaga o que menos importa é a vaga.

Em campo o time da virada. Lá em cima o time do amor.  Como parece ser a sina vascaína em 2018, no ultimo minuto, Como na eleição, na altitude, e agora no estadual.

Cuidado, Fogão. Se quiser o título, marques-os até o final.

abs,
RicaPerrone

Grande quando quer

Você pode acreditar ou não, mas eu levo comigo a certeza de que no vestiário antes do jogo você sabe o que vai levar pro campo. Não me refiro a jogadores, mas sim ao espirito. E também não falo de luta e garra. Falo de postura.

Time grande ganha quando se sente grande. Time pequeno quando assume que é pequeno. Nunca vi time pequeno achando que é grande dar certo, nem time grande se manter bem com pensamento pequeno.

O Botafogo apanhou na Guabanara feito um time pequeno. Revoltante, de dar dó até. Aí numa semifinal o Botafogo entra em campo de outra maneira. Olhando reto, não pra cima. Peitando, dividindo, não se sentindo inferior nem mesmo olhando pra arquibancada.

E o Flamengo de milhões é quem assiste.

Time grande faz gol e debocha. Time grande ganha jogo difícil. Time grande dá troco em campo e não em nota oficial. Time grande não faz birra, faz gols.  Time grande não tem medo de cara feia.

O Botafogo ontem foi grande. Se fosse assim sempre, ainda maior seria. Que o espírito Loco Abreu permaneça nesse time que as vezes esquece a camisa que está usando.

abs,
RicaPerrone