
SPFC
Diniz requer confiança e persistência

Nunca foi do dia pra noite. Toda grande mudança vem com confiança e persistência.
Cuca, Telê, outros tantos, levaram anos para conseguir o resultado do que acreditavam. Conseguiram. Diniz tem uma proposta única, que gosto, discordo em alguns pontos, mas respeito na medida em que ele insiste nela.
Você não pode mudar de idéia o tempo todo. Pode fazer ajustes, repensar etapas, conceitos, mas não desistir é parte fundamental de uma mudança.
Se o SPFC ouve torcedor e parte da mídia e demite Diniz, prova que não sabe o que está fazendo e que não acredita no projeto. Tem que manter. E mais do que manter: deixar claro pro elenco que ele vai ficar. E se alguém não se adaptar, que saia.
É assim que dá certo. Só assim.
Pode ser no SPFC, pode ser em 10 anos. Mas eu acredito na idéia do Diniz. Uma hora os 10 centimetros que separam a bola na trave do gol vão sumir e então teremos um futebol bem jogado, protagonista e vencedor.
Não é isso que buscamos de volta? Pois então que se apoie.
RicaPerrone
Rica analisa a temporada do São Paulo
Diniz? Sem muro!

Não sei se no lugar do Leco eu arriscaria tanto. Mas de fora, sabendo que o que está na reta é deles e não meu, gosto da escolha.
Diniz é 8 ou 80. Ele tem algo, porém, que me lembra o Telê. Ele não abre mão do que ele acredita por causa do resultado. Telê foi chamado de burro e pé frio por 20 anos até chegar no SPFC e ganhar tudo daquela maneira. Eu não sei se concordo, mas sei que gosto de quem acredita no que está fazendo.
O Fluminense jogava bem mais do que podia. A bola não entrava, o time perdia por um lance e falta de qualidade técnica. Mas o time comprou o barulho do Diniz.
Se o SPFC comprar, qualidade técnica tem. E talvez ali teremos um encontro de uma idéia nova com um time talentoso.
Porque não?
É um treinador de rápido diagnóstico. Você sabe rapidamente se o time comprou ou não. E se não comprar, pode demitir em 1 mes porque não vinga nem a pau.
Mas se comprar, com Hernanes, Daniel, Pato… gosto do que posso imaginar ver em campo.
RicaPerrone
Analista de placar ninguém precisa

Fico absolutamente constrangido quando noto que, em 2019, algumas pessoas que trabalham no futebol ainda não notaram do porque é tão apaixonante. Pra alguns é caso de ganhar ou perder, o placar diz tudo.
E se diz tudo, que fique quieto. Pois já está dito.
Hoje cedo me deparei com uma manchete na Globo dizendo que o empate no Morumbi foi “brincar com a cara do torcedor”.
É foda. Mas vamos lá.
Primeiro que o CSA se propôs a não jogar, esperar uma bola, aconteceu e por isso o empate. Como deve ter acontecido umas 6 milhões de vezes no futebol o time menor tentar impedir o jogo e jogar por um contra-ataque.
Segundo e mais importante: o SPFC jogou uma partida consideravelmente melhor do que vinha jogando. Finalizou 30 vezes, sofreu com 2 chances de gol contra 9 criadas.
Se isso não é ter um bom desempenho, voltemos ao placar. E pra comentar placar basta um poste.
Não acho o resultado bom, nem normal. Menos ainda acho que um time que correu até o último minuto criando oportunidades esteja brincando com a cara de alguém.
Desrespeitoso, covarde até eu diria. Sem contar com o a absoluta falta de respeito ao CSA.
“Ah mas tá na zona de rebaixamento!”. O Cruzeiro também está.
Ontem vi um resultado ruim num jogo onde o treinador escalou perto do time que a torcida queria, com um primeiro tempo massacrante, só que a bola não entrou.
As vezes entra, as vezes não. Fosse óbvio seria basquete. Amamos porque não tem lógica.
Ao contrário do que um simples placar, o despeito e desrespeito de jornalistas sobre um time por um resultado, o que vi ontem foi evolução. Jogou bem mais do que vinha jogando. E só não saiu do Morumbi com 6×1 a seu favor por detalhes que fazem do futebol apaixonante.
Péssimo resultado. Não uma péssima atuação.
RicaPerrone
O SPFC não cabe numa Arena

As vezes eu acho que passa. Tem dia que eu até penso nem me importar mais, tamanho o desgaste que isso dá no dia-a-dia. Mas quando um clube não precisa nem de uniforme e nem de uma bola pra parar o futebol e se fazer protagonista, algo está muito vivo ali dentro.
O Morumbi que já foi de Raí, de Luis Fabiano, Kaká, Hernanes e Lugano foi entregue a Daniel. Ao vivo, a cores, ali mesmo.
As vezes você se baseia apenas em o que ganhou, quando na verdade não é bem isso. Ou, pelo menos, não é só isso.
Ali havia gerações que não ganharam. Mas marcaram. Ídolos sem taças. Mas ídolos. E outros lendários, hoje criticados em suas funções como meros mortais que jamais serão.
O capitão da seleção brasileira, recém chegado da Europa onde jogou em dois gigantes, emocionado porque pela primeira vez na vida, já rico, campeão e consagrado, estava onde de fato sonhou estar.
Ali no palco havia títulos. Mas não era isso.
Identidade. Pertencimento. Saopaulinismo.
Sim, inventei agora essa última.
Não sou bobo de achar que é só o meu, ou de ignorar as festas alheias. Quero mais é enaltecer os rivais, pois ganhar deles torna-me ainda maior.
Moderno, o futebol clama por arenas, ingressos caros, piso de marmore e cadeiras estofadas. Mas que espere. Ou pelo menos que de nós, desista.
As arenas são belas, lucrativas e cheias de atrações. Mas não tem do nosso tamanho.
RicaPerrone
O que falta ao Daniel?

Lhes digo sem medo de errar: uma camisa em seu país pra carregar pro resto da vida.
Ídolo do Barça, passagens por outros europeus grandes, altos e baixos na seleção, e títulos pra todo lado. Daniel fez aquilo que todo jogador sonha. Foi do Brasil a um grande europeu, ganhou, seleção, capitão, título e… falta uma coisa.
Ser o Daniel de algum clube.
Daniel do Barça, ok. Mas brasileiro não torce pro Barcelona, simpatiza. E os que acham que torcem quando crescerem vão mudar de idéia. É parte do processo que separa homens e meninos descobrir que torcedor é diferente de fã.
Ídolo de todos, ao mesmo tempo ídolo de ninguém. A todo craque restam duas opções: ou a Copa do Mundo ou um clube pra eterniza-lo. Daniel não tem a Copa, mas agora poderá ter o clube.
Não, o Bahia é formador. Não é ídolo do Bahia. Será do time que atuar como destaque, não daquele que foi lançado e logo saiu.
Falta ao Daniel apenas isso na carreira: um time brasileiro pra ele tatuar na sua história. E que time pode ser melhor do que o dele?
Daniel cheira a título. O SPFC hoje cheira a derrota. O casamento vai mudar um dos dois, esperamos que seja o São Paulo.
A contratação é grandiosa. Discutem os valores, mas calma lá. Se o Pato pode ganhar 1 milhão e o Gabigol 1,3, porque diabos o Daniel Alves capitão da seleção brasileira precisa discutir o seu salário acima de 1 milhão por mes?
Puta contratação. Pra ambos.
RicaPerrone
Quando a bola entra
Se o resultado foi muito bom, a atuação não. E se você puxar os últimos jogos rapidamente na cabeça verá que o SPFC sofre com a lentidão de Pato e Hernanes em péssima fase.
Não porque não prestam. Mas porque parecem estar jogando de favor. Seja lá pelo motivo pessoal que for, o SPFC com qualquer garoto é mais perigoso do que com eles.
No Maracanã o Fluminense foi bem melhor. O que não significa vencer, já que é especialidade do Flu jogar melhor e também tem sido sair do jogo perdendo.
Penalti? Sim. Bateu.
Eu não gosto dessa “nova regra”. Preferia a simples da mão na bola e bola na mão. Mas… a regra é essa. Penalti, portanto.
E segue o enterro.
O curioso é que ontem o Maracanã viu o time que mais “merece” e não faz o gol perder, e o time que ontem não jogou quase nada fazer o gol e vencer.
Estatísticas. O biquini do futebol. Mostram tudo, menos o que todo mundo quer ver.
RicaPerrone
#TBT: Aristizábal
Quando o São Paulo anunciou o tal de Aristizábal em 1996 ninguém sabia quem era. As coisas não eram faceis como hoje, não tinha internet e descobrir algo sobre um jogador colombiano era quase impossível sem ser via a opinião de um jornalista qualquer.
Ele veio pro time de Parreira que contava com Muller, Almir, Denilson, Djair, Edmilson, Serginho, Belletti… puta time.
Óbvio que com Parreira não funcionou. Ele conseguiu deixar Muller e Ari no banco de Almir e Valdir Bigode. Mas não me espanta. O que me espanta é a diferença entre a fama e a qualidade de certos jogadores.
Ari não era craque. Mas era muito inteligente, rápido e servia gols de bandeja pra quem estivesse a sua volta. Um jogador raro, não a toa bem utilizado pelo Luxemburgo no Cruzeiro ao lado do Alex, que é outro que jogava pensando e não só correndo.
Jogadores como Ari hoje teriam espaço ainda. Ele nunca se esquivou de correr em virtude da técnica ou da inteligência. Talvez pela técnica hoje seria um jogador valioso da Premiere League. Pelo conjunto, um craque.
Na época dele, não foi. E embora tenha títulos e passagens “simpáticas” a torcedores de vários times do Brasil, nunca conseguiu ser ídolo como seu potencial sugeria. Meu, foi. Tenho até camisa dele até hoje. Mas Ari é só mais um dos muito bons jogadores que nasceram com 20 anos de atraso pra serem craques.
RicaPerrone
Cuidado com o Raí

Normalmente são jovens que se dispõe a protestar. E normalmente jovens passam a se achar idiotas 10 anos depois. Eu compreendo porque já fui, e de alguma forma anda sou na medida em que daqui 10 anos me acharei hoje um idiota.
Saudável. Porque se você não achar que há 10 anos era um idiota a única conclusão que há é que você ainda o é.
Então, sabendo que são jovens em sua maioria que saem de casa para ir ao CT protestar, até porque já fiz isso quando adolescente, vamos ponderar uma coisa bastante importante nesse processo de insatisfação.
Cuidado com o Raí.
Talvez pra muitos de vocês ele seja um ex-jogador dirigente. Mas para quem viu a sua geração e a anterior torna-se até consideravelmente uma constatação de que trata-se do maior jogador de nossa história.
Com todo respeito ao nosso capitão Ceni, Raí foi o elo entre um SPFC regional e um SPFC mundial. Ceni foi o grande goleiro de um time já gigante. E por isso a idéia de importância dada sem números e comparações atuais.
Critica-lo é parte do show. Ele topou ser dirigente. Mas hostiliza-lo, não.
Estamos falando do cara que pegou nosso clube bicampeão brasileiro e o deixou campeão do mundo, bi da Libertadores e com mais um Brasileiro. E não porque jogava lá, mas porque decidiu quase TODAS essas finais, inclusive duas raras conquistas contra o Corinthians, onde normalmente não temos “sorte”.
Raí só não é um “Deus” no Morumbi e no dia a dia do futebol porque é quieto, culto, vive viajando e não se mete em nada. Não gosta de mídia, não dá declaração polêmica e portanto pouco interessa aos microfones.
Mas mesmo que ele venda o Antony e compre o Eder Luis de volta pelo mesmo valor, ainda assim, ele é o Raí.
Pros mais novos talvez isso não faça sentido. Pra quem tem quase 40 o que não faz sentido é não haver uma estátua deste sujeito no Morumbi.
Protestemos. O clube merece. Mas nesse caso, e somente nesse caso, com uma pé no freio. Raí não é dirigente, é o protagonista das mais belas páginas da história que estamos indo lá cobrar.
RicaPerrone