STJD

O Brasil é um hospício

Deve ter se passado uns 30 anos desde que o Brasil entendeu que violência no futebol é responsabilidade coletiva. Desde então os casos continuaram e nada mudou. Porque será?

Será que mesmo vendo a campanha na tv “somos todos torcedores” os marginais não pararam de brigar? Ora, que surpresa!

A distância que ha entre imprensa, justiça, opinião popular e o crime é tão surreal que em 2 dias de arquibancada qualquer idiota percebe.

Discute-se a violência no futebol. Não há violencia no futebol.

A violência é nacional, social, 24/7. Vai acontecer no estádio do mesmo jeito que no bar, no shopping, em qualquer aglomeração onde marginais se misturem a uma massa.

O marginal é frouxo. Ele nunca faz sozinho com a cara limpa. Sempre em bando pra que punam o bando, nunca ele. E então, encoberto por otários que topam pagar a conta dele, ele repete. Repete. Repete. Repete. E quando morre um, foi “a violencia no futebol”.

Não fode. Foi a justiça brasileira e a burrice coletiva midiática que não consegue enxergar haver nisso uma dose de crime organizado com outra de verdadeiros bandidos que isoladamente não fariam se existisse um cpf em questão.

Mas não há. Querem punir alguém, não importa quem. É mais fácil e impactante acreditar que tirando do ˜torcedor” a entrada no estádio você o puniu. Burrice. Ele não está nem ai.

Será tão dificil notar que repetir a ação por 30 anos e não ver resultados indica uma ação errada?

Que diabos tem o Sport e seus 99,9% de torcedores de bem com isso?

Segue o circo. Os palhaços não tem mais esperança. Quem sabe amanhã numa campanha de tv conscientizando quem não precisa o bandido veja e pense “poxa nao vou mais brigar então”. E então, a paz reinará. Mas só no estádio. Na vida, seguimos convivendo com crime. Mas no estádio a gente vai impedir com uma campanha ou uma punição em massa atingindo 99,9% de inocentes pra buscar 0,01% de culpados,.

Rica Perrone

Era mais fácil

Felipe Melo é xingado por torcedores e cuspido na saída do campo.  Ele reage mostrando um dedo e está punido por 5 jogos pelo STJD, que ao lado da Conmebol e da CBF formam o trio terrorista dos amantes de futebol no Brasil.

Você, torcedor rival do Palmeiras, dirá: “mas ele não pode mandar o dedo pra torcida!”.

Porque?

O cara pode ir lá, xingar do que quiser, cuspir no sujeito e ele não pode revidar porque o torcedor sensível aguenta falar o que quer e não pode ver um dedo do meio que se sentiu lesado?

Aposto que nenhum torcedor do Santos se sentiu assim. Até porque estavam na Vila e não em casa esperando começar Arsenal x alguma merda.

Era simples. O direito de xingar dá o direito de ser xingado.  Quantas vezes aguentei o Romário fazendo gesto pra mim na arquibancada porque passei o jogo gritando contra ele e no final ele meteu um gol e calou minha boca?

Já chega o absurdo da torcida única, que é a vitória da meia dúzia, a falência do estado. Agora vamos ter também a torcida sensível.

Se chamar de “viado”, pára o jogo. Se revidar ao torcedor com gesto, tá suspenso. Se comemora, amarelo. E entrar em campo só juntinho com musiquinha, pode. O VAR? Erra tanto quanto o juiz. E o campeonato Brasileiro segue nas mãos de gente de terno e gravata formada em marketing e administração na casa do caralho e que nunca sairam de uma cadeira cativa pra entender de fato o que é futebol.

RicaPerrone

A razão que se nega

A regra é a solução encontrada pelo mundo para a falta de bom senso. Se houvesse o bom senso não seria necessário o rigor de uma regra. Mas o bom senso é um luxo que poucos tem alcance.

O que o Botafogo está pedindo é justo. E um tanto quanto injusto.

É regra. Mas usada pelo interesse próprio e não pela causa. A causa é maior e por isso o STJD deve negar o pedido do Botafogo que, insisto, tem base, tem razão, mas não tem função.

O VAR lá está para que erros como os que diversas vezes mudaram resultados do Botafogo eliminando-o de torneios até não aconteça mais. E nesse processo as vezes vai acontecer um erro de 5 segundos pra lá ou pra cá onde o juiz tenha que decidir entre “ter apitado” ou não cometer um erro que mude o jogo.

Ele mandou jogar. Só que o pedido dele interromper o jogo, embora haja regra pra discutir isso, não alterou em rigorosamente NADA o que deveria acontecer.

Foi pênalti.

E aí o Botafogo procurou uma forma legal de se dizer injustiçado num lance onde, sem qualquer interferencia negativa para o jogo, o árbitro corrigiu um erro grave de fato.

O objetivo do VAR foi alcançado com sucesso: corrigir um erro que mudaria o resultado do jogo.

Se você me falar que a bola rolou e alguém tomou amarelo, que pararam um contra-ataque do Botafogo, algo assim, ok. Vamos avaliar as perdas. Mas não há nenhum dano ao Botafogo os 5 segundos que ele demorou a mais para pedir pra interromper.

Tá na regra? Tá. Pode reclamar? Pode.

Deve? Não.

Ser lesado é diferente de encontrar uma oportunidade pra sair beneficiado. Que no caso é o que aconteceria se o Botafogo anulasse a partida por uma ação do árbitro que não interferiu em absolutamente NADA do que seria caso ele tivesse recebido o aviso no ponto 5 segundos antes.

Essa deveria ser a discussão. Mas entre o bom senso e o clubismo, a disputa e o bem maior do futebol que são os 3 pontos, foda-se o bom senso.

RicaPerrone

Não é simples assim

Outra vez uma câmera pegou um grito racista no futebol brasileiro. Por coincidencia com o mesmo time do caso Aranha, e sabemos ser mera coincidencia pois esse é um grito não tão incomum no futebol, infelizmente.

O ponto é o que fazer a partir deste momento.

Os mais afoitos vão no óbvio da rivalidade e pedem que punam o clube. O que é um absurdo sem tamanho, mas é um absurdo com jurisprudência.

Outros pedem o correto, que é a identificação individual do autor e a responsabilização pelo ocorrido. Simples assim.

Nem tanto.

Todo mundo aqui sabe o que acontece num estádio. Quem não sabe sugiro que pare de ler pois vai virar “grego” pra você.  É um ambiente enlouquecedor, com surtos inimagináveis e onde fazemos coisas que jamais faríamos em nosso juizo perfeito.

Não nos dá direito, no entanto, de cometer crimes. Mas por mais absurdo que isso seja, culturalmente o estádio ensinou as pessoas que elas podiam SIM cometer crimes ali sob o argumento de ser parte de uma torcida e não um indivíduo.

Quem briga no estádio nunca foi julgado como quem briga na rua. Quem atira uma pedra no estádio jamais pagou por tentativa de assassinato. E quem comete racismo ou qualquer outro tipo de preconceito no estádio nunca saiu de lá sequer com um puxão de orelhas.

Então fomos nós, todos nós, que criamos esse ambiente e o trouxemos até aqui como algo comum.  Pegar uma pessoa, o clube, uma torcida e condena-la como a responsável por algo incomum também é um pouco hipócrita.

Acho que o problema é maior. Vem de fora do estádio pra dentro, mas é muito do fato de que dentro do estádio há uma lei paralela e isso tem que acabar. Mas não só pro racismo. Pra tudo.

Precisamos parar de falar da “torcida do…”  e falar do fulano. Precisamos punir individualmente e com as regras da rua, não do futebol.  Ser racista não implica em perder pontos no Brasileirão, mas em pagar na justiça.

O futebol é o gatilho pra atitudes que não tomaríamos de cabeça fria. Eu sei, você sabe, não sejamos hipócritas de dizer aqui que jamais num gol, numa derrota ou algo do tipo não fizemos algo parecido. Especialmente porque, repito, sempre foi algo “autorizado” dentro do estádio.

Mas massificar a responsabilidade é uma puta cagada.

Exatamente o contrário é o que imagino ser o caminho pro fim da violência no futebol e também, por consequência, desse tipo de crime.

Individualizar o erro. Então, por favor, parem com essa coisa de “gremistas racistas”, “tem que tirar ponto”, entre outros fatores que tornam o erro desportivo. Ele é social. Não se trata de futebol.

RicaPerrone

Joguem pelo Inter

Eu não vou entrar na pilha de generalizar o Inter como “um time sujo”, como já fazem por aí e muito Colorado fez com o Flu em outros momentos.  Vou tentar separar as coisas.

STJD: O que o Inter está fazendo é o que quase todos os clubes fazem em novembro quando percebem risco de queda. Eles ligam pro juridico e pedem pelo amor de Deus uma brecha. As vezes acham, outras não. Mas quase todos eles procuram.  E se acharem, TODOS eles iriam adiante. Assim como todos os torcedores desses times diriam: “Mas regra é regra, ué! Não é tapetão”.

É assim que é.

Quanto a oportunidade de não jogar a última rodada, de ser o time mais “abalado” e o que reagiu mais cheio de idéias, é claro pra mim que trata-se de uma desesperada tentativa de jogar idéias ao vento pra ver se cola. Mas diretoria do Inter, meus caros, especialmente Carvalho por quem tenho enorme respeito…  Cai em pé.

Pode até ser que não caiam dia 11, e faço votos! Mas se cair, como tudo indica, caiam como o grande Inter que um dia “quase caiu” e foi ao Japão ser campeão do mundo.  Não prestem-se a esse papel de revolta a todo custo sendo o Inter um exemplo de clube até outro dia.

Vocês ostentam uma das mais dignas atitudes do futebol brasileiro que foi não ir ao jogo em 87 e portanto manter o decidido entre os grandes. Vocês podiam ter “roubado” o título do Flamengo numa viagem ao estádio. E não foram por honra ao combinado.

Agora, com a Chapecoense neste momento, o menor dos problemas é o Inter e a série B. Que diferença faz? Tu cai, joga, volta, e segue.  É só isso.  Ninguém morre.

Do outro lado, morreu.

Não soa bem interromper a dor pra encontrar alternativas legais de rever a sua dor menor. O Inter na série B é coisa do jogo, faz parte, acontece com todos, e com quem não aconteceu ainda, um dia acontecerá.  Mas o Inter odiado, não. Esse não é parte do jogo e nem da história escrita até aqui.

Vamos relevar o STJD porque sempre existiu e sempre existirá, seja qual for a cor da camisa. Se houver uma brecha, todo mundo quer entrar ali.  Mas joga, Inter. Joga e ganha do Fluminense feito Internacional. Feito o campeão do mundo.

Esse Inter que está pensando em como escapar pode até não cair de divisão. Mas cai de patamar de grandeza.  Rebaixamento moral é muito pior que jogar a série B.

Joguem.  Joguem domingo, joguem a série B se precisar. Mas joguem feito Internacional e sua história.  Não humilhe seu torcedor por um ano de série A.

abs,
RicaPerrone

Caros auditores do STJD;

Eu não sei quem vocês são e prefiro assim. Na medida em que souber posso fazer avaliações toscas como as que vemos por aí sobre o time de coração de cada um.  Prefiro não. Prefiro partir do princípio de que são pessoas de boa índole e que não prejudicariam esse ou aquele por birra ou clubismo.

Partindo deste princípio, venho lhes perguntar se estiveram na Disney.

Sim, a pergunta é essa. Vocês já foram à Disney?  Espero que sim.  E se foram, eu gostaria de saber porque não entenderam.  É tudo tão claro, é um desenho tão detalhado do que se trata entretenimento e pessoas felizes que eu custo a crer que seja difícil observar.

Vocês vão me dizer que estão aí para aplicar regras. E se as regras não fossem interpretativas, vocês não estariam aí. Logo, tudo cabe uma boa dose de bom senso.  Na medida em que os anos vão passando, o STJD vai se tornando o inimigo do torcedor, quando na verdade seu objetivo era fazer “justiça” e, portanto, nos dar o que esperamos e gostaríamos.

Ontem vocês tiraram uma torcida do seu estádio, tiraram o jogo final de uma cidade por causa de um abraço. Sim, um abraço entre pai e filha que emocionou a todos, que foi a imagem do jogo, que virou capa dos jornais e que deu um tempero extra a essa decisão.

“Ah mas eu estou aqui pra cumprir regras e ela diz que…”. Não! Não está! Você está aí pra julgar situações, não pra ler regulamentos e dizer amém.  Fosse assim não haveria julgamento, apenas a leitura do regulamento.  Vocês são seres humanos capazes de entender o que palavras num livro de regras não podem interpretar.

Não houve lesados, beneficiados, problema algum. Apenas um pai eufórico que permitiu sua filha a vir abraça-lo.  E então diante de tal punição você diz pro torcedor que é rígido ao extremo, e amanhã deixa passar um cuspe na cara como se nada fosse. Outro dia vocês tiraram a pena de um jogador que BATEU no juiz. O Petros, lembra?   Mas a Carol no campo, não! Tudo tem limites. Um abraço nem pensar.

Do que vocês estão falando, afinal? De um sistema carcerário ou de um evento de entretenimento? Será que não está claro que o que pra vocês é trabalho tem como fim a diversão das pessoas?  E que, portanto, toda ação deve buscar preservar acima de tudo a satisfação delas?

Por favor, volte na Disney. Passe uma semana olhando em volta e tentando entender porque aquela porra de rato está sempre pulando e os funcionários todos sorrindo mesmo num dia ruim.   Porque trata-se de ENTRETENIMENTO.  E ninguém no mundo paga pra se irritar. Você paga pra ter prazer. Perder, ganhar, faz parte. Mas se sentir lesado, “roubado”, feito de otário… ninguém paga por isso.

O STJD já é o inimigo número 1 do  torcedor brasileiro. E me custa crer que este seja o objetivo de vocês, tal qual imaginar que isso não lhes incomode.

Mudem. Está tudo muito errado. Os critérios são sem sentido, os pesos e medidas absurdos e vocês conseguiram sugerir que um título saísse das mãos de sua torcida porque um pai abraçou uma filha em área proibida.

Pelo amor de Deus… não passa pela minha cabeça que vocês salvem o nosso futebol. Mas pelo menos tentem não estraga-lo ainda mais.  Ontem vocês chegaram ao fundo do poço.  Fiquem por lá, mas deixem seus cargos para alguém menos rancoroso, infeliz e amargo. Alguém que na Disney abrace o Pateta, e não que o rejeite pra fazer o papel dele por aqui.

abs,
RicaPrrone

Somos menores porque somos iguais

Eu vou morrer repetindo a mesma coisa e provavelmente mesmo sabendo que estou certo, não verei a mudança. Nosso futebol é menor do que deveria hoje porque somos todos iguais.

Cobramos da CBF e jogamos nela toda a responsabilidade que é dos clubes. Mas amamos os clubes, logo, os defendemos. E portanto criamos rivalidade até no caráter, onde nos tornamos responsáveis apenas pelas últimas horas de nossas vidas, sem passado.

O Fluminense entrou na justiça, com justiça. O Flamengo acha injusto. Mas há 3 anos, não achou e fez o mesmo. Se fosse o contrário, faria novamente em 2016. Simplesmente porque somos todos iguais.

O Peter não vai deixar o Mário dizer “eu teria anulado o jogo” na campanha dele. Então, fará o processo.  E amanhã vai rachar com o Flamengo quando assinar com a Globo escondido e foder a Liga. Liga? Quem liga?

A merda que fizeram enchendo de time pequeno tornando a alternativa ao estadual… um grande estadual.

Eles são políticos representantes de torcedores e, portanto, tão torcedores quanto. Nunca um clube sem dono pensará no futebol. Nunca sentarão na mesma mesa e de fato poderão fazer algo juntos pelo melhor de todos. São cegos, pequenos, apaixonadamente burros.

Não há nada errado no Flu ter pedido anulação do jogo. Simplesmente porque se o fosse o Flamengo teria feito exatamente o mesmo, como aliás, os fatos comprovam em 2013.

Se nós quisermos um futebol menos no stjd e mais claro com times mais fortes e mais dinheiro, só os clubes podem sentar numa sala fechada e fazer. Mais ninguém.

E eles não vão fazer. Porque tal qual eu e você, são torcedores. E quando convém, mudam de opinião e de lado.

O Fluminense é o Flamengo. E o Flamengo é o Fluminense.

abs,
RicaPerrone

Minha tese sobre arbitragem no Brasil

Primeiro vamos parar com o papo de “só aqui”, blá, blá, blá porque toda porra de campeonato, Copa ou Champions League tem erros grotescos de arbitragem, com a diferença de que a mídia não fica em cima disso porque o time do jornalista não foi eliminado.

Todo ano inventa-se uma nova tese. Outro dia era pró-Rio, agora os de SP ganhando é uma campanha pró-SP, e assim vai até que na final da Copa do Brasil dois mineiros se enfrentem e digam que, ou foi pró-MG, ou contra tudo e todos.

Fato é que as vezes eles erram mais pra um e menos pra outros.  E na minha cabeça é razoável entender como acontece.

(Sim, eu vou partir do princípio que são profissionais honestos)

O futebol brasileiro é completamente político. Do seu clube ao presidente da CBF, a meritocracia é muito baixa e na falta de estrutura empresarial, a politica move quase tudo. Assim sendo, juizes tem que estar bem com a CBF e para isso devem receber menos pressão dos clubes.

Quando o Corinthians é prejudicado pesa X. Quando o Fluminense é prejudicado, pesa meio X.  Logo, toda vez que o juiz tiver uma dúvida entre os dois, ele vai apitar pro Corinthians.  Ele, eu você, qualquer um de nós.  Você está ali defendendo o seu e não uma paixão.  Ele quer errar o menos possível. E se for errar, contra quem menos tiver força de pressiona-lo.

“Mas então você está dizendo que…”

Não! Devagar. Estou tentando explicar onde encontro lógica para a arbitragem pender para lados em determinados momentos.  Porque os times do RJ estão reclamando da arbitragem mais que os paulistas?  Porque a diretoria toda da CBF hoje é paulista. E não quer dizer que eles digam pro juiz: “Ajude o paulista”.  Quer dizer que o arbitro sabe disso e que se influencia psicologicamente.

O arbitro tem dúvidas o tempo todo. Imagine você Grêmio x Chapecoense, um lance na área, aconteceu, você não viu com detalhes, o bandeira não pode ajudar, você tem 1 segundo pra apitar.  Você apita pro Grêmio, irmão! Vamos ser honestos com o instinto humano de sobrevivência.

Arbitro nenhum é burro de querer eternizar seu nome como o cara que “roubou” um time de massa.

Não acredito em nada de armado até que me provem. E se você acreditar e continuar vendo e vibrando com isso, és um tremendo babaca.

Poderíamos ser o primeiro país a profissionalizar a arbitragem num nível acima de confederações e federações, diminuido a influencia política sobre as decisões e portanto dando mais tranquilidade ao arbitro?

Não. Não podemos.

Porque a base do futebol de qualquer país são os clubes. E se eles são totalmente políticos, sem critérios e baseados no relacionamento para determinar poderes, é impossível que acima deles haja algo que seja diferente disso.

Insisto até o último dia que escrever sobre esportes: Reclame com seu time. Ele pode mudar tudo.  A CBF, a Federação, a puta que pariu, são nada sem os clubes. Nunca o contrário.

abs,
RicaPerrone

Aos milhões de não tricolores

Hoje, 12 de novembro, é o “Dia do Fluminense”.  E exatamente por isso, em homenagem a este dia, gostaria de me dirigir a quem não é tricolor.

Embora neguem até a morte, todo tricolor tem dentro de si um sentimento amargo de injustiça quando lhe rotulam como o “time que virou a mesa” do futebol brasileiro pra não disputar série B.

Veja você, justo ele, o único dos grandes a jogar a série C.

Elitizado desde sempre, o Fluminense é também alvo da cultura nacional de se odiar os ricos e bem sucedidos. Ao não incorporar o “povão”, o Flu se torna “inimigo”, “antipático” e um alvo fácil.

Conheço dezenas de não tricolores que odeiam o Fluminense por mera desinformação propagada pela mídia que, num processo simples, prefere omitir a verdade e lesar a “menor torcida dos 12 grandes”(segundo pesquisas)  do que atingir outras massas para desmistificar os rótulos.

O Fluminense tem “3 viradas de mesa” na sua conta. Mas você realmente as conhece ou só repete a piada em tom de verdade absoluta porque ouviu dizer?

1996 – O Fluminense foi rebaixado. Em maio de 97, antes do Brasileiro começar,  a Globo divulgou áudios que sugeriam um esquema de corrupção na arbitragem envolvendo Corinthians e Atlético PR. O tal o “um zero zero “, lembra?  Pois bem. Para não validar qualquer injustiça, a CBF anulou o rebaixamento do ano anterior e em 97 fez  um campeonato com 26 clubes, entendendo, como se repetiria em 2005, que se havia suspeita de compra de resultados, não poderia valida-los.  Portanto, a “virada de mesa” de 1996 foi algo feito em virtude de um esquema de corrupção que envolveu os presidentes de Corinthians e Atlético PR, não o Fluminense, beneficiado por tabela tal qual o Bragantino.

2000 – Em 1999 o Fluminense subiu para a série B. Ele havia disputado a série C após cair em 97, repetir a dose em 98 e em nenhum dos casos ter tido ajuda de tapetão algum pra não sofrer as consequências.  No final de 99 o Gama entrou na justiça porque o Caso Sandro Hiroshi (SPFC x Botafogo) não lhe parecia justo. A justiça comum deu ganho ao Gama, e proibiu a CBF de fazer um campeonato sem ele.  Impossibilitada de fazer o campeonato, ela repassa ao clube dos 13, que por sua vez arma um Brasileirão com 116 clubes e obviamente beneficia por tabela 0 Fluminense que é um dos que sobe de divisão.

2013 – Não há qualquer evidência de que haja envolvimento do clube a ou b com o erro da Lusa em 2013. O que temos até agora é uma investigação que não disse nada, que não consegue encontrar um “corruptor” e nem comprovar a corrupção da Lusa. Neste caso, o Fluminense estaria sendo rebaixado e acaba se salvando pelo erro adversário. Não há qualquer mudança de regra para que ele fique na série A. Apenas o cumprimento da regra que a Portuguesa descumpriu.  Passados muitos meses a FIFA dá razão ao STJD e mantém a punição ao Flamengo, o que torna o rebaixamento da Portuguesa uma salvação imediata, na tabela final, ao Flamengo e não ao Flu.

E o que pretendo com isso? Nada além de esclarecer a verdade para algumas pessoas que, por preguiça ou por acreditar no que tanto se repete como fato, jamais foram atrás de saber se o Fluminense “virou mesa” ou se foi beneficiado pelo erro dos outros.

Por incompetência dele, sem dúvida, estava constantemente envolvido em rebaixamentos. Logo, é um dos alvos mais fáceis nas mil viradas de mesa do futebol brasileiro até os anos 2000.

Hoje, de volta ao topo com todos os méritos e já tetracampeão brasileiro, o Fluminense não é mais aquele clube que trocava de divisões apostando em jogadores mediocres e trilhando um caminho tosco.

A verdade, meus caros não tricolores, é que o Fluminense é alvo de uma grande injustiça até que se prove o contrário.

Embora eu não tenha como mudar seu sentimento de indignação com este clube, devo aproveitar a data pra prestar a ele o serviço mais básico do mundo na minha profissão: dizer a verdade.

No Brasil é um pecado moral ser elitizado, não fazer questão de mudar, não ostentar a pobreza e se orgulhar de sua gente cheia de dentes.

É pecado ser Fluminense.

Que Deus os perdoe.

abs,
RicaPerrone

Após susto, Lixeira passa bem

Após ser covardemente agredida pelo jogador Fred, a lixeira da Arena Pernambuco identificada por “Lixeira do corredor” passa bem e pode voltar a receber lixo nos próximos dias.

O crime aconteceu ao final do jogo entre Sport e Fluminense, onde visivelmente irritado com o resultado, o marginal atingiu a vítima com um chute. Controlado pelos demais da gangue, a briga não foi além.  As demais lixeiras, num ato curioso que demonstra falta de união da classe, sequer se moveram.

A lixeira foi internada em estado grave mas já teve alta. Foi reparada por uma equipe médica e já pode voltar as suas atividades após delicada cirurgia.

image“Até quando vamos ter que tolerar esse tipo de agressão enquanto trabalhamos? Que país é esse?!”, disse um cinzeiro próximo a lixeira.

Revoltados, os lixos recicláveis disseram que podem abandonar as cores e usar todos o mesmo tom, dificultando a identificação do povo na hora de jogar o lixo fora.

Lixeira do corredor era mãe de um pequeno cesto de banheiro e trabalhava na Arena há mais de 1 ano.

O marginal agressor não foi detido, mas o STJD o denunciou.

O Fluminense, nome que se dá ao bando que ataca lixeiras em Arenas, ainda não respondeu a acusação. Especula-se que um caminhão de lixo pode ser incendiado pelo grupo nesta madrugada.

A polícia está atenta.

abs,
RicaPerrone